Arquivo

Posts Tagged ‘incorporadora’

Atrasada, Brookfield revê estratégia e ganho sobe

Atrasada, Brookfield revê estratégia e ganho sobe
De São Paulo
12/11/2010

A Brookfield está no grupo das grandes pelo volume de lançamentos e vendas, mas sempre ficou aquém nos resultados financeiros. Nos últimos trimestres, porém, a companhia tem conseguido tirar a desvantagem que tinha em relação a outras construtoras e incorporadoras, embora ainda mantenha algumas métricas abaixo da média de mercado.

“Estamos atrasados em relação aos nossos pares”, reconhece Nicholas Reade, presidente da companhia. “Não crescemos tanto quanto os concorrentes nos anos de 2007 e 2008”, diz.

Por conta dessa defasagem, a companhia adotou uma série de medidas. Segundo Reade, além do controle das despesas – as despesas de vendas e marketing, como percentual da receita líquida, passaram de 5,6% no terceiro trimestre de 2009 para 4,8% no terceiro trimestre de 2010 -, a empresa está vendendo ativos e buscando sócios financeiros em projetos.

A empresa vendeu para a Veremonte Real Estate um terreno onde fica a antiga sede do BCN. “Era um projeto de longa maturação e queremos antecipar resultados”, diz. Paralelamente, está aumentando a exposição à baixa renda, cujos giro e, consequentemente, retorno são mais rápidos.

O lucro líquido atingiu R$ 80,8 milhões no terceiro trimestre de 2010, um aumento de 46,9% quando comparado com o mesmo período de 2009. Nos primeiros nove meses do ano, o lucro líquido atingiu R$ 266 milhões, o que representa 131% do lucro líquido de todo o ano passado. A margem líquida foi de 12,9%, ainda abaixo da média de mercado do setor no primeiro semestre, de 15%.

Segundo Reade, um dos indicadores que mostra a recuperação dos resultados é que vendas contratadas e receita estão praticamente no mesmo nível – R$ 2,6 bilhões em vendas para R$ 2,3 bilhões em receita, o que não acontecia no ano passado. A velocidade de vendas, de 15%, ainda está abaixo da média do mercado. As vendas de residenciais foram de R$ 730 milhões no trimestre para uma média de R$ 470 milhões nos dois primeiros trimestres do ano. (DD)

.

Anúncios

Financiamento de imóveis bate recorde

Perspectivas: Demanda deve continuar firme em 2011, porque consumidores estão dispostos a se endividar

Financiamento de imóveis bate recorde

Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo

11/11/2010

Leonardo Rodrigues/Valor

Cláudio Borges, do Bradesco: a expansão do crédito imobiliário está ocorrendo em todas as regiões do Brasil

Diante do forte crescimento da economia, juros em queda e perspectivas positivas para os próximos anos, o ritmo de concessão de crédito imobiliário nos bancos privados e estatais tem crescido com força neste ano e batido recordes. O movimento não deverá parar por aí: em 2011, os bancos vão continuar buscando oferecer mais financiamento para as pessoas adquirirem imóveis.

"A disposição das pessoas físicas em aumentar seus níveis de endividamento continua elevada, diante da confiança em alta dos consumidores e as boas perspectivas do mercado de trabalho. O crédito imobiliário deverá continuar se destacando e crescendo no mesmo ritmo atual, pelo menos até o primeiro trimestre de 2011, horizonte medido pelo nosso indicador", afirma o gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi. "Diferentemente de outras modalidades, como o cartão de crédito, o financiamento imobiliário trabalha com prazos muito longos, de até 30 anos, e juros relativamente baixos, de 12% ao ano. Esses são pontos que contribuem para estimular sua expansão futura", comenta Rabi.

Principal agente financiador da construção civil no Brasil, a Caixa Econômica Federal (CEF) tem batido recordes sucessivos nos últimos anos. Em 2010, não será diferente. O crédito imobiliário deverá chegar a R$ 70 bilhões neste ano – cerca de 50% superior ao resultado de 2009 e 14 vezes maior que os R$ 5 bilhões financiados em 2003. Parte do bom resultado se deve à criação do programa Minha Casa, Minha Vida, destinado a famílias de menor poder aquisitivo. Até o fim de outubro, a Caixa havia contratado 712.902 unidades habitacionais, no valor de R$ 40,1 bilhões, no programa.

Em setembro, a média diária de financiamento de imóveis na Caixa chegou a 5.340 contratos. A expectativa é de que, nos meses de novembro e dezembro, se mantenha acima de 5 mil contratos por dia. As perspectivas para 2011 também são positivas, com possibilidade de expansão de até 20%.

O otimismo do banco estatal é compartilhado por instituições privadas e se deve a dois fatores: o Brasil convive com um déficit habitacional de aproximadamente 7 milhões de unidades residenciais, e a penetração do crédito imobiliário na economia brasileira ainda é baixa. Cerca de 90% do déficit de residências no país está concentrado nas famílias que recebem abaixo de cinco salários mínimos mensais, 7% nas famílias que recebem entre cinco e dez salários mínimos e o restante nas famílias ganha acima de dez salários mínimos.

Segundo estimativas do Bradesco, se somado o crédito a financiamento e construção de imóveis, o financiamento ao setor imobiliário deve chegar a 3,9% do PIB neste ano, bem acima dos 2,1% apurados em 2008 e dos 2,9% de 2009. Em 2014, o número deverá saltar para 14,7%. "O ritmo de concessão está em forte crescimento em todas as regiões do Brasil e as perspectivas são muito positivas", diz o diretor da área imobiliária, Cláudio Borges. De janeiro a setembro, a contratação chegaram a R$ 6,8 bilhões, 25% a mais do que no mesmo período de 2009.

Para 2011, Borges também acredita que a demanda por crédito imobiliário deverá permanecer em patamares elevados e crescer bem acima dos dois dígitos. "As classes C e D começaram a ingressar com mais força no financiamento", diz Borges. No Bradesco, cerca de um terço do dinheiro concedido a pessoas físicas para compra de imóveis tem sido direcionado a quem recebe entre três a dez salários mínimos. Em 2010, cerca de 20% dos imóveis financiados têm valores de aquisição entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. NO ano passado, 13% dos imóveis adquiridos estavam nessa faixa de preço.

No Itaú Unibanco, a carteira de crédito imobiliário também cresce. De janeiro a setembro, atingiu R$ 12 bilhões, alta de 13,9% no trimestre e de 52,7% ante o mesmo período do ano anterior. Do total, cerca de R$ 7 bilhões se referem a operações com pessoas físicas e R$ 5 bilhões em dinheiro financiado a incorporadoras e construtoras. Apesar do crescimento, o segmento representa cerca de 4% da carteira do maior banco privado do país, um percentual que não está muito longe do verificado em outras instituições financeiras privadas. Estimativas de mercado apontam que entre 5% a 7% das carteiras dos bancos privados no Brasil estão direcionadas a imóveis, um número baixo quando comparado a outros bancos no exterior.

Na Europa, cerca de metade da carteira dos bancos está ligada a hipotecas. "Na operação global do Santander, as hipotecas chegam a responder por 50% da carteira do banco, o que mostra o potencial que o segmento representa no Brasil", diz o diretor de negócios imobiliários, José Roberto Machado. Entre janeiro e setembro, a filial brasileira do banco espanhol registrou carteira de R$ 11,7 bilhões, sendo que 60% estão relacionados a operações com pessoas físicas e 40% com incorporadoras e construtoras. "Temos visto uma penetração desse produto em todos os segmentos, da renda mais baixa à mais elevada", analisa Machado.

Com a economia estável e inflação sob controle, as pessoas de baixa renda têm trocado o aluguel por parcelas da aquisição do primeiro imóvel. Na média renda, os reajustes salariais acima da inflação e o aumento do preço dos imóveis têm feito com que muitos financiem a compra de um imóvel melhor e maior que o antigo. No topo da pirâmide, os consumidores de alta renda investem em residências de olho na remuneração do aluguel, uma forma de ampliar o portfólio de investimentos.

Nos últimos meses, uma dúvida tem surgido entre os analistas: o crescimento da concessão de crédito imobiliário no Brasil está sendo sustentável? No caso especifico de financiamento imobiliário, além de avaliar a renda disponível do cliente, os bancos buscam fazer com que a prestação não comprometa além de 30% da renda de quem toma o empréstimo. Na Caixa e no Bradesco, na média, quem tem acesso aos recursos utiliza cerca de 20% da renda para adquirir um imóvel.

Apaixonados por construção

Gestores de recursos aplicam R$ 6,6 bi em papéis do setor via fundos de investimento.

Apaixonados por construção

    Por Daniela D’Ambrosio, de São Paulo
    24/06/2010

O aquecimento do mercado imobiliário no ano passado – com reflexo direto na valorização das ações do setor, que subiram 205% em 2009 – e a perspectiva de crescimento consistente das companhias abertas por, pelo menos, mais três anos, seduziram os gestores de renda variável. Segundo estudo feito pela Economática com exclusividade para o Valor, a indústria de fundos investe R$ 6,6 bilhões nos papéis de construção civil.

Os dados são de fevereiro e mostram que a destinação de recursos dos fundos no setor de construção civil está aumentando. Em janeiro, os investimentos totais das gestoras de recursos eram de R$ 5,4 bilhões – uma diferença de 22,2%. O total em construção em fevereiro é quase 60% dos R$ 11,3 bilhões que os gestores aplicam no setor bancário, segmento mais maduro e consolidado e com maior participação no Índice Bovespa.

O setor financeiro representa 17,3% do Ibovespa. As empresas de construção civil presentes no índice – Cyrela, Gafisa, MRV, PDG Realty e Rossi – somam 8,1% do referencial. É mais do que setores que já brilharam na bolsa em outros momentos, como telecomunicações, varejo e alimentos e bebidas.

O aumento da construção civil no índice é recente e o volume de recursos detectado pelo levantamento é um reflexo direto disso, já que boa parte dos fundos, sejam ativos ou passivos, usa o Ibovespa como referencial. No fim de 2007, estavam do índice apenas Cyrela e Gafisa. Em 2008, entrou Rossi e, por último, PDG Realty e MRV. No IBrX -100, há oito construtoras, com participação de 3,3%.

De acordo com o levantamento, a gestora que mais investe no setor é o Itau Unibanco, com R$ 766 milhões, seguida do Credit Suisse Hedging-Griffo, com R$ 553 milhões, Vinci Gas Gestora de Recursos, com R$ 482 milhões e BB DTVM, com R$ 372 milhões. O papel que os gestores mais gostam é a PDG Realty que, com a compra da Agre, passou a liderar o setor. A PDG tem 21% do total investido no segmento, o que corresponde a R$ 1,4 bilhão e está relativamente distante da segunda colocada, a Cyrela, com R$ 580,1 milhões. Gafisa, Brookfield e MRV surgem na sequência. “O setor está barato versus o potencial de crescimento”, diz Clécius Peixoto, gestor de renda variável da Vinci Gas.

Uma análise mais detalhada do estudo – feito com a nova ferramenta de fundos da Economática – mostra que a PDG também aparece como o principal ativo das 20 maiores gestoras. Mas há, também, apostas diferenciadas, de papéis com menos evidência. O J.P. Morgan tem 61% aplicados na ação da São Carlos, empresa que tem como sócios o trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. A São Carlos nasceu dos dos ativos imobiliários da Lojas Americanas e chegou a ser colocada à venda, mas está bastante ativa nos últimos meses, inclusive na compra de imóveis.

A Maxima Asset tem 95,6% do total investido na João Fortes – empresa com forte atuação no Rio, mas com baixa liquidez. A Polo Capital investe em 14 ações diferentes, mas a principal (27,7%) é a Inpar – que enfrentou problemas e hoje está em fase de restruturação nas mãos do fundo americano Palladin. A Fama Investimentos tem 48,5% do total investido no setor na Rodobens, empresa de baixa renda.

Grupo Brasil Brokers realiza fusão entre as empresas Del Forte & I.Price e Frema, e cria uma das maiores imobiliárias do Estado.

Grupo Brasil Brokers realiza fusão entre as empresas Del Forte & I.Price e Frema, e cria uma das maiores imobiliárias do Estado.

A Brasil Brokers realiza a unificação de duas imobiliarias, a DelForte & I.Price com a Frema, e cria a empresa Del Forte Frema com o intuito e motivação de fortalecer ainda mais a marca no mercado imobiliario do Estado. Continuar com a excelencia eprestar os serviços com qualidade, é o foco da empresa.
Agora a Del Forte Frema possui 1.800 corretores que atuam em 38 cidades do Estado. Os profissionais atuarão em 147 pontos de venda, sendo sete filiais: São Caetano, São Paulo, Ribeirão Preto, Guarulhos, São José dos Campos, Perdizes, além da matriz localizada na Av Indianapolis, 618. No ABC, a empresa possui uma boa atuação em São Caetano do Sul, onde esta desde 2004. A sede fica na rua Amazonas, 271. A imobiliaria atua no ramo de vendas de loteamentos e imóveis novos e usados, e atinge todas as classes, de A a D. No último ano, a empresa superou as expectativas e alcançou R$ 2 bilhoes em vendas. Em 2007 Grupo Brasil Brokers adquiriu a Del Forte. No ano seguinte, a empresa promoveu a fusão das duas imobiliárias e criou a Del Forte & I.Price. A I.Price operava no mercado imobiliário desde 2005, e atuava nos municípios de São Paulo, Campinas, São Bernardo e Jundiaí.
Ja a Del Forte foi fundada em 2007, e contava com uma forte atuação na regiao do ABCD paulista (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema).
A Frema, adquirida pelo grupo em março de 2008, iniciou suas atividades em 1972. Presente no segmento de lançamentos imobiliários residenciais de medio e altíssimo padrão, imóveis prontos e loteamentos, a imobiliária operava na comercialização de empreendimentos na Zona Oeste de São Paulo, São José dos Campos, Sorocaba e Jundiaí.
Hoje A Del Forte Frema possui quatro diretores comerciais, cinco diretores de vendas, doze superintendentes, sessenta e três gerentes de vendas, quatro diretores de atendimento, dez gerentes de atendimento, entre outros funcionários.
Todo o sucesso da empresa se dá principalmente pelo empenho dos seus sócios, ja que os mesmos acreditaram no projeto e fizeram com que a empresa alcançasse o sucesso.
“Com a fusão, a Del Forte Frema passa a operar entre as três maiores empresas do ramo imobiliario do Estado”, comenta  Aguinaldo Del Giudice, que há 40 anos esta em São Caetano no do Sul.

Compra da Agre reacende movimento de consolidação

Construção: Companhias já se reuniram para avaliar possíveis parcerias

Compra da Agre reacende movimento de consolidação

    Daniela D’Ambrósio, de São Paulo
    17/05/2010

A compra da Agre pela PDG Realty, há duas semanas, aguçou o mercado imobiliário e o movimento de consolidação – que andava morno, depois de exaustivamente discutido em 2008 – voltou à pauta com força total. Pouco depois do anúncio da aquisição, que pegou muita gente de surpresa, vários conselhos de administração se reuniram às pressas para avaliar o cenário competitivo e estudar possíveis parcerias.

Segundo o Valor apurou, tanto as butiques de fusões e aquisições quanto os bancos de investimento já estão com o jogo de xadrez montado e saíram em busca dos possíveis comprados, de um lado, e dos compradores, de outro, para fechar novas parcerias. “Todo mundo está conversando com todo mundo, está um verdadeiro alvoroço no mercado”, diz o executivo de uma empresa.

 
Foto Destaque
 

Ainda não há nada de concreto, mas tanto as construtoras, quanto bancos e advogados ouvidos pelo Valor, apostam – agora, sim – em uma nova rodada de fusões e aquisições. A “nova” PDG e a Cyrela viraram duas gigantes, com valor de mercado perto de R$ 9 bilhões, e se distanciaram das demais. “Muitas não querem ficar para atrás e, sozinhas, elas não chegam a lugar algum”, afirma uma fonte. O argumento das grandes é o ganho de escala e a aceleração do crescimento e o modelo preferido é o da troca de ações, sem envolver dinheiro no negócio. Para as menores, pode ser a melhor saída diante do novo cenário que se desenha no setor.

Na lista das empresas passíveis de serem adquiridas estão CR2, Trisul, com valor de mercado abaixo de R$ 500 milhões, e CCDI, que vale cerca de R$ 600 milhões.

Está mais fácil identificar os alvos do que os atiradores. Naturalmente, pelo tamanho, seriam Cyrela e Gafisa. A MRV, apesar de grande, não tem essa cultura, na avaliação do mercado. Para a Cyrela, uma aquisição nesse momento significa sair da incômoda posição de líder num dia e vice-líder no outro. A nova PDG, agora com Agre, ficou com um tamanho muito próximo de Cyrela e a primeira posição do setor depende do número analisado. No entanto, a Cyrela é tida como menos agressiva nas aquisições. Nos últimos anos, comprou empresas fechadas, como Goldstein e RJZ, mas desistiu da compra da Agra, companhia aberta que acabou dentro da Agre, depois de alguns meses dentro da companhia. No meio do caminho, o humor do mercado virou e a empresa teria achado o ativo caro demais.

A Gafisa já é vista como uma empresa disposta a arriscar mais. Mas a saída de Sam Zell, que vendeu 4,3% do capital da empresa e ficou com 7,18% da companhia, derrubou as ações e foi interpretada de forma negativa pelo mercado. A leitura também é a de que o megainvestidor estrangeiro não teria vendido parte de suas ações às vésperas de uma operação importante da empresa. A Gafisa fez uma aquisição relâmpago da Tenda, costurada em praticamente um fim de semana, quando a empresa mineira de baixa renda estava no auge da crise.

Entre as companhias de porte médio, um dos nomes mais citados é o da Even. No passado, Rossi e Even chegaram muito perto de fechar uma associação. A Brookfield, que já é resultado de uma incorporação, também é vista pelos articuladores de parcerias como uma candidata à compradora, embora tenha passado por um movimento recente de incorporação. A empresa resultou da compra da Company pela Brascan, que já havia adquirido a MB Engenharia, construtora do centro-oeste. A Brookfield reportou um lucro considerado baixo para o seu tamanho.

O que está em jogo é a lucratividade. Os balanços do primeiro trimestre e os fechados de 2009 mostram que a maioria das empresas pequenas está com margens mais baixas que as grandes, com uma ou outra exceção – como Eztec e Helbor. “Há muita construtora com despesas gerais e administrativas, proporcionalmente, muito altas”, avalia uma fonte do setor. No ano passado, por exemplo, o setor teve, em média, uma relação de despesa administrativa sobre receita líquida de 7,6%. Na Cyrela e PDG, essa relação foi de 5,5%. Mas chegou a 11,1% na Rodobens, 13,7% na CCDI e 13,9% na Inpar.

As maiores empresas aceleraram fortemente no último ano e estão ganhando volume de vendas e lançamentos considerável. Projetam para este ano chegar na casa de R$ 4 bilhões até R$ 7 bilhões de vendas. A pergunta, inevitável, é: o que acontecerá com as pequenas? A liquidez dessas empresas está em queda e o movimento só tende a se acentuar. “É natural que os grandes fundos internacionais e nacionais se posicionem nas maiores e mais líquidas”, diz um executivo do setor. “E, se além de pouco líquida, a empresa tiver um resultado insatisfatório, não tem muita saída.”

Os fundos de private equity também estão ativos. O Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, comprou 14,5% da Odebrecht Realizações. A GP Investimentos está procurando um ativo no setor. Segundo o Valor apurou, já sentou para negociar com Tecnisa, mas a conversa não avançou, e até com a Agre, antes de sua venda para a PDG.

O executivo de um banco com bastante experiência na área imobiliária lembra que é um setor complicado para fazer esse tipo de operação. “É muita empresa de dono, com ego e que acha que sua empresa vale mais do que realmente vale”, afirma. “Mas, agora, há muita gente disposta a deixar o ego de lado e olhar o racional.”

Com exceção da Company, comprada pela Brascan, todas as aquisições do setor foram ditadas por dificuldades financeiras extremamente sérias das empresas compradas – algumas perto da insolvência. Foi assim com Tenda, Klabin Segall e Abyara. A Inpar, que também enfrentou uma fase complicada, vendeu 51% do capital para o fundo americano Palladin.

Um modelo possível é o o que o mercado tem chamado de “IPO pela porta dos fundos”, ou seja, uma empresa fechada que tem intenções de abrir capital incorpora os ativos de uma aberta e fica listada – uma bela saída, por exemplo, para uma empresa como a WTorre, que colocou uma oferta na rua, mas o mercado fechou depois disso. E, dizem fontes, estaria em dificuldades para levantar a demanda.

Crédito imobiliário bate recorde no ano

Habitação: Liberações crescem 10% no ano e podem atingir R$ 50 bilhões em 2010 apenas com a poupança

Crédito imobiliário bate recorde no ano

    Fernando Travaglini, de São Paulo
    22/12/2009

O crédito imobiliário chega ao fim do ano como a linha de financiamento de maior expansão no pós-crise. Mesmo com o impacto sofrido pelas incorporadoras, que adiaram lançamentos e aproveitaram o período para desovar seus estoques, o volume concedido no ano deve exibir crescimento da ordem de 10%. Para o próximo ano, a expansão pode atingir até 50%.

As liberações em novembro atingiram R$ 3,635 bilhões, volume 58% maior que no mesmo mês do ano passado e o melhor resultado já registrado no país.

Foto Destaque

Com o forte desempenho dos últimos meses, puxado pela volta dos lançamentos, o acumulado do ano entre janeiro e novembro chegou a R$ 30,187 bilhões, superando o total liberado no ano passado com recursos das cadernetas. Em termos anuais, a expansão é de 10%.

“Em dezembro o ritmo é bom e devemos fechar o ano com nível superior aos R$ 32 bilhões esperados”, diz Luiz Antonio França, presidente reeleito da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip), para o mandato até 2011.

O novo cenário de otimismo do setor levou a entidade a revisar para cima suas previsões. Diante do volume recorde dos últimos dois meses e do bom desempenho das construtoras, a Abecip acredita que as concessões para a construção de novas unidades e para a compra da casa própria possam chegar a R$ 50 bilhões em 2010, apenas com recursos da poupança, alta de quase 50% em relação ao patamar deste ano, diz França, também diretor do Itaú Unibanco. Além dos recursos da caderneta, o orçamento do FGTS prevê a liberação de R$ 23 bilhões para o setor no próximo ano, fora a verba do programa Minha Casa Minha Vida, que pretende financiar um milhão de moradias até o fim de 2010.

Isso deve elevar o estoque de linhas de crédito imobiliário para pessoas físicas dos atuais R$ 85 bilhões para cerca de R$ 135 bilhões no fim de 2010. Segundo França, a recuperação está sendo mais forte do que se esperava e, em 2010, os bancos que atuam no setor podem atingir marca histórica em novos empréstimos.

Se a expansão esperada se confirmar, a relação do crédito imobiliário em relação ao PIB deve pular de 2,9%, em outubro, para quase 4% no fim de 2010, mesmo com o forte crescimento econômico do país esperado para o próximo ano, na casa dos 5%. Neste ano o estoque de empréstimos para a compra da casa própria já foi uma dos que mais cresceu, atingindo expansão de 43% nos últimos doze meses até outubro. O percentual de 2,9% do PIB, no entanto, ainda é muitas vezes inferior ao registrado em outros países, como Chile (15%), México (11%), Espanha (60%) e Estados Unidos (100%).

A crise não afetou de forma tão acentuada o desempenho das liberações totais, mas mudou a cara do setor. Diferentemente dos anos anteriores, o que permitiu a disparada em 2009 foi o crédito à pessoal física. No início do ano, quando os efeitos da crise ainda era sentidos, a demanda por recursos para novas construções recuou fortemente. No meio do ano, o chamado Plano Empresário, que financia até 80% do valor da obra, registrava recuo de 24%.

Ao mesmo tempo, as vendas de unidades novas e usadas manteve ritmo forte e segurou a expansão do crédito imobiliário, também por conta da estratégia das companhias de desovar o estoque de lançamentos antigos. As concessões para a compra da casa própria atingiram R$ 17,8 bilhões até novembro, avanço de 57,6% em relação ao mesmo período de 2008.

À medida que a crise foi ficando menos severa, as incorporadoras retomaram seus lançamentos e a demanda por recursos para obras voltou com força semelhante ao período pré-crise. “Temos visto empreedimentos que vendem quase 100% das unidades na semana do lançamento”, diz França.

Até novembro, as liberações de Plano Empresário atingiram R$ 12,415 bilhões, valor ainda 10% inferior ao ano passado. Mas a tendência é de recuperação e os empréstimos às incorporadoras deve voltar a puxar o crescimento em 2010, prevê a Abecip.

Há também maior disputa no setor com a entrada do Banco do Brasil, em parceria com a Nossa Caixa. A instituição ampliou o limite para as empresas de incorporação e disponibiliza R$ 4,5 bilhões para as 12 maiores do setor. Desse total, cerca de 70% deve ser direcionado para novas obras.

Há ainda o programa do governo federal Minha Casa Minha Vida, que tem atraído construtoras de casas populares. A Caixa Econômica Federal deve fechar o ano com concessões de R$ 40 bilhões em crédito imobiliário, dos quais R$ 11,2 bilhões já são do programa de casas populares. Em relatório para clientes, a Itaú Corretora avalia o resultado como positivo.

“Apesar de acreditarmos que no próximo ano o principal desafio para a Caixa será a contratação dessas unidades para as pessoas físicas, que demandará muito trabalho operacional, vemos a performance da instituição de maneira muito positiva”, diz o texto do analista David Lawant.

A recuperação acelerada já preocupa. Segundo o economista José Roberto Mendonça de Barros, um dos problemas que devem surgir será falta de mão de obra, inclusive de profissionais qualificados, como engenheiros.

Caixa deve fechar 2009 com recorde no crédito imobiliário – 3/12/2009

Caixa deve fechar 2009 com recorde no crédito imobiliário – 3/12/2009

Fonte:Valor Online

SÃO PAULO – A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira que as contratações no crédito imobiliário da instituição alcançaram R$ 39,3 bilhões até o dia 30 de novembro. O volume representa um crescimento de 93% quando se compara aos R$ 23,3 bilhões contratados no mesmo período do ano passado.

“Estamos falando da melhor contratação da história do país. Esse ano foi muito bom. A crise não chegou para o crédito imobiliário na Caixa”, afirmou Jorge Hereda, vice-presidente do banco. Segundo o executivo, a inadimplência do setor também tem se mantido sob controle, na média histórica, sendo que em outubro (no último dado disponível) passou para 2,1%, uma alta ante o mês anterior, quando registrou 1,9%.

Dos empréstimos totais até novembro, os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) subiram 46%, para R$ 14,9 bilhões, enquanto os financiamentos com recursos próprios apresentaram um salto de 119%, para R$ 20,3 bilhões.

“Somente em novembro, foram 5,7 mil novos financiamentos por dia, já que o mês apresentou uma aceleração desse crescimento”, destacou Hereda. A média diária do ano está em 3,3 mil contratos diários, representando um crescimento de 73,2% frente à média diária do mesmo período do ano passado.

Segundo os dados apresentados hoje pelo banco, somente para o Estado de São Paulo, foram realizados pela Caixa financiamentos no valor de R$ 10,03 bilhões até novembro, ante R$ 6,4 bilhões contratados em todo o ano passado. A média de imóveis financiados para o estado ficou em 662 contratos no período por dia útil, enquanto no início do ano, esta média marcava 581 imóveis financiados por dia.

A Caixa Econômica Federal projeta encerrar 2009 com empréstimos superiores a R$ 40 bilhões. “O programa Minha Casa, Minha Vida foi muito importante, pois deu confiança para quem queria comprar e para quem queria lançar”, afirmou o executivo, justificando a meta.

“Para 2010 ainda não fechamos nosso planejamento, mas o setor como um todo aponta para a continuidade do crescimento do crédito imobiliário, já que o grosso das contratações do programa (Minha Casa, Minha Vida) será realizado no ano que vem “, completou Hereda.

%d blogueiros gostam disto: