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Existe uma cura para a doença brasileira?

Existe uma cura para a doença brasileira?
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Por Edmar Bacha
Há tempos o Brasil é conhecido como a terra dos contrastes. Hoje em dia, o contraste maior é entre uma economia que exibe pleno emprego e rápida ampliação da classe média, o que gera sensação de bem-estar na população e explica a popularidade do governo e uma outra economia, que padece de baixo crescimento e inflação elevada, o que sugere descontinuidade e crise num futuro não distante. Como romper com esse contraste e colocar o país na rota do desenvolvimento pleno?

No fim da década passada o Brasil parecia haver entrado numa fase de crescimento sustentado com inflação sob controle. Era o que sugeria tanto a trajetória favorável da economia desde 2004 como sua rápida superação da crise mundial de 2008-09. Entretanto, os “pibinhos” e a alta inflação a partir de 2011 nos indicam que a euforia econômica do período 2004-2010 teve caráter temporário, sendo explicada por fatores de natureza cíclica que se teriam esgotado em 2011.

De fato, entre 2004 e 2011, o país foi beneficiado por uma bonança externa de dimensões talvez únicas em nossa experiência histórica. Essa bonança, de quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB), foi gerada por uma explosão dos preços das commodities que exportamos e por um extraordinário influxo de capitais estrangeiros. Ela não somente gestou mas também financiou um enorme aumento da demanda interna, que se materializou num maior crescimento do investimento e do PIB. Esse crescimento pôde se manifestar sem pressões inflacionárias devido à apreciação do câmbio e à maciça incorporação de mão de obra ao processo produtivo.

Não há caminho para o primeiro mundo que não passe pela integração econômica com o resto da comunidade global

Desde 2011, houve um arrefecimento do impulso externo: os preços das commodities pararam de crescer e em alguns casos se reduziram; o influxo de capital externo reduziu-se em função do maior risco do cenário internacional e também das barreiras à entrada criadas pelo governo brasileiro. A disponibilidade de mão de obra diminuiu e o câmbio se depreciou. Voltamos então aos “pibinhos” e à inflação elevada do período anterior a 2004.

Os diagnósticos correntes sobre a doença brasileira de elevada inflação e baixo crescimento enfatizam corretamente o baixo investimento e a alta carga tributária. Menor presença no debate tem tido um terceiro fator tão ou mais importante que esses: a reduzidíssima participação do comércio exterior na atividade econômica do país. Trata-se de uma questão de natureza estatística, pois o Brasil destoa dos demais países do mundo mais nesse quesito do que na taxa de investimento ou na carga tributária. É também uma questão de economia política: uma maior integração do país no comércio internacional induziria uma redução da carga tributária e uma maior taxa de investimento. Consideremos os argumentos a respeito.

De acordo com o World FactBook da CIA, o PIB brasileiro em 2012 foi o 8º maior do mundo. Entretanto, o valor de nossas exportações de mercadorias ocupou apenas a 24ª posição. Essa discrepância entre PIB e exportações é uma anomalia brasileira, pois a Comunidade Europeia ocupou o 1º lugar tanto em termos de PIB como de exportações. Os EUA ocuparam o 2º lugar em termos de PIB e o 3º em exportações. A China ocupou o 3º lugar em termos de PIB e o 2º em exportações. O 8º maior exportador do mundo é a Coreia do Sul, cujo PIB ocupa a 13ª posição no ranking mundial. Ou seja, países ricos ou bem-sucedidos em fazer a transição para o primeiro mundo são grandes exportadores. O que não acontece com o Brasil.

Quadro igualmente deprimente se revela quando olhamos os valores das importações. Nos dados do Banco Mundial, a parcela das importações de bens e serviços no PIB do Brasil é de apenas 13%, o menor valor entre todos 176 países considerados pelo banco. Na Coreia do Sul, a parcela das importações no PIB é 54%. Na Alemanha, 45%. Na China, 27%. Mesmo os EUA com sua economia gigantesca importa 18% do PIB, quase 40% a mais do que o Brasil.

Ou seja, vivemos no país mais fechado do mundo, embora a Coreia do Norte seja um concorrente. Segundo a CIA, a participação das exportações no PIB da Coreia do Norte é mais ou menos equivalente à do Brasil.

A evidência mundial é contundente: não há caminho para o primeiro mundo que não passe pela integração econômica com o resto da comunidade internacional. Esse é o grande desafio que o país enfrenta. Para ultrapassarmos a armadilha dos países de renda média que fracassaram na travessia para o desenvolvimento pleno (como a Argentina), é imperativo formular uma estratégia para que a indústria brasileira participe das cadeias produtivas globalizadas.

Essa estratégia terá diversas dimensões, inclusive na área dos acordos comerciais. Internamente, a principal medida será o abandono do protecionismo sobre insumos ao processo produtivo, o qual se manifesta em altas tarifas às importações, elevados requisitos de conteúdo nacional e normas técnicas absurdas (como a adoção de um padrão para os vergalhões de aço distinto daquele adotado nos principais países industriais). Trata-se de implantar, de forma pré-anunciada, uma progressiva mas substancial redução das tarifas de importação, dos requisitos de conteúdo nacional e das normas técnicas e burocráticas protecionistas.

O anúncio dessas medidas deverá por em marcha três outros processos. Primeiro, haverá uma antecipação de aumento das importações, o que provocará uma depreciação da taxa de câmbio. A proteção diferenciada que antes se exercia pelas tarifas às importações e outros mecanismos transformar-se-á numa “proteção cambial” horizontal, beneficiando os setores e atividades com maior vocação exportadora. Em segundo lugar, o governo se verá pressionado a efetivamente reduzir a carga tributária sobre as empresas, de forma a dar-lhes melhores condições de competir com os produtos estrangeiros. Em terceiro lugar, a perspectiva de poder importar bens de capital e insumos mais baratos e de integrar as indústrias brasileiras às cadeias produtivas internacionais levará a uma expansão do investimento privado para adaptar as empresas brasileiras a essa nova realidade econômica.

Edmar Bacha é economista e coorganizador e coautor de “O Futuro da Indústria no Brasil: Desindustrialização em Debate” (Civilização Brasileira, 2013).

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Sem ação – Valor Economico

6/02/2013 às 00h00

Sem ação

Por Luciana Seabra e Catherine Vieira | De São Paulo
 

Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/ValorStuhlberger: “Alguma coisa eu tenho na posição, mas olho um pouco este Brasil e digo… hum, não estou convencido”

 

“Tá quanto? Não, fico fora, obrigado.” Não se sabe exatamente a que ativo ele se referia, mas não resta dúvida de que a frase ao telefone, dita pelo gestor Luis Stuhlberger a um de seus operadores durante esta entrevista, é, de certa forma, um resumo de sua disposição hoje com vários ativos brasileiros. Se o mundo lá fora está começando a ter nuvens menos carregadas e o dinheiro começa a fluir para o risco – o que significa ações e mercados emergentes -, talvez o Brasil até aproveite algo dos benefícios disso, mas menos do que poderia. A falta de investimento e o esgotamento do modelo de crescimento baseado em consumo começam a mostrar a fatura.

Stuhlberger enxerga desequilíbrios no que chama de “bocas de jacarés”. É uma referência ao desenho que se forma em um gráfico que confronta o avanço veloz do consumo com o crescimento tímido do investimento. Ou no que retrata a diferença entre a dívida líquida pública oficial e a real, em que soma o crédito concedido recentemente às estatais.

 

 

Um tanto pessimista, confessando uma ligeira ‘depressão pós-férias’, o diretor da Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG) recebeu o Valor na sede da gestora. O reflexo do estado de espírito está em seu conceituado fundo Verde, que nunca teve tão poucas ações brasileiras – apenas 16% do patrimônio, contra uma média histórica de 33%. Este percentual alocado em ações continua, mas, agora, empresas locais dividem espaço com as estrangeiras. Em 2012, a bolsa foi o mercado que mais deu alegrias ao Verde, que rendeu 19,55%, enquanto o Ibovespa subiu 7,4% e o CDI, 8,4%. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Crise global

Estamos todos perdendo o medo de que o mundo vai acabar. Existe um baixo crescimento, mas aquele medo caótico, ou de quebra das finanças públicas e de bancos ou de que as populações e os governos [europeus] não iriam votar a austeridade e ia haver algum tipo de revolta, está passando por uma fase que terminou, ninguém mais fala nisso e esse medo não está nas cotações. Não acho que agora dá para dizer que os problemas do Brasil são culpa dos americanos, dos europeus ou dos russos, dos árabes, dos gregos. Os problemas nossos serão nossos. Os emergentes vão ter um ambiente melhor para crescer e competir.

Rotação para o risco

Estamos [o mundo] num processo de rotação de investimentos de ‘bonds para equity’ [bônus para ações], uma retomada do risco. Muita gente chama isso de grande rotação. Tanto para ações, quanto fluxo para mercados emergentes. É um dinheiro que estava meio empoçado muito tempo, com medo de que o mundo iria acabar. E houve a aprovação das agendas de austeridade na Europa e agora nos EUA essa discussão do abismo fiscal, e tudo mais ou menos está andando. É um ambiente benéfico, mas óbvio não dá para se garantir que é benéfico ‘forever’.

Alguém tem que ceder

Eu tenho um tema macro [sobre o Brasil] que eu chamo, lembrando aquele filme, de “Alguém tem que ceder”. Dado que as bocas de jacaré não fecharam, ou vai ter mais inflação ou o câmbio vai depreciar, ou você vai ter um problema nas finanças públicas. Eu tenho várias teses no fundo para me beneficiar disso. Só que isso custa caro. No sentido de que enquanto não acontece, você perde dinheiro. Outra questão é que todo mundo acha que a única consequência desse colapso de modelo é crescer pouco, certo? É isso: cresce pouco e so what? So what? Não tem nenhuma influência sobre o câmbio, sobre inflação, nenhum colapso das finanças públicas? Ninguém olha isso. Tenho esse meu mundo particular. Mas agora é um “play” mais difícil, porque ao mesmo tempo em que minha visão é pessimista, não está prestes a acontecer.

Modelo insustentável

Começo a olhar meio perplexo esses pontos todos, olhando o porquê do colapso do modelo. O governo age quando as coisas dão errado, porque em time que tá ganhando você não mexe. Eu olho essa boca de jacaré varejo versus investimentos, que é impressionante. Olhando outros países como Coreia, México, existe isso, mas não dessa forma, bem mais amena. Não é sustentável. Os investimentos têm que voltar.

Investimento

Olhando o lado do governo, como ele não quer que consumo caia, obviamente você tem que fazer crescer investimentos. Para isso, precisa de crédito do governo, do BNDES, investimento público, e isso eles estão fazendo. Precisa instaurar um clima de confiança entre o empresariado e o governo, e acho que isso não tá ocorrendo. Os empresários estão com medo de investir por várias questões. Mas o principal é o momento em que as empresas vivem, de colapso de modelo, porque como a tributação não cai e a massa de salário sobe, sem ganho de produtividade, as empresas têm uma compressão de margem. Tudo demora, tudo custa mais caro e os impostos e salários avançam na lucratividade.

Confiança

A retomada da confiança vem no sentido de achar que as condições que o país tem pra crescer são satisfatórias. Isso ainda é baixo. O trabalho que a Dilma está fazendo de desoneração é positivo. Só que esse clima de confiança demora um longo tempo pra vir. O efeito colateral da quebra do modelo, da gente crescer sem ter cuidado da base, leva tempo pra ir embora. É como qualquer negócio que está indo mal, você começa a consertar, mas os resultados demoram muito para aparecer. E a nossa perda de competitividade vis-à-vis os demais países emergentes é evidente e muito rápida, muito grande. Não é só culpa da Dilma, ela pegou uma herança negativa está tentando consertar algo que leva muito tempo e com um orçamento limitado.

Ceticismo

O maior problema é destravar o crescimento. Então, apesar do bom ambiente, apesar dos fluxos para emergentes e apesar de um certo otimismo global, eu estou ainda bem cético quanto ao Brasil. Aí você me pergunta o seguinte: bom, você não acha que vem fluxo pra cá, que vem investimento, que vai ter comprador para as ações? Vai. A única coisa que eu acho é que o ‘valuation’ das empresas da bolsa no Brasil não é barato.

Ações caras

Na bolsa, por que eu estou digamos assim, cético e bem underweight [abaixo da média] em Brasil, eu diria, para o meu padrão? Porque não acho o valuation das empresas boas brasileiras compatível com o risco. O Brasil ficou assim, com aqueles ‘value traps’ [armadilhas] do índice [Bovespa], aquelas companhias que ninguém mais quer saber, o setor elétrico ficou ruim; aço tem ‘overcapacity’ no mundo, estatais são mal geridas, petróleo é um bicho com um capex [investimento] enorme e de longo prazo que demora para entregar, as construtoras com problemas de demora na entrega e aumento de custo, os bancos com um certo ROE [retorno sobre patrimônio líquido] meio induzido pelo governo a ser menor. Então aquela agenda que eu falei no ano passado, ‘o que é ruim para o Ibovespa é bom para o Brasil’, meio que agora ninguém quer saber dessas ações e aí as outras, que são as ligadas ao consumo e alguns outros setores, já não estão baratos, para o Brasil de hoje, meio estagnado.

Preço e fundamento

Não estou excessivamente pessimista, apenas acho que tudo é ‘valuation’ ajustado ao risco. No começo de 2009 eu estava comprando tudo. As pessoas perguntavam: mas você está otimista? ‘Não, estou bem pessimista, mas também, por esse preço, eu compro.’ Hoje, a maioria dessas ações está quatro vezes o preço que eu paguei em 2009. Não estou dizendo as do índice, essas outras, educação, varejo, consumo.

“All time low”

Meu investimento em bolsa hoje está na média em 33%, só que o que antes estava no Brasil está espalhado. A gente está comprando muita coisa no exterior. Eu estou no “all time low” [nível mais baixo] de investimento em ações brasileiras, quer dizer hoje o [fundo] Verde está com cerca de 16% nessas ações, que é o nível mais baixo que eu me lembro na história, e estou com o nível mais alto de investimento em ações fora do Brasil, algo como 16% e 17%, pela primeira vez elas estão equilibradas, eu tenho metade no Brasil e metade fora.

NTN-Bs longas

O problema de você comprar uma NTN muito longa é a sustentabilidade fiscal de longo prazo. Nossa dívida/PIB é baixa, uns 35% do PIB. Mas o estímulo fiscal do governo às estatais criou um estoque de crédito de 9% do PIB. Obviamente, parte disso vai virar dívida. Com certeza a Caixa vai precisar de capitalização, um dia o BNDES vai precisar… Tem um certo investimento perdido, que ainda não virou dívida, mas vai virar. Ainda assim a dívida é baixa perto do resto do mundo. O problema quando analiso quadros desse tipo em situações não equilibradas é o que eu chamo de foto boa em filme ruim. Se você olhar a Espanha em 2007, o quadro fiscal é uma maravilha. Depois que a bolha estoura, a dívida cresce exponencialmente. Mas eu não estou dizendo que isso esteja perto de acontecer.

Zero de bolsa

Quando eu olho Brasil, digo ok, apesar do fluxo, esses preços não valem. Mas, no fundo, essas coisas não são simples. Os mercados um dia sempre voltam para o fundamento, mas as coisas ficam irracionais muito antes que seu dinheiro aguenta. Então, acho que se essa festa continuar sem que o fundamento do Brasil melhore, eu posso ir pra zero de bolsa [local].

Sem Blue Chip e Photoshop

Para dizer a verdade, ‘blue chip’ eu hoje não tenho nenhuma, não consigo comprar nada. Tenho investimentos relevantes em umas dez companhias. (…) Não quer dizer que eu não estou comprado em algumas coisas, vendido em outras. Alguma coisa tenho na posição. Mas olho um pouco esse Brasil e digo… “hum, não estou convencido”. Estou pagando para ver que o dano colateral vai vir mais rápido do que as melhorias. E o investidor me cobra todo dia. Ser gestor de recursos é pior que mulher posar para a “Playboy”. Minha cota está lá para todo mundo ver, nua e crua. Se eu errar, não tem photoshop.

Esperando pra ver

Eu tô naquela fase “I’m gonna wait and see”. Se subir mais um pouco, eu vou vender é tudo [em ações brasileiras]. Por enquanto está medianamente caro. Se tiver uma festa realmente grande… Eu vou esperar, porque não consigo me convencer que, apesar do mundo bom, a gente não vai ter problemas. Podemos até não ter problemas, mas o preço não justifica. Às vezes é mais fácil pegar uma tendência e dizer “I go with the crowd”. A decisão que estou tomando, que é muito angustiante, é dizer: vamos esperar uns meses para ver para onde vamos no câmbio, inflação, PIB e finanças públicas.

Impopular na escola

Meu comentário é estrutural, foi aí que eu fiz meus grandes acertos na vida. Mas não é fácil, porque você tem de ir contra a corrente. Mas acho que eu nasci assim. Falei para minha filha de 14 anos: eu era o cara mais impopular da escola. Você tem que ter esse DNA. Sempre fui na minha. Vamos ver. Até espero estar errado, para o bem do Brasil.

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Entre Dilma e o setor privado há um abismo

Entre Dilma e o setor privado há um abismo

Por Claudia Safatle

O Palácio do Planalto está ciente de que se estabeleceu um diálogo de ‘surdos e mudos’ entre o governo da presidente Dilma Rousseff e parte do setor privado. Acredita que as maiores críticas e desconfianças são fomentadas pelo mercado financeiro e atribui isso aos interesses contrariados dos banqueiros, que teriam perdido o ganho fácil da alta taxa de juros que sustentava os elevados lucros do sistema. “Há, de fato, uma enorme má vontade do mercado financeiro com o governo”, admite uma fonte próxima à presidente. Mas há, também, uma grande “incompreensão” quanto à gênese da administração Dilma, aponta.

“A presidente não é estatizante. Ela é pragmática e esse é um governo ‘pró-mercado’. Embora queiram carimbar que esse é um governo Cristina Kirchner (da Argentina), ele não é”, assegurou a fonte.

Há um ano, Dilma foi aconselhada pelo ex-ministro Delfim Netto a se aproximar dos empresários, principalmente os da indústria, que desde 2010 têm tido um desempenho sofrível, ouvir suas dificuldades e queixas e remover os entraves ao investimento.

Sem investimento não haverá crescimento

O governo selecionou um grupo de 30 empresários – dentre eles três banqueiros – e começou a ouvi-los sistematicamente. Do primeiro encontro, em março, saiu uma lista de problemas a serem atacados: sobrevalorização da taxa de câmbio, elevada taxa de juros, custo de energia dos mais altos do mundo, pesada taxação da folha de salários, parcos investimentos em infraestrutura, dentre outros.

Dilma determinou a seus auxiliares que dessem respostas a cada um desses problemas. O real se desvalorizou, os juros caíram, a desoneração da folha de salários foi ampliada, o governo retomou as concessões de serviços públicos para o setor privado, preparou o corte na tarifa de energia e adotou medidas protecionistas para proteger alguns segmentos. “O Banco Central entrou no mercado de câmbio, porque 30 empresários vieram aqui e pediram isso à presidente”, explicou a fonte.

Mesmo depois de atender a essa demanda, particularmente da indústria, não há expansão notável dos investimentos e as desconfianças de uma parcela dos empresários só cresceram. Algo está errado.

Na Presidência, a avaliação é que as coisas não estão tão ruins como parecem. A produção industrial começa a reagir e estaria em curso uma tênue recuperação do investimento. Pode não ser uma performance brilhante para o segundo ano da gestão, “mas também não é o desastre que os economistas de bancos preconizam”, rebate a fonte.

Entre economistas e operadores do mercado financeiro e alguns setores da indústria, as críticas se avolumam. Fala-se do “intervencionismo”, da “mão pesada do Estado”, da forma “voluntarista” que o governo imprime às suas ações. Faz-se censura aos ideólogos do governo, um pequeno grupo de assessores que tem o respeito de Dilma, mas que estariam “assessorando muito mal a presidente”, aprofundando, com seu viés estatizante, o fosso que a separa hoje de parte relevante do setor privado.

A influência desse núcleo ficou clara no debate que se instalou por ocasião da elaboração do modelo de concessões dos aeroportos – ainda hoje sem definição – e se consagrou na maneira como o governo decidiu e anunciou as novas medidas do setor elétrico.

O pacote de energia elétrica anunciado no dia 11 de setembro trouxe uma boa e justa notícia – a redução da conta de luz – e uma solução importante para as concessionárias, cujas outorgas vencem entre 2015 e 2017. O governo decidiu antecipar a prorrogação das concessões, pagar indenização às empresas e beneficiar os consumidores que param de pagar por ativos já amortizados.

Quando anunciou as medidas, o mercado reagiu muito mal. Quando divulgou as indenizações, as ações da Eletrobras quase viraram pó, num movimento que o Planalto avalia como de ataque especulativo do mercado contra a empresa estatal.

A distância entre o que as concessionárias contabilizaram como indenização provável e os valores que o governo divulgou na véspera do feriado do dia 2 de novembro é abissal. A Eletrobras esperava cerca de R$ 30 bilhões e vai receber, em princípio, algo como R$ 14 bilhões.

Nesta semana, depois de muita discussão e divergências profundas entre o governo federal e as companhias elétricas, os técnicos federais constataram que há erros nas contas. No caso da usina Três Irmãos, da Cesp, por exemplo, o erro estava na data de início da operação da hidrelétrica. Três Irmãos entrou em operação em 1992, e não em 1983, como considerou o governo na hora de calcular a indenização. Só esse equívoco deveria elevar o valor do ressarcimento dos R$ 985 milhões originais para algo mais próximo a R$ 2 bilhões. Ontem saíram os novos valores, muito aquém do que esperavam as empresas e um banho frio nas expectativas.

Há inúmeras provas de que o governo Dilma é “pró-mercado”, citam seus colaboradores: a presidente quebrou o monopólio da Infraero; compreendeu que o Estado tem limitações para alavancar investimentos e está substituindo o PAC pelo regime de concessões; e, agora, está também revendo o que imaginava para os aeroportos.

“Dilma está atendendo o que foi sugerido pelos empresários, mas a forma perturba”, constatou fonte ligada à indústria. Criou-se, nessa concepção, uma desconfiança entre setor público e setor privado, que precisa ser resolvida. O receio de que ela continua prisioneira dos velhos pensamentos da esquerda estaria no centro dessa desconfiança.

O Planalto tem consciência da dimensão e dos efeitos dessa “incompreensão” por parte do setor privado em relação ao governo e admite que é preciso traçar uma estratégia para enfrentar o problema, principalmente junto ao mercado financeiro que não tem interlocução em Brasília. Mas se houver correção de conduta, ela terá que ser bilateral.

Por trás dessa preocupação está a percepção de que, enquanto prosperar a desconfiança, não haverá a expansão dos investimentos e, portanto, não haverá crescimento sustentável. Dilma terá só 2013 para apresentar bons resultados na atividade econômica. Em 2014, estará em campanha pela reeleição

Claudia Safatle é diretora adjunta de Redação e escreve às sextas-feiras

E-mail: claudia.safatle@valor.com.br

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Today’s Best Investment ? Buy a house

February 9, 2011 How to Beat the Looming Inflation Tsunami

How to Beat the Looming Inflation Tsunami

[Editor’s Note: He predicted the financial crisis and the bull markets in gold and silver, and he “called” the bear-market bottom. Now Money Morning’s Martin Hutchinson is sounding the inflation alarm – and has identified the one move investors can make to beat the looming inflation tsunami.]

By Martin Hutchinson, Contributing Editor, Money Morning

Inflation is coming our way. Make no mistake about it.

This insidious increase in the general level of prices is currently rattling around in the world’s emerging markets – causing China and Brazil to put up interest rates and India to try and suppress it with price controls. It’s beginning to appear in Britain, which had a similar crash to the United States, but where the currency has been somewhat weaker.

Within the next six months – while the U.S. Federal Reserve is still buying U.S. Treasury bonds under its “quantitative easing” policy – this inflation tsunami will hit the United States.

Inflation is a lot like the unwelcome houseguest: Once you invite it into your home, you can’t seem to get it to leave.

The key catalysts for the inflationary visitor that’s headed our way are the silly-money policies that the Fed and other central banks have been pursuing. Those policies have inflated yet another massive bubble – this one in the commodities sector. All the cheap money that’s right now sloshing around the global markets have sent commodity prices into the stratosphere, and are causing emerging-market economies to grow like crazy.

Inflation was especially virulent in the 1970s, when rising prices and high unemployment combined to cause the particularly odious form known as “stagflation.” It certainly didn’t help that it took policymakers almost the entire decade to face up to the fact that inflation wouldn’t go away on its own.

Indeed, it wasn’t until we got Paul A. Volcker in as Fed chairman in 1979 that inflation even had a worthy foe. It was Volcker who eventually crafted the aggressive policies that were required to vanquish the inflationary pressures that had gripped the U.S. economy for so long.

This time around, unfortunately, the U.S. central bank appears to be even more determined to ignore inflation’s early warning signs, while the banks and the politicians will fiercely resist higher interest rates, the only known remedy, because of the dangers of a further housing collapse.

So we can expect inflation to be with us for several years this time, too. In fact, expect it to get worse for the next three to four years, while Ben S. Bernanke remains at the helm of the nation’s central bank. Bernanke’s term as Fed chairman ends in January 2014; hopefully, whoever is the U.S. president at that point won’t reappoint him.

But we’d better arrange matters so we don’t lose out from it.

A Tale of Caution

As investors, the main problem we have with inflation is that any contract written in nominal dollars will rapidly decline in value. Long-term bonds are the classic losers from periods of inflation; their nominal value declines, and their prices decline, as well, because inflation pushes up interest rates.

My Great-aunt Nan, a splendid lady, retired at 65 in 1947 – at the beginning of Britain’s postwar inflationary surge, with ample retirement savings – invested in a 3.5% War Loan, the normal safe haven for British savers in the 19th and early 20th centuries.

She made it into the 1970s, bless her. But by the time she died, not only was the income from her War Loan worth a quarter of its 1947 value, but its capital value had also declined in nominal terms to about 30% of its 1947 level, as interest rates had risen from 3½% to 12%.

(Little wonder the British newspaper, The Independent, once wrote that “over the years … the War Loan is a monument to the poor investment value of government stocks.”)

Don’t let this happen to you!

The One Move to Make Now

If your money is in bonds – whether those bonds are U.S. Treasuries, municipals or corporates – move it somewhere else.

If you have the sort of solid final-service pension that companies used to give out and the government still does, check the inflation protection. If the pension doesn’t have a 100% protection against inflation – however high it goes – you have a problem.

In the face of rampant inflation, many stocks won’t be an answer, either. Theoretically, if your company is making tangible things from tangible factories, or providing tangible services (and not just sitting on a bunch of loans and bonds), then its earnings (and therefore its overall value) should rise with prices. In practice, however, this often doesn’t happen.

For one thing, many institutional investors use the so-called “Fed Rule” for determining share price values, which divides the expected future earnings stream by the current interest rate (Future Earnings Stream/Current Interest Rates = Share Price Value).

That’s why stocks behaved so spectacularly in 1982-2000: As interest rates came down the “denominator” of that value equation got smaller and smaller – which made it easy for the share price value to go up.

But there’s a problem: That formula uses “nominal” – not “real” – interest rates. It also fails to account for cuckoo Fed policies, so if interest rates are exceptionally low for a long period, the formula says share prices should go up and up. And if the interest rate is close to zero, the share “value” should be close to infinity!

With the return of inflation, nominal rates will have to increase to keep pace. And real interest rates will have to do the same as Volcker-esque monetary policies are used to get inflation under control. So share prices will almost certainly decline sharply in real terms, just as they did from 1966-82, even though nominal share prices remained approximately flat.

Gold and silver are a good speculation in times of inflation, but not a good investment. Before 1914, when the world was on the “gold standard,” the gold market was approximately in equilibrium at a price of just under $19 per ounce. U.S. consumer prices have increased 22-fold since then, so a price of $418 per ounce today would be fully justified. You see the problem?

In practice, the increase in world population – by about 3.7 times – since 1914 should have caused the gold price to increase approximately in tandem. That’s because the world’s gold supplies have not increased, but its population has. That would justify a price of around $1,550 today.

This calculation suggests gold is a good buy currently, but if inflation returns and money stays cheap, the price of gold is going to be far above that level quite soon, and buying gold will have become a very speculative activity. At $3,000 per ounce, gold is a hugely risky investment.

What’s the best investment to make right now? A house.

The housing market has bottomed out – or, at worst, is close to doing so. And you can get a fabulous rate on a 30-year mortgage, making you benefit from inflation just as bondholders lose from it.

The combination of a relatively depressed housing market and cheap money is uniquely favorable, so you should take advantage of it. For the best investment, you can narrow the recommendation further:

  • Don’t buy around Washington: The market has been pushed up by the flood of bureaucrats and lobbyists that have taken up residence inside the Beltway – an influx that will reverse itself as the U.S. budget is finally brought under control.
  • Don’t buy in Manhattan or the Hamptons: Prices have been pushed up by all the silly money sloshing about in financial services, which will disappear with higher interest rates.
  • Don’t buy in Silicon Valley: That advice holds true there, and anywhere else where local wealth has been inflated by stock options.
  • Do buy in a medium-sized town: Make sure that town is in an area where the economy is not dependent on finance, the government or energy/commodities.
  • Do buy an old house, instead of a new house: Buy an old rather than a new house – the supply of old houses is fixed, whereas new McMansions will appear in profusion and flood the market while interest rates remain low (developers all have large land banks they want to develop.)
  • Do take a 30-year fixed-rate mortgage: In a time of inflation and low interest rates, a long-term, fixed-rate mortgage is a gift from above.
  • Don’t overextend yourself financially: There could be big recessions in the next few years, so you need to be able to make the payments without selling the house.
  • Do be prepared to rent, rather than sell: If you have to move in the next few years, become a landlord and rent the house out instead of selling it outright. Rents have been pretty well flat in the last 10 years; they are likely to beat inflation in the next 10 years, since higher interest rates tend to push rents higher.

Readers often wonder if we follow our own advice. Money Morning has a very good rule, which says that I should not deal in any stocks that I recommend to you. But in this case, I’m happy to be able to report that I am practicing what I preach – I’m taking advantage of the current climate to relocate … and am in the process of buying a house!

[Editor’s Note: If investors have to now worry about the “I-word” – inflation – they’re also going to have to worry about the “R-word” – retirement.

Here’s the problem: The longer you work, the more you can save – and the longer the rampant inflation we’re expecting will have to work on your nest egg.

But here’s the solution: Boost your rates of return.

That’s actually just as easy as it sounds. You just have to have the right strategy – and the right investments. And as a subscriber to The Money Map Report, our monthly affiliate, you can count on getting both. Find out by clicking here to read a report that details this strategy.]

February 9, 2011

How to Beat the Looming Inflation Tsunami

How to Beat the Looming Inflation Tsunami

[Editor’s Note: He predicted the financial crisis and the bull markets in gold and silver, and he “called” the bear-market bottom. Now Money Morning’s Martin Hutchinson is sounding the inflation alarm – and has identified the one move investors can make to beat the looming inflation tsunami.]

Inflation is coming our way. Make no mistake about it.

This insidious increase in the general level of prices is currently rattling around in the world’s emerging markets – causing China and Brazil to put up interest rates and India to try and suppress it with price controls. It’s beginning to appear in Britain, which had a similar crash to the United States, but where the currency has been somewhat weaker.

Within the next six months – while the U.S. Federal Reserve is still buying U.S. Treasury bonds under its “quantitative easing” policy – this inflation tsunami will hit the United States.

Inflation is a lot like the unwelcome houseguest: Once you invite it into your home, you can’t seem to get it to leave.

The key catalysts for the inflationary visitor that’s headed our way are the silly-money policies that the Fed and other central banks have been pursuing. Those policies have inflated yet another massive bubble – this one in the commodities sector. All the cheap money that’s right now sloshing around the global markets have sent commodity prices into the stratosphere, and are causing emerging-market economies to grow like crazy.

Inflation was especially virulent in the 1970s, when rising prices and high unemployment combined to cause the particularly odious form known as “stagflation.” It certainly didn’t help that it took policymakers almost the entire decade to face up to the fact that inflation wouldn’t go away on its own.

Indeed, it wasn’t until we got Paul A. Volcker in as Fed chairman in 1979 that inflation even had a worthy foe. It was Volcker who eventually crafted the aggressive policies that were required to vanquish the inflationary pressures that had gripped the U.S. economy for so long.

This time around, unfortunately, the U.S. central bank appears to be even more determined to ignore inflation’s early warning signs, while the banks and the politicians will fiercely resist higher interest rates, the only known remedy, because of the dangers of a further housing collapse.

So we can expect inflation to be with us for several years this time, too. In fact, expect it to get worse for the next three to four years, while Ben S. Bernanke remains at the helm of the nation’s central bank. Bernanke’s term as Fed chairman ends in January 2014; hopefully, whoever is the U.S. president at that point won’t reappoint him.

But we’d better arrange matters so we don’t lose out from it.

A Tale of Caution

As investors, the main problem we have with inflation is that any contract written in nominal dollars will rapidly decline in value. Long-term bonds are the classic losers from periods of inflation; their nominal value declines, and their prices decline, as well, because inflation pushes up interest rates.

My Great-aunt Nan, a splendid lady, retired at 65 in 1947 – at the beginning of Britain’s postwar inflationary surge, with ample retirement savings – invested in a 3.5% War Loan, the normal safe haven for British savers in the 19th and early 20th centuries.

She made it into the 1970s, bless her. But by the time she died, not only was the income from her War Loan worth a quarter of its 1947 value, but its capital value had also declined in nominal terms to about 30% of its 1947 level, as interest rates had risen from 3½% to 12%.

(Little wonder the British newspaper, The Independent, once wrote that “over the years … the War Loan is a monument to the poor investment value of government stocks.”)

Don’t let this happen to you!

The One Move to Make Now

If your money is in bonds – whether those bonds are U.S. Treasuries, municipals or corporates – move it somewhere else.

If you have the sort of solid final-service pension that companies used to give out and the government still does, check the inflation protection. If the pension doesn’t have a 100% protection against inflation – however high it goes – you have a problem.

In the face of rampant inflation, many stocks won’t be an answer, either. Theoretically, if your company is making tangible things from tangible factories, or providing tangible services (and not just sitting on a bunch of loans and bonds), then its earnings (and therefore its overall value) should rise with prices. In practice, however, this often doesn’t happen.

For one thing, many institutional investors use the so-called “Fed Rule” for determining share price values, which divides the expected future earnings stream by the current interest rate (Future Earnings Stream/Current Interest Rates = Share Price Value).

That’s why stocks behaved so spectacularly in 1982-2000: As interest rates came down the “denominator” of that value equation got smaller and smaller – which made it easy for the share price value to go up.

But there’s a problem: That formula uses “nominal” – not “real” – interest rates. It also fails to account for cuckoo Fed policies, so if interest rates are exceptionally low for a long period, the formula says share prices should go up and up. And if the interest rate is close to zero, the share “value” should be close to infinity!

With the return of inflation, nominal rates will have to increase to keep pace. And real interest rates will have to do the same as Volcker-esque monetary policies are used to get inflation under control. So share prices will almost certainly decline sharply in real terms, just as they did from 1966-82, even though nominal share prices remained approximately flat.

Gold and silver are a good speculation in times of inflation, but not a good investment. Before 1914, when the world was on the “gold standard,” the gold market was approximately in equilibrium at a price of just under $19 per ounce. U.S. consumer prices have increased 22-fold since then, so a price of $418 per ounce today would be fully justified. You see the problem?

In practice, the increase in world population – by about 3.7 times – since 1914 should have caused the gold price to increase approximately in tandem. That’s because the world’s gold supplies have not increased, but its population has. That would justify a price of around $1,550 today.

This calculation suggests gold is a good buy currently, but if inflation returns and money stays cheap, the price of gold is going to be far above that level quite soon, and buying gold will have become a very speculative activity. At $3,000 per ounce, gold is a hugely risky investment.

What’s the best investment to make right now? A house.

The housing market has bottomed out – or, at worst, is close to doing so. And you can get a fabulous rate on a 30-year mortgage, making you benefit from inflation just as bondholders lose from it.

The combination of a relatively depressed housing market and cheap money is uniquely favorable, so you should take advantage of it. For the best investment, you can narrow the recommendation further:

  • Don’t buy around Washington: The market has been pushed up by the flood of bureaucrats and lobbyists that have taken up residence inside the Beltway – an influx that will reverse itself as the U.S. budget is finally brought under control.
  • Don’t buy in Manhattan or the Hamptons: Prices have been pushed up by all the silly money sloshing about in financial services, which will disappear with higher interest rates.
  • Don’t buy in Silicon Valley: That advice holds true there, and anywhere else where local wealth has been inflated by stock options.
  • Do buy in a medium-sized town: Make sure that town is in an area where the economy is not dependent on finance, the government or energy/commodities.
  • Do buy an old house, instead of a new house: Buy an old rather than a new house – the supply of old houses is fixed, whereas new McMansions will appear in profusion and flood the market while interest rates remain low (developers all have large land banks they want to develop.)
  • Do take a 30-year fixed-rate mortgage: In a time of inflation and low interest rates, a long-term, fixed-rate mortgage is a gift from above.
  • Don’t overextend yourself financially: There could be big recessions in the next few years, so you need to be able to make the payments without selling the house.
  • Do be prepared to rent, rather than sell: If you have to move in the next few years, become a landlord and rent the house out instead of selling it outright. Rents have been pretty well flat in the last 10 years; they are likely to beat inflation in the next 10 years, since higher interest rates tend to push rents higher.

Readers often wonder if we follow our own advice. Money Morning has a very good rule, which says that I should not deal in any stocks that I recommend to you. But in this case, I’m happy to be able to report that I am practicing what I preach – I’m taking advantage of the current climate to relocate … and am in the process of buying a house!

[Editor’s Note: If investors have to now worry about the “I-word” – inflation – they’re also going to have to worry about the “R-word” – retirement.

Here’s the problem: The longer you work, the more you can save – and the longer the rampant inflation we’re expecting will have to work on your nest egg.

But here’s the solution: Boost your rates of return.

That’s actually just as easy as it sounds. You just have to have the right strategy – and the right investments. And as a subscriber to The Money Map Report, our monthly affiliate, you can count on getting both. Find out by clicking here to read a report that details this strategy.]

PDG Realty amplia atuação e entra no mercado hoteleiro

PDG Realty amplia atuação e entra no mercado hoteleiro
Daniela D’Ambrosio | Valor

17/11/2010 8:21.

SÃO PAULO – A PDG Realty, a maior incorporadora do país após a compra da Agre, vai entrar no mercado hoteleiro. A empresa, que atuará como incorporadora e construtora, assinou ontem um memorando de entendimentos com o grupo Marriott, uma das três maiores redes de hotéis do mundo, para o desenvolvimento de 50 hotéis econômicos no país nos próximos cinco anos. A parceria marca a entrada da bandeira Fairfield no Brasil.

A Fairfield, muito presente no mercado americano, é a mais econômica entre as 18 marcas que a Marriott opera, que tem em seu portfólio Renaissance Ritz-Carlton e Bulgari. A comparação mais direta com Fairfield – embora a empresa não a faça – é a marca Ibis, da concorrente Accor. Os quartos têm cerca de 20 metros quadrados e a diária deve girar em torno de R$ 160. Ao todo, existem 630 hotéis com a bandeira no mundo. O acordo prevê preferência de ambas as partes na operação e construção de hotéis no país. Os primeiros hotéis serão lançados já em 2011.

A gestão e operação dos hotéis ficará à cargo da rede Marriott, que também será a responsável por apresentar à PDG Realty os investidores interessados no mercado hoteleiro brasileiro. “Para cada terreno, haverá um estudo de viabilidade e implantação, que será apresentado aos investidores”, afirma Ricardo Setton que será o responsável pela nova divisão dentro da PDG Realty. Setton é um dos fundadores e ex-sócios da Agre, que chegou a construir 28 hotéis de diferentes bandeiras. “Como incorporadores, nós saímos com a garantia de termos o negócio 100% vendido”, afirma Setton. A PDG entrega o hotel pronto, inclusive, com todo o mobiliário.

Os investidores são, na maioria, fundos soberanos, que têm perfil de longo prazo e já investem com a Marriott em várias partes do mundo. O próprio hotel pode entrar como investidor em alguns fundos ou tornar-se proprietário de alguns hotéis. “Há vários investidores, proprietários de hotéis nossos em outras partes do mundo interessados em investir no Brasil”, diz Guilherme Cesari, vice-presidente de desenvolvimento do grupo Marriott no Brasil, contratado no início do ano para promover a expansão do grupo no país. “Além dos fatores macroeconômicos, o crescimento das cidades médias, a Copa do Mundo e a Olimpíada (de 2016) atraem os estrangeiros para o segmento hoteleiro no país”, diz Michel Wurman, diretor financeiro e de relações com investidores da PDG Realty.

Segundo Cesari, a vantagem em fechar a parceria com a PDG Realty está no banco de terrenos e na presença geográfica da companhia em todo o Brasil. O potencial de construção do banco de terrenos da PDG Realty é de R$ 31 bilhões. A companhia está em 25 cidades brasileiras.

Atualmente, a rede Marriott possui apenas quatro hotéis no Brasil, onde está há 13 anos – está bem distante de concorrentes como o grupo francês Accor e a recém-criada Allia Hotels, que reúne as bandeiras Bristol, Plaza Inn e Solare, com 40 hotéis em operação. Um deles fica próximo Aeroporto Internacional de Guarulhos (franquia), o Renaissance, nos Jardins, em São Paulo; Marriott Executive Apartment, na Vila Nova Conceição, também em São Paulo; e JW Marriott, na Praia de Copacabana, que há cerca de um mês foi vendido a um fundo americano.

Há quatro anos, o grupo Marriott começou a investir na China e na Índia, países que já possuem cerca de 70 bandeiras da marca. “Faltava o Brasil nessa estratégia de expansão internacional” afirma Cesari. No Brasil, a demanda por hotéis econômicos cresceu bastante nos últimos anos. Ao contrário dos resorts e hotéis mais luxuosos, têm escala. “Oferecem maior oportunidade de crescimento com baixo risco e boa rentabilidade para o investidor”, diz o executivo do Marriott.

(Daniela D’Ambrosio | Valor)

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Financiamento de imóveis bate recorde

Perspectivas: Demanda deve continuar firme em 2011, porque consumidores estão dispostos a se endividar

Financiamento de imóveis bate recorde

Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo

11/11/2010

Leonardo Rodrigues/Valor

Cláudio Borges, do Bradesco: a expansão do crédito imobiliário está ocorrendo em todas as regiões do Brasil

Diante do forte crescimento da economia, juros em queda e perspectivas positivas para os próximos anos, o ritmo de concessão de crédito imobiliário nos bancos privados e estatais tem crescido com força neste ano e batido recordes. O movimento não deverá parar por aí: em 2011, os bancos vão continuar buscando oferecer mais financiamento para as pessoas adquirirem imóveis.

"A disposição das pessoas físicas em aumentar seus níveis de endividamento continua elevada, diante da confiança em alta dos consumidores e as boas perspectivas do mercado de trabalho. O crédito imobiliário deverá continuar se destacando e crescendo no mesmo ritmo atual, pelo menos até o primeiro trimestre de 2011, horizonte medido pelo nosso indicador", afirma o gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi. "Diferentemente de outras modalidades, como o cartão de crédito, o financiamento imobiliário trabalha com prazos muito longos, de até 30 anos, e juros relativamente baixos, de 12% ao ano. Esses são pontos que contribuem para estimular sua expansão futura", comenta Rabi.

Principal agente financiador da construção civil no Brasil, a Caixa Econômica Federal (CEF) tem batido recordes sucessivos nos últimos anos. Em 2010, não será diferente. O crédito imobiliário deverá chegar a R$ 70 bilhões neste ano – cerca de 50% superior ao resultado de 2009 e 14 vezes maior que os R$ 5 bilhões financiados em 2003. Parte do bom resultado se deve à criação do programa Minha Casa, Minha Vida, destinado a famílias de menor poder aquisitivo. Até o fim de outubro, a Caixa havia contratado 712.902 unidades habitacionais, no valor de R$ 40,1 bilhões, no programa.

Em setembro, a média diária de financiamento de imóveis na Caixa chegou a 5.340 contratos. A expectativa é de que, nos meses de novembro e dezembro, se mantenha acima de 5 mil contratos por dia. As perspectivas para 2011 também são positivas, com possibilidade de expansão de até 20%.

O otimismo do banco estatal é compartilhado por instituições privadas e se deve a dois fatores: o Brasil convive com um déficit habitacional de aproximadamente 7 milhões de unidades residenciais, e a penetração do crédito imobiliário na economia brasileira ainda é baixa. Cerca de 90% do déficit de residências no país está concentrado nas famílias que recebem abaixo de cinco salários mínimos mensais, 7% nas famílias que recebem entre cinco e dez salários mínimos e o restante nas famílias ganha acima de dez salários mínimos.

Segundo estimativas do Bradesco, se somado o crédito a financiamento e construção de imóveis, o financiamento ao setor imobiliário deve chegar a 3,9% do PIB neste ano, bem acima dos 2,1% apurados em 2008 e dos 2,9% de 2009. Em 2014, o número deverá saltar para 14,7%. "O ritmo de concessão está em forte crescimento em todas as regiões do Brasil e as perspectivas são muito positivas", diz o diretor da área imobiliária, Cláudio Borges. De janeiro a setembro, a contratação chegaram a R$ 6,8 bilhões, 25% a mais do que no mesmo período de 2009.

Para 2011, Borges também acredita que a demanda por crédito imobiliário deverá permanecer em patamares elevados e crescer bem acima dos dois dígitos. "As classes C e D começaram a ingressar com mais força no financiamento", diz Borges. No Bradesco, cerca de um terço do dinheiro concedido a pessoas físicas para compra de imóveis tem sido direcionado a quem recebe entre três a dez salários mínimos. Em 2010, cerca de 20% dos imóveis financiados têm valores de aquisição entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. NO ano passado, 13% dos imóveis adquiridos estavam nessa faixa de preço.

No Itaú Unibanco, a carteira de crédito imobiliário também cresce. De janeiro a setembro, atingiu R$ 12 bilhões, alta de 13,9% no trimestre e de 52,7% ante o mesmo período do ano anterior. Do total, cerca de R$ 7 bilhões se referem a operações com pessoas físicas e R$ 5 bilhões em dinheiro financiado a incorporadoras e construtoras. Apesar do crescimento, o segmento representa cerca de 4% da carteira do maior banco privado do país, um percentual que não está muito longe do verificado em outras instituições financeiras privadas. Estimativas de mercado apontam que entre 5% a 7% das carteiras dos bancos privados no Brasil estão direcionadas a imóveis, um número baixo quando comparado a outros bancos no exterior.

Na Europa, cerca de metade da carteira dos bancos está ligada a hipotecas. "Na operação global do Santander, as hipotecas chegam a responder por 50% da carteira do banco, o que mostra o potencial que o segmento representa no Brasil", diz o diretor de negócios imobiliários, José Roberto Machado. Entre janeiro e setembro, a filial brasileira do banco espanhol registrou carteira de R$ 11,7 bilhões, sendo que 60% estão relacionados a operações com pessoas físicas e 40% com incorporadoras e construtoras. "Temos visto uma penetração desse produto em todos os segmentos, da renda mais baixa à mais elevada", analisa Machado.

Com a economia estável e inflação sob controle, as pessoas de baixa renda têm trocado o aluguel por parcelas da aquisição do primeiro imóvel. Na média renda, os reajustes salariais acima da inflação e o aumento do preço dos imóveis têm feito com que muitos financiem a compra de um imóvel melhor e maior que o antigo. No topo da pirâmide, os consumidores de alta renda investem em residências de olho na remuneração do aluguel, uma forma de ampliar o portfólio de investimentos.

Nos últimos meses, uma dúvida tem surgido entre os analistas: o crescimento da concessão de crédito imobiliário no Brasil está sendo sustentável? No caso especifico de financiamento imobiliário, além de avaliar a renda disponível do cliente, os bancos buscam fazer com que a prestação não comprometa além de 30% da renda de quem toma o empréstimo. Na Caixa e no Bradesco, na média, quem tem acesso aos recursos utiliza cerca de 20% da renda para adquirir um imóvel.

BrasilBrokers fecha acordo de exclusividade com HSBC

BrasilBrokers fecha acordo de exclusividade com HSBC

Adriana Cotias | Valor
15/10/2010 7:34

SÃO PAULO – O HSBC fechou contrato de cinco anos, renováveis por mais cinco, com a BrasilBrokers, para ter exclusividade na oferta de crédito à habitação aos compradores que fizerem negócio com as 22 empresas imobiliárias que compõem o grupo. A previsão é que a parceria gere contratos de R$ 10 bilhões para a subsidiária do banco inglês no Brasil, que vai fechar o ano com uma carteira de R$ 1,5 bilhão. O negócio encontra algum paralelo no acordo selado pelo Itaú com a corretora Lopes, em 2007, na CrediPronto, com a diferença de que não haverá uma estrutura societária e a Brasil Brokers será remunerada por performance, sem divisão de resultados.

Pelo modelo desenhado, a estimativa é de que, para a BrasilBrokers, a aliança proporcione receitas adicionais de R$ 160 milhões nos primeiros cinco anos e R$ 420 milhões no período completo do contrato. Não é de hoje que a consultoria buscava um parceiro financeiro para acelerar a sua expansão. Desde que a Lopes se aproximou do Itaú, recebendo pelo acordo R$ 290 milhões à vista, com perspectiva de embolsar mais R$ 220 milhões atrelados a resultados em dez anos, a BrasilBrokers estudava caminho semelhante. Os bancos também vinham assediando a empresa.

A Brasil Brokers não vai receber um pagamento “na frente” para franquear seus balcões de negócios, como fez a Lopes. Em vez disso, negociou comissões maiores e um adiantamento de R$ 45 milhões em comissões, segundo o presidente da empresa, Sergio Newlands Freire.

A parceria prevê que 80% dos recursos sejam desembolsados pelo HSBC em 2011, servindo ao propósito de financiar a expansão orgânica e aquisições planejadas pela BrasilBrokers, especialmente em São Paulo, onde a empresa tem participação pequena, de menos de 1% do mercado, conta Freire.

Antes do desfecho com o HSBC, o grupo chegou a conversar com Banco do Brasil, Caixa, Bradescoe Real, diálogo iniciado na fase anterior à aquisição pelo Santander. A crise em 2008 interrompeu o projeto e foi no fim de 2009 que os telefones voltaram a tocar, conta Freire. De acordo com o executivo, foi a proposta do HSBC que melhor se enquadrou ao que a companhia almejava como retorno e estrutura de negócio. O banco vai destacar equipes das áreas de vendas, crédito, processos e contratos só para atender a BrasilBrokers. Vai também treinar os 13 mil corretores da empresa para fazer a oferta do financiamento, casada com a transação imobiliária.

O HSBC terá exclusividade de ser o primeiro a fazer a análise de crédito aos clientes da empresa e promete a liberação dos recursos em até 30 dias. Para o banco, a parceria representa um atalho para crescer no crédito imobiliário, segmento em que tem participação relativa pequena se comparada ao tamanho do grupo inglês nessa área, diz o diretor Antonio Barbosa. No país, a carteira de R$ 1,5 bilhão representa apenas 6% do conjunto de ativos, enquanto globalmente a fatia chega a 28% dos US$ 261 bilhões totais. Com o acordo, a produção anual, que neste ano chegará a R$ 1 bilhão no portfólio de pessoa física, dobra de tamanho já em 2011, com um terço advindo das operações com a BrasilBrokers. O banco vai se valer da distribuição nacional da consultoria imobiliária para ganhar relevância em mercados em que teria presença “invisível”, destaca Barbosa.

O assédio dos bancos às consultorias de imóveis se explica pelo forte potencial de expansão do crédito imobiliário no Brasil, que já cresce a uma velocidade de 50% ao ano, mas ainda representa menos de 4% do PIB, parcela incipiente quando comparada a outros mercados na própria América Latina – 17% no Chile e 12% no México, por exemplo. “O brasileiro compra, em média, 1,2 casa por vida, enquanto o americano compra 2,8 casas. E só metade das unidades vendidas no Brasil são financiadas”, diz Barbosa.

Freire, da BrasilBrokers, adianta que a parceria não para por aí. Qualquer negócio que envolva um “pool” de instituições financeiras terá o banco como participante: cobrança, folha de pagamento ou qualquer captação podem entrar no pacote. Uma oferta subsequente de ações em 2011 é um dos planos em estudo para dar vazão ao projeto de crescimento do grupo.

(Adriana Cotias | Valor)

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