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Compra da Agre reacende movimento de consolidação

Construção: Companhias já se reuniram para avaliar possíveis parcerias

Compra da Agre reacende movimento de consolidação

    Daniela D’Ambrósio, de São Paulo
    17/05/2010

A compra da Agre pela PDG Realty, há duas semanas, aguçou o mercado imobiliário e o movimento de consolidação – que andava morno, depois de exaustivamente discutido em 2008 – voltou à pauta com força total. Pouco depois do anúncio da aquisição, que pegou muita gente de surpresa, vários conselhos de administração se reuniram às pressas para avaliar o cenário competitivo e estudar possíveis parcerias.

Segundo o Valor apurou, tanto as butiques de fusões e aquisições quanto os bancos de investimento já estão com o jogo de xadrez montado e saíram em busca dos possíveis comprados, de um lado, e dos compradores, de outro, para fechar novas parcerias. “Todo mundo está conversando com todo mundo, está um verdadeiro alvoroço no mercado”, diz o executivo de uma empresa.

 
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Ainda não há nada de concreto, mas tanto as construtoras, quanto bancos e advogados ouvidos pelo Valor, apostam – agora, sim – em uma nova rodada de fusões e aquisições. A “nova” PDG e a Cyrela viraram duas gigantes, com valor de mercado perto de R$ 9 bilhões, e se distanciaram das demais. “Muitas não querem ficar para atrás e, sozinhas, elas não chegam a lugar algum”, afirma uma fonte. O argumento das grandes é o ganho de escala e a aceleração do crescimento e o modelo preferido é o da troca de ações, sem envolver dinheiro no negócio. Para as menores, pode ser a melhor saída diante do novo cenário que se desenha no setor.

Na lista das empresas passíveis de serem adquiridas estão CR2, Trisul, com valor de mercado abaixo de R$ 500 milhões, e CCDI, que vale cerca de R$ 600 milhões.

Está mais fácil identificar os alvos do que os atiradores. Naturalmente, pelo tamanho, seriam Cyrela e Gafisa. A MRV, apesar de grande, não tem essa cultura, na avaliação do mercado. Para a Cyrela, uma aquisição nesse momento significa sair da incômoda posição de líder num dia e vice-líder no outro. A nova PDG, agora com Agre, ficou com um tamanho muito próximo de Cyrela e a primeira posição do setor depende do número analisado. No entanto, a Cyrela é tida como menos agressiva nas aquisições. Nos últimos anos, comprou empresas fechadas, como Goldstein e RJZ, mas desistiu da compra da Agra, companhia aberta que acabou dentro da Agre, depois de alguns meses dentro da companhia. No meio do caminho, o humor do mercado virou e a empresa teria achado o ativo caro demais.

A Gafisa já é vista como uma empresa disposta a arriscar mais. Mas a saída de Sam Zell, que vendeu 4,3% do capital da empresa e ficou com 7,18% da companhia, derrubou as ações e foi interpretada de forma negativa pelo mercado. A leitura também é a de que o megainvestidor estrangeiro não teria vendido parte de suas ações às vésperas de uma operação importante da empresa. A Gafisa fez uma aquisição relâmpago da Tenda, costurada em praticamente um fim de semana, quando a empresa mineira de baixa renda estava no auge da crise.

Entre as companhias de porte médio, um dos nomes mais citados é o da Even. No passado, Rossi e Even chegaram muito perto de fechar uma associação. A Brookfield, que já é resultado de uma incorporação, também é vista pelos articuladores de parcerias como uma candidata à compradora, embora tenha passado por um movimento recente de incorporação. A empresa resultou da compra da Company pela Brascan, que já havia adquirido a MB Engenharia, construtora do centro-oeste. A Brookfield reportou um lucro considerado baixo para o seu tamanho.

O que está em jogo é a lucratividade. Os balanços do primeiro trimestre e os fechados de 2009 mostram que a maioria das empresas pequenas está com margens mais baixas que as grandes, com uma ou outra exceção – como Eztec e Helbor. “Há muita construtora com despesas gerais e administrativas, proporcionalmente, muito altas”, avalia uma fonte do setor. No ano passado, por exemplo, o setor teve, em média, uma relação de despesa administrativa sobre receita líquida de 7,6%. Na Cyrela e PDG, essa relação foi de 5,5%. Mas chegou a 11,1% na Rodobens, 13,7% na CCDI e 13,9% na Inpar.

As maiores empresas aceleraram fortemente no último ano e estão ganhando volume de vendas e lançamentos considerável. Projetam para este ano chegar na casa de R$ 4 bilhões até R$ 7 bilhões de vendas. A pergunta, inevitável, é: o que acontecerá com as pequenas? A liquidez dessas empresas está em queda e o movimento só tende a se acentuar. “É natural que os grandes fundos internacionais e nacionais se posicionem nas maiores e mais líquidas”, diz um executivo do setor. “E, se além de pouco líquida, a empresa tiver um resultado insatisfatório, não tem muita saída.”

Os fundos de private equity também estão ativos. O Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, comprou 14,5% da Odebrecht Realizações. A GP Investimentos está procurando um ativo no setor. Segundo o Valor apurou, já sentou para negociar com Tecnisa, mas a conversa não avançou, e até com a Agre, antes de sua venda para a PDG.

O executivo de um banco com bastante experiência na área imobiliária lembra que é um setor complicado para fazer esse tipo de operação. “É muita empresa de dono, com ego e que acha que sua empresa vale mais do que realmente vale”, afirma. “Mas, agora, há muita gente disposta a deixar o ego de lado e olhar o racional.”

Com exceção da Company, comprada pela Brascan, todas as aquisições do setor foram ditadas por dificuldades financeiras extremamente sérias das empresas compradas – algumas perto da insolvência. Foi assim com Tenda, Klabin Segall e Abyara. A Inpar, que também enfrentou uma fase complicada, vendeu 51% do capital para o fundo americano Palladin.

Um modelo possível é o o que o mercado tem chamado de “IPO pela porta dos fundos”, ou seja, uma empresa fechada que tem intenções de abrir capital incorpora os ativos de uma aberta e fica listada – uma bela saída, por exemplo, para uma empresa como a WTorre, que colocou uma oferta na rua, mas o mercado fechou depois disso. E, dizem fontes, estaria em dificuldades para levantar a demanda.

Bancos agora cortejam as imobiliárias

Bancos agora cortejam as imobiliárias

    De São Paulo
    05/02/2010

Depois de disputarem as redes varejistas de eletrodomésticos para expandir suas carteiras de crédito ao consumo, os bancos partem agora em busca de acordos com as imobiliárias. É a partir delas que as instituições vão distribuir produtos para imóveis, como financiamentos e seguros.

Ao fechar parcerias com os corretores, os bancos estão interessados em marcar posição em um negócio que ainda tem muito espaço para crescer. No Brasil o mercado de crédito imobiliário corresponda a 2% do Produto Interno Bruto (PIB), volume bastante inferior aos 69% dos Estados Unidos ou mesmo dos 11% do México. Além disso, é nas imobiliárias que se concentra a maior parte das transações do mercado. Os imóveis usados representam 63% das vendas anuais de casas e apartamentos.

“O importante para o banco é estar perto do cliente logo na hora em que ele decide comprar um imóvel”, diz Ademar Larine, presidente da CrediPronto, sociedade entre o Itaú e a imobiliária Lopes.

Criada por Larine e pela Lopes em 2007, a CrediPronto contratou o banco Goldman Sachs para encontrar um parceiro financeiro. A disputa teve 12 concorrentes. O Itaú saiu vencedor com a proposta de pagar R$ 290 milhões à vista à Lopes e outros R$ 220 milhões vinculados ao resultado da CrediPronto pelos próximos dez anos. Agora, as 152 lojas da Lopes e de suas associadas – número que ainda será expandido – só podem oferecer a seus clientes produtos do Itaú.

No ano passado, a CrediPronto gerou cerca de R$ 150 milhões em financiamento imobiliário. Para este ano, a expectativa é que a companhia ofereça R$ 350 milhões.

A BM Sua Casa, distribuidora de produtos financeiros da Brazilian Mortgages, opera com 30 lojas próprias – que estão até em shopping centers – e mais 500 imobiliárias associadas. “A compra de um imóvel é uma decisão familiar, geralmente tomada fora do horário comercial de um banco, por isso é importante criar canais alternativos de venda do financiamento”, avalia Vitor Bidetti, diretor da Brazilian Mortgages.

Tanto a CrediPronto quanto a BM Sua Casa pagam comissões para as imobiliárias, modelo que não é seguido pelo Santander. “Acreditamos que, ao oferecer o crédito a seus clientes, as imobiliárias já são beneficiadas”, diz Nerian Gussoni, superintendente de crédito imobiliário do banco.

