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Abertura do Plantão Martese Alto da Lapa – Brasil Brokers – EVEN

Convite para Abertura do Plantão Hoje ! Dia 01/Novembro/2014

convite Martese 01 e 02 Nov

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OPORTUNIDADE DO ANO

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Imperatriz – Imagens PRELIMINARES

Como atuava o “dream team” de Eike na OGX

Agora vem os “anonimos” dizendo que ele agiu de boa fé. Ora, conta outra história ………..
03/07/2013 às 00h00                                         1

Como atuava o “dream team” de Eike na OGX

Luciana Whitaker/Valor / Luciana Whitaker/ValorPaulo Mendonça, ex-CEO da OGX, foi tirado a peso de ouro da  Petrobras para comandar área de exploração da empresa

 

A OGX, que vive uma crise de credibilidade e acumula dívidas de  aproximadamente US$ 4 bilhões, foi formada por um time brilhante de executivos  que seu dono, Eike Batista, chegou a chamar de “dream team” ou “guarda  pretoriana”, como preferiu nominar sua equipe em uma entrevista ao Valor  em 2008. Criada com um grupo de executivos saídos da Petrobras, entre  eles Rodolfo Landim, que foi cotado até para presidir a estatal, e Paulo  Mendonça, que deixou a gerência-executiva de exploração da estatal, só para  citar alguns, a OGX foi uma “darling” da Bolsa de Valores até pouco tempo  atrás.

Em 2007, a primeira grande tacada veio com o investimento de US$ 1,4 bilhão  para a aquisição de blocos na 9ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo (ANP).  Na OGX, Mendonça passou a ser conhecido como o “Mister Oil” e o céu era o limite  para as ambições de Eike construir um conglomerado formado por uma  mini-Petrobras, uma mini- Vale, e daí em adiante. Negócios que, segundo ele,  eram “à prova de idiotas”.

De acordo com alguns executivos que passaram pela OGX, o time de geólogos  levado da Petrobras foi o grande incentivador da campanha exploratória que  consumiu US$ 5,3 bilhões do caixa da empresa. “Cada enxadada uma minhoca”,  diziam na OGX.

Landim, que foi o mentor de Eike na criação da petroleira e quem trouxe a  maioria das pessoas da Petrobras, saiu do grupo em 2009, dias depois da oferta  pública (IPO) do estaleiro OSX devido a divergências sobre a participação dele  no grupo e antes que o primeiro dos 116 poços da OGX fosse perfurado. Levou Eike  à Justiça para fazer valer manuscrito em que o bilionário prometia 1% do grupo  –

Sobre os erros, ou acertos, de Eike, um executivo que passou pela companhia  diz que o empresário nunca se beneficiou. “Ele foi vítima. Uma vítima que quis  ser enganada, mas foi’, afirma a fonte.

Aos mais cautelosos e que chamavam a atenção para os riscos e desafios, Eike  dizia: “Vocês são todos calça curta. Bermudão”, conta um deles. “Vou te dar uma  bermuda de presente”, completa outro dos que ouviram a frase. Justiça seja  feita, observa um ex-executivo, Eike Batista não se beneficiou da bonança. Nem  mesmo quando a OGX foi ao mercado em 2011 e emitiu bônus no mercado  internacional em duas operações que somam US$ 3,6 bilhões com vencimentos em  2018 e 2022. Mais uma vez, o executivo não ouviu a opinião de quem achava mais  prudente emitir ações e não dívida. “Mas o Eike não colocou um centavo no bolso.  Pelo contrário, comprou mais ações”, lembra.

Um empresário muito próximo de Batista acha que o bilionário não agiu de má  fé. “Eike foi vítima de sua decisão de acreditar em uma pessoa e outro erro  gravíssimo foi dar muitos incentivos antes que os executivos entregassem os  projetos. Ele criou um incentivo negativo”, avalia a fonte, que falou com o  compromisso de não ter seu nome publicado.

Ele se refere à agressiva política de remuneração criada por Batista, que  garantia bônus e ações da companhia para os principais executivos, que podiam  receber em quatro anos e, em alguns casos, apenas dois, já que ele abriu  exceções para permitir a retirada parcial em metade do tempo. Durante a campanha  exploratória da OGX, a equipe de geologia comemorava as descobertas comprovadas  apenas por meio da perfuração de poços estratigráficos que identificavam colunas  de óleo, sem atentar para os riscos de que não fossem produtivos.

No mercado, as ações “bombavam”. No dia 15 de outubro de 2010 o papel atingiu  a cotação máxima, valendo R$ 23,27. Aos que alertavam para a necessidade de  testes de produção para avaliar a vazão e permeabilidade dos reservatórios, a  área de exploração dizia que não era necessário, porque a geologia era  conhecida, conta uma fonte. O Valor tentou algumas vezes  contato com Paulo Mendonça, mas não conseguiu falar com o executivo.

Algumas fontes lembram que foram ouvidas vozes contrárias à política  agressiva de exploração da OGX, entre elas a do seu atual presidente, Luiz  Carneiro, e de Paulo Gouvêa, ex-diretor de Finanças Corporativas da EBX, que  também foi membro do conselho de administração de todas as companhias abertas do  grupo. Mas eles foram vencidos pelo time otimista, também formado por Marcelo  Faber Torres, ex-diretor financeiro e de relações com investidores da OGX.

No auge da abundância, foi sugerido um “farm-out” (venda de participação)  para testar se os compradores confirmavam a “tese” sobre as reservas, de  preferência outras companhias que já fossem operadoras. Foi então que as  chinesas Sinopec e CNOOC não encontraram o valor que Mendonça via na  empresa.

Outra fonte lembra que depois do fracasso do “farm-out” veio a corrida para  acelerar o início da produção, o chamado primeiro óleo. “Tirou-se petróleo em  tempo recorde sem se preocupar se a companhia iria ganhar dinheiro.

Um conhecido de Eike também vê defeitos na política de remuneração dos  executivos do grupo, que segundo essa fonte acredita, incentivava resultados  rápidos (para bônus e opções serem exercidas em 5 anos) ao invés de premiar uma  postura mais conservadora.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a situação das empresas de Eike  preocupa o governo, sobretudo pela imagem do país no exterior. Devido ao tamanho  e à abrangência das operações do empresário, a dificuldade financeira do grupo  teria repercussões na percepção sobre o Brasil. (Colaborou Maira Magro,  de Brasília)

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Entre Dilma e o setor privado há um abismo

Entre Dilma e o setor privado há um abismo

Por Claudia Safatle

O Palácio do Planalto está ciente de que se estabeleceu um diálogo de ‘surdos e mudos’ entre o governo da presidente Dilma Rousseff e parte do setor privado. Acredita que as maiores críticas e desconfianças são fomentadas pelo mercado financeiro e atribui isso aos interesses contrariados dos banqueiros, que teriam perdido o ganho fácil da alta taxa de juros que sustentava os elevados lucros do sistema. “Há, de fato, uma enorme má vontade do mercado financeiro com o governo”, admite uma fonte próxima à presidente. Mas há, também, uma grande “incompreensão” quanto à gênese da administração Dilma, aponta.

“A presidente não é estatizante. Ela é pragmática e esse é um governo ‘pró-mercado’. Embora queiram carimbar que esse é um governo Cristina Kirchner (da Argentina), ele não é”, assegurou a fonte.

Há um ano, Dilma foi aconselhada pelo ex-ministro Delfim Netto a se aproximar dos empresários, principalmente os da indústria, que desde 2010 têm tido um desempenho sofrível, ouvir suas dificuldades e queixas e remover os entraves ao investimento.

Sem investimento não haverá crescimento

O governo selecionou um grupo de 30 empresários – dentre eles três banqueiros – e começou a ouvi-los sistematicamente. Do primeiro encontro, em março, saiu uma lista de problemas a serem atacados: sobrevalorização da taxa de câmbio, elevada taxa de juros, custo de energia dos mais altos do mundo, pesada taxação da folha de salários, parcos investimentos em infraestrutura, dentre outros.

Dilma determinou a seus auxiliares que dessem respostas a cada um desses problemas. O real se desvalorizou, os juros caíram, a desoneração da folha de salários foi ampliada, o governo retomou as concessões de serviços públicos para o setor privado, preparou o corte na tarifa de energia e adotou medidas protecionistas para proteger alguns segmentos. “O Banco Central entrou no mercado de câmbio, porque 30 empresários vieram aqui e pediram isso à presidente”, explicou a fonte.

Mesmo depois de atender a essa demanda, particularmente da indústria, não há expansão notável dos investimentos e as desconfianças de uma parcela dos empresários só cresceram. Algo está errado.

Na Presidência, a avaliação é que as coisas não estão tão ruins como parecem. A produção industrial começa a reagir e estaria em curso uma tênue recuperação do investimento. Pode não ser uma performance brilhante para o segundo ano da gestão, “mas também não é o desastre que os economistas de bancos preconizam”, rebate a fonte.

Entre economistas e operadores do mercado financeiro e alguns setores da indústria, as críticas se avolumam. Fala-se do “intervencionismo”, da “mão pesada do Estado”, da forma “voluntarista” que o governo imprime às suas ações. Faz-se censura aos ideólogos do governo, um pequeno grupo de assessores que tem o respeito de Dilma, mas que estariam “assessorando muito mal a presidente”, aprofundando, com seu viés estatizante, o fosso que a separa hoje de parte relevante do setor privado.

A influência desse núcleo ficou clara no debate que se instalou por ocasião da elaboração do modelo de concessões dos aeroportos – ainda hoje sem definição – e se consagrou na maneira como o governo decidiu e anunciou as novas medidas do setor elétrico.

O pacote de energia elétrica anunciado no dia 11 de setembro trouxe uma boa e justa notícia – a redução da conta de luz – e uma solução importante para as concessionárias, cujas outorgas vencem entre 2015 e 2017. O governo decidiu antecipar a prorrogação das concessões, pagar indenização às empresas e beneficiar os consumidores que param de pagar por ativos já amortizados.

Quando anunciou as medidas, o mercado reagiu muito mal. Quando divulgou as indenizações, as ações da Eletrobras quase viraram pó, num movimento que o Planalto avalia como de ataque especulativo do mercado contra a empresa estatal.

A distância entre o que as concessionárias contabilizaram como indenização provável e os valores que o governo divulgou na véspera do feriado do dia 2 de novembro é abissal. A Eletrobras esperava cerca de R$ 30 bilhões e vai receber, em princípio, algo como R$ 14 bilhões.

Nesta semana, depois de muita discussão e divergências profundas entre o governo federal e as companhias elétricas, os técnicos federais constataram que há erros nas contas. No caso da usina Três Irmãos, da Cesp, por exemplo, o erro estava na data de início da operação da hidrelétrica. Três Irmãos entrou em operação em 1992, e não em 1983, como considerou o governo na hora de calcular a indenização. Só esse equívoco deveria elevar o valor do ressarcimento dos R$ 985 milhões originais para algo mais próximo a R$ 2 bilhões. Ontem saíram os novos valores, muito aquém do que esperavam as empresas e um banho frio nas expectativas.

Há inúmeras provas de que o governo Dilma é “pró-mercado”, citam seus colaboradores: a presidente quebrou o monopólio da Infraero; compreendeu que o Estado tem limitações para alavancar investimentos e está substituindo o PAC pelo regime de concessões; e, agora, está também revendo o que imaginava para os aeroportos.

“Dilma está atendendo o que foi sugerido pelos empresários, mas a forma perturba”, constatou fonte ligada à indústria. Criou-se, nessa concepção, uma desconfiança entre setor público e setor privado, que precisa ser resolvida. O receio de que ela continua prisioneira dos velhos pensamentos da esquerda estaria no centro dessa desconfiança.

O Planalto tem consciência da dimensão e dos efeitos dessa “incompreensão” por parte do setor privado em relação ao governo e admite que é preciso traçar uma estratégia para enfrentar o problema, principalmente junto ao mercado financeiro que não tem interlocução em Brasília. Mas se houver correção de conduta, ela terá que ser bilateral.

Por trás dessa preocupação está a percepção de que, enquanto prosperar a desconfiança, não haverá a expansão dos investimentos e, portanto, não haverá crescimento sustentável. Dilma terá só 2013 para apresentar bons resultados na atividade econômica. Em 2014, estará em campanha pela reeleição

Claudia Safatle é diretora adjunta de Redação e escreve às sextas-feiras

E-mail: claudia.safatle@valor.com.br

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Medida Provisória 579: uma guinada de 360°

novembro 21, 2012 1 comentário
Há 11 horas e 21  minutos7

Medida Provisória 579: uma guinada de 360°

Coincidência ou não, no dia 11 de setembro o governo brasileiro iniciou o  desmonte do setor elétrico brasileiro. Apesar das boas intenções da Medida  Provisória (MP) 579 – reduzir o custo de energia no país e impor maior  eficiência à Eletrobras – os meios destruíram os fins. Uma medida que deveria  receber apoio da sociedade como um todo, já que reduz as tarifas de energia,  acabou na prática só tendo recebido aprovação do próprio governo. Empresas,  acionistas, governadores, consumidores do mercado livre e congressistas estão  todos, por diferentes motivos, insatisfeitos. Além disso, o esforço exigido das  empresas é muito maior do que a contribuição do governo federal, que não reduziu  impostos e apenas retirou das tarifas encargos que ele mesmo elevou nos anos  recentes. Não há também nenhuma proposta que ataque as ineficiências do setor,  como o alto custo do gás natural, resultante do monopólio de fato da Petrobras.  Nada foi dito tampouco sobre os erros no planejamento dos leilões de energia que  fazem com que consumidores paguem por energia que não foi sequer gerada, como a  do grupo Bertin, ou que não pode ser consumida porque não há linhas de  transmissão disponíveis, como a gerada pelas eólicas.

Membros do governo argumentam que estão oferecendo um novo negócio às  empresas concessionárias e não a prorrogação dos contratos a vencer. Por isso,  podem mudar completamente a forma de remuneração, ressuscitando a tarifação pelo  custo. Podem também intervir em contratos de venda de energia, forçar a cessão  “compulsória” dos mesmos e, pior, obrigar as empresas a assumir os prejuízos  dessa cessão. E o pior é que a intervenção afeta negativamente os preços no  mercado livre onde se abastece o setor industrial gerando efeito inverso ao  desejado. O novo negócio permite ao governo ignorar o conceito básico de  “reversão” de ativos, oferecendo às empresas valores residuais por seus ativos  infinitamente menores dos que teriam direito. Desconsideram-se assim  investimentos prudentes e manutenção feitos além do projeto básico da usina e  com aprovação do órgão regulador. A consequência é óbvia: as empresas pensarão  duas vezes antes de investir novamente.

O governo oferece um novo negócio e não uma prorrogação. Trata-se de um novo  contrato com bases totalmente diferentes dos contratos atuais. Com exigências  draconianas, é natural que esse “novo negócio” seja recusado. É impossível para  empresas, inclusive Eletrobras, explicarem a seus acionistas porque devem abrir  mão de contratos válidos e melhores do que os propostos pela MP. Pior ainda,  como justificar aos seus acionistas a liberalidade de entregar ativos ainda não  amortizados sem indenização? Ao colocar em risco a sobrevivência das  concessionárias, a MP não atende ao interesse público porque coloca em risco a  própria sobrevivência das concessionárias. Se o governo está tão seguro que as  tarifas propostas são suficientes para garantir tanto a operação das usinas  quanto investimentos futuros, que tal se comprometer em lei a não colocar  recursos do Tesouro na Eletrobras pelos próximos dez anos?

Em 2013 estaremos de volta a 1993, com controle  tarifário, insegurança jurídica e intervencionismo

O encaminhamento recente das discussões com empresas e o Congresso agrava as  preocupações dos analistas. Recentes declarações oficiais têm indicado que as  bases dessa “proposta”- devem se tornar regra geral, atingindo inclusive  empresas que não assinarem esse novo contrato. Não surpreende a queda das ações  das empresas do setor, uma perda de valor jamais vista para um único setor.

A queda foi também decorrente do tratamento desigual imposto pelo governo  entre ativos pertencentes ao governo federal e aqueles pertencentes às empresas  estaduais. A presidente Dilma diz que a precificação feita pelo governo FHC  gerou ganhos extraordinários para as empresas, daí a necessidade da mudança. Mas  desde 2004 até hoje 29 usinas tiveram o direito a sua primeira prorrogação  respeitado. E essa renovação se deu de forma não onerosa, mantendo a  “precificação” anterior e remunerando ativos já amortizados. Entre essas usinas,  destaca-se a Serra da Mesa, que pertence a Furnas, cujo contrato foi prorrogado  em abril deste ano, quando as mudanças anunciadas pela MP 579 já estavam em  discussão dentro do governo. Por outro lado, a usina Três Irmãos que pertence à  Cesp  ficou com seu pedido de prorrogação dormindo nas gavetas da Aneel por  anos, e usinas da Cemig, como São Simão, que têm sua prorrogação garantida por  contrato de concessão, tiveram seu direito ignorado.

Além do radicalismo do conteúdo, a forma também foi inadequada. Depois de  anos de discussão do assunto na agenda do setor elétrico, a decisão oficial é  comunicada via Medida Provisória. Além disso, a MP foi imediatamente  regulamentada por decreto que obriga a adesão das concessionárias antes dos  trabalhos da Comissão se encerrarem. Caso modificações importantes ocorram na  conversão da MP em lei, como ficarão as concessões prorrogadas antes da lei ser  conhecida? Uma insegurança jurídica criada desnecessariamente…

Não perdem só as empresas. Perde o país com a fuga de investidores  estrangeiros que há anos colocam recursos na infraestrutura brasileira. O  resultado final pode ser exatamente o oposto do desejado: menor investimento  decorrente do maior risco de perdas regulatórias, provocando aumento no custo da  energia ou até mesmo restrições de oferta. O que está em risco é a segurança  energética do país. No momento em que assistimos à combinação de uma sequência  de apagões e as usinas térmicas já estão produzindo no seu limite, esse é um  risco real e imediato.

Também grave é o retrocesso regulatório que acompanha a medida. Em 1993, em  função do uso de controle tarifário para o combate à inflação, as empresas do  setor elétrico estavam endividadas e incapacitadas de realizar investimentos. A  Lei 8.631/93 eliminou a remuneração pelo custo, introduziu a regulação por  incentivos e realizou, na ocasião, um encontro de contas que custou mais de US$  20 bilhões aos cofres públicos. Desde então o país passou por grandes reformas  no setor, mas sempre respeitando os princípios básicos da boa regulação. A MP  579 é uma guinada de 360º – em 2013 corremos o risco de estar de volta a 1993, a  um mundo de excessivo intervencionismo estatal, insegurança jurídica e controle  tarifário.

Elena Landau é economista e advogada, sócia do escritório Sergio  Bermudes Advogados.

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Gafisa reverte prejuízo e registra lucro líquido de R$ 1 milhão

Gafisa reverte prejuízo e registra lucro líquido de  R$ 1 milhão

Valor  Online

SÃO PAULO – A construtora Gafisa obteve lucro líquido de 1,046 milhão no  segundo trimestre deste ano ante prejuízo líquido de 31,843 milhões no mesmo  período do ano passado. O resultado foi divulgado na madrugada desta  sexta-feira, no balanço consolidado, e se refere ao lucro líquido atribuído aos  sócios da empresa controladora, que é a base para a distribuição de  dividendos.

A receita líquida da companhia cresceu 6% no segundo trimestre, para R$ 1,040  bilhão, ante R$ 985,525 milhões no segundo trimestre do ano passado.

O lucro bruto da empresa passou de R$ 161,535 milhões no primeiro trimestre  de 2011 para R$ 279,141 milhões no segundo trimestre deste ano, expansão de  73%.

As despesas operacionais da Gafisa cresceram 23%, passando de R$ 169,690  milhões no primeiro trimestre de 2011 para R$ 208,309 milhões no segundo  trimestre deste ano.

O resultado antes do resultado financeiro e dos tributos passou de negativo  em R$ 8,155 milhões no segundo trimestre de 2011 para o terreno positivo em R$  70,832 milhões no segundo trimestre deste ano.

O resultado financeiro permaneceu no terreno negativo. O prejuízo de R$  28,866 milhões no segundo trimestre do ano passado se ampliou para R$ 55,630  milhões no segundo trimestre deste ano.

Entre os resultados operacionais, os lançamentos de projetos totalizaram  R$546,5 milhões no segundo trimestre deste ano, aumento de 18% na comparação com  o primeiro trimestre deste ano e queda de 60% ante o segundo trimestre de  2011.

(Valor)

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Banco emite LCI sem lastro em crédito imobiliário

Banco emite LCI sem lastro em crédito imobiliário

Por Karla Spotorno e Silvia Rosa | De São  Paulo

Criadas com o objetivo de oferecer novas alternativas de captação de recursos  para os bancos que financiam o setor imobiliário, as Letras de Crédito  Imobiliário (LCIs) viraram uma febre no mercado graças à isenção tributária dos  rendimentos dos investidores. Agora que o estoque desses papéis no sistema  financeiro já alcança algumas dezenas de bilhões de reais, começam a aparecer  casos de papéis emitidos sem lastro em créditos imobiliários.

Ao menos um banco, o Sofisa, tem vendido a investidores papéis que não têm  por trás carteiras de crédito imobiliário ou outro tipo de financiamento para o  setor. Segundo o próprio banco confirma, suas LCIs são baseadas em outras  modalidades de operações de crédito, como capital de giro, que contam com  imóveis em garantia.

 

A Lei 10.931 de 2004, que autoriza a emissão desses títulos, prevê que as  LCIs devem ser lastreadas por “créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou  por alienação fiduciária de coisa imóvel”. Essas operações podem ter como  referência carteiras de crédito para pessoas físicas ou jurídicas, essas últimas  voltadas para o financiamento de construtoras ou projetos imobiliários. O  emissor dos títulos pode ser um banco múltiplo, uma sociedade de crédito  imobiliário, uma companhia hipotecária ou qualquer outro tipo de instituição,  desde que autorizada pelo Banco Central.

O Sofisa não tem operações de crédito imobiliário e, de acordo com  informações disponíveis em seu site na internet, suas LCIs têm como lastro  imóveis que foram dados em garantia de operação de financiamento. “A oferta de  LCIs pelo Banco Sofisa Direto está condicionada à existência de lastro, ou seja,  de operações cujas garantias sejam imóveis”, destaca o banco em sua página.

Em entrevista concedida ao Valor em 16 de julho, Bazili  Swioklo, diretