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Dominando a zona oeste

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IMÓVEIS

Dominando a zona oeste

O construtor Paulo Mauro impera em bairros como Pompeia e Perdizes

IRENE RUBERTI

Todas as manhãs, Paulo Mauro faz questão de vistoriar pessoalmente os canteiros de obras da construtora que leva seu nome. Aos 83 anos, ele já ergueu 111 edifícios residenciais, 80% deles nos bairros de Perdizes e Pompeia, na região oeste de São Paulo. As torres revestidas de pastilhas e cerâmica tornaram-se sua marca registrada, em apartamentos que costumam ter de 100 m2 a 250 m2.

Paulo nasceu em Salerno, no sul da Itália, e, por um erro no registro (faltou o di antes do Mauro), muita gente se confude e pergunta qual é o seu sobrenome. Chegou ao Brasil aos dois anos, com os pais e mais dois irmãos. A família se estabeleceu no bairro da Pompeia, e Paulo não saiu mais da região.

Dos tempos de menino, lembra-se de caçar passarinhos com o pai em um matagal entre as ruas Clélia e Barão do Bananal. “Nós também íamos pegar marrecos perto da linha férrea, atrás da avenida Francisco Matarazzo”, lembra.

Optou por concentrar seus empreendimentos em uma mesma região para facilitar o acompanhamento das obras. Depois de visitá-las, ele dá expediente no escritório da empresa. “Trabalho desde os 14 anos, estou acostumado”, diz.

Paulo começou no laboratório químico das Indústrias Matarazzo, depois fez engenharia no Mackenzie e chegou a ser acionista do Banco Real do Progresso, que acabou sendo comprado pelo Bamerindus. Construiu postos de gasolina e armazéns pelo interior antes de se dedicar a prédios. Atualmente, está erguendo uma torre de 27 andares na Vila Romana, na região oeste.

Nesses mais de 50 anos, viu mudarem muitas coisas, por exemplo, o número de vagas de carros por apartamento. “Agora há empreendimentos com até três subsolos.” Com novos equipamentos, eletrodomésticos e ar-condicionado, a sobrecarga elétrica também aumentou. E os compradores hoje são mais exigentes. Para atrair o cliente, é preciso prever, na planta, sala de ginástica e cinema. As varandas também se tornaram um diferencial. “Não se pode mais viver enclausurado entre quatro paredes.”

Fundada em 1955, a empresa de Paulo é enxuta, conta com 250 funcionários, mas já construiu mais de 2 milhões de metros quadrados. Ali trabalham seus três filhos: dois engenheiros e um economista. “Ele é muito motivado, tem uma disposição impressionante, não gosta de depender dos outros e nunca se abala com o noticiário econômico”, conta um deles, Marcos Mauro, 48. Também já fizeram parte da construtora dois irmãos de Paulo, já falecidos.

Desde que ficou viúvo, há 11 anos, ele diz ter perdido o interesse por viagens e idas ao cinema. Embora reclame que os terrenos estejam ficando “escassos e caríssimos” na região oeste, não pretende se aposentar e continua com novos projetos. “A gente não sabe fazer outra coisa.”

Aos 83 anos, o italiano criado na Pompeia não pretende se aposentar, mas reclama dos terrenos “escassos e caríssimos” para construir na zona oeste

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Paulo Mauro – Revista Techne – Agosto 2009

setembro 10, 2009 3 comentários

Paulo Mauro

Em 40 anos, fundador da construtora que leva o seu nome já entregou mais de 100 prédios, quase todos na zona Oeste de São Paulo. Início foi fazendo postos de gasolina

Por Bruno Loturco

PAULO MAURO

Perfil

Nome: Paulo Mauro
Idade: 79 anos
Nascimento: Salerno, Itália, naturalizado brasileiro
Graduação: engenharia civil, em 1951, pela Escola de Engenharia Mackenzie
Empresas em que trabalhou: Indústrias Matarazzo, Indústrias Klabin do Paraná e Paulo Mauro Incorporadora e Construtora
Cargos exercidos: presidente do Banco Real do Progresso, diretor presidente da Paulo Mauro Incorporadora e Construtora

Da trajetória profissional do pai, Rafael di Mauro, Paulo tirou uma certeza. Não pretendia jamais depender de terceiros para ascender profissionalmente. Funcionário das Indústrias Matarazzo por 30 anos, o patriarca nunca conseguiu evoluir muito em relação ao trabalho. “Sempre pensei em algo melhor”, conta.

Por isso, optou pela engenharia, especificamente a civil. A outra opção seria a engenharia química, pois à época do vestibular trabalhava nas Indústrias Klabin, no laboratório químico e, antes de lá, no laboratório de sabonetes e perfumaria das Indústrias Matarazzo. No entanto, as perspectivas de crescimento dentro das empresas, para engenheiros químicos, pareciam restritas. Além disso, dependeria, inevitavelmente, de terceiros.

Sob tais aspectos, a engenharia civil se mostrava mais promissora, de modo que poderia montar uma empresa e trabalhar por conta própria. Foi o que ocorreu, com a constituição da construtora logo após a formatura, em 1951. De início, executava projetos de postos de gasolina, tendo concluído entre 40 e 50 obras desse tipo, incluindo o posto de abastecimento da Shell dentro do Aeroporto de Congonhas. Depois passou a fazer armazéns por todo o interior paulista. Os prédios vieram a seguir, com o crescimento da empresa, por volta de 1957, quando começou a construir edificações pequenas.

Nascido na Itália, veio para São Paulo aos dois anos de idade e é naturalizado brasileiro. A família fixou-se na zona Oeste paulistana, região que Paulo Mauro, prestes a completar 80 anos, adotou também para atuação da construtora. Trabalhou para ajudar nas finanças de casa desde a época em que era aluno do período noturno do Colégio Oswaldo Cruz. Saiu da capital paulistana apenas por um ano, quando trabalhou na paranaense Klabin, onde tinha um salário bom e que lhe permitiu se estabelecer sozinho. Ao voltar, sem tempo para fazer um cursinho que lhe possibilitasse tentar a concorrida Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), entrou no curso de engenharia do Mackenzie. Mesmo por força da ocasião a escolha foi benéfica, pois, sob sua ótica e mesmo considerando a Politécnica a melhor escola de engenharia, o Mackenzie forma profissionais para o mercado, enquanto a USP tem um currículo mais teórico.

Resultam dessas escolhas os mais de 100 prédios entregues nos cerca de 40 anos de atuação da construtora Paulo Mauro, 80% deles no bairro de Perdizes, onde o engenheiro reside há 77 anos. Uma das exceções é o hotel Sofitel São Paulo, próximo ao Parque do Ibirapuera, construído e de propriedade da construtora, embora administrado pelo Grupo Accor.

Com uma média de 2,5 edifícios entregues anualmente, cada um levando até três anos desde a fundação até o acabamento, a construtora, norteada por seu sócio majoritário, aposta na diferenciação dos produtos. Esses têm execução mais trabalhosa, sempre com acabamento de padrão elevado em relação à média e revestimentos externos em cerâmica ou pastilha. Com custo maior, o preço final dos apartamentos é, conseqüentemente, maior também. Nas palavras de Paulo Mauro, a empresa é média e nunca teve intenção de ser grande, apenas de “pisar firme”.

Possivelmente dentre os principais trunfos está a recusa em obter empréstimos para financiamento da atividade. “Sempre trabalhamos com capital próprio”, orgulha-se Paulo. A afirmação vale mesmo para os momentos atuais, em que está cada vez mais difícil adquirir terrenos e trabalha-se com taxa de ocupação menor. O foco no mercado de edifícios, em sua maioria residenciais, também reflete certo receio de participar de obras em que dependesse de outras empresas.

A estrutura organizacional da construtora sempre foi familiar. Atualmente, os três filhos homens de Paulo – dois engenheiros e um economista, que lida com o dinheiro – trabalham com ele, além de um sobrinho, arquiteto. Trabalhou também com os irmãos, um engenheiro e um contador, já falecidos. Os três foram sócios na construtora e no Banco Real do Progresso, com matriz construída pela Paulo Mauro na cidade de São Caetano do Sul e que chegou a ter dez agências.

O engenheiro Paulo começou no negócio do banco contando apenas com 5% das ações do grupo. Aos poucos, no entanto, foi adquirindo mais participação, chegando a ser sócio majoritário com voz equivalente à de outro grupo. Mesmo sem ser do ramo bancário, chegou à presidência do banco, que posteriormente foi vendido ao Bamerindus. Este incorporado ao HSBC tempos depois.

À mesma época em que o banco começava, um polonês abria uma loja de produtos diversos bem em frente à matriz. Tempos depois o colega que Paulo Mauro não encontra faz tempo, Samuel Klein, fundaria as Casas Bahia.

Para o cálculo estrutural de seus empreendimentos Paulo Mauro confia no talento de outra família. Costumava contratar os projetos de um colega de turma na faculdade, o engenheiro Yassuo Yamamoto, “um japonês que diziam ter nascido em uma betoneira”, brinca. Após o falecimento de Yassuo foi o filho dele quem assumiu a responsabilidade pelas estruturas dos prédios da construtora.

Uma das perguntas recorrentes que Paulo Mauro ouve ao dizer seu nome completo diz respeito à aparente falta de um sobrenome. A explicação é simples. Ao ser registrado, ainda na Itália, em Salerno, o escrivão esqueceu o “di”, ostentado pelo pai e pelo irmão Aldo di Mauro, esse nascido já no Brasil. A falha só foi percebida quando da matrícula de Paulo na escola, e a correção demandaria um trabalho que considera desnecessário.

Dez questões para Paulo Mauro

1) Obras marcantes das quais participou: uma das principais fica na rua Aimberê, no bairro de Perdizes, em São Paulo. Tem cerca de 20 anos e é, possivelmente, a maior obra da construtora, com dois prédios de 21 pavimentos cada, num terreno de 5 mil m²

2) Obras significativas da engenharia brasileira: a construção da cidade de Brasília, que é um marco histórico em todo o mundo, a primeira cidade apenas com prédios modernos

3) Realização profissional: ter construído alguns prédios de grande importância para a época, além de ter consolidado a empresa sem nunca ter tomado dinheiro emprestado para financiamento

4) Mestres: o engenheiro Roberto Zuccolo, morto com pouco mais de 40 anos, vítima de enfarto, que foi meu professor e era um grande calculista

5) Por que escolheu ser engenheiro: devido à possibilidade de trabalhar sempre por conta própria, sem que o crescimento profissional dependesse de empresas ou terceiros

6) Melhor instituição de ensino da engenharia: a Escola Politécnica da USP, que é mais teórica e forma mais professores, enquanto o Mackenzie forma profissionais para o mercado de trabalho

7) Conselho ao jovem profissional: que se dedique bastante, realizando controle dos materiais. Além disso, não buscar economia em fundações e em estruturas de concreto, etapas em que é melhor respeitar as margens de segurança

8) Principal avanço tecnológico recente: o desenvolvimento dos materiais, como concreto, que tem muito controle tecnológico, alumínio e aço, e das empresas de ensaio e consultoria

9) Indicação de livro: não consigo definir um em específico, existem vários importantes

10) Um mal da engenharia: não gosto da ganância, com todos querendo construir muito e rápido demais

Vila Monteverde – Oportunidade

BB financiará Cyrela para construção de casas em Sorocaba.

BB financiará Cyrela para construção de casas em Sorocaba.

Com reserva de R$ 500 milhões, Banco do Brasil passa a operar no programa “Minha Casa”.

29/04/2009, Brasília, DF – Nos próximos dias, o Banco do Brasil (BB) e a Cyrela assinarão contrato para financiamento de 500 casas populares, a serem construídas em Sorocaba, cidade a 80 quilômetros da capital paulista. A informação foi divulgada pelo novo presidente do BB, Aldemir Bendine, ao anunciar (28/04/2009) que, em 60 dias, a instituição passará a realizar operações para financiamentos (produção e comprador final) ao programa habitacional federal. O investimento inicial do BB para o programa “Minha Casa, Minha Vida” é de R$ 500 milhões, recursos originados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Bendine salientou que, se houver necessidade, até mesmo recursos próprios do BB poderão ser utilizados para reforço a esta linha de crédito.

Durante este que foi seu primeiro pronunciamento como presidente do BB, Aldemir Bendine negou os rumores acerca da existência de pressão política sobre a instituição, para redução do spread (diferença entre o custo desembolsado para a captação de recursos e o juro que os bancos cobram pelos empréstimos aos seus clientes).

Bendine comentou que a queda do spread não será uma peculiaridade do BB, mas de todo o sistema financeiro, e lembrou que o mesmo é composto por uma série de fatores, incluindo a Selic (taxa básica de juros).

Mercado de imóveis dá sinal de vida nos EUA

Mercado de imóveis dá sinal de vida nos EUA

Christopher Palmeri, Mara Der Hovanesian e Prashant Gopal, BusinessWeek
08/04/2009

No ano passado a área de Cape Coral, na Flórida, registrou os maiores níveis de retomadas judiciais de imóveis dos Estados Unidos, devido à falta do pagamento do financiamento imobiliário. Os bancos retomaram mais de 1 em cada 10 residências na comunidade de Gulf Coast, que tem 165 mil habitantes. As repercussões ainda estão sendo sentidas. Mansões construídas em grande escala e recém-concluídas estão vazias. Transformaram-se em monumentos empoeirados do grande boom imobiliário. Casas menores estão sendo saqueadas. Prédios de apartamentos estão sendo lacrados. Ex-proprietários estão tirando tudo o que podem das casas antes que as fechaduras sejam mudadas, segundo afirma Kirsten Prizzi, uma corretora de imóveis da imobiliária AC Global Realty, da região. “Maçanetas, utensílios. Tem gente vendendo até janelas.”

Mas uma coisa curiosa está acontecendo nesta cidade outrora próspera: compradores estão aparecendo. Pessoas que querem comprar sua primeira residência subitamente começaram a entrar em disputas com especuladores imobiliários de lugares tão distantes como a Espanha e a Alemanha. Em fevereiro, as vendas superaram as registradas no pico do boom, com algumas casas recebendo mais de 50 ofertas e sendo vendidas acima dos preços pedidos. “Vou atrás de mercados que estão em baixa”, afirma o aposentado Rich Lehrer, autoproclamado “investidor em mercados emergentes”, de Wilimington, Carolina do Norte, que quer comprar várias propriedades na área. “Espero conseguir rendimentos melhores para o meu dinheiro.”

Entretanto Cape Coral não é o único ponto luminoso do mercado residencial. Algumas das mesmas regiões que levaram o mercado imobiliário americano para o abismo começam a dar sinais de vida. As vendas na costa do Golfo do México da Flórida, na Califórnia (principalmente nos arredores de Los Angeles) e na região metropolitana de Las Vegas cresceram mais de 80% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado.

Portanto, o que está acontecendo? Em todos esses mercados, os bancos estão despejando imóveis que tiveram suas dívidas executadas, atraindo especuladores cheios de dinheiro em busca de pechinchas. “Por que esperar [pelo fundo do poço] se o negócio é bom?”, diz Brent McAlee, um morador de Las Vegas de 31 anos que recentemente pagou US$ 140 mil por uma casa com três dormitórios que valia cerca de US$ 350 mil poucos anos atrás. Ele espera alugá-la por US$ 1,3 mil por mês.

E mais: os compradores de “primeira viagem” finalmente estão se apressando, atraídos não só pela queda dos preços mas também pelos incentivos do governo, como as taxas de juros ultrabaixas e as grandes isenções fiscais. Esses atrativos são bons demais para não serem aproveitados, pelo menos em mercados que já caíram 50% ou mais.

Essas compras frenéticas em umas poucas áreas deprimidas não significam que a crise nacional acabou – longe disso. Mas prenuncia o começo de uma nova fase no ciclo de “boom e estouro”. Os economistas podem chamar isso de equilíbrio: os preços caíram tanto em algumas áreas que os compradores voltaram a se interessar, melhorando a balança entre compradores e vendedores. Isso não significa que os preços vão subir em algum momento no curto prazo. Mas compras pesadas deverão pelo menos estabelecer um piso para os preços. “Já chegamos ao fundo do poço?”, pergunta Christopher Thornberg, economista da Beacon Economics. “Estamos perto.”

Se Thornberg estiver certo, pode-se esperar que outros mercados comecem o processo de recuperação nos próximos meses. Assim como a Califórnia, a Flórida e Las Vegas lideraram o estouro da bolha imobiliária nos EUA, essas áreas poderão fornecer o modelo para a recuperação nacional. “Um dos grandes problemas que temos em todo o país é a falta de confiança”, diz Adam York, economista do banco Wachovia em Charlotte, Carolina do Norte. “Na medida em que esses ex-mercados da bolha começarem a sair do fundo do poço em termos de vendas, poderá haver alguma esperança para outros mercados quanto ao fim das quedas nos preços.”

Mas muitas advertências estão no ar, porque há fatores peculiares de mercados em fase de baixa em operação. O fato de os estoques estarem caindo bastante na Califórnia – para uma oferta suficiente para apenas 6,5 meses, contra 15,3 meses no mesmo período do ano passado – parece ser um bom presságio.

Historicamente, “os preços respondem muito dramaticamente aos estoques”, afirma William C. Wheaton, diretor de análises do Centro para o Mercado Imobiliário do Instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT).

Mas os estoques estão caindo mais rápido em mercados onde os especuladores e os compradores de primeira viagem estão conduzindo a ação. E eles não precisam colocar suas próprias casas no mercado para fazerem negócios.

Mas continua muito difícil para aqueles proprietários que compraram suas casas nos últimos cinco anos vender um imóvel e comprar outro.

Além disso, os incentivos do governo de até US$ 8 mil em créditos fiscais para os compradores do primeiro imóvel e as baixas taxas das juros para os financiamentos imobiliários instituídas pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, estão atraindo compradores que de outra forma estariam de fora do mercado. Se o governo retirasse os incentivos, mercados que parecem estar saindo do fundo do poço voltariam a cair.

E mais: os bancos apertaram tanto as condições para a concessão de empréstimos que apenas os compradores mais qualificados estão tendo facilidade para conseguir dinheiro. Enquanto as condições não melhorarem, o mercado imobiliário residencial não conseguirá decolar.

É melhor ver as vendas aquecidas em alguns mercados como um vislumbre de esperança em um mercado nacional que provavelmente continuará fraco por algum tempo. As vendas continuam caindo em muitas regiões, especialmente as que até recentemente não haviam sido atingidas. Em Charlotte, onde os preços das moradias estavam subindo até poucos meses atrás, as vendas caíram 38% em fevereiro, em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos nacionais, o índice S&P/Case-Shiller, que monitora os preços das moradias nas 20 maiores áreas metropolitanas dos EUA, registrou queda de 19% em janeiro, em relação ao mesmo período de 2008, e uma queda de 29% em relação ao pico registrado em 2006. “O mercado ainda está muito ruim”, alerta Robert J. Shiller, professor de economia da Universidade de Yale e criador do índice. Mas ele acrescenta: “Há sempre uma luz no fim do túnel”.

Essa luz pode estar começando a brilhar mais em Las Vegas. As vendas de moradias começaram a cair em Sin City (“cidade do pecado”, como é conhecida) antes de caírem na maioria das outras partes do país. Agora, Las Vegas está mergulhada na recessão. O desemprego subiu para 10,1%, bem acima da média nacional. Mais de 80% das casas à venda são propriedades com problemas. São aquelas em que o atual proprietário corre o risco de ter sua dívida executada ou aquelas que foram tomadas pelos bancos. Os preços médios caíram de US$ 315 mil, em junho de 2006, para os atuais US$ 155 mil, mais ou menos o nível de 2002.

Essa queda vertiginosa dos preços está atraindo pessoas como Mark e Claudia McLaughlin. O casal, que trabalha no Departamento Penitenciário do Estado de Nova York e mora em Westernville, Nova York, pretende morar em Las Vegas após a aposentadoria, em cerca de seis anos. Eles estão ansiosos por encontrar um imóvel enquanto os preços ainda estão baixos. No fim de março, começaram a procurar casa junto com o corretor de imóveis e visitaram 18 imóveis com preços entre US$ 75 mil e US$ 100 mil. “Achamos que podemos comprar algo agora e conseguir um bom preço”, diz Mark McLaughlin, 55. “Vamos alugar a casa e ela vai se pagar sozinha.” Eles não precisam vender sua casa no norte do Estado de Nova York e daqui alguns anos o mercado local poderá ter melhorado – se for preciso vender.

Os Garvin também compraram outra casa, ao mesmo tempo em que mantiveram a atual. Em 2004, o gerente-financeiro de hotel J.D. Garvin e sua mulher, Nona, uma enfermeira, pagaram US$ 202 mil por uma casa de 110 metros quadrados em Las Vegas, que provavelmente está valendo a metade disso hoje. Após o nascimento do primeiro filho, eles decidiram que precisavam de mais espaço. Então, em janeiro eles compraram uma casa de 350 metros quadrados por US$ 300 mil num subúrbio de Henderson, Estado de Nevada.

Com os preços ainda baixos, os Garvin decidiram encontrar um inquilino para sua primeira casa, em vez de vendê-la. O aluguel quase cobre a hipoteca mensal desse primeiro imóvel. J.D. Garvin, 30, diz: “Estamos tranquilos com o fato de estarmos pagando um pouco mais que a outra hipoteca – e a casa é três vezes maior”.

Para os Garvin, que não se qualificaram para o crédito fiscal do governo, as taxas de juros em níveis recordes de baixa foram um grande atrativo. Com a taxa de sua hipoteca pré-fixada de 30 anos em 4,75%, o pagamento do empréstimo de US$ 292 mil que eles fizeram está ao redor de US$ 1,6 mil por mês. Em termos nacionais, a taxa sobre um empréstimo pré-fixado de 30 anos está ao redor de 4,85%, a menor já registrada.

Na Califórnia, políticos estão contribuindo com as tentativas de persuasão do governo federal. O Poder Legislativo aprovou um crédito fiscal de US$ 10 mil para qualquer pessoa que comprar uma casa nova recém-construída (moradias já existentes não se enquadram no plano).

A isenção fiscal atraiu Marisol Monroy, que decidiu trocar o aluguel pela casa própria. Há mais de um ano Monroy vinha vendo, com um nervosismo crescente, amigos após amigos perderem suas casas no sul da Califórnia.

Em março, esta mãe de três filhos comprou uma casa de quatro quartos em um novo empreendimento imobiliário em Fontana, parte da outrora agitada área de Inland Empire. A mensalidade, incluindo impostos e seguro, é de US$ 2,1 mil, apenas US$ 600 mais que o aluguel do apartamento de três quartos em que ela morava em Placentia. Monroy achou que os filhos iriam odiar a mudança, mas diz que eles estão animados para conhecer a casa nova: “Eles estão contando os dias no calendário”.

Os investidores em imóveis também estão percebendo que a hora é deles. Especuladores ficam com uma reputação ruim em épocas de mercado aquecido por levarem os preços para a estratosfera. Mas, nas profundezas de uma crise, eles são necessários para ajudar a limpar os estoques e estabilizar os preços. John Hoehl saiu de Vermont para procurar imóveis em Cape Coral – onde algumas casas cujas dívidas foram executadas estão sendo vendidas por apenas US$ 30 mil. Até agora, ele fez ofertas por três imóveis, e comprou uma casa de três dormitórios por US$ 150 mil. “Nesse ritmo, teremos um grande problema de estoque até o verão [terceiro trimestre nos EUA], e isso vai fazer os preços subirem”, diz Paula Hellenbrand, presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Cape Coral. O corretor local Marc Joseph, da Foreclosure-ToursRUs.com, comprou dois barcos para procurar na orla casas que tiveram dívidas executadas.

As compras estariam sendo ainda mais velozes não fosse pelos bancos. Especuladores e compradores de primeira viagem continuam tendo dificuldades para obterem financiamento. Com os bancos endurecendo as condições dos empréstimos, sempre é bom o comprador de primeira viagem aparecer com o maior volume de dinheiro vivo possível. Dean Brittingham e sua companheira, Nancy Rocks, entraram com 20% dos US$ 350 mil que pagaram por uma casa em estilo mediterrâneo em Santa Rosa, Califórnia – e mesmo assim tiveram problemas. Um investidor havia comprado a casa de três dormitórios poucos meses antes por US$ 187 mil. A rápida mudança no imóvel inadimplente acendeu o sinal vermelho no banco hipotecário dos dois, que insistiu em uma segunda avaliação. Depois que o casal superou este obstáculo, eles perderam um prazo e decidiram começar o processo novamente num outro banco. Os dois finalmente fecharam a compra da casa em março. “Nosso corretor disse que estamos num momento totalmente novo”, afirma Brittingham. “Tudo está diferente.”

Os especuladores também estão tendo problemas com a dificuldade de se conseguir financiamentos – e procuram por eles além dos bancos. Durante o boom, Robert Close teve lucro certo construindo casas que custavam até US$ 640 mil em Inland Empire. Agora, ela está trabalhando com um pequeno grupo de investidores que compra e reforma casas com hipotecas executadas. Como muitos bancos não emprestam dinheiro para casas que precisam de grandes reparos, Close paga em dinheiro – ou recorre ao que é conhecido como “hard money”, agiotas que cobram juros de até 12%.

Mas Close diz que pode ganhar dinheiro com taxas de juros altas como essas – um sinal de que os preços podem estar baixos demais. Ele normalmente desembolsa US$ 75 mil por casa, mais US$ 20 mil para reformas. Então, ele as aluga por até US$ 1,5 mil por mês, produzindo retornos de dois dígitos sobre seu investimento. Nos últimos sete meses, Close comprou 34 imóveis, tomando cuidado para evitar as casas que ele construiu. “Acho que sou supersticioso”, diz ele. “Não quero brincar com a minha sorte.” Esse tipo de especulação cautelosa está bem distante dos dias de “festa”. Mas depois de uma depressão de três anos, isso é um sinal de que alguns mercados podem estar se movimentando na direção certa.

Espera por pacote habitacional impulsiona ações do setor

março 25, 2009 4 comentários

25/03/2009 – 07h00
Espera por pacote habitacional impulsiona ações do setor
Sílvio Crespo
Em São Paulo
As ações de empresas do setor imobiliário, que tiveram fortes perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desde o segundo semestre do ano passado, anteciparam-se à divulgação do pacote habitacional do governo e já vêm registrando alta nas últimas semanas, analisa Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros.

Os investidores vêm sendo influenciados por declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteriores ao anúncio oficial do pacote. Em 11 de fevereiro, Lula adiantou que o programa contemplaria a construção de 1 milhão de moradias no país até 2010.

Pacote habitacional deve empregar 400 mil pessoas
Construção foi a que mais perdeu emprego e renda

Desde o início de março, as ações da Cyrela (CYRE3) subiram cerca de 30%, enquanto as da MRV (MRVE3) e da Gafisa (GFSA3) avançaram 27%, e as da PDG, 26%.

“Desde que o Lula começou a falar em construir 1 milhão de casas, os investidores já foram avaliando quais empresas poderiam se beneficiar”, afirma Vieira. A divulgação oficial do pacote acontece nesta quarta-feira.

O valor de mercado de 33 empresas do setor imobiliário e de construção que têm ações na Bolsa aumentou 13% em março até essa segunda-feira, 23, segundo dados compilados pela consultoria Economatica. No mesmo período, o Ibovespa, índice de referência das ações brasileiras, avançou 5%.

Até fevereiro, no entanto, a situação era oposta. O valor de mercado das empresas acumulava uma queda de 60% desde janeiro do ano passado (veja gráfico abaixo).

valor-empresas-imobImob

“Os lançamentos de imóveis caíram (no ano passado). As pessoas, com medo de perder o emprego, tendem a adiar a compra da casa própria”, afirma Vieira.

As ações de algumas empresas do ramo imobiliário chegaram a cair 90% desde 31 de janeiro do ano passado até a última terça-feira (23), como a BR Brokers e a Abyara. No período, o Ibovespa recuou 28,7%.

De 33 companhias analisadas pela Economatica, dez acumularam, no mesmo intervalo, uma queda de mais de 80%, e apenas quatro tiveram desempenho melhor que o Ibovespa: Lix da Cunha (alta de 6,5%), Multiplan (queda de 17,5%), BR Malls (recuo de 21%) e Mendes Jr. (perda de 22,8%).

Brasil Brokers tem lucro líquido de R$ 58,3 milhões

março 17, 2009 4 comentários

Brasil Brokers tem lucro líquido de R$ 58,3 milhões

SÃO PAULO, 17 de março de 2009 – A Brasil Brokers Participações registrou lucro líquido de R$ 58,3 milhões no ano passado. Em função das alterações no cenário econômico mundial, que impactaram significativamente o mercado imobiliário nacional no quarto trimestre de 2008, a companhia teve um prejuízo de R$ 7,4 milhões no período, correspondendo a uma margem líquida negativa de 21,4%.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) somou R$ 65,5 milhões em 2008, representando uma margem Ebitda de 31,9%, sendo que no último trimestre ficou negativo em R$ 4,4 milhões, com margem de – 12,8%.

Entre outubro de dezembro, as vendas contratadas apenas de unidades residenciais e comerciais totalizaram R$ 1,615 bilhão. Deste total, R$ 352 milhões referem-se à revenda de imóveis avulsos e R$ 1,263 bilhão referem-se à venda de lançamentos. No ano de 2008, as vendas contratadas totalizaram R$ 9,4 milhões. Deste total, R$ 1,731 milhões referem-se à revenda de imóveis avulsos.

Segundo a companhia, as obrigações da empresa referentes a empréstimos e financiamentos totalizavam R$ 10,7 milhões no final de 2008, sendo que R$ 10,3 milhões referem-se a um empréstimo de capital de giro para a subsidiária Abyara Brokers que foi consolidado na proporção de participação de capital na companhia. “Esse empréstimo foi transferido integralmente para outra empresa, sem nenhum vínculo com a Brasil Brokers, quando da realização da cisão parcial de ativos imobiliários e dívidas da subsidiária, conforme divulgado ao mercado em 18 de fevereiro de 2009″, ressalta em nota.

Em comunicado, a administração informa que a Brasil Brokers possuia um saldo a pagar de R$ 24 milhões ao final de 2008 referente as aquisições efetuadas. “Este valor já considera os ajustes da lei 11.638/07 em que os passivos da empresa são calculados a valor presente com a utilização de taxa de desconto de 12,75% ao ano”.

A Companhia também destacou que não possui nenhum passivo baseado em operações com derivativos ou atrelado à variação cambial.

De acordo com a Brasil Brokers, seu plano de expansão foi concluído no último trimestre com a inauguração de mais cinco filiais, totalizando 30 novas filiais abertas no ano de 2008.

(Vanessa Stecanella – InvestNews)

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