A estratégia do Santander passa por um site na internet, o WebCasas, comprado pelo banco no mês passado. Ao mesmo tempo em que mostra os classificados de imóveis e informações do mercado, a página também apresenta os produtos da instituição. Em 2002, para avançar no financiamento de veículos, o banco Real, adquirido pelo Santander, comprou o WebMotors e chegou a ter a liderança do setor.

A dificuldade que as instituições financeiras encontram para se associar às imobiliárias é o fato de esse ainda ser um mercado totalmente pulverizado, diferentemente do varejo de eletrodomésticos. Só existem duas grandes empresas no setor, a Lopes e a Brasil Brokers, ainda sem parceiros financeiros.

Para as imobiliárias, as parcerias também são valiosas. “É um importante instrumento de liquidez do mercado. Ao facilitar a venda de um imóvel usado, acaba-se favorecendo também o mercado de novos porque o vendedor pode optar por morar em um apartamento mais atual”, diz Tomás Salles, diretor da Lopes. Ou seja, a corretora ganha duas vezes. “Hoje o brasileiro muda muito pouco de casa porque não tem como pagar”, diz Salles. Levantamento feito pelo Credit Suisse mostrou que os mexicanos trocam de imóvel quatro vezes ao longo da vida, enquanto a média brasileira é de 1,8 vez. (C.M.)

Funcef tem R$ 1,9 bilhão para investir em infraestrutura em 2010

Funcef tem R$ 1,9 bilhão para investir em infraestrutura em 2010

    Valor Online

    02/02/2010 13:39

BRASÍLIA – O presidente da Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, Guilherme Lacerda, disse hoje que a instituição conta com cerca de R$ 1,9 bilhão para investir em infraestrutura em 2010. Deste montante, R$ 600 milhões serão voltados a participações de grandes projetos do setor energético, como as usinas de Belo Monte e Jirau, além do trem de alta velocidade.

” Um fundo de pensão precisa continuar trabalhando nas necessidades do país ” , disse Lacerda, ao confirmar que está fechando parceria com as empreiteiras Odebrecht para participar do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, cuja licença prévia foi liberada ontem pelo Ibama.

A estimativa do governo é de que o leilão de Belo Monte seja realizado em abril. A Funcef pretende investir de R$ 200 milhões a R$ 400 milhões no empreendimento. A instituição finaliza conversações com a Camargo Corrêa para adquirir metade dos 9,9% que a construtora tem na usina de Jirau, em Rondônia.

O presidente da Funcef destacou que sua carteira de investimentos continuará a ser direcionada ” a setores com fluxo de caixa menos sujeitos a risco ” , como negócios imobiliários.

Lacerda não vê qualquer influência do ano eleitoral nas aplicações da fundação. Embora negando ingerência direta do governo, em 2009, a Funcef foi um dos fundos que mais aplicou em RDB com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), na linha criada pelo governo para prover liquidez a bancos pequenos.

A fundação aplicou cerca de R$ 300 milhões, a aproximadamente 20 bancos, sendo a maior parte dos recursos a 3 anos e 5 anos. ” Foi uma boa alocação com risco muito baixo e sob controle ” , comentou Lacerda.

O presidente divulgou nesta terça-feira que, em 2009, a Funcef registrou superávit de R$ 2,2 bilhões, ante o resultado deficitário de R$ 2,4 bilhões em 2008, gerado pela crise internacional. A rentabilidade obtida pela fundação no ano passado correspondeu a 20,1%, acima da meta atuarial (rendimento necessário para cobertura dos compromissos) de 9,8% (INPC mais 5,5%).

O patrimônio subiu a R$ 38,9 bilhões ano passado, depois de cair a R$ 32,6 bilhões em 2008. Somente a carteira imobiliária teve alta anual de 24,1%. Com aumento médio de dois anos de sobrevida na tábua biométrica, elevando a 83 anos a idade média dos participantes, gerou reserva de R$ 310 milhões.

Terceiro maior fundo de pensão do país, atrás da Previ (Banco do Brasil) e Petros, a Funcef tem 105,5 mil participantes em três grandes planos de aposentadoria complementar, sendo 29,9 mil assistidos. Na Caixa, entretanto, ainda há cerca de 8 mil economiários de fora do fundo, por conta de litígios no início dos anos de 2000.

Construção civil será destaque em 2010

De Olho na Bolsa:

Construção civil será destaque em 2010

    Daniele Camba
    28/12/2009

Colunista

Financiamentos imobiliários com prazos mais longos, programa Minha Casa Minha Vida do governo, recuperação econômica com o fim da crise financeira internacional, além da expansão da renda e do emprego. Esses são fatores que fizeram com que o setor de construção civil tivesse um bom desempenho neste ano e, para 2010, espera-se que as construtoras se destaquem ainda mais. Essa é a opinião de algumas corretoras. No caso da Gradual Investimentos essa ideia é ainda mais forte. “O setor de construção civil deve ser o que mais dará retorno no ano que vem”, afirma Paulo Esteves, chefe da área de análise da Gradual Investimentos.

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O crescimento do crédito, especialmente das linhas de mais longo prazo, a continuação do aumento da renda e do nível de emprego serão os pilares para a melhora do cenário das construtoras e, consequentemente, para as suas ações em bolsa. Já com relação às taxas de financiamento, a expectativa é de que elas caiam em 2010. Atualmente, um financiamento imobiliário de 35 anos possui uma taxa média de 10% ao ano. No próximo ano, essa taxa pode cair para algo entre 9% e 7,5% ao ano, uma redução significativa, estima Esteves.

Os números mostram o aquecimento do setor imobiliário. “Em conversas com as construtoras, elas dizem que a demanda está tão forte que em uma semana vendem 70% das unidades de um lançamento”, diz Esteves. Ele tem percebido a efervescência do setor por experiência própria. “Eu já fui procurado por vários corretores com boas oportunidades de negócios, tanto é que eu mesmo estou comprando um outro imóvel”, confessa Esteves.

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Além dos fatores macroeconômicos, a insatisfação dos investidores com os ganhos da renda fixa deve ser um importante empurrão para o setor imobiliário. Com retornos mais modestos, os investidores sairão da renda fixa tradicional e uma parte desses recursos tende a ir para investimentos ligados ao setor imobiliário, desde a aplicação em fundos imobiliários até a aquisição dos imóveis em si.

Mesmo a retomada do processo de alta da taxa de juros Selic, prevista para ocorrer em meado do ano que vem, não será suficiente para mudar essa migração de recursos da renda fixa para outras formas de investimento, acredita o chefe de análise da Gradual. A projeção da corretora é que a taxa Selic termine 2010 em 10,75% ao ano, dos pontos percentuais acima do nível atual. Dentro do setor imobiliário, as principais recomendações da Gradual são os papéis da Eztec – uma construtora de menor porte, mas extremamente descontada se comparada às demais ações do segmento – e da Brookfield – a única multinacional listada em bolsa, bem estruturada e com acesso a um capital mais barato, por intermédio do seu controlador internacional -, explica Esteves.

Outros setores

A expansão da renda e do emprego, juntamente com a recuperação econômica, vai impactar positivamente outras empresas ligadas ao mercado interno. Entre elas estão as que fazem produtos para a população de massa, como alimentos, carnes e bebidas. Esteves cita alguns nomes como Brasil Foods, Pão de Açúcar, M. Dias Branco, AmBev e os frigoríficos, sendo que as duas primeiras estão entre as principais recomendações da Gradual.

Já para o Ibovespa, a projeção da corretora é de 81 mil pontos para o fim de 2010, o que significa uma valorização de 19,84% em relação ao fechamento da última quarta-feira, aos 67.588 pontos. Esteves afirma que alguns clientes acharam o número acanhado demais até porque existem projeções que beiram os 90 mil pontos. Esteves explica: “Os 81 mil pontos devem ser comparados aos 62 mil pontos que projetávamos para o fim deste ano e não aos 67 mil pontos atuais”, diz. “Essa diferença entre os 62 mil e os 67 mil já é uma antecipação de um tanto que deveria subir em 2010.”

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

Crédito imobiliário bate recorde no ano

Habitação: Liberações crescem 10% no ano e podem atingir R$ 50 bilhões em 2010 apenas com a poupança

Crédito imobiliário bate recorde no ano

    Fernando Travaglini, de São Paulo
    22/12/2009

O crédito imobiliário chega ao fim do ano como a linha de financiamento de maior expansão no pós-crise. Mesmo com o impacto sofrido pelas incorporadoras, que adiaram lançamentos e aproveitaram o período para desovar seus estoques, o volume concedido no ano deve exibir crescimento da ordem de 10%. Para o próximo ano, a expansão pode atingir até 50%.

As liberações em novembro atingiram R$ 3,635 bilhões, volume 58% maior que no mesmo mês do ano passado e o melhor resultado já registrado no país.

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Com o forte desempenho dos últimos meses, puxado pela volta dos lançamentos, o acumulado do ano entre janeiro e novembro chegou a R$ 30,187 bilhões, superando o total liberado no ano passado com recursos das cadernetas. Em termos anuais, a expansão é de 10%.

“Em dezembro o ritmo é bom e devemos fechar o ano com nível superior aos R$ 32 bilhões esperados”, diz Luiz Antonio França, presidente reeleito da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip), para o mandato até 2011.

O novo cenário de otimismo do setor levou a entidade a revisar para cima suas previsões. Diante do volume recorde dos últimos dois meses e do bom desempenho das construtoras, a Abecip acredita que as concessões para a construção de novas unidades e para a compra da casa própria possam chegar a R$ 50 bilhões em 2010, apenas com recursos da poupança, alta de quase 50% em relação ao patamar deste ano, diz França, também diretor do Itaú Unibanco. Além dos recursos da caderneta, o orçamento do FGTS prevê a liberação de R$ 23 bilhões para o setor no próximo ano, fora a verba do programa Minha Casa Minha Vida, que pretende financiar um milhão de moradias até o fim de 2010.

Isso deve elevar o estoque de linhas de crédito imobiliário para pessoas físicas dos atuais R$ 85 bilhões para cerca de R$ 135 bilhões no fim de 2010. Segundo França, a recuperação está sendo mais forte do que se esperava e, em 2010, os bancos que atuam no setor podem atingir marca histórica em novos empréstimos.

Se a expansão esperada se confirmar, a relação do crédito imobiliário em relação ao PIB deve pular de 2,9%, em outubro, para quase 4% no fim de 2010, mesmo com o forte crescimento econômico do país esperado para o próximo ano, na casa dos 5%. Neste ano o estoque de empréstimos para a compra da casa própria já foi uma dos que mais cresceu, atingindo expansão de 43% nos últimos doze meses até outubro. O percentual de 2,9% do PIB, no entanto, ainda é muitas vezes inferior ao registrado em outros países, como Chile (15%), México (11%), Espanha (60%) e Estados Unidos (100%).

A crise não afetou de forma tão acentuada o desempenho das liberações totais, mas mudou a cara do setor. Diferentemente dos anos anteriores, o que permitiu a disparada em 2009 foi o crédito à pessoal física. No início do ano, quando os efeitos da crise ainda era sentidos, a demanda por recursos para novas construções recuou fortemente. No meio do ano, o chamado Plano Empresário, que financia até 80% do valor da obra, registrava recuo de 24%.

Ao mesmo tempo, as vendas de unidades novas e usadas manteve ritmo forte e segurou a expansão do crédito imobiliário, também por conta da estratégia das companhias de desovar o estoque de lançamentos antigos. As concessões para a compra da casa própria atingiram R$ 17,8 bilhões até novembro, avanço de 57,6% em relação ao mesmo período de 2008.

À medida que a crise foi ficando menos severa, as incorporadoras retomaram seus lançamentos e a demanda por recursos para obras voltou com força semelhante ao período pré-crise. “Temos visto empreedimentos que vendem quase 100% das unidades na semana do lançamento”, diz França.

Até novembro, as liberações de Plano Empresário atingiram R$ 12,415 bilhões, valor ainda 10% inferior ao ano passado. Mas a tendência é de recuperação e os empréstimos às incorporadoras deve voltar a puxar o crescimento em 2010, prevê a Abecip.

Há também maior disputa no setor com a entrada do Banco do Brasil, em parceria com a Nossa Caixa. A instituição ampliou o limite para as empresas de incorporação e disponibiliza R$ 4,5 bilhões para as 12 maiores do setor. Desse total, cerca de 70% deve ser direcionado para novas obras.

Há ainda o programa do governo federal Minha Casa Minha Vida, que tem atraído construtoras de casas populares. A Caixa Econômica Federal deve fechar o ano com concessões de R$ 40 bilhões em crédito imobiliário, dos quais R$ 11,2 bilhões já são do programa de casas populares. Em relatório para clientes, a Itaú Corretora avalia o resultado como positivo.

“Apesar de acreditarmos que no próximo ano o principal desafio para a Caixa será a contratação dessas unidades para as pessoas físicas, que demandará muito trabalho operacional, vemos a performance da instituição de maneira muito positiva”, diz o texto do analista David Lawant.

A recuperação acelerada já preocupa. Segundo o economista José Roberto Mendonça de Barros, um dos problemas que devem surgir será falta de mão de obra, inclusive de profissionais qualificados, como engenheiros.

Correção: Caixa deve fechar 2009 com recorde no crédito imobiliário

Correção: Caixa deve fechar 2009 com recorde no crédito imobiliário

A Caixa Econômica Federal corrigiu informação divulgada anteriormente. O volume de contratações no crédito imobiliário em 2008 foi de R$ 20,3 bilhões, e não como informado. Segue o texto corrigido:

SÃO PAULO – A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira que as contratações no crédito imobiliário da instituição alcançaram R$ 39,3 bilhões até o dia 30 de novembro. O volume representa um crescimento de 93% quando se compara aos R$ 20,3 bilhões contratados no mesmo período do ano passado.

“Estamos falando da melhor contratação da história do país. Esse ano foi muito bom. A crise não chegou para o crédito imobiliário na Caixa”, afirmou Jorge Hereda, vice-presidente do banco. Segundo o executivo, a inadimplência do setor também tem se mantido sob controle, na média histórica, sendo que em outubro (no último dado disponível) passou para 2,1%, uma alta ante o mês anterior, quando registrou 1,9%.

Dos empréstimos totais até novembro, os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) subiram 46%, para R$ 14,9 bilhões, enquanto os financiamentos com recursos próprios apresentaram um salto de 119%, para R$ 20,3 bilhões.

“Somente em novembro, foram 5,7 mil novos financiamentos por dia, já que o mês apresentou uma aceleração desse crescimento”, destacou Hereda. A média diária do ano está em 3,3 mil contratos diários, representando um crescimento de 73,2% frente à média diária do mesmo período do ano passado.

Segundo os dados apresentados hoje pelo banco, somente para o Estado de São Paulo, foram realizados pela Caixa financiamentos no valor de R$ 10,03 bilhões até novembro, ante R$ 6,4 bilhões contratados em todo o ano passado. A média de imóveis financiados para o estado ficou em 662 contratos no período por dia útil, enquanto no início do ano, esta média marcava 581 imóveis financiados por dia.

A Caixa Econômica Federal projeta encerrar 2009 com empréstimos superiores a R$ 40 bilhões. “O programa Minha Casa, Minha Vida foi muito importante, pois deu confiança para quem queria comprar e para quem queria lançar”, afirmou o executivo, justificando a meta.

“Para 2010 ainda não fechamos nosso planejamento, mas o setor como um todo aponta para a continuidade do crescimento do crédito imobiliário, já que o grosso das contratações do programa (Minha Casa, Minha Vida) será realizado no ano que vem “, completou Hereda.

Leia mais: http://www.valoronline.com.br/?online/bancos/34/5981654/correcao-caixa-deve-fechar-2009-com-recorde-no-credito-imobiliario#ixzz0YlCVeCBf

caixa-reafirma-condicoes-de-cumprir-meta-do-minha-casa-minha-vida

Caixa reafirma condições de cumprir meta do Minha Casa, Minha Vida – 3/12/2009

Fonte:Valor Online

SÃO PAULO – A Caixa Econômica Federal afirmou nesta quinta-feira que até a metade do ano que vem acumulará propostas que correspondam a 1 milhão de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, para que todas sejam contratadas até o fim de 2010, como planeja o governo federal.

“Temos tranquilidade de que até maio ou junho do ano que vem teremos 1 milhão de casas propostas e que devem ser todas contratadas até o fim do ano que vem”, afirmou Jorge Hereda, vice-presidente da instituição.

Até o final de novembro, o banco registrou propostas para 567 mil moradias, sendo que destas, foram contratadas somente 176,3 mil novas unidades, no valor de R$ 11 bilhões, quantidade bem abaixo da meta do banco, que era alcançar 400 mil contratações ainda neste ano.

“Mas essa é uma meta interna da Caixa, que nos ajuda a agilizar o programa. O processo de contratação depende de muita coisa. Garantimos que todos os projetos que já tenham documentação completa serão contratados até o fim deste ano”, prometeu o executivo.

Para a cidade de São Paulo, o programa habitacional do governo prevê 12 mil unidades destinadas à população que se encontra na faixa salarial de até três salários mínimos. Segundo a superintendente regional da Caixa, Cely Martovani, já há análises prontas para a apresentação de projetos para a construção de 7 mil unidades na capital, que devem começar a ser produzidas no primeiro semestre do ano que vem.

Cely informou ainda que nos próximos dias o banco vai assinar o contrato com as construtoras para a construção de cerca de 480 unidades na zona leste de São Paulo. Essa será a primeira assinatura de contratação de empreendimentos do programa na cidade.

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