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Com Agre, PDG assume liderança do segmento

Com Agre, PDG assume liderança do segmento

Daniela D ‘ Ambrosio | Valor

17/08/2010 09:13

SÃO PAULO – Em seu primeiro balanço consolidado com Agre, a PDG Realty tirou a dúvida que ainda sobre a liderança do setor. Quando comparada à Cyrela – que, até a aquisição da Agre pela PDG era líder inconteste – a nova empresa assume a primeira posição do mercado imobiliário em praticamente todos os quesitos analisados: receita líquida, lucro, vendas, lançamentos e margens. O lucro líquido da PDG no segundo trimestre foi de R$ 221 milhões, um aumento de 179% sobre os números pró-forma das duas companhias no mesmo período de 2009. A Cyrela lucrou R$ 167 milhões de abril a junho.

A receita líquida da nova companhia foi de R$ 1,32 bilhão, 49% acima do segundo trimestre do ano passado. O lajida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 372 milhões, com margem de 28%. A margem lajida da Cyrela foi de 18,5%.

A PDG, é fato, ficou maior em tamanho. Mas também aumentou consideravelmente a sua dívida -principal herança negativa de Agre. A dívida líquida da PDG, que, sozinha, era de R$ 697 milhões ao final do primeiro trimestre, subiu para R$ 2,59 bilhões. A relação dívida líquida sobre patrimônio líquido, que foi de 27% na PDG no primeiro trimestre, passou para 46% no balanço consolidado.

Os benefícios do ganho de escala são visíveis no balanço, mas a PDG Realty se apressou para renegociar e melhorar o perfil da dívida de Agre para não comprometer seus resultados por um prazo longo. O bom relacionamento com os bancos permitiu à companhia que concluísse o processo de renegociação do endividamento da Agre. A dívida de capital de giro da Agre foi reduzida de R$ 1,3 bilhão para R$ 1 bilhão e houve um alongamento do prazo médio de 29 meses para 48 meses.

A parcela de dívida de capital de giro, que tinha um custo elevado (CDI mais 3%) foi alongada e substituída por linhas com custo médio na casa de CDI mais 2%, em linha com o custo pago pela PDG. “Fragmentamos a dívida em vários bancos, principalmente Itaú, Bradesco, HSBC e Banco do Brasil”, explica Michel Wurman, diretor financeiro e de relações com investidores da PDG.

Com dificuldade de acesso ao crédito, a Agre tocava boa parte das obras com recursos próprios. A PDG contratou R$ 1 bilhão em novos contratos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), dívida mais barata e considerada “saudável” pelo setor, dos quais R$ 150 milhões liberados imediatamente. A PDG também está securitizando os recebíveis que a Agre tinha em carteira: foram cerca de R$ 300 milhões de operações de securitização de recebíveis com emissão prevista para agosto e setembro. “O efeito líquido da renegociação na despesa financeira será de R$ 10 milhões por trimestre, num total de R$ 40 milhões”, diz Wurman.

Com a Agre – empresa que resultava da união de Agra, Abyara e Klabin Segall – a margem líquida de PDG, que vinha na casa dos 20%, caiu para 17% no segundo trimestre – abaixo da MRV, em linha com a Rossi e acima da Cyrela e Gafisa – para comparar com as grandes. “Não vamos voltar para os 20% ainda este ano, mas fechamos a renegociação das dívidas e estamos acelerando os ganhos de escala para voltar aos níveis anteriores”, afirma Zeca Grabowsky, presidente da PDG Realty.

A PDG cortou perto de 15% da folha da Agre, cerca de 35 pessoas de salários mais altos e fechou escritórios do Rio e do Sul, em função da totalização da compra da LN, empresa com forte atuação no Paraná. A PDG, que já era dona de 80%, comprou 100% da LN.

A nova empresa teve aumento de 27,7% nas despesas de vendas e administrativas, que passaram para R$ 297,2 milhões de janeiro a junho deste ano. Quando se compara com a receita líquida, porém, há uma queda -a soma dos gastos totais sobre a receita líquida recuou de 14,7% para 11,8% no semestre.

O aumento do INCC – de 5,9% no ano – não afetou os resultados da companhia, mas o presidente da PDG reconhece que é um problema, sobretudo em São Paulo e no Rio. “Na média e alta renda, o mercado absorve aumento de preço e na baixa estamos usando métodos construtivos que reduzem custo, como os pré-moldados.”

O espanhol que mexeu com mercado imobiliário do país

Perfil: Em pouco tempo, Enrique Bañuelos torna-se maior acionista da PDG

O espanhol que mexeu com mercado imobiliário do país

Daniela D’Ambrosio, de São Paulo
13/05/2010

Enrique Bañuelos chegou ao Brasil, no auge da crise em 2008, com muito mais ambição e dinheiro do que credibilidade. Aos poucos, com um jeito carismático e eloquente, arregimentou alguns poucos aliados e uma legião de desconfiados. A fama de empresário polêmico e controverso dos tempos em que ficou bilionário na Espanha nunca o abandonou. Ainda assim, muito ativo nos bastidores, rapidamente reuniu três empresas com histórico complicado e formou uma companhia onde o todo somava mais que as partes. Mas ainda continuava sendo alvo de críticas. Na semana passada, no entanto, cerca de um ano e meio depois, conseguiu o melhor desfecho possível para o negócio que criou – fato reconhecido até mesmo pelos seus desafetos.

A interlocutores próximos, Bañuelos, de 44 anos, não esconde que já se apresenta mundo afora como o maior acionista individual da maior empresa imobiliária do país – e se orgulha de dizer que o novo título já tem aberto portas. Com a venda da Agre, união da Klabin Segall, Abyara e Agra, para a PDG Realty – que ainda precisa ser aprovada em assembleia – o dono da Veremonte terá próximo de 6% da nova PDG. Passa à frente da Vinci Partners – com 5,42% e que tem Gilberto Sayão como presidente do conselho e do fundo Blackrock, com 5,73% do capital. “Ele criou uma saída para ele mesmo. Agora, tem papéis de uma empresa com liquidez”, afirma uma fonte do mercado. A venda, tem dito o empresário espanhol a pessoas próximas, adiantou seus planos no mercado imobiliário brasileiro em pelo menos quatro anos.

O título – de que agora tanto se orgulha – é, até certo ponto, questionável. De fato, Bañuelos é o maior acionista daquela que pretende ser a maior empresa imobiliária do país – e, por enquanto disputa a liderança de perto com a Cyrela. Na teoria, ajuda a contar um capítulo bem sucedido de sua trajetória no país. “Ele é vaidoso, o negócio faz toda a diferença para o ego dele, além de alavancar outros negócios fora do país”, afirma um executivo do mercado que o conhece. O argumento, aliás, segundo o Valor apurou, ajudou a convencer Bañuelos, que já estava negociando com a GP Investimentos, a fechar com a PDG.

Na prática, porém, significa pouco. A PDG é uma ” full corporation”, termo usado para definir companhias de capital completamente pulverizado, em que as diretrizes são todas dadas pela administração. Não há um grupo dominante entre os acionistas capaz de definir as estratégias da empresa. Numa empresa com esse perfil, sem um assento no conselho – conforme vontade própria – e com um grupo de gestores que deve lhe dar pouca liberdade para impôr suas vontades, a leitura do mercado é que, desta vez, o empresário espanhol terá pouca influência nas diretrizes da companhia. Não é o que tem dito. Conforme apurou o Valor, Bañuelos pretende continuar participando ativamente do negócio, inclusive com planos de entrar na área de shoppings, prédios de escritório e condomínios logísticos. “Ele não terá essa influência que imagina”, afirma fonte envolvida no negócio.

Ninguém sabe exatamente quanto ele ganhou com as operações que já fez no Brasil – até porque já vendeu parte das ações da Agre em bolsa. Mas todo mundo sabe que ganhou. Inicialmente, ele investiu cerca de R$ 150 milhões para ficar com a Abyara e Klabin Segall. Depois, pagou mais R$ 150 milhões (valor visto como caro) para comprar metade da participação que restou da Cyrela na Agre e mais R$ 150 milhões pela parte dos sócios nesse negócio. Numa conta grosseira, considerando-se o percentual que detém em Agre, teria lucrado cerca de R$ 150 milhões. “Ele vai esperar a valorização e deve vender as suas ações” diz uma pessoa próxima. “Ele tem perfil de trader”, corrobora um gestor. Não é o que Bañuelos prega por aí – o discurso predominante é o do investidor de longo prazo.

A PDG Realty, ao contrário da Agre – que ainda precisava se provar ao mercado – é uma empresa consolidada, reconhecida pelos analistas pelos bons resultados e, o que era mais importante para Bañuelos, respeitada. A venda aconteceu em menos de duas semanas e o desfecho obrigou o espanhol a voltar da China rapidamente a bordo do seu Gulfstream 550 para assinar o contrato na semana passada. Os advogados foram chamados na própria segunda-feira pela manhã e o que era para ser apenas um memorando de entendimentos evoluiu, ao longo do dia, para um contrato de compra e venda.

A aproximação entre o empresário espanhol e o presidente da PDG, Zeca Grabowsky, aconteceu por intermédio dos sócios da Gas Investimentos, empresa de gestão de fundos que em janeiro se associou à Vinci Partners e têm participação tanto na Agre, quanto na PDG. A sede da Veremonte fica ao lado da Gas, num dos endereços mais caros de São Paulo.

Depois de passar mais da metade do ano passado em São Paulo, onde já comprou um apartamento no bairro nobre da Vila Nova Conceição, Bañuelos já entende perfeitamente o português. Mas não faz a mínima questão de aprender a língua e, segundo os que convivem com ele, sequer arrisca um portunhol. Falante, inteligente e rápido de raciocínio, usa o espanhol com sotaque valenciano e poucas pausas a seu favor. Nem todo mundo entende perfeitamente – incluindo nesse rol os que fecham negócios com ele – , o que não aconteceria, por exemplo, se o idioma usado fosse o inglês. É comum, depois de uma reunião com ele – quando normalmente centraliza as discussões – as pessoas se entreolharem com um ar implícito de “agora vamos conversar”.

A ousadia nos planos, que vem desde a sua chegada ao Brasil, não foi deixada de lado. Ao contrário. Segundo fontes próximas, Enrique Bañuelos planeja fechar um grande negócio na área de alimentos nos próximos dois meses. E mantém o discurso, já cultivado no primeiro plano, de entrar nos segmentos de infraestrutura, energia e varejo. O mercado imobiliário seria apenas a porta de entrada para novos segmentos. De concreto, até o momento, fechou uma parceria com a francesa Accor para a construção de quase 5 mil quartos e com a família real dos Emirados Árabes, que controla uma rede de hotéis de luxo.

Logo que chegou ao Brasil, Enrique Bañuelos foi apresentado ao mercado imobiliário pelo Credit Suisse. Impressionou os que estiveram com ele – cerca de dez empresas, a maioria atolada em problemas e algumas perto de quebrar- pela pretensão e nível de detalhamento do negócio que pretendia montar. A “plataforma líder de real estate no Brasil” seria uma holding com seis empresas unidas com um modelo complexo de participações cruzadas e estrutura em cascata. O plano, divulgado na época com exclusividade pelo Valor, era abrir o capital da nova companhia em Londres e Nova York. Previa, ainda, a criação de uma companhia hipotecária, de uma seguradora e até de “novas cidades brasileiras” em parceria com grandes grupos internacionais.

Deu um passo bem menos ambicioso, mas teve o mérito de ser o único consolidador do setor durante a crise. E teve ao seu lado uma figura importante para costurar esse novo modelo de negócio: Luiz Roberto Horst, o Beto, fundador da Agra. Foi ele quem apresentou os donos da Abyara e da Klabin Segall à Veremonte e foi escolhido para ficar á frente da Agre.

A boa relação do começo, porém, não demorou a desandar. Já no final do ano passado, Bañuelos começou a discordar da gestão de Beto à frente da Agra. Sempre ressaltou que não queria ter assento no conselho ou interferir no dia a dia do negócio, mas não foi exatamente assim que funcionou. O empresário espanhol não conhecia os detalhes da operação ou dos projetos, mas teria ficado descontente com algumas estratégias, como o investimento de R$ 12 milhões em uma campanha institucional de marketing. Agora, o empresário tem dito aos mais próximos que os gestores da PDG têm o conhecimento financeiro que faltava aos da Agra.

De origem humilde, Enrique Bañuelos chegou à lista dos bilionários da revista “Forbes”, em 2007, com uma fortuna estimada em US$ 7 bilhões. Parte disso estava em ações da Astroc, empresa que criou em 1995 e pegou carona no boom imobiliário espanhol. Menos de um ano depois da abertura de capital, o preço já era dez vezes maior em relação ao IPO, mas logo em seguida desabaram por conta de denúncias de que parte do resultado havia sido conseguido artificialmente e envolvia a venda de imóveis de sociedades controladas e, inclusive, do patrimônio pessoal do empresário. Nada ficou comprovado contra ele. Mesmo depois da perda substancial na bolsa de Madrid, continuou com dinheiro. “Ninguém sabe exatamente quanto ele tem, mas não tem frase dele que não tenha meio bilhão de dólares no meio”, diz um conhecido.

Casado e pai de duas filhas, que faz questão de preservar, é dono de um castelo numa área de 10 milhões de m2, construído no século XVIII, em Mallorca. Tem cinco casas: em Madrid, Londres, Nova York, Pequim e, a última aquisição, em São Paulo. Corredor, gosta de estar próximo de parques – não, por acaso, os metros quadrados mais caros de cada cidade. Seu apartamento em Nova York fica perto do Central Park e em Londres é vizinho do Hyde Park e aqui, claro, escolheu o Ibirapuera. Não carrega malas. Quando compra roupas, geralmente na Itália ou França, leva pelo menos cinco peças de cada modelo. Uma para cada residência. Além do celular de cada país, tem um número internacional para que sua esposa e filhas possam achá-lo. É dono de três aviões – dois Gulfstream 550 -, avaliados em US$ 50 milhões cada. Chegou a criar uma pequena companhia de aviação com 35 pessoas e aluga os aviões para cobrir os custos. Já foi chamado de Donald Trump europeu e de senhor dos tijolos, na Espanha. Neste momento, o título que faz brilhar seus olhos é o de maior acionista de uma empresa brasileira.

Bañuelos, o midas do setor imobiliário

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via Bañuelos, o midas do setor imobiliário.

PDG Realty quer melhorar perfil de dívida da Agre

SÃO PAULO – A reestruturação do passivo da Agre está entre as prioridades da PDG Realty, que anunciou na noite de segunda-feira a compra da empresa resultante da fusão das incorporadoras Agra, Abyara e Klabin Segall.

via PDG Realty quer melhorar perfil de dívida da Agre.

PDG compra Agre e desafia a líder Cyrela

PDG compra Agre e desafia a líder Cyrela

    Daniela D’Ambrosio, de São Paulo
    04/05/2010

A nova empresa tem valor de mercado de R$ 8,8 bilhões, praticamente o mesmo que a Cyrela

A PDG Realty, empresa do setor imobiliário com forte presença no segmento de baixa renda, amplia sua atuação no mercado de classe média com a compra da Agre, que reúne as incorporadoras Agra, Klabin Segall e Abyara.

A transação foi feita por meio de troca de ações. A relação foi de cerca de duas ações da Agre para cada ação da PDG. A nova empresa tem valor de mercado de R$ 8,8 bilhões, praticamente o mesmo que a Cyrela, sua principal concorrente e líder do mercado.

Com a compra da Agre, a PDG também passa a atuar em mercados onde não estava ou tinha participação muito pequena, como Norte e Nordeste.

O conquistador espanhol

exame/negócios

O conquistador espanhol

O empresário Enrique Bañuelos viveu uma infância miserável, tornou-se um dos 100 homens mais ricos do mundo e viu seu império desmoronar na Europa. Agora, tenta reconstruir a fortuna num dos mais pujantes mercados imobiliários do mundo — o do Brasil

 

Germano Lüders

Por Marcelo Onaga | 12.11.2009 | 00h01

Há um ano, o setor imobiliário brasileiro estava envolto em incertezas. Depois de um período de crescimento exuberante, as empresas — grandes e pequenas — se viram diante de uma crise que prometia mudar a cara do mercado para pior e que parecia ter potencial para varrer do mapa companhias enfraquecidas financeiramente. Empreendimentos eram cancelados, demissões ocorriam às centenas, bancos restringiam ao máximo a concessão de crédito. As projeções de especialistas eram sombrias. Perdida em meio aos índices e atarantada com o que acontecia no mundo, a maioria deles previa um período de seca longo e severo. Foi nessa hora de medo que o mercado imobiliário se viu diante de um novo e enigmático personagem. O espanhol Enrique Bañuelos de Castro, investidor tão rico quanto polêmico, chegou ao Brasil no final de 2008 com o objetivo de comprar empresas e criar uma incorporadora capaz de concorrer com potências como a Cyrela, de Elie Horn, e a Gafisa, que tem entre seus acionistas o investidor americano Sam Zell. Nascido em Sagunto, cidadezinha costeira de 60 000 habitantes localizada na região de Valência, 43 anos, cerca de 1,70 metro de altura, discurso sedutor e olhar determinado, Bañuelos desembarcou em São Paulo com uma fortuna pessoal de cerca de 2 bilhões de dólares — e a incômoda fama de ter sido o protagonista do processo de criação e destruição de uma bolha que derrubou o mercado imobiliário espanhol em 2007. “Quando ele chegou, fiquei apreensivo, como a maioria das pessoas do setor”, diz Sérgio Carettoni, sócio da paulista GAS Investimentos, que tem participações minoritárias em diversas incorporadoras brasileiras.

Quase um ano se passou e a crise fez estragos muito menores do que os previstos pelos analistas. O mercado imobiliário brasileiro continuou a ser um dos mais pujantes do mundo — e hoje os analistas recomendam com ênfase as ações das empresas do setor. Bañuelos, porém, soube aproveitar melhor do que ninguém o período de medo. Nos últimos meses, sua empresa, a Veremonte Participações, investiu cerca de 500 milhões de reais em quatro aquisições. Em dezembro de 2008, comprou uma participação de 7% na Agra, incorporadora paulista controlada pelo empresário Luiz Roberto Silveira Pinto. Na sequência, adquiriu o controle da Abyara e da Klabin Segall, companhias de médio porte que enfrentavam problemas de caixa e estavam à beira de um colapso. Em setembro, Bañuelos e Silveira Pinto adquiriram os 20% de participação que Elie Horn, dono da Cyrela, possuía na Agra. Finalmente, há poucas semanas, Bañuelos reuniu todas essas companhias sob um novo nome — Agre, que nasce como a quinta maior empresa de um setor gigantesco, que movimenta 180 bilhões de reais ao ano e é responsável por 6,2% do PIB brasileiro. A expectativa das incorporadoras e imobiliárias é que a maior oferta de crédito, a retomada do consumo pelas classes A e B e o impulso do programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, deem início a um dos períodos mais prósperos da história do setor e transformem o mercado brasileiro num dos maiores campos de oportunidades do mundo nos próximos anos. “Em 2010, o volume de lançamentos deve chegar perto do que foi em 2007 e 2008, quando as vendas foram muito fortes”, diz Cristiane Amaral, sócia da consultoria Ernst&Young responsável pela área de construção civil.

Em entrevista exclusiva a EXAME — a primeira a uma publicação brasileira –, Bañuelos diz que sua investida no setor imobiliário é só o começo. “O Brasil é o grande país emergente do momento”, diz. “Para quem quer fazer negócios, está à frente, inclusive, da China.” Sob muitos aspectos, o espanhol Bañuelos é a personificação do investidor estrangeiro que começa a descobrir o país como um lugar para colocar dinheiro e fazer negócios. Como recentemente afirmou Marcelo Telles, um dos controladores da cervejaria AB InBev: “Nunca vi tanto entusiasmo em relação ao Brasil”. No ano passado, os investimentos estrangeiros diretos (aqueles dirigidos ao setor produtivo) somaram 45 bilhões de dólares, volume 350% maior do que os 10 bilhões de dólares investidos em 2003. Bañuelos também afirma que o setor imobiliário deve ser o primeiro de uma série de outros que receberão dinheiro da Veremonte. Ele acaba de fechar duas parcerias que vão transformá-lo no maior empresário do setor hoteleiro do Brasil. Uma delas é com a francesa Accor. “Juntos, vamos investir 480 milhões de reais na construção de 4 880 quartos de hotéis populares”, afirma Bañuelos. “A administração ficará com a Accor.” Os hotéis econômicos devem ficar prontos em três anos e serão erguidos em cidades interioranas e em pequenas capitais. Bañuelos pretende, assim, ganhar com o crescimento regional de um país no qual a atividade econômica ainda se concentra no eixo Rio-São Paulo, mas começa a emergir no interior. A outra parceria é com a família real dos Emirados Árabes, controladora da rede de hotéis Jumeirah, dona, entre outros, do Burj Al Arab, cartão-postal de Dubai. Bañuelos construirá, em parceria com os xeiques, 1 000 quartos de hotéis de luxo. Os empreendimentos — hotéis de cinco e seis estrelas — serão erguidos no Rio de Janeiro. Bañuelos, nesse caso, enxerga as oportunidades da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016. Entre seus alvos de aquisição no setor imobiliário está também o complexo hoteleiro da Costa do Sauípe, na Bahia. O negócio quase foi fechado no ano passado. (Além de aumentar sua atuação no setor de imóvel, o Costa do Sauípe o ajudaria a entrar na área de turismo. Outro alvo, nesse setor, seria a CVC, maior operadora do país.)

Empresário espanhol fica fora da gestão da nova Agre – 16/10/2009

Empresário espanhol fica fora da gestão da nova Agre – 16/10/2009

Fonte:Valor Econômico
 
Construção: Companhia formada pela fusão de Agra, Abyara e Klabin Segall sai oficialmente do papel.
Por Silvia Fregoni, de São Paulo
16/10/2009
Claudio Belli / Valor

Luiz Roberto Horst, presidente da Agre: “teremos autonomia no comando”

A construtora Agre, resultante da fusão de Agra, Abyara e Klabin Segall, saiu ontem oficialmente do papel. Os acionistas das três companhias, todas de capital aberto, aprovaram em assembleias a incorporação das ações e a formação da nova empresa.
Também aconteceu ontem a primeira assembleia da recém-criada Agre, durante a qual se constituiu a diretoria executiva e o conselho de administração da empresa. O megainvestidor espanhol Enrique Bañuelos, dono da Veremonte, maior acionista da Agre, com 30% do capital, ficará fora da gestão da nova companhia.
O espanhol também não votará nas decisões da Agre. Isso porque transferiu o direito de voto a Luiz Roberto Horst, eleito presidente executivo e presidente do conselho de administração da nova empresa. Apesar do grande peso no capital da Agre, Bañuelos será um “investidor passivo”, segundo definiu Horst, já que não pediu assento nem na diretoria nem no conselho de administração. Em documento, Bañuelos se compromete, em caráter irrevogável, a transferir para Horst o direito de voto das ações pertencentes direta ou indiretamente a ele. “Não se trata de um acordo de representação da Veremonte, mas de autonomia de gestão”, explicou Horst ao Valor.
A relação entre a Veremonte e Luiz Roberto Horst, fundador da Agra, não é de hoje. A empresa de Bañuelos escolheu o executivo como o sócio local para a condução dos negócios no Brasil. A criação da Agre acontece depois de um longo processo de renegociação das dívidas tanto da Abyara, quanto da Klabin Segall. Bañuelos chegou ao Brasil no auge da crise global, quando começou a sondar as empresas em dificuldades e apresentar o seu projeto de consolidação. Partiu para as aquisições no início deste ano – sempre tendo a Agra como parceira. Desembolsou menos de R$ 150 milhões na compra da Klabin Segall e da Abyara.
Depois do investidor espanhol, o maior acionista da nova companhia é o grupo composto pelos fundadores da Agra. Com 15% do capital da Agre, o grupo tem como integrantes Horst, Ricardo Setton, Astério Vaz Safatle e Fernando Bruno Albuquerque, que formarão o conselho de administração da nova empresa, ao lado dos conselheiros independentes Bento de Camargo Barros Neto e Maílson da Nóbrega. A maior parte das ações está no mercado.
Não haverá um acordo de acionistas entre a Veremonte e o grupo originado da Agra. O único documento existente é o de Bañuelos abrindo mão da gestão e transferindo o direito de voto.
“Como a posição de Enrique Bañuelos é de investidor, ele não pretende ficar preso à empresa por meio de acordo de acionistas, pois quer ter liberdade para vender e comprar ações”, destaca Setton. O espanhol tem investimentos em vários países do mundo e “deseja ficar menos de uma semana por mês no Brasil”, segundo Setton.
A Agre nasce como uma das maiores empresas do setor de construção brasileiro. O valor de mercado é de R$ 2,5 bilhões, não muito distante das concorrentes Rossi Residencial (R$ 3,6 bilhões) e Gafisa (capitalização de R$ 3,9 bilhões). A Cyrela é a maior disparado, com R$ 10,1 bilhões.
O patrimônio líquido da nova empresa é de R$ 1,8 bilhão, acima de Rossi (R$ 1,3 bilhão) e Gafisa (R$ 1,7 bilhão). A Cyrela tem patrimônio de R$ 2,4 bilhões. Mas o resultado líquido ainda reflete uma empresa que enfrentou dificuldades financeiras. Os dados levam em consideração os números do segundo trimestre do ano.
O banco de terrenos é de R$ 19 bilhões, de acordo com Horst. A dívida bruta está em R$ 1,2 bilhão e a líquida, em R$ 550 milhões, o que significa que a empresa tem em caixa R$ 650 milhões. “Nossa situação financeira é suficiente para os planos de expansão no próximo ano”, afirma o presidente.
E os projetos são otimistas. A Agre pretende lançar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,7 bilhões em empreendimentos em 2010. Os lançamentos deste ano devem ficar entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,4 bilhão, originados basicamente de Agra, já que Abyara e Klabin Segall estavam envolvidas na solução dos problemas financeiros. “Apenas no ano que vem as operações de Abyara e Klabin devem começar a contribuir para os resultados da Agre”, diz Setton. O potencial da empresa é maior, dado que, em 2008, antes do agravamento da crise mundial, as três empresas juntas lançaram R$ 3,1 bilhões.
Os próximos meses da Agre serão destinados à integração das operações das três empresas. “Até o fim do ano queremos ver tudo integrado”, ressaltou Setton.
Na união das operações, provavelmente as marcas vão desaparecer. “O martelo ainda não está batido, mas é bem provável que fiquem apenas as marcas Agre e ASA, esta última voltada ao segmento econômico”, afirmou. Dos lançamentos planejados para 2010, entre 20% e 25% deverão ser do segmento econômico. Há uma consultoria cuidando da questão das marcas, cujos trabalhos ainda não foram finalizados.

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