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Identificação dos terrenos é a essência do sucesso

Identificação dos terrenos é a essência do sucesso

Por Chris Martinez | Para o Valor, de São Paulo

Carol Carquejeiro/ValorSallum, da Lumine: cerca de 50 pessoas são envolvidas no processo de aquisição de terrenos para a implantação de novos shopping centers

 

O terreno é a alma do negócio.

A procura de bons terrenos para instalar um shopping center é um processo trabalhoso e que pode implicar no sucesso ou não de um empreendimento. Não apenas por conta da localização, o que, por si, parece óbvio. Mas também pela condição do terreno, da qualidade de sua documentação, da região onde será construído, das características do consumidor que circula por ali e de outros dados preciosos. Há, enfim, uma infinidade de senões que precisam ser atentamente estudados.

Para mapear essas informações, de maneira criteriosa e com qualidade, a Lumine – empresa especializada em soluções para shopping centers – acaba de criar uma divisão de business inteligence, conhecida pela dupla de siglas BI, justamente para se dedicar ao tema.

“Percebemos que o mercado de shoppings trabalha de forma receptiva, recebendo as ofertas de terrenos vindas por parte dos vendedores, e decidimos apostar numa ação mais pró-ativa, colocando uma equipe a campo para vasculhar as melhores ofertas”, afirma Claudio Sallum, sócio-diretor da Lumine que está, atualmente, envolvida com 30 projetos de shopping no país.

Criada há oito meses, a área de BI conta com três funcionários dedicados full time a esse serviço de buscar as melhores oportunidades no varejo. Depois de encontrar o terreno candidato à mina de ouro, essa equipe faz o cruzamento de informações e conta com o apoio de um instituto de pesquisa (que tem dados de renda per capita, dados econômicos, demanda dos consumidores, etc). Também utiliza o suporte de outras áreas dentro da empresa, como a de engenharia, de arquitetura, além de contar com o staff de advogados. Neste processo, cerca de 50 pessoas são envolvidas. Em sua peregrinação, a área de BI também se encarrega de identificar potenciais investidores locais. “Achamos importante ter um sócio local para entrar junto no negócio”, afirma Sallum.

Em oito meses, segundo ele, já nasceu um projeto dessa área. Trata-se do Shopping Praça Nova Araçatuba, que abrirá as portas no primeiro semestre de 2014, com R$ 120 milhões de investimentos. Uma das principais características do empreendimento é o terreno: situa-se à beira da rodovia Marechal Cândido Rondon com a avenida João Cazerta, logo na entrada de Araçatuba. “Conseguiremos oferecer uma opção para o noroeste paulista, que é carente de shoppings.”

Outro ponto certeiro foi achar o sócio local. E, desta vez, o negócio foi selado entre quatro sócios: VBI Real Estate, uma das principais gestoras de fundos de real estate e private equity do país, SR Empreendimentos Imobiliários, com a própria Lumine e um parceiro bem peculiar, a Vetor – que atua no setor agropecuário em várias regiões do Brasil. Para Rodrigo Abbud, sócio fundador da VBI Real Estate, foi essencial, neste projeto, identificar o potencial econômico da cidade que vai receber outros investimentos privados importantes, como o estaleiro Rio Tietê. Isso tende aumentar a demanda local por consumo e lazer, à medida que cresce a geração de empregos.

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Empreendedores se estabelecem em diferentes regiões

Empreendedores se estabelecem em diferentes regiões

Por Rosangela Capozoli | Para o Valor, de São Paulo

Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/ValorFulcher, da 5R Shopping Center: uma das escolhas é o Triângulo Mineiro, onde a empresa está no segundo empreendimento com o Uberaba Shopping Center

Das cerca de 5,5 mil cidades espalhada pelo interior do país, apenas 150 têm um ou mais centros de compras. Juntas, elas somam 214 empreendimentos, contra 224 que se concentram nas capitais. Só a região Sudeste reúne 55,5% do total de shoppings. O país todo tem cerca de 285 cidades com mais de 100 mil habitantes – população suficiente para atrair um desses empreendimentos. Excluindo as cidades das regiões metropolitanas que vivem coladas nas capitais, é enorme o espaço para o crescimento de shoppings no interior do país. Não se trata de uma “fuga” das capitais, porque também nelas o número de empreendimentos vem crescendo, observam especialistas da área. Trata-se de uma tendência que começou há mais de uma década e que a marca a presença cada vez maior das cidades médias na economia do país. Até o fim de 2013, os shoppings no interior serão 251, chegando bem próximo dos 266 que estarão em funcionamento nas capitais.

“O avanço dos shopping centers para o interior do país é uma tendência natural. Enquanto as capitais são 27, as cidades do interior são mais 5,5 mil, e apenas em cerca de 150 delas há centros de compras. Existe um mercado em números muito maior no interior do que se tem nas capitais”, afirma Luiz Fernando Veiga, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Esse mercado em franca expansão tem atraído investidores que se apresentam como especialistas em empreendimentos direcionados às cidades interioranas. É o caso da Parkway Shopping Center S/A – que nasceu da união da Leolar Participações S/A e Dan-Hebert Participações S/A. “É uma empresa voltada para o desenvolvimento de shoppings centers em cidades com mais de 150 mil habitantes que apresentem crescimento econômico populacional elevado”, explica Maycon Gonçalves, diretor-presidente da Parkway. O primeiro projeto da companhia – o Shopping Pátio Marabá, no Pará – consumirá investimentos de R$ 230 milhões e a previsão é a de que seja inaugurado em março do próximo ano. Com 32 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), trata-se do primeiro projeto multiuso do Pará.

Prevendo o bom desempenho do centro de compras, a empresa acoplou à obra uma possível expansão de área comercial. “A planta contempla uma expansão prevista para atingir 39 mil metros quadrados de ABL. É o primeiro projeto multiuso do Pará, seguindo uma tendência mundial na concepção de grandes centros de compras”, afirma Gonçalves. O projeto abrange uma torre comercial com 168 salas e um complexo com dois hotéis – o Expresso XXI e o Solare Hotéis e Suítes. Juntos, eles somam 274 unidades habitacionais que serão administradas pelo Grupo Solare, operadora com maior número de unidades habitacionais no Norte e Nordeste do Brasil. Nem bem a planta saiu do papel e a Parkway Shopping Center se debruça sobre dois outros empreendimentos, sobre os quais prefere evitar detalhes. “Um será em Altamira (PA) e outro no interior do Estado de São Paulo”, limita-se a informar.

Empreendedores que se aventuraram pelo interior tomaram gosto e estão apostando em várias regiões ao mesmo tempo. Há cinco anos a 5R Shopping Center descobriu que o interior do Brasil é um excelente filão na área de shoppings. Uma das escolhas foi o Triângulo Mineiro, onde está no segundo empreendimento. “O Praça Uberaba Shopping Center consumirá investimentos de R$ 230 milhões e será inaugurado no segundo semestre de 2014”, afirma Felipe Fulcher, presidente e sócio do 5R Shopping Center. A escolha por Uberaba é compreensível. “Uberaba é a cidade que tem o maior PIB per capita da região. A renda média domiciliar é de R$ 4.742 mensais e o potencial de consumo da região é de R$ 148,5 milhões por mês”, enumera o empresário. Isso sem falar que a cidade mineira conta com apenas um centro de compras para uma área de influência de 378 mil habitantes. O outro empreendimento, em Uberlândia, também no Triângulo Mineiro, é o Praça Uberlândia Shopping, que abrirá suas portas no final de 2013 e terá investimentos que somam R$ 200 milhões.

No sul do país, 5R Shopping Center se prepara para concluir o primeiro shopping da cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. “Serão desembolsados R$ 150 milhões no Praça Rio Grande que ficará pronto em 2013”, diz Fulcher. O mesmo valor será injetado no Praça Americana Shopping, no interior de São Paulo, cujas obras terão início no fim de 2012 e abrirá suas portas no início de 2012. A vizinha Piracicaba também está na lista da 5R que, em parceria com a Thomasi & Camargo, erguerá o Praça Shopping Piracicaba, com custos de R$ 200 milhões e previsão de entrega no princípio de 2014.

Focada nos mercados paulista e carioca, a incorporadora João Fortes Engenharia (JFE) vem apostando nos shoppings. A empresa inaugurou, no fim do ano passado, um shopping em Blumenau (SC), o Park Europeu, que demandou recursos financeiros de R$ 160 milhões. Em janeiro, lançou o Shopping Park Lagos, em Cabo Frio (RJ), que será concluído em novembro de 2013 com investimentos de R$ 140 milhões. “Cabo Frio tem um potencial de crescimento três vezes maior que a média nacional. O preço para a construção de imóvel naquela cidade foi para nós mais convidativo do que é hoje em uma capital e isso fez com que a JFE viabilizasse a construção do shopping”, explica Leonardo Neves, gerente de negócios da JFE.

Em Volta Redonda, também no Estado do Rio de Janeiro, a incorporadora e a prefeitura da cidade anunciaram a chegada do Shopping Park Sul, que será lançado nesse segundo semestre com desembolsos de R$ 170 milhões e conclusão prevista para 2014. A JFE mantém em sigilo outros projetos que estão em andamento. “Temos cinco em estudos e dois deles em fase de fechamento. Um será na capital e outro no interior, todos na região Sudeste. Caso se concretizem serão injetados R$ 1 bilhão”, calcula Neves.

Em Criciúma, Santa Catarina, a Suporte Empresarial aguarda apenas licença e alvará para iniciar as obras do Shopping das Nações, que consumirão R$ 150 milhões. “O empreendimento será o maior da região, com 72 mil metros quadrados de área construída, em terreno com 80 mil metros quadrados, e ficará pronto em março de 2014”, afirma o vice-presidente do Shopping das Nações, Giancarlo Tomelin. O novo centro de compras, segundo Tomelin, irá gerar 6 mil novos empregos, 2 mil deles diretos e 4 mil indiretos. “Um dos grandes destaques do empreendimento é a sua localização, que atrairá moradores das regiões central e norte de Criciúma, além dos cerca de 30 municípios vizinhos, como Içara, Cocal do Sul e Morro da Fumaça. A população regional a ser atingida pelo empreendimento soma aproximadamente 500 mil pessoas”, afirma.

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Um bom negócio para a cadeia da construção civil

Um bom negócio para a cadeia da construção civil

 

Divulgação / DivulgaçãoLeonardo Neves, da João Fortes Engenharia: opção da empresa, de ser dona dos shoppings que ergue, aumenta sinergia e produtividade

Devem estar em operação até o final deste ano 466 shoppings centers em todo o país, de acordo com projeções da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). Esse dado leva em consideração os números consolidados até junho deste ano, de 437 empreendimentos em funcionamento, mais os 28 que devem abrir as portas até o final de 2012. Quando estiverem prontos, serão 36 novos shoppings neste ano. Essa expansão irá acrescentar ao setor mais de 1 milhão de metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável) – o espaço que é usado pelos comerciantes e prestadores de serviços em um shopping. Para o ano que vem, já está anunciada a abertura de mais 43 centros de compras, acrescentando ao total de ABL no país mais 1,233 milhão de metros quadrados.

“O mercado está aquecido, mas já esteve mais”, define Marcelo Tessler, dono da gerenciadora de obras e projetos Tessler Engenharia. Participar desse aquecimento é um negócio rentável tanto para construtoras como para gerenciadoras e fornecedores. Segundo Tessler, que está há 17 anos nesse ramo, a tendência atual é de as empresas lançarem shoppings em cidades menores, no interior. O engenheiro conta que tem dez projetos em andamento, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e até em Roraima. O maior deles é o Shopping Iguatemi Esplanada, que está sendo construído na cidade de Votorantim, ao lado de Sorocaba, no interior de São Paulo, com mais de 43 mil metros quadrados de ABL, que deve ser inaugurado em 2013. De acordo com Tessler, do investimento total em um shopping, o gerenciamento ficam com 3%, enquanto o projeto custa entre 7% e 10%. “Cerca de 90% dos valores são empregados na obra em si”, afirma.

“O mercado nos grandes centros está saturado e os grandes shoppings vão para os municípios vizinhos, onde os preços (dos terrenos) são mais viáveis”, complementa Gustavo Zan, superintendente de negócios da Matec Engenharia, fundada em 1990 e com mais de 50 empreendimentos construídos”.

A Matec toca hoje três projetos de shoppings. A ampliação do Gran Plaza, de Santo André (SP), em 65 mil metros quadrados é um deles. As obras, no empreendimento da CCP (Cyrela Comercial Properties), devem ficar prontas no segundo semestre deste ano. Outro é o Shopping Center Limeira, em Limeira, no interior de São Paulo, que pertence à AK Realty, empresa do grupo Induscredi. O terceiro é o Ferraz de Vasconcelos, no interior de São Paulo, da própria Matec. “Compramos o terreno e estamos construindo o shopping, investimento de R$ 120 milhões, com 35 mil metros quadrados”,.

A Matec também constrói galpões industriais e prédios para outros usos comerciais, mas a área de shoppings representa 40% da receita da companhia. De acordo com Zan, o faturamento previsto para este ano deve chegar a R$ 500 milhões, com alta de 25% sobre o ano passado.

O caminho que a Matec está trilhando, de ser dona dos shoppings que ergue, é o mesmo que a João Fortes Engenharia percorreu. “Fizemos 14 shoppings”, conta Leonardo Neves, gerente de negócios da companhia. “Até 2006, a construção era para terceiros. Nesse ano fizemos o Bangu Shopping e passamos a ter participação nos empreendimentos”. O segundo empreendimento que a João Fortes assumiu foi o Parque Europeu, em operação em Blumenau (SC) e o terceiro será o Park Lagos, em Cabo Frio, que deve ficar pronto em 2013. Outro da própria construtora é o Park Sul, em Volta Redonda (RJ), que deve ficar pronto no segundo semestre deste ano. “No Bangu não temos mais participação. Vendemos para a Aliansce”, conta Neves. Os percentuais de participação no capital dos shoppings variam de 80% a 90%.

“Quando fazemos o shopping para nós há uma sinergia que gera ganhos de produtividade, por isso hoje não temos nenhum shopping em construção para terceiros”, diz Neves.

A CCP não atua na construção. Contrata construtoras e mantém os centros em sua carteira ou em sociedade e recebe aluguel pelos espaços. A receita média de locação da empresa chega a R$ 180 milhões anuais. Os shoppings, segundo José Roberto Voso, diretor da área de shoppings da CCP, representam hoje 20% desse montante, mas isso deve mudar. “Atualmente, 70% de nossa receita de locação é de escritórios, mas esse percentual baixará para 50%; as indústrias irão responder por 20%, e os shoppings, 30%.”

Roberto Perroni, presidente da CCP, conta que a companhia tem quatro shoppings em operação, dois consolidados – o Gran Plaza, de Santo André, onde estão sendo investidos R$ 90 milhões na ampliação, e o Shopping D, em São Paulo. Outros dois foram inaugurados nos últimos 60 dias – o Park Shopping Belém e o Shopping Estação BH, respectivamente em Belém e Belo Horizonte. “Temos ainda quatro em desenvolvimento.”

Segundo Perroni, dos quatro empreendimentos em andamento, dois são em São Paulo, o Tietê Plaza Shopping, em construção na marginal do rio Tietê, com investimento de R$ 280 milhões, e o Shopping Cidade de São Paulo, na avenida Paulista. “Será um shopping e um prédio de escritórios, com 18 mil metros quadrados de ABL, mais 20 mil metros quadrados de escritórios”, diz. ACCP é sócia da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário no empreendimento.

A companhia tem ainda dois shoppings em construção, um no Rio de janeiro, onde estão sendo investidos R$ 270 milhões, e outro em Goiânia. Para contratar a construtora, a CCP faz uma concorrência da qual participam as grandes empreiteiras. “Fazemos um contrato com o preço máximo garantido. Se passar disso, a construtora assume. Se houver economia, ela divide conosco”, conta o presidente da CCP.

A Sergio Porto Engenharia, de São José dos Campos, no mercado desde 1978, atua na construção de shoppings, escolas e prédios para outros usos. Foi ela que fez a ampliação do Shopping Interlagos, em São Paulo, em 1997. Mas, hoje, se dedica às obras da rede de cinemas Cinemark. “A concorrência em shoppings está muito grande, não está valendo a pena”, afirma Sergio Porto, dono da companhia, animado com o novo filão. “Do ano passado para cá, construímos dez complexos para o Cinemark”, diz. Segundo Porto, só na construção são investidos cerca de R$ 8 milhões em cada complexo, fora as instalações, cadeiras e equipamentos, que devem consumir um valor semelhante.

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Papéis são opção para fugir da renda fixa

Papéis são opção para fugir da renda fixa

Por Martha Funke | Para o Valor, de São Paulo

O mercado já era bom e tende a ficar ainda melhor em relação aos demais setores presentes na bolsa, já que nem mesmo a redução no ritmo de expansão da economia deve afetar os resultados dos papéis das empresas de shopping center.

O investimento soma qualidades muitas vezes incompatíveis, já que é ao mesmo tempo defensivo e conta com enorme capacidade de crescimento. Como seus maiores riscos são a ineficiência de gestão e uma crise de tal porte que leve à falência um número expressivo de locatários, o papel é uma das recomendações de analistas para investidores em fuga da renda fixa.

O otimismo se justifica. Mesmo com alguma desaceleração, o mercado interno de consumo deve permanecer como carro-chefe da economia por algum tempo e os shoppings ainda têm espaço para crescer, ganhando participação na preferência do consumidor graças às facilidades oferecidas – segurança, locais para alimentação, estacionamento e diversidade de oferta. “Hoje seu market share no consumo é de cerca de 18%. Mas pode crescer para 30%, 35%”, avalia o analista Marcelo Motta, do JP Morgan.

A segurança do setor está relacionada também à composição de suas receitas. A presença de praticamente todos os segmentos varejistas reduz a exposição a um ou outro mais ou menos favorecido. Além disso, a geração de caixa é estável, com renda baseada em aluguéis mínimos, protegidos da inflação por contratos indexados, ou variáveis, relacionados aos volumes de vendas das lojas. “A receita é previsível, com os aluguéis representando em média 78% do total”, diz Sandra Peres, analista da Coinvalores.

Um enorme atrativo em tempos de volatilidade global e juros em queda. Além disso, lembra a analista, a geração de caixa é forte e as despesas reduzidas, já que os lojistas arcam com a maior parte dos custos. “O que tem de pesado são investimentos em expansão ou greenfields. Mas mesmo quando a empresa faz o shopping a partir do zero, depois de dois a três anos de maturação, é só retorno.”

Outro ponto a favor dos papéis dos shoppings é a distância das oscilações cambiais, já que receitas e despesas são baseadas em moeda local e poucas são as companhias com dívidas em dólares. Além disso, as características defensivas são contrabalançadas pela agressividade dos índices de crescimento, seja de área bruta locável (ABL), receita ou rentabilidade. Praticamente todas as empresas do mercado estão investindo em expansão, a maioria pretende abrir de um a dois shoppings por ano e até os grandes eventos acenam com oportunidades em longo prazo, uma vez que a movimentação provocada por Copa do Mundo e Olimpíada deve colocar ainda mais gente dentro dos shoppings.

“Eu colocaria meu dinheiro nisso. Não posso porque cubro o setor”, resume o superintendente de investimentos do Bradesco, Edigimar Maximiliano.

Ele lembra que, depois da chegada do segmento à bolsa, em 2007, os papéis tiveram forte queda de valor de mercado com a crise financeira. Mas de lá para cá o movimento foi ascendente para todas – dados da Economática apontam que, nos últimos 36 meses, o menor resultado foi registrado pela Iguatemi, com 130% de variação.

O levantamento, aliás, reflete também os principais riscos do mercado. Um deles é a dificuldade no cumprimento de planos, de novo retratado nos índices do Iguatemi, impactados pelo atraso na abertura do JK, em São Paulo. Outro é a exposição ao dólar, que afetou os números do General Shopping. Mais um é um deslize qualquer em uma aquisição ou lançamento, que tende a ser diluído na medida do crescimento. “O setor profissionalizou-se muito, as empresas estão indo muito bem”, registra o executivo do Bradesco.

“Um erro em uma iniciativa de 30 mil m2 não faz ninguém falir, só ficar um pouco abaixo do esperado. Quanto maior a empresa, as aquisições marginais ficam menos representativas em termos de risco.”

Para Maximiliano, a escolha entre os papéis do setor é uma questão de gosto, já que cada um espelha um diferencial específico. Triple A e mercado de luxo são a expertise do Iguatemi, a Multiplan ganha destaque em equilíbrio de portfólio, a BR Malls, em ganho de escala e obsessão por controle de custos. A Sonae Sierra é a rainha da regionalização e a Aliansce domina o Nordeste, mercado de crescimento acentuado. Sandra, da Coinvalores, indica preferência por BR Malls, Sonae e Multiplan. “São as mais relevantes por margem, taxas de ocupação e desempenho.”

Ela sugere ao potencial investidor analisar o perfil de dívidas, investimentos, entrega e pagamento das empresas, já que em princípio todos os perfis do negócio estão favorecidos, sejam empreendimentos mais populares ou sofisticados, concentrados nas capitais ou regionalizados.

As recomendações de Motta, do JP Morgan, são BR Malls, Iguatemi, Aliansce e Multiplan – empresas de mais crescimento, diz. A BR Malls, segundo ele, reúne os melhores indicadores de crescimento, margem e liquidez. “É mais líquida e faz mais sentido para nossos investidores institucionais”, diz. Iguatemi, mesmo tendo sofrido com o JK, está deixando o risco para trás e a Aliansce tem crescimento superior à média. “Ao longo do próximo ano o preço do setor pode crescer entre 15% e 20%”, observa o analista.

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Fusões e aquisições voltam a crescer

Fusões e aquisições voltam a crescer

Por Carmen Ligia Torres | Para o Valor, de São Paulo

Leonardo Rodrigues/Valor / Leonardo Rodrigues/ValorLuis Motta: “Com nove transações, a área de Shopping Centers foi a sexta colocada no ranking deste trimestre, chamando a atenção pelo grande salto”

Depois de fechar 2011 com registro de 20 operações de fusões e aquisições, o setor de Shopping Centers volta a se destacar no primeiro trimestre de 2012 na Pesquisa de Fusões e Aquisições realizada pela KPMG, que identifica as 42 áreas que mais realizaram transações no país. Foram nove operações no período, que totalizaram um movimento de mais de R$ 1,1 bilhão, representando crescimento em valores de mais de 520% em relação ao mesmo período de 2011.

“Com nove transações, a área de Shopping Centers foi a sexta colocada no ranking deste trimestre, chamando a atenção pelo grande salto, já que mantinha uma média de cerca de cinco transações nos últimos anos”, diz Luis Motta, sócio da KPMG, líder da área de Fusões e Operações da consultoria no Brasil.

O ritmo das operações nessa década começou a se acelerar a partir de 2007, quando três grandes empresas do setor abriram capital. Naquele ano, houve 51 operações de fusão e aquisição, depois de o ano anterior fechar com apenas seis. A BR Malls, hoje a maior do setor em Área Bruta Locável (ABL) própria – 820,2 mil m2 -, ofertou ações no início de 2007, mesmo ano em que estrearam no mercado de capitais a Iguatemi Empresa de Shopping Center e a Multiplan. Em 2010, a Aliansce entrou no mercado de capitais, seguida, em 2011, pela Sonae Sierra.

“Até 2007, o setor não tinha expressão em operações de fusão porque não havia empresas com capital aberto”, analisa Motta. Em 2008, foram 17 operações de fusão e aquisição e, depois de estacionar em 2009 – duas operações -, o setor voltou às compras nos dois últimos anos. “Para 2012, a expectativa é superar as 20 operações de 2011, considerando que já foram divulgados muitos negócios após o fechamento do trimestre”, diz.

Na opinião de Luis Motta, as empresas de capital aberto se tornaram plataformas para a consolidação desse mercado e estão povoando o Brasil com empreendimentos de qualidade. “Há uma grande concentração de negócios no Sudeste/Sul, mas, na medida em que a economia demonstra fôlego e cresce, os negócios vão se espalhando no rastro do desenvolvimento econômico”, diz. Dentro dessa lógica, Motta acredita que os investimentos foram feitos, a princípio, em diversos locais como experimentação para testar o mercado. Os empreendimentos que mostram melhores resultados atraem maior participação.

O setor brasileiro de Shopping Centers ainda é muito fragmentado, diferente do que ocorre em mercados mais maduros. As três maiores empresas brasileiras têm participação inferior a 25%. No Canadá, Estados Unidos e na Europa, as três maiores empresas detêm mais de 50% de participação. Além dessa referência, os principais players contam com o potencial de mercado que ainda existe para ser explorado, sinalizado pelo fato de que apenas 18% das vendas são feitas em shoppings, ante 50% nos EUA. A relação de ABL de shoppings por 1000 habitantes nos Estados Unidos é 2,2 mil m2 e no Canadá 1,3 mil m2. No Brasil é de 49 m2.

“Ainda existem excelentes oportunidades, tanto nas grandes cidades e centros urbanos, como nas cidades médias. Estamos olhando ambos os mercados”, afirma Carlos Medeiros, CEO da BR Malls, que possui 13,9% da ABL total do país. Segundo ele, a estratégia de aquisição da empresa consiste em avaliar as melhores oportunidades para expansão do portfólio tanto pelo aumento de participação como pela aquisição de novos ativos.

Em 2011, a BR Malls captou R$ 1,1 bilhão por meio de duas emissões – bônus perpétuo e follow-on -, e contabilizou investimentos de R$ 1,4 bilhão na aquisição de oito empreendimentos, além da inauguração de dois projetos greenfield – e inauguração de duas expansões, em Tamboré (Grande São Paulo) e Campo Grande (MS).

Entre os negócios de 2011, está a aquisição de 100% do Shopping Jardim Sul, no bairro do Morumbi, na capital paulista, com investimento de R$ 460 milhões. A empresa adicionou, com isso, 30,8 mil m2 de ABL ao seu portfólio.

Armando D’Almeida Neto, diretor vice-presidente e de Relações com Investidores da Multiplan, a segunda maior em ABL própria – 420,054 mil m2 -, aposta no crescimento, mesmo nas áreas tradicionais com concentração de empreendimentos. “Nos grandes centros, há nichos de mercado e classes de consumo: no interior de uma metrópole como São Paulo existem várias ‘cidades’ com 100 mil ou 150 mil habitantes, e devemos estar atentos para encontrá-las e aproveitar o seu potencial com projetos adequados”, analisa.

Desde que abriu o capital, em 2007, a ABL própria da empresa cresceu 59,4%. No ano passado, a empresa aumentou em 55,8% o capital investido em novos projetos em relação a 2010. Em novembro do ano passado, entregou o primeiro dos cinco projetos greenfield em desenvolvimento, o ParkShopping São Caetano, no qual tem 100% de participação, com investimento de R$ 274,1 milhões em 39 mil m2 de ABL. Os outros quatro em construção situam-se no interior de São Paulo – Jundiaí Shopping -, no Rio de Janeiro – VillageMall e ParkShopping CampoGrande – e em Alagoas – ParkShoppingMaceió, sendo esse último uma joint-venture com a Aliansce, no qual tem participação de 61%.

O total de investimentos da Multiplan em 2011 foi R$ 953 milhões, dos quais 72%, ou R$ 493,2 milhões, foram investidos em novos projetos. O restante foi utilizado em expansão no ParkShopping, de Brasília. A empresa fechou 2011 com um banco de terrenos de 619 mil m2.

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Qualificação é o grande desafio do setor

Qualificação é o grande desafio do setor

Por Martha Funke | Para o Valor, de São Paulo

A escalada do número de shopping centers Brasil afora coloca as gestoras do segmento frente ao desafio extra de conseguir mão de obra qualificada, tanto para gestão como para áreas de base.

Divulgação / DivulgaçãoDorival Regini, da Landis: mercado investiu em programas de retenção de profissionais para conter assédio das grandes empresas sobre as menores

Nos últimos cinco anos, o número de shoppings em operação no país cresceu 25%. Em 2012, o total de inaugurações deve chegar a 37 e, no ano que vem, serão mais de 40, somando cerca de 13 milhões de metros quadrados de área bruta locável (ABL), o que fará o índice de crescimento bater de novo na casa dos 25%. A expansão deve elevar para 1 milhão o número de pessoas trabalhando em shopping centers ao final de 2013 – 230 mil trabalhadores a mais do que os 775 mil registrados pelo setor em 2011.

Como faltam pessoas especializadas, as empresas começaram a investir em programas de retenção, capacitação e promoção de profissionais para suprir as vagas abertas. “As grandes começaram a assediar demais os funcionários das menores”, diz Dorival Regini, presidente da Landis, que administra sete shoppings pelo interior do país e no fim do ano passado inaugurou o primeiro da cidade de Rio Branco, no Acre.

Como a dificuldade de conseguir mão de obra especializada é maior longe dos grandes centros, principalmente para cargos de gestão, o jeito é buscar profissionais de outras indústrias, como construtoras, auditorias ou varejo, além de formar a prata da casa. Para compor a equipe do Via Verde, em Rio Branco, a solução foi uma escalada de promoções que levou para a gerência financeira do novo shopping Glauce Tanus, que começou como gerente financeira no Plaza Macaé (RJ). “Fui me envolvendo com o departamento financeiro para assumir a gerência da área”, diz.

Processo parecido levou André Fioravante para a superintendência do recém-inaugurado shopping Luiziânia, cidade satélite do Distrito Federal, depois de passagens pelo campineiro Dom Pedro e pelo Pátio Brasil, no centro de Brasília, de onde saiu como gerente administrativo-financeiro. Neste percurso, André percorreu praticamente todas as áreas de um shopping, onde começou como auditor. “Deu segurança para assumir o cargo”, diz.

Para o responsável pela contratação, Eduardo Gomes, um dos sócios da gestora Semma, a estratégia cai como uma luva para empreendimentos em cidades menores, cuja capacidade de remuneração é bastante inferior à de shoppings de grandes centros. Segundo ele, uma corporação pode se dar ao luxo de criar planos de carreira mais estruturados, mas empreendedores independentes precisam recorrer à disponibilidade do mercado. “A rotatividade é grande”, admite.

Com 26 empreendimentos, seis deles em desenvolvimento, a estratégia da Semma retrata as possibilidades do mercado. Do ano passado para cá, a empresa contratou seis gerentes gerais, dos quais dois foram promovidos internamente, dois atraídos da concorrência e mais dois de outras áreas, como o varejo. “Gente de fora também colabora para trazer um novo olhar”, aponta a diretora de Recursos Humanos, Carolina Povoa.

A atratividade do setor para profissionais de outras áreas também é observada pelo presidente da Abrasce, Luiz Fernando Pinto Veiga. “Quando promovemos eventos, atraímos profissionais que não são do segmento”, informa ele. Segundo ele, a carência de mão de obra especializada não é prerrogativa dos shopping centers, mas pode ter colaborado para adiar a inauguração de cinco empreendimentos prevista para este ano. A entidade se esforça para formar profissionais com a realização de eventos como o 12º Congresso Internacional, que será realizado este ano, e parcerias para cursos de especialização, como o programa de extensão em marketing em conjunto com a Escola Superior de Propaganda e Marketing, o intensivo JTR, com o International Concil of Shopping Centers (ICSC), e o MBA em Gestão de Shopping, do Insper.

De acordo com a coordenadora do curso, Ana Paula Cardoso, já passaram quase 90 participantes pelo programa, que forma sua segunda turma em setembro. “Uma nova turma já está programada para agosto de 2013”, avisa. O curso, cujo custo está por volta de R$ 35 mil, oferece 360 horas aula em 18 meses, m três dias consecutivos para facilitar a participação de alunos de outros estados, que já são mais da metade dos inscritos.

A terceira turma do curso, iniciada em março, conta com 25 profissionais de perfil sênior. Um deles é Carlos Eduardo Cardoso, superintendente do shopping Cidade Garapu, em Cabo Santo Agostinho (PE), que embora tenha estado envolvido no empreendimento desde seu nascimento resolveu participar do programa para vivenciar outras experiências além daquelas que vive no dia a dia. A questão jurídica e o relacionamento com o poder público estão entre os temas que mais chamaram sua atenção. “Precisamos estar à frente das novas necessidades impostas pelo poder público”, observa.

A questão é que nem só de gestores vivem os shoppings – pelo contrário, há imensa necessidade de profissionais de base e técnicos para setores tão díspares quanto estacionamento, manutenção de ar condicionado ou automação predial, além de uma verdadeira multidão de colaboradores exigida pelas lojas. Uma iniciativa recente com foco nesta camada é da Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop), que criou a Universidade do Varejo, com cursos semipresenciais de 40 horas divididas entre shoppings associados e ambiente virtual dirigidos a gestores, supervisores e proprietários de lojas.

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Movidos a vitrines

O primeiro empreendimento do grupo a ter uma universidade foi o shopping Nova América, no Rio. A parceria iniciou-se há cinco anos e hoje mais de 4,5 mil alunos frequentam o campus hospedado no shopping. A experiência foi replicada em Cuiabá e, em breve, deverá ser exportada também para o recém-contemplado Estado de Rondônia.

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