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Sem ação – Valor Economico

6/02/2013 às 00h00

Sem ação

Por Luciana Seabra e Catherine Vieira | De São Paulo
 

Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/ValorStuhlberger: “Alguma coisa eu tenho na posição, mas olho um pouco este Brasil e digo… hum, não estou convencido”

 

“Tá quanto? Não, fico fora, obrigado.” Não se sabe exatamente a que ativo ele se referia, mas não resta dúvida de que a frase ao telefone, dita pelo gestor Luis Stuhlberger a um de seus operadores durante esta entrevista, é, de certa forma, um resumo de sua disposição hoje com vários ativos brasileiros. Se o mundo lá fora está começando a ter nuvens menos carregadas e o dinheiro começa a fluir para o risco – o que significa ações e mercados emergentes -, talvez o Brasil até aproveite algo dos benefícios disso, mas menos do que poderia. A falta de investimento e o esgotamento do modelo de crescimento baseado em consumo começam a mostrar a fatura.

Stuhlberger enxerga desequilíbrios no que chama de “bocas de jacarés”. É uma referência ao desenho que se forma em um gráfico que confronta o avanço veloz do consumo com o crescimento tímido do investimento. Ou no que retrata a diferença entre a dívida líquida pública oficial e a real, em que soma o crédito concedido recentemente às estatais.

 

 

Um tanto pessimista, confessando uma ligeira ‘depressão pós-férias’, o diretor da Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG) recebeu o Valor na sede da gestora. O reflexo do estado de espírito está em seu conceituado fundo Verde, que nunca teve tão poucas ações brasileiras – apenas 16% do patrimônio, contra uma média histórica de 33%. Este percentual alocado em ações continua, mas, agora, empresas locais dividem espaço com as estrangeiras. Em 2012, a bolsa foi o mercado que mais deu alegrias ao Verde, que rendeu 19,55%, enquanto o Ibovespa subiu 7,4% e o CDI, 8,4%. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Crise global

Estamos todos perdendo o medo de que o mundo vai acabar. Existe um baixo crescimento, mas aquele medo caótico, ou de quebra das finanças públicas e de bancos ou de que as populações e os governos [europeus] não iriam votar a austeridade e ia haver algum tipo de revolta, está passando por uma fase que terminou, ninguém mais fala nisso e esse medo não está nas cotações. Não acho que agora dá para dizer que os problemas do Brasil são culpa dos americanos, dos europeus ou dos russos, dos árabes, dos gregos. Os problemas nossos serão nossos. Os emergentes vão ter um ambiente melhor para crescer e competir.

Rotação para o risco

Estamos [o mundo] num processo de rotação de investimentos de ‘bonds para equity’ [bônus para ações], uma retomada do risco. Muita gente chama isso de grande rotação. Tanto para ações, quanto fluxo para mercados emergentes. É um dinheiro que estava meio empoçado muito tempo, com medo de que o mundo iria acabar. E houve a aprovação das agendas de austeridade na Europa e agora nos EUA essa discussão do abismo fiscal, e tudo mais ou menos está andando. É um ambiente benéfico, mas óbvio não dá para se garantir que é benéfico ‘forever’.

Alguém tem que ceder

Eu tenho um tema macro [sobre o Brasil] que eu chamo, lembrando aquele filme, de “Alguém tem que ceder”. Dado que as bocas de jacaré não fecharam, ou vai ter mais inflação ou o câmbio vai depreciar, ou você vai ter um problema nas finanças públicas. Eu tenho várias teses no fundo para me beneficiar disso. Só que isso custa caro. No sentido de que enquanto não acontece, você perde dinheiro. Outra questão é que todo mundo acha que a única consequência desse colapso de modelo é crescer pouco, certo? É isso: cresce pouco e so what? So what? Não tem nenhuma influência sobre o câmbio, sobre inflação, nenhum colapso das finanças públicas? Ninguém olha isso. Tenho esse meu mundo particular. Mas agora é um “play” mais difícil, porque ao mesmo tempo em que minha visão é pessimista, não está prestes a acontecer.

Modelo insustentável

Começo a olhar meio perplexo esses pontos todos, olhando o porquê do colapso do modelo. O governo age quando as coisas dão errado, porque em time que tá ganhando você não mexe. Eu olho essa boca de jacaré varejo versus investimentos, que é impressionante. Olhando outros países como Coreia, México, existe isso, mas não dessa forma, bem mais amena. Não é sustentável. Os investimentos têm que voltar.

