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IMB – 161º Podcast Mises Brasil – Patrícia Bueno

IMB – 161º Podcast Mises Brasil – Patrícia Bueno.

Um trabalho espetacular da Patricia Bueno que demole a mentira e a falácia da Reforma Agrária. Baseada em Pesquisas que remontam a década de 1960, tudo que ouvimos a respeito dos dados de latifúndios sem uso tratavam-se de falácias e dados mentirosos utilizados para atender a demandas e interesses de Governos, cujos valores de desapropriações foram e continuam sendo incalculáveis, sem que o problema tenha sido resolvido !!! Como a limpeza do Rio Tiete e Pinheiros, muito convenientemente mantidos como um Problema sem fim com custo incalculavel pela população. A destruição da falácia da Reforma Agraria com argumentos, trabalho acadêmico e muita pesquisa deram a Patricia o embasamento para desmascarar o que está por trás desse Movimento Absurdo de Destruição da Propriedade na Área Urbana !!! Toda essa Mentira construida ao longo de Décadas e que chegamos a conclusão que foi somente parte da Estratégia do Emponderamento dos Exércitos e Milicias como MST e MTST, habilmente mantidos como o Exercito da Ditadura do Proletariado. Brilhante entrevista !!!

Impactos dos novos custos da Outorga Onerosa no preço dos Imóveis – Analise da Poli

Gilma deve mandar embora os engenheiros do NRE da Poli por praticarem a blasfêmia da Matematica.
CartaNRE37-3-14.pdf

Medida Provisória 579: uma guinada de 360°

novembro 21, 2012 1 comentário
Há 11 horas e 21  minutos7

Medida Provisória 579: uma guinada de 360°

Coincidência ou não, no dia 11 de setembro o governo brasileiro iniciou o  desmonte do setor elétrico brasileiro. Apesar das boas intenções da Medida  Provisória (MP) 579 – reduzir o custo de energia no país e impor maior  eficiência à Eletrobras – os meios destruíram os fins. Uma medida que deveria  receber apoio da sociedade como um todo, já que reduz as tarifas de energia,  acabou na prática só tendo recebido aprovação do próprio governo. Empresas,  acionistas, governadores, consumidores do mercado livre e congressistas estão  todos, por diferentes motivos, insatisfeitos. Além disso, o esforço exigido das  empresas é muito maior do que a contribuição do governo federal, que não reduziu  impostos e apenas retirou das tarifas encargos que ele mesmo elevou nos anos  recentes. Não há também nenhuma proposta que ataque as ineficiências do setor,  como o alto custo do gás natural, resultante do monopólio de fato da Petrobras.  Nada foi dito tampouco sobre os erros no planejamento dos leilões de energia que  fazem com que consumidores paguem por energia que não foi sequer gerada, como a  do grupo Bertin, ou que não pode ser consumida porque não há linhas de  transmissão disponíveis, como a gerada pelas eólicas.

Membros do governo argumentam que estão oferecendo um novo negócio às  empresas concessionárias e não a prorrogação dos contratos a vencer. Por isso,  podem mudar completamente a forma de remuneração, ressuscitando a tarifação pelo  custo. Podem também intervir em contratos de venda de energia, forçar a cessão  “compulsória” dos mesmos e, pior, obrigar as empresas a assumir os prejuízos  dessa cessão. E o pior é que a intervenção afeta negativamente os preços no  mercado livre onde se abastece o setor industrial gerando efeito inverso ao  desejado. O novo negócio permite ao governo ignorar o conceito básico de  “reversão” de ativos, oferecendo às empresas valores residuais por seus ativos  infinitamente menores dos que teriam direito. Desconsideram-se assim  investimentos prudentes e manutenção feitos além do projeto básico da usina e  com aprovação do órgão regulador. A consequência é óbvia: as empresas pensarão  duas vezes antes de investir novamente.

O governo oferece um novo negócio e não uma prorrogação. Trata-se de um novo  contrato com bases totalmente diferentes dos contratos atuais. Com exigências  draconianas, é natural que esse “novo negócio” seja recusado. É impossível para  empresas, inclusive Eletrobras, explicarem a seus acionistas porque devem abrir  mão de contratos válidos e melhores do que os propostos pela MP. Pior ainda,  como justificar aos seus acionistas a liberalidade de entregar ativos ainda não  amortizados sem indenização? Ao colocar em risco a sobrevivência das  concessionárias, a MP não atende ao interesse público porque coloca em risco a  própria sobrevivência das concessionárias. Se o governo está tão seguro que as  tarifas propostas são suficientes para garantir tanto a operação das usinas  quanto investimentos futuros, que tal se comprometer em lei a não colocar  recursos do Tesouro na Eletrobras pelos próximos dez anos?

Em 2013 estaremos de volta a 1993, com controle  tarifário, insegurança jurídica e intervencionismo

O encaminhamento recente das discussões com empresas e o Congresso agrava as  preocupações dos analistas. Recentes declarações oficiais têm indicado que as  bases dessa “proposta”- devem se tornar regra geral, atingindo inclusive  empresas que não assinarem esse novo contrato. Não surpreende a queda das ações  das empresas do setor, uma perda de valor jamais vista para um único setor.

A queda foi também decorrente do tratamento desigual imposto pelo governo  entre ativos pertencentes ao governo federal e aqueles pertencentes às empresas  estaduais. A presidente Dilma diz que a precificação feita pelo governo FHC  gerou ganhos extraordinários para as empresas, daí a necessidade da mudança. Mas  desde 2004 até hoje 29 usinas tiveram o direito a sua primeira prorrogação  respeitado. E essa renovação se deu de forma não onerosa, mantendo a  “precificação” anterior e remunerando ativos já amortizados. Entre essas usinas,  destaca-se a Serra da Mesa, que pertence a Furnas, cujo contrato foi prorrogado  em abril deste ano, quando as mudanças anunciadas pela MP 579 já estavam em  discussão dentro do governo. Por outro lado, a usina Três Irmãos que pertence à  Cesp  ficou com seu pedido de prorrogação dormindo nas gavetas da Aneel por  anos, e usinas da Cemig, como São Simão, que têm sua prorrogação garantida por  contrato de concessão, tiveram seu direito ignorado.

Além do radicalismo do conteúdo, a forma também foi inadequada. Depois de  anos de discussão do assunto na agenda do setor elétrico, a decisão oficial é  comunicada via Medida Provisória. Além disso, a MP foi imediatamente  regulamentada por decreto que obriga a adesão das concessionárias antes dos  trabalhos da Comissão se encerrarem. Caso modificações importantes ocorram na  conversão da MP em lei, como ficarão as concessões prorrogadas antes da lei ser  conhecida? Uma insegurança jurídica criada desnecessariamente…

Não perdem só as empresas. Perde o país com a fuga de investidores  estrangeiros que há anos colocam recursos na infraestrutura brasileira. O  resultado final pode ser exatamente o oposto do desejado: menor investimento  decorrente do maior risco de perdas regulatórias, provocando aumento no custo da  energia ou até mesmo restrições de oferta. O que está em risco é a segurança  energética do país. No momento em que assistimos à combinação de uma sequência  de apagões e as usinas térmicas já estão produzindo no seu limite, esse é um  risco real e imediato.

Também grave é o retrocesso regulatório que acompanha a medida. Em 1993, em  função do uso de controle tarifário para o combate à inflação, as empresas do  setor elétrico estavam endividadas e incapacitadas de realizar investimentos. A  Lei 8.631/93 eliminou a remuneração pelo custo, introduziu a regulação por  incentivos e realizou, na ocasião, um encontro de contas que custou mais de US$  20 bilhões aos cofres públicos. Desde então o país passou por grandes reformas  no setor, mas sempre respeitando os princípios básicos da boa regulação. A MP  579 é uma guinada de 360º – em 2013 corremos o risco de estar de volta a 1993, a  um mundo de excessivo intervencionismo estatal, insegurança jurídica e controle  tarifário.

Elena Landau é economista e advogada, sócia do escritório Sergio  Bermudes Advogados.

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Insistindo no mesmo diagnóstico

Há 11 horas e 14  minutos1

Insistindo no mesmo diagnóstico

Por Pedro Ferreira e Renato Fragelli

Se uma mentira repetida mil vez pode se transformar em uma verdade, uma  verdade repetida mil vezes deveria se transformar em uma obviedade. Essa verdade  é que o Brasil tem um sério problema de (in)eficiência. A eficiência – ou  produtividade total dos fatores, no jargão economês – é determinante para o  crescimento. Como pouco se avançou nessa dimensão, dificilmente o país crescerá  a taxas aceleradas em um futuro próximo.

O diagnóstico do governo parece ser que o lento crescimento do Brasil decorre  de uma insuficiência na demanda. Assim, o arsenal de políticas utilizadas nos  últimos tempos busca incentivar o investimento, o consumo e a exportação.  Associado a essa visão de crescimento puxado pela demanda há a crença no papel  central da indústria, seja pela sua dinâmica de inovação, seja pela sua  capacidade de induzir atividade em outros ramos da economia. Tem-se aqui a outra  perna das políticas de crescimento atual que se revelam, por exemplo, no  crescente protecionismo e fechamento da economia contra a concorrência  internacional.

Várias medidas vêm sendo tomadas para incentivar o investimento. O gradual  fechamento da economia busca, teoricamente, aumentar a lucratividade da  indústria e induzir gastos de capital. A taxa de juros está em seu mais baixo  patamar na história recente do país, e as transferências vultosas do Tesouro  para o BNDES permitem que este empreste, quase sem limites, a taxas subsidias ao  setor privado. Ainda assim, a taxa de investimento da economia não dá sinais de  responder.

Países pouco eficientes crescem pouco, e os países  com regras instáveis crescem menos ainda.

A interferência no mercado de câmbio seria outra medida de indução do  crescimento via demanda. O dólar, que há pouco tempo era comprado a menos de R$  1,60, sofreu uma significativa desvalorização de 30%. Isso deveria provocar um  aumento das exportações e contração das importações. Entretanto, seja devido à  crise na Europa, ou uma clara hostilidade às importações, que encarecem custos  de produção dos bens exportados, o fato é que as exportações não responderam à  mudança no câmbio.

Quanto aos gastos do governo, observa-se uma decidida expansão e medidas  pontuais de desoneração tributária (redução do IPI dos automóveis). De acordo  com os tradicionais manuais de cursos de graduação em Economia, o aumento dos  gastos do governo – ou redução dos tributos – deveria ter um efeito  multiplicador sobre a economia e um significativo impacto sobre a demanda  privada e crescimento. Entretanto, talvez por que os gastos sejam de “má  qualidade” – os investimentos públicos teimam em não aumentar -, ou porque o  diagnóstico esteja errado, o fato é que o acelerado crescimento dos gastos  públicos até o momento não teve qualquer impacto significativo sobre o  crescimento da economia. A menos, é claro, que a expansão das compras de  automóveis no mês de agosto possa ser classificada como “crescimento sustentável  de longo prazo”.

Os sinais de que o problema não é insuficiência de demanda são claros. A taxa  de desemprego brasileira Brasil está em nível historicamente baixo, indicando  que o país encontra-se próximo do pleno emprego. Se houvesse fraca demanda, os  preços deveriam apresentar tendência de queda, mas o que se observa é a inflação  acima da meta. Se não fossem por desonerações e controles de preços  administrados – como o dos combustíveis-, a inflação já teria estourado seu  limite superior.

Como já se repetiu inúmeras vezes neste espaço, a eficiência produtiva  brasileira é baixa e a evidência recente é de que esteja caindo. A partir de uma  dada quantidade de fatores de produção – máquinas, estruturas, capital humano e  trabalho -, produz-se no Brasil cerca de metade do que seria produzido nos  Estados Unidos e demais economias líderes. Enfrentar o problema da  (in)eficiência requer políticas totalmente diversas das que vêm sendo  implementadas no país. São necessárias instituições estáveis, maior garantia de  contratos, regras claras, regulação bem desenhada, maior abertura comercial e  uma estrutura tributária menos distorciva e burocrática.

Ao errar o diagnóstico, mesmo medidas que visariam aumentar a  “competitividade” acabam reduzindo a eficiência no longo prazo. É fato que as  tarifas de eletricidade no Brasil são altas. Entretanto, a forma como se busca  reduzi-las, de forma unilateral e utilizando uma contabilidade algo nebulosa que  impõe significativas perdas às empresas do setor, tende a afastar os  investidores. O preço da energia será reduzido, mas à custa de menor eficiência  e comprometendo a expansão do setor. Na mesma linha, o controle de câmbio, a  inflação acima da meta e o superávit primário declinante vêm solapando a  credibilidade da política macroeconômica, o que desestimula investimentos de  longa maturação.

Países pouco eficientes crescem pouco, países com regras instáveis menos  ainda. A crescente intervenção do governo na economia, o virtual abandono ou  “flexibilização” do regime de metas de inflação, o maior protecionismo  comercial, a interrupção dos leilões de petróleo, a instabilidade no setor  elétrico e a incapacidade do governo em levar a cabo seus investimentos  planejados são fatores que apontam para um país menos produtivo e eficiente. Um  país que, provavelmente, crescerá a taxas medíocres no futuro.

Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso são professores  da Escola de Pós-graduação em Economia (EPGE-FGV).

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Projeto nacional e greves do funcionalismo

Projeto nacional e greves do funcionalismo

Por Antonio Delfim Netto

A censura frequente aos governos das últimas duas décadas é que eles não têm um “projeto”: faltam medidas “estruturantes”, seja lá o que isso for. Os críticos ignoram que desde a Constituição de 1988 (a maioria deles a abomina por suas “utopias”), o Brasil tem um “megaprojeto superestruturante”! Nela, os legítimos representantes do povo estabeleceram a organização social em que gostariam de viver os brasileiros.

Que projeto foi estabelecido na Constituição? Trata-se de organizar sólidas instituições que permitam a construção:

1º) de uma república, ou seja, um Estado no qual todos, inclusive os governos, estão sujeitos à mesma lei, sob o controle de um Supremo Tribunal Federal independente, que é o “garante” de nossas liberdades e o controlador da irresistível indiscrição dos governos de plantão;

2º) de uma democracia, isto é, um sistema de sufrágio absolutamente universal (para maiores de 16 anos) no qual escolhe-se o poder incumbente em períodos certos, em eleições livres organizadas por partidos e que satisfazem a condição mínima da democracia: eleições competitivas cujo resultado é incerto; e

3º) de uma sociedade onde se caminhe, permanentemente, na direção do aumento da igualdade de oportunidades. Em poucas palavras, a situação final dos indivíduos deve ser cada vez menos dependente das circunstâncias em que foram gerados. O que alguns veem como a mais utópica das propostas da Constituição de 1988: educação e saúde universais e gratuitas (não por obra dos céus, mas com recursos fornecidos proporcionalmente por todos), é o que há de mais importante na construção de uma sociedade razoavelmente “justa”, objetivo fundamental para dar um mínimo de moralidade ao mecanismo do mercado.

Governo deve investir R$ 100 bi nos próximos 5 anos

Esses são os três vetores cuja direção todos os governos, desde 1988, têm seguido, com resultados razoavelmente satisfatórios, como provam recentes pesquisas internacionais (Pew Research Center, July 12,2012). Elas mostram que os brasileiros revelaram-se dos mais satisfeitos e com maior esperança de que o futuro será melhor do que o presente. Estamos desenvolvendo uma sociedade onde a liberdade de iniciativa, a inclusão social e o respeito às limitações impostas pela conservação da natureza estão sendo introjetadas no comportamento coletivo.

É muito importante reconhecer que a possibilidade de sua construção é condicionada pela qualidade de sua organização produtiva. Essa deve ser capaz de gerar os recursos que tornem possível realizá-la. No fundo, só o aumento físico e a melhoria organizacional da capacidade produtiva pode fazê-lo. Isso coloca um dilema: como administrar os resultados do processo produtivo (o PIB) entre o consumo presente e o investimento que aumenta a capacidade produtiva e o consumo no futuro? Um país como o Brasil precisa de um crescimento médio do PIB da ordem de 5% ao ano e isso só é sustentável com um investimento médio da ordem de 25% do PIB.

Para conseguir 25% do PIB, como investimento, temos de poupar (ou importar poupança externa) no mesmo nível. A contabilidade nacional é indiferente à ideologia, cara feia, passeatas ou ameaças sindicais! Trata-se de um problema aritmético. Por que o Brasil pôde crescer 7,5% ao ano, durante 30 anos (1948-1980)? Porque a carga tributária bruta era de 24% e o investimento público de 4% a 5%. Por que crescemos nos últimos 30 anos à média de 2,8% ao ano? Esqueçamos a “chinoiserie” enganadora e extravagante: insegurança jurídica, falta de instituições, produto potencial, intervenção nos mercados, incertezas externas, juros, câmbio que podem ter alguma responsabilidade. A razão fundamental é que com uma carga tributária bruta de 34% a 35% do PIB, o investimento público não chega a 2% dele!

Pois bem. O setor privado brasileiro continua investindo mais de 25% de sua renda líquida (PIB menos tributação, nas contas nacionais). Quem desinveste liquidamente é o governo! Agora ele se prepara para dar um passo avante e acelerar o crescimento por meio de investimentos da ordem de R$ 100 bilhões nos próximos cinco anos, em projetos de infraestrutura, com concessões mais bem estudadas e com taxas de retorno capazes de atrair, numa dura competição, o que há de melhor e de mais confiável na engenharia nacional. Eles elevarão o baixo investimento no setor sem sobrecarregar o orçamento federal (no qual não cabe o que já está lá dentro!) fazendo crescer a renda e o consumo imediatamente e ampliando a capacidade produtiva futura (a produtividade total da economia) quando estiverem executados.

O momento exige uma enorme responsabilidade do governo, que deve manter sadias as suas contas para não pressionar, na frente, a elevação da taxa de juros pelo aumento do déficit fiscal e o aumento da relação dívida pública bruta/PIB, que anda em torno de 65%. Gostemos ou não, esse é o parâmetro, seguramente imperfeito, pelo qual se mede, universalmente aquela relação que influi no “risco Brasil” e, no fim, na taxa de juros real interna.

A presidente Dilma tem absoluta razão quando diz que não se pode “brincar com as finanças públicas”. Se quisermos continuar a crescer com estabilidade não podemos transigir com os aumentos salariais “exigidos” (sic) pelo funcionalismo sindical. É preciso que os 196 milhões de cidadãos “excluídos” apoiem fortemente, pela palavra e pela ação, a disposição do governo de resistir. É mais do que claro que o modelo da Constituição não se compadece com uma república sindicalista e muito menos ainda, uma república controlada pelo sindicalismo público!

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br

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O Brasil e a arte de pensar

Há 18 horas e 45  minutos5

O Brasil e a arte de pensar

Por Chico Santos

A certa altura do excelente e instigante filme “O Leitor”, do diretor inglês  Stephen Daldry (“As Horas”), o protagonista, estudante de direito, é levado por  um professor para assistir a um julgamento coletivo, que se desdobra por vários  dias. Lá pelas tantas, ele descobre ser o único a saber de detalhe que pode  salvar uma ré de terrível condenação. Dada a gravidade e repercussão dos crimes  em exame, ele fica confuso e vai aconselhar-se com o mestre. Esse não hesita em  recomendar ao jovem procurar o juiz da causa e lhe contar o que sabe. E reforça  o conselho com uma frase, aparentemente banal, que é mais ou menos assim: “Não  importa o que você pensa, importa o que você faz.”

O conselho do professor de direito, no filme um coadjuvante de luxo, vivido  pelo grande Bruno Ganz (o Hitler de “A Queda”), tem tudo a ver com o Brasil e  com sua história recente, e também não tão recente assim, no terreno da  construção do seu, digamos, alicerce. Mais precisamente, da construção de uma  infraestrutura digna de uma nação, cujos dirigentes e parte das elites se gabam  de ser a sexta maior economia do mundo (não importa se graças ao câmbio  sobrevalorizado), assim como há 40 anos a ditadura militar jactava-se de sermos  a oitava economia, fechando os olhos para a “Belíndia” dos poucos muito ricos e  dos muitos muito pobres, que o economista Edmar Bacha desnudou na sua célebre  fábula de 1974.

Não se trata aqui de fechar os olhos para os inegáveis progressos dos últimos  dez anos no terreno do combate à desigualdade, ainda que mesmo nesse campo haja  muitas maratonas, para entrar no clima olímpico, a percorrer. A realidade é que  quando se fala da construção física deste país, que querem que se orgulhe de ser  rico, andamos, para ser generoso, a passos de tartaruga. Quase tudo pensado e  quase nada feito.

A realidade é que andamos a passos de  tartaruga

Sem entrar no mérito da viabilidade, o projeto de um túnel ferroviário sob a  baía de Guanabara, por exemplo, foi proposto ao imperador Pedro II, conforme  documento arquivado na Biblioteca Nacional. Há algumas décadas, ele é parte do  projeto da linha 4 do metrô carioca.

Em palestra recente, em que buscava convencer a plateia de que a economia  chinesa, hoje vital para a saúde do balanço da Vale, não vai se desacelerar  fortemente, o diretor-financeiro da mineradora, Tito Martins, disse que, entre  as obras de infraestrutura do mais recente programa econômico chinês, está a  construção de nada menos que 92 grandes aeroportos “do porte de Cumbica”, nas  palavras do executivo.

E não é que a China já não disponha de grandes e modernos aeroportos, e que  não venha trabalhando em ritmo acelerado em centenas de outras obras de grande  porte, incluindo a conclusão, antes do prazo estipulado, de 16 mil quilômetros  de trem de alta velocidade. Nós, cá, sabemos das idas e vindas do nosso modesto  trem-bala (mais uma vez sem entrar no mérito)! E sabemos também da novela dos  nossos aeroportos, mesmo empurrados por uma Copa do Mundo e uma Olimpíada.

Ok, a China não é parâmetro. O México será? Pois o metrô da Cidade do México,  com suas 11 linhas, 202 quilômetros e 175 estações, que retirou a capital  mexicana da lista das mais poluídas do mundo, é praticamente contemporâneo dos  seus pares de São Paulo (quatro linhas, 65,3 quilômetros e 58 estações) e do Rio  de Janeiro (duas linhas, 46,2 quilômetros e 35 estações).

E a ferrovia Norte-Sul? E a ferrovia Transnordestina? E a transposição do São  Francisco, outra vez sem entrar no mérito. E o eterno drama dos portos  ineficientes? Ah, nos transportes domésticos, o Brasil optou por privilegiar o  modal rodoviário? Quem não sabe da aventura que é trafegar pela maior parte da  BR-101, especialmente se o rumo for o da castigada região Nordeste? Ou ir ao  encontro dos caminhões de minério na inacreditável Rio-Belo Horizonte,  descontado o trecho entre a capital fluminense e Juiz de Fora? Ou atravessar a  serra do Cafezal na Régis Bittencourt (São Paulo-Curitiba), apenas para ficar em  alguns dos principais eixos do país, privatizados ou não?

Tudo isso sem mencionar a tragédia do saneamento básico, a mais completa  tradução, com licença de Caetano Veloso, do nosso subdesenvolvimento e do  descaso com que sempre foram tratados o bem-estar e a saúde da população. Se São  Paulo tem o rio Tietê e o Rio de Janeiro tem o canal do Mangue, o que pensar de  terras menos cotadas? Por toda parte onde há centros urbanos, os rios  brasileiros são depósitos de lixo e de dejetos, que vão bater no meio do mar,  agora recorrendo a Luiz Gonzaga e Zé Dantas. A baía de Guanabara, paisagem  patrimônio cultural da humanidade, que o diga.

Os dois últimos governos têm o mérito de terem saído do absoluto imobilismo,  mas já é proverbial a lerdeza das obras do Programa de Aceleração do Crescimento  (PAC), o cartão de visita das obras de infraestrutura deste governo e do  anterior. No editorial da edição de junho do boletim “PrimeLine”, publicação que  o Bradesco distribui a clientes, o economista Octavio de Barros, diretor de  pesquisa e estudos econômicos do banco e um dos analistas que mais vêm dando  respaldo à política econômica dos dois últimos governos, após vários parágrafos  de esforços para digerir os motivos pelos quais, apesar dos fundamentos  ajustados, a economia não decola, escreve quase em tom de lamento:

“Também no setor público, os investimentos avançam muito mais lentamente do  que poderíamos imaginar. Copa, Olimpíada e a precariedade infraestrutural  acalentaram a ilusão de que os investimentos iriam decolar, finalmente. Mas isso  não aconteceu. Uma hora eles provavelmente chegam.”

Ou vamos seguir nos alimentando de pensamentos vãos.

Chico Santos é repórter da Sucursal do Rio. O titular da coluna,  Cristiano Romero, está em férias

E-mail: chico.santos@valor.com.br

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Categorias:Economia, Filosofia, Politica

The Economist | Governance in the Amazon: Pará-statals

dezembro 1, 2011 1 comentário

The Economist

Governance in the Amazon
Pará-statals
A plan to create two new states

THE state of Pará occupies a vast and woefully lawless swathe of the Amazon, forming the eastern curve of the “arc of deforestation”. On December 11th its 4.8m voters will decide whether to split Pará into three, creating two new states. Carajás, with a quarter of the territory and the world’s biggest iron-ore mine, would have in Marabá potentially Brazil’s most violent state capital with 130 murders a year per 100,000 people. Tapajós, occupying three-fifths of the current state, would be 90% forest, with just 1.2m people; it could become a loggers’ paradise, or, with luck, a state-sized national park. The rump of Pará would be limited to the area around Belém, with two-thirds of the population and most of the economic activity.

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