Investimento

Olhando o lado do governo, como ele não quer que consumo caia, obviamente você tem que fazer crescer investimentos. Para isso, precisa de crédito do governo, do BNDES, investimento público, e isso eles estão fazendo. Precisa instaurar um clima de confiança entre o empresariado e o governo, e acho que isso não tá ocorrendo. Os empresários estão com medo de investir por várias questões. Mas o principal é o momento em que as empresas vivem, de colapso de modelo, porque como a tributação não cai e a massa de salário sobe, sem ganho de produtividade, as empresas têm uma compressão de margem. Tudo demora, tudo custa mais caro e os impostos e salários avançam na lucratividade.

Confiança

A retomada da confiança vem no sentido de achar que as condições que o país tem pra crescer são satisfatórias. Isso ainda é baixo. O trabalho que a Dilma está fazendo de desoneração é positivo. Só que esse clima de confiança demora um longo tempo pra vir. O efeito colateral da quebra do modelo, da gente crescer sem ter cuidado da base, leva tempo pra ir embora. É como qualquer negócio que está indo mal, você começa a consertar, mas os resultados demoram muito para aparecer. E a nossa perda de competitividade vis-à-vis os demais países emergentes é evidente e muito rápida, muito grande. Não é só culpa da Dilma, ela pegou uma herança negativa está tentando consertar algo que leva muito tempo e com um orçamento limitado.

Ceticismo

O maior problema é destravar o crescimento. Então, apesar do bom ambiente, apesar dos fluxos para emergentes e apesar de um certo otimismo global, eu estou ainda bem cético quanto ao Brasil. Aí você me pergunta o seguinte: bom, você não acha que vem fluxo pra cá, que vem investimento, que vai ter comprador para as ações? Vai. A única coisa que eu acho é que o ‘valuation’ das empresas da bolsa no Brasil não é barato.

Ações caras

Na bolsa, por que eu estou digamos assim, cético e bem underweight [abaixo da média] em Brasil, eu diria, para o meu padrão? Porque não acho o valuation das empresas boas brasileiras compatível com o risco. O Brasil ficou assim, com aqueles ‘value traps’ [armadilhas] do índice [Bovespa], aquelas companhias que ninguém mais quer saber, o setor elétrico ficou ruim; aço tem ‘overcapacity’ no mundo, estatais são mal geridas, petróleo é um bicho com um capex [investimento] enorme e de longo prazo que demora para entregar, as construtoras com problemas de demora na entrega e aumento de custo, os bancos com um certo ROE [retorno sobre patrimônio líquido] meio induzido pelo governo a ser menor. Então aquela agenda que eu falei no ano passado, ‘o que é ruim para o Ibovespa é bom para o Brasil’, meio que agora ninguém quer saber dessas ações e aí as outras, que são as ligadas ao consumo e alguns outros setores, já não estão baratos, para o Brasil de hoje, meio estagnado.

Preço e fundamento

Não estou excessivamente pessimista, apenas acho que tudo é ‘valuation’ ajustado ao risco. No começo de 2009 eu estava comprando tudo. As pessoas perguntavam: mas você está otimista? ‘Não, estou bem pessimista, mas também, por esse preço, eu compro.’ Hoje, a maioria dessas ações está quatro vezes o preço que eu paguei em 2009. Não estou dizendo as do índice, essas outras, educação, varejo, consumo.

“All time low”

Meu investimento em bolsa hoje está na média em 33%, só que o que antes estava no Brasil está espalhado. A gente está comprando muita coisa no exterior. Eu estou no “all time low” [nível mais baixo] de investimento em ações brasileiras, quer dizer hoje o [fundo] Verde está com cerca de 16% nessas ações, que é o nível mais baixo que eu me lembro na história, e estou com o nível mais alto de investimento em ações fora do Brasil, algo como 16% e 17%, pela primeira vez elas estão equilibradas, eu tenho metade no Brasil e metade fora.

NTN-Bs longas

O problema de você comprar uma NTN muito longa é a sustentabilidade fiscal de longo prazo. Nossa dívida/PIB é baixa, uns 35% do PIB. Mas o estímulo fiscal do governo às estatais criou um estoque de crédito de 9% do PIB. Obviamente, parte disso vai virar dívida. Com certeza a Caixa vai precisar de capitalização, um dia o BNDES vai precisar… Tem um certo investimento perdido, que ainda não virou dívida, mas vai virar. Ainda assim a dívida é baixa perto do resto do mundo. O problema quando analiso quadros desse tipo em situações não equilibradas é o que eu chamo de foto boa em filme ruim. Se você olhar a Espanha em 2007, o quadro fiscal é uma maravilha. Depois que a bolha estoura, a dívida cresce exponencialmente. Mas eu não estou dizendo que isso esteja perto de acontecer.

Zero de bolsa

Quando eu olho Brasil, digo ok, apesar do fluxo, esses preços não valem. Mas, no fundo, essas coisas não são simples. Os mercados um dia sempre voltam para o fundamento, mas as coisas ficam irracionais muito antes que seu dinheiro aguenta. Então, acho que se essa festa continuar sem que o fundamento do Brasil melhore, eu posso ir pra zero de bolsa [local].

Sem Blue Chip e Photoshop

Para dizer a verdade, ‘blue chip’ eu hoje não tenho nenhuma, não consigo comprar nada. Tenho investimentos relevantes em umas dez companhias. (…) Não quer dizer que eu não estou comprado em algumas coisas, vendido em outras. Alguma coisa tenho na posição. Mas olho um pouco esse Brasil e digo… “hum, não estou convencido”. Estou pagando para ver que o dano colateral vai vir mais rápido do que as melhorias. E o investidor me cobra todo dia. Ser gestor de recursos é pior que mulher posar para a “Playboy”. Minha cota está lá para todo mundo ver, nua e crua. Se eu errar, não tem photoshop.

Esperando pra ver

Eu tô naquela fase “I’m gonna wait and see”. Se subir mais um pouco, eu vou vender é tudo [em ações brasileiras]. Por enquanto está medianamente caro. Se tiver uma festa realmente grande… Eu vou esperar, porque não consigo me convencer que, apesar do mundo bom, a gente não vai ter problemas. Podemos até não ter problemas, mas o preço não justifica. Às vezes é mais fácil pegar uma tendência e dizer “I go with the crowd”. A decisão que estou tomando, que é muito angustiante, é dizer: vamos esperar uns meses para ver para onde vamos no câmbio, inflação, PIB e finanças públicas.

Impopular na escola

Meu comentário é estrutural, foi aí que eu fiz meus grandes acertos na vida. Mas não é fácil, porque você tem de ir contra a corrente. Mas acho que eu nasci assim. Falei para minha filha de 14 anos: eu era o cara mais impopular da escola. Você tem que ter esse DNA. Sempre fui na minha. Vamos ver. Até espero estar errado, para o bem do Brasil.

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Linha Amarela Metro – Estadao – matéria completa

Linha 4 amarela do Metro boa noticiaSP

LINHA AMARELA ARQUITETURA

Jovens Realizam mais cedo o sonho da casa própria

jovens realizam mais cedo sonho da casa propria Estadao 23052010

Spread bancário custa R$ 261 bi aos brasileiros

Domingo, 27 de Dezembro de 2009 | Versão Impressa

Achei essa matéria muito importante e por isso segue na integra. Precisamos trabalhar pra acabar com isso.

Spread bancário custa R$ 261 bi aos brasileiros

Estudo da Fiesp mostra que spread no País é o maior entre 40 países com igual metodologia de cálculo

Marcelo Rehder

Em 12 meses de crise financeira global, o chamado spread bancário custou R$ 261,7 bilhões às empresas e consumidores brasileiros, cujo pagamento deve ser feito ao longo de dois anos. Se a diferença entre a taxa de juros cobrada por bancos e financeiras e a taxa que eles pagam para captar recursos (spread) seguisse os padrões internacionais, esse custo cairia para R$ 71,5 bilhões, o que representa uma redução de R$ 190,2 bilhões.

As informações são de um estudo inédito feito por José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o trabalho mostra que o spread médio brasileiro é o maior em um grupo de 40 países cujas metodologias de cálculo dos juros se assemelham à adotada pelo Banco Central do Brasil (média ponderada).

Em agosto, o spread médio cobrado no País era de 26,77 pontos porcentuais, enquanto no Chile estava em 6,04 pontos e na Itália, em 4,39 pontos. O custo mais baixo foi apurado no Japão, onde o spread representava apenas 1,28 ponto porcentual. “Confirmamos o que já é um consenso: o spread brasileiro é uma aberração”, afirma Roriz Coelho.

De acordo com ele, mais preocupante que isso é o “gigantesco custo” que o spread representa para os brasileiros. Supondo que todo o crédito concedido no período analisado (entre agosto de 2008 e setembro de 2009) fosse pré-fixado, o trabalho indica que a diferença entre o spread do Brasil e o da média dos cinco países da amostra que constam no Índice Fiesp de Competitividade das Nações (Chile, Itália, Japão, Malásia e Noruega) representa um custo adicional ao País de R$ 227 bilhões.

“Isso equivale a 42,6% de tudo o que é investido no Brasil em formação bruta de capital fixo e a 12,3% do consumo das famílias”, diz o diretor da Fiesp.

COMPETITIVIDADE

Roriz Coelho admite que a comparação com os países não é exata. Mas argumenta que os números se aproximam bastante da realidade, já que, do montante de R$ 1,873 trilhão em créditos novos concedidos no País entre setembro de 2008 e agosto de 2009, nada menos que R$ 1,405 trilhão refere-se a operações pré-fixadas, o que representa 77% do valor global.

Nesse período, de acordo com o trabalho, os brasileiros pagaram spread médio de 28,4 pontos porcentuais, oito vezes mais alto que o valor cobrado nos cinco países que constam do índice de competitividade da Fiesp, cujo spread médio no período foi de 3,5 pontos porcentuais. Entre todos os 40 países pesquisados, essa média ficou em 7,3 pontos porcentuais.

Para o diretor da Fiesp, a consequência disso é a perda da competitividade do produto brasileiro. “A redução do spread bancário para níveis adequados liberaria recursos para mais investimentos e consequentemente haveria melhora de produtividade”, diz. “Assim, reduziria pressões inflacionárias e permitiria o aumento sustentado da nossa competitividade, com maior geração de renda e mais emprego”.

Em outubro, último dado divulgado pelo Banco Central, o spread já estava em 25,97 pontos porcentuais, abaixo dos 26,4 pontos observados em setembro de 2008, período que antecedeu o aprofundamento dos efeitos no País da crise financeira mundial. Mesmo assim, o spread representou 72,9% do valor dos juros para o total das operações de crédito livre em outubro.

“Não existem razões para essa brutal diferença nos spreads bancários brasileiros em relação a todos esses países comparados”, afirma Roriz Coelho. “Primeiro porque o risco Brasil hoje é muito menor do que era cinco anos atrás”, analisa.

ESCALA

A inadimplência, que representa 37,4% da composição do spread bancário – o maior peso entre os componentes -, aumentou menos no Brasil do que nos países analisados, informa Roriz Coelho. Além disso, diminuiu o volume de recursos para provisões de crédito inadimplentes nos últimos cinco anos, o que significa menor custo para os bancos.

Para o diretor da Fiesp, também não se pode atribuir o elevado nível do spread bancário aos custos administrativos. “O volume de crédito concedido no Brasil vem de um contínuo crescimento desde 2002, e não é menor do que o dos países comparados. Portanto, não temos problema de escala”, avalia.

Por último, enumera o diretor, a carga tributária diminuiu com a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Já o compulsório remunerado foi reduzido para os níveis de 2001, enquanto o compulsório não remunerado, de maior custo para os bancos, está em seus menores níveis desde o início da década.

FRASES

José Roriz Coelho
Diretor da Fiesp
“Confirmamos o que já é um consenso: o spread brasileiro é uma aberração”

“Não existem razões para essa brutal diferença nos spreads bancários brasileiros em relação a todos esses países comparados. Primeiro porque o risco Brasil hoje é muito menor do que era cinco anos atrás”

“A redução dos spreads para níveis adequados liberaria recursos para mais investimentos”

Ontem, hoje e Amanhã – São Paulo – Urbanismo

Matéria especial Estadão sobre problemas e soluções para a capital de São Paulo

ontem hoje sp 1 – ONTEM HOJE E AMANHÃ – FOCAS CAPA

ontem hoje sp 2 – 20 anos de sonho e dedicação – Jornalistas FOCAS

ontem hoje sp 3 – SP terá 20% da verba do PAC da Copa

ontem hoje sp 4 – Custo do aquecimento global

ontem hoje sp 5 – Rio Tietê sai do coma após 60 anos – Planos Diretores bairros

ontem hoje sp 6 – Soluções para a imobiliadade urbana

ontem hoje sp 7 – Paulistano se sente menos seguro

ontem hoje sp 8 – Primeiro mundo desembarca em SP

Matérias muito boas realizadas pelos FOCAS !!!

Administremos o sucesso – Mauro Chaves

Sábado, 21 de Novembro de 2009 | Versão ImpressaAdministremos o sucesso

Mauro Chaves

Disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que agora “o problema do Brasil é administrar o sucesso”. Essas palavras, vindas de um dos homens públicos mais competentes de nosso país, significam a convocação de uma formidável “corrente pra frente”, capaz de fazer a população brasileira, irmanada e solidária, enfrentar coesa a dificílima tarefa de administrar o sucesso, com todo o penoso esforço e extenuante dedicação que isso implica. Então, este é o momento de encontrarmos um pequeno alívio para a pesada carga, refletindo sobre alguns campos em que ainda não fomos atingidos pelo problemático sucesso – o que nos deixará, sem dúvida, em situação mais confortável e tranquila.

Ainda não fomos atingidos pelo problemático sucesso no campo da infraestrutura. Obras essenciais para o desenvolvimento do País vêm sendo longamente retardadas, graças à má qualidade dos projetos, ou ao desrespeito às leis ambientais, ou ao não-cumprimento de exigências do Tribunal de Contas da União (TCU). Assim, entre 2004 e 2008 o governo federal não conseguiu investir mais do que 30% do previsto no Orçamento para o setor, o que significa R$ 20 bilhões a menos do que era destinado à infraestrutura. Em consequência, 70% das rodovias pavimentadas federais se tornaram péssimas e, sobretudo, assassinas; a ineficiência dos portos continuou encarecendo, pesadamente, as exportações e importações; e no campo da energia, ou os raios, ou os curtos-circuitos, ou o “excesso de água da chuva”, ou os hackers, ou o diabo a quatro fizeram com que quem era mãe do PAC se tornasse a madrasta do APAG (e “assunto encerrado, minha filha”).

Ainda não fomos atingidos pelo problemático sucesso no campo do desenvolvimento humano (IDH), pois nisso não ultrapassamos o 75º lugar, assim como não superamos a 81ª colocação no índice de expectativa de vida. No campo do respeito à vida, cabe registrar que continuamos a bater recordes mundiais de produção de cadáveres no trânsito – cerca de 40 mil anuais -, ao mesmo tempo que nossa taxa anual de homicídios intencionais é de 25,7 mortes por cada 100 mil habitantes, enquanto esse índice nos EUA é de 5,8, na Argentina é de 5,2, na Palestina é de 4, na Índia é de 3,4, na China é de 2,3, na Inglaterra é de 2, no Chile é de1,9, em Israel é de1,8, na França é de 1,5, na Itália é de 1,2, na Espanha é de 1,1, na Alemanha é de 0,98 e no Japão é de 0,68.

Agora, para que não tenhamos tanta dificuldade em administrar a difícil fase de sucesso que atravessamos – conforme a percuciente observação do presidente do Banco Central – precisamos avaliar melhor as circunstâncias em que têm ocorrido algumas melhorias de posicionamento em pesquisas estatísticas. Por exemplo, melhoramos nosso índice de desmatamento da Amazônia, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – por sinal, o mesmo desqualificado pelo ministro de Minas e Energia por ter afirmado que nenhum raio caiu nas linhas de Itaberá na noite do apagão. O Inpe registrou a mais significativa queda desde o início da medição: entre agosto de 2008 e julho de 2009 foi devastada “apenas” a mata de uma região com 7.008 quilômetros quadrados, ou seja, tamanho igual a 4,6 vezes a cidade de São Paulo. Então, dá para administrar esse sucesso…

Outro sucesso que, sem dúvida, dá muito bem para administrar é o da melhoria de nossa posição no mundo (segundo a Transparência Internacional) quanto à corrupção. Tiramos nota 3,7 (num total de 10), o que nos coloca no 75º lugar. Quer dizer, no mundo há 74 países menos corruptos do que o nosso. Será isso fantástico? Mas há um detalhe importante: o que é aferido na pesquisa é a “percepção de corrupção” que os próprios brasileiros têm em seu país. Não estará essa percepção já bastante “amaciada”, de tal forma as bandalheiras, falcatruas e maracutaias se têm multiplicado e banalizado “como nunca antes na História deste país”?

Também não fomos atingidos pelo problemático sucesso no campo da educação. Apenas 25% dos brasileiros com mais de 15 anos têm pleno domínio das habilidades de leitura e escrita. Quer dizer, apenas um em cada quatro brasileiros consegue compreender, totalmente, as informações contidas num texto e relacioná-las com outros dados. Não menos que 38% dos cidadãos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais. E se, por uma descoberta jornalística, se comprovou a fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quantas outras fraudes não terão passado despercebidas em tantos outros exames escolares, já que o esforço do aprendizado e o mérito do conhecimento têm sido sistematicamente desmoralizados, “como nunca antes na História deste país”?

Bruno Ferreira Campos, de 34 anos, sua mulher, Viviane Ferreira Campos, de 33, e a filha do casal, Gabriela Gonçalves Campos, de 7 meses, voltavam de férias pela estrada Rio-Teresópolis (rodovia federal BR-116/RJ) quando, à altura do km 90, caiu uma barreira que soterrou os três – só escapando da morte Maurina, mãe de Viviane. Abre o site da administradora da rodovia o seguinte texto: “Bem-vindo à concessionária Rio-Teresópolis. Você vai encontrar aqui informações sobre os serviços que colocamos 24 horas por dia à sua disposição, sempre visando seu conforto e segurança.”

E está no site: “… as obras ora em licenciamento objetivam melhorar a capacidade de serviço da rodovia e, portanto, a segurança e o conforto para os usuários.” Eis espelhado tudo o que significa a diferença entre o pretendido e o feito, o anunciado e o realizado. Vendo a foto da bela família enterrada viva não será difícil administrarmos o sucesso.

Superado o medo da crise, mercado imobiliário vive novo ”boom”

Domingo, 15 de Novembro de 2009 | Versão Impressa

 Superado o medo da crise, mercado imobiliário vive novo ”boom”

Financiamento de imóveis até agosto cresceu 45% ante o mesmo período de 2008 e preços não param de subir

Paula Pacheco

O mercado imobiliário contrariou as previsões depois do estouro da bolha nos Estados Unidos e vive em grande fase. O crédito imobiliário para pessoa física aumentou 45% no acumulado de janeiro a agosto de 2009, na comparação com o mesmo período de 2008.

Até agosto, dado mais recente, os bancos públicos haviam despejado R$ 58,3 bilhões na atividade imobiliária, por meio de financiamentos para pessoa física. As instituições privadas desembolsaram R$ 12 bilhões. Em relação a julho, essas operações cresceram mais que as outras modalidades de crédito. As instituições financeiras dizem que têm batido recorde de contratos em carteira e esperam por um 2010 ainda melhor.

Para os interessados em comprar um imóvel, a má notícia é que os preços não recuaram. Ao contrário, não param de subir. Os executivos das incorporadoras argumentam que os aumentos têm acompanhado os índices inflacionários. Mas especialistas, como Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), dizem que o reajuste tem sido maior. “Por isso, a recomendação é pechinchar, porque as empresas estão com margens maiores e têm gordura para queimar.”

O mesmo comportamento ocorre nos imóveis usados. No caso dos apartamentos de alto padrão, a alta no preço de venda do ano passado para cá chegou a 25%, segundo Celso Pinto, diretor da Sotheby”s International Realty de São Paulo. Apesar do encarecimento dos produtos, as vendas estão melhores que no período pré-crise.

Roseli Hernandes, gerente de Locação e Vendas da Lello Imóveis, confirma a retomada das vendas de usados e a alta do preço. O total de imóveis comercializados pela empresa aumentou 19% em relação ao período anterior à crise. “Tem muito proprietário com medo de vender e depois se dar conta que não fez um bom negócio na hora de comprar outro. Os preços têm subido demais”, explica.

Para se ter uma ideia de como o comércio de casas e apartamentos está em alta, segundo dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), o preço médio do metro quadrado (m²) do usado na região que inclui Alto da Boa Vista, Alto dos Pinheiros e Brooklin Velho, que era de R$ 2,5 mil em agosto, foi para R$ 3,7 mil em setembro, uma alta de 51,89%. De agosto a setembro, as vendas de usados subiram 44,35% na capital paulista.

Ana Luiza Bueno, gerente comercial da Villa Daslu, começou a procurar apartamento há cerca de um ano. Dia sim, dia não, ela conversa com um dos dez corretores que estão correndo atrás do imóvel. “O mercado está muito aquecido. Quando paro para fazer as contas, o apartamento já foi vendido. Cheguei a um ponto em que eu própria estou batendo nos prédios para saber se há algum imóvel vago”, conta.

É o primeiro imóvel próprio de Ana Luiza, que sonha em começar 2010 no novo endereço. Ela procura um apartamento com área de até 290 m² e três suítes, no bairro do Itaim ou Jardins. “Sendo realista, acho difícil”, lamenta.

Não é só para a classe A que o mercado está inflacionado e com pouca oferta. Na favela de Paraisópolis, em São Paulo, uma das maiores do País, Helena dos Santos é dona de uma imobiliária informal há 26 anos e nunca viu os preços tão altos.

Se a casa de dois cômodos e banheiro, com área de cerca de 30 m², for em uma rua asfaltada e bem localizada, é vendida por cerca de R$ 30 mil. Seis meses atrás, o desembolso era bem menor, na faixa dos R$ 17 mil.

“Hoje tenho uns 150 imóveis em carteira. Não está fácil vender. O preço está alto e a intervenção da Prefeitura por aqui, com a desocupação de algumas áreas, tem gerado incertezas tanto para quem quer comprar quanto para os proprietários.”

FONTES DE RECURSOS

Para os bancos, a boa demanda confirma que o momento é propício para elevar as apostas nos financiamentos imobiliários. Além de ganhar diretamente com a operação de empréstimo habitacional, para os bancos é um grande negócio atuar cada vez mais no segmento. É uma forma de ter um cliente fiel por até 30 anos – prazo máximo de quitação de um financiamento – e, nesse período, vender a ele outros tantos produtos, como seguros e aplicações.

O principal argumento do sistema financeiro para apostar no potencial é o fato de o crédito imobiliário representar apenas 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, enquanto a média mundial é bem mais alta. No Chile, por exemplo, a participação é de 15% do PIB, lembra Luís Antonio França, diretor de crédito imobiliário do Itaú Unibanco.

Apesar dos planos de expansão, França garante que é importante não perder de vista a cautela. “Se a agressividade nesse negócio significa oferecer financiamentos com apenas 5%, 10% de entrada, não é o que pretendemos. Isso é risco sistêmico e pode matar o mercado, como vimos em outros países.”

A Caixa Econômica Federal, dona de mais de 70% dos empréstimos habitacionais no País, registrou em janeiro uma média de 2.032 financiamentos por dia. Neste mês, a média está em 3.978 contratos. O banco prevê desembolsar este ano R$ 38,5 bilhões com imóveis, 20% mais que em 2008.

“O mercado está muito bem. Não há porque não acreditar que esse comportamento será diferente em 2010 “, diz José Roberto Machado, diretor de Crédito Imobiliário do Santander Real. “É uma combinação de fatores que ajuda, como a queda da taxa de juros, o déficit habitacional do País e o alongamento dos prazos de financiamento.”

O Banco do Brasil (BB) é um dos mais novos players no financiamento imobiliário. Entrou em agosto do ano passado e não tem economizado na munição para divulgar o novo produto. Sergio Augusto Kurovski, gerente-executivo de Novos Negócios do BB, diz que as condições econômicas do País, com aumento do emprego e melhora da renda, são o que mais influencia o brasileiro atualmente a se decidir por um endividamento habitacional de longo prazo.

Com o apetite dos bancos e condições de financiamento muito parecidas, fica difícil ganhar participação. Para Antonio Barbosa, diretor de Crédito e Consórcio do HSBC, o segredo é o incremento do serviço. Além disso, segundo o executivo, o banco quer cada vez mais aumentar as parcerias com as construtoras e imobiliárias para oferecer o crédito direto na fonte.

Printed the fear of the crisis, real estate market lives new ” boom ”
 Financing of property until August the same grew 45% before period of 2008 and prices do not stop to go up
 Paula Pacheco
 the real estate market opposed the forecasts after the burst of the bubble in the United States and live in great phase. The home loans for natural person increased 45% in the January gathered the August of 2009, in the comparison with the same period of 2008.
Until August, given more recent, the public banks had poured R$ 58,3 billion in the real estate activity, by means of financings for natural person. The private institutions had spent R$ 12 billion. In relation the July, these operations had grown more than the other modalities of credit. The financial institutions say that they have beaten contract record in wallet and still wait for one 2010 better.
For the interested parties in buying a property, the bad notice is that the prices had not withdrawn. In contrast, they do not stop to go up. The executives of the incorporators argue that the increases have folloied the inflationary indices. But specialists, as Luiz Pablo Pompéia, president of the Brazilian Company of Studies of Patrimony (Embraesp), says that the readjustment has been bigger. “Therefore, the recommendation is to pechinchar, because the companies are with bigger edges and have fat to burn. ”
 The same behavior occurs in the used property. In the case of the apartments of high standard, the high one in the price of venda of the year passed to arrived 25% here, according to Celso Pinto, director of Sotheby ” s International Realty of São Paulo. Although price increasing of the products, vendas is better that in the period daily pay-crisis.
Roseli Hernandes, manager of Location and Immovable Vendas of the Lello, confirm the retaken one of vendas of used and the high one of the price. The total of property commercialized for the company increased 19% in relation to the previous period to the crisis. “It has much proprietor from fear to vender and later if giving account that did not make a good business in the hour to buy another one. The prices have gone up excessively “, explain.
To have an idea of as the commerce of houses and apartments it is in high, according to data of the Regional Advice of Real estate brokers of the State of São Paulo (Creci-SP), the average price of the square meter (m ²) of the used one in the region that includes High of the Boa Vista, High of Pinheiros and Old Brooklin, that age of R$ 2,5 a thousand in August, was for R$ 3,7 a thousand in September, one high one of 51,89%. Of August, vendas of used had the September gone up 44.35% in the São Paulo capital.
Ana Luiza Bueno, commercial manager of the Villa Daslu, started to look apartment has about one year. Day yes, day not, it talks with one of the ten correctors that are running behind the property. “The market is very warm. When I stop to make the accounts, the apartment already was vendido. I arrived at a point where proper I am beating in the building to know if he has some vacant property “, he counts.
It is the first proper property of Ana Luiza, who dreams in starting 2010 in the new address. It looks an apartment with area of up to 290 m ² and three suítes, in the quarter of the Itaim or Gardens. “Being realistic, I find difficult”, laments.
The one is not alone for the classroom that the market is inflated and with little it offers. In the slum quarter of Paraisópolis, in São Paulo, one of the greaters of the Country, Helena Dos Santos is real estate owner of an informal one has 26 years and it never saw the prices so high.
If the house of two cômodos and bathroom, with 30 area of about m ², will be in a tarred street and located well, it is vendida by about R$ 30 a thousand. Six months behind, the outlay was well lesser, in the band of R$ 17 a thousand.
“Today I have one 150 property in wallet. It is not easy to vender. The price is high and the intervention of the City hall this way, with the inoccupation of some areas, has generated uncertainties in such a way for who wants to buy how much for the proprietors. “
SOURCES OF RESOURCES
 For the banks, the good demand confirms that the moment is propitious to raise the appositive ones in the real estate financings. Beyond earning directly with the operation of habitacional loan, for the banks it is a great business to more act each time in the segment. It is a form to have a faithful customer for up to 30 years – maximum stated period of repayment of a financing – and, in this period, to vender it others as many products, as safe and applications.
The main argument of the financial system to bet in the potential is the fact of the home loans to represent only 2.7% of Produto Interno Bruto (PIB) Brazilian, while the world-wide average is well higher. In Chile, for example, the participation is of 15% of the GIP, remembers to Luis Antonio France, director of home loans of the Itaú Unibanco.
Although the expansion plans, France guarantees that it is important not to lose of sight the caution. “If the aggressiveness in this business means to offer financings with only 5%, 10% of entrance, is not what we intend. This is sistêmico risk and can kill the market, as we saw in other countries. “
The Federal government saving bank, owner of more than 70% of the habitacionais loans in the Country, registered in January a average of 2.032 financings per day. In this month, the average is in 3.978 contracts. The bank foresees to spend this year R$ 38,5 billion with property, 20% more than in 2008.
“The market is very well. It does not have because not to believe that this behavior will be different in 2010 “, says Jose Robert Machado, director of Home loans of Real Santander. “It is a combination of factors that helps, as the fall of the tax of interests, the habitacional deficit of the Country and the allonge of the financing stated periods. ”
 The Bank of Brazil (BB) is one of new players in the real estate financing. It entered in August of the last year and it has not saved in the ammunition to divulge the new product.
August Sergio Kurovski, controlling-executive of New Businesses of the BB, says that the economic conditions of the Country, with increase of the job and improves of the income, is what more he influences the Brazilian currently if to decide for a habitacional indebtedness of long stated period.
With the appetite of the banks and conditions of financing very seemed, it is difficult to gain participation. For Antonio Barbosa, director of Credit and Trust of the HSBC, the secret is the increment of the service. Moreover, according to executive, the bank more wants each time to increase the partnerships with the real estate constructors and to offer to the credit right-hander in the source.
 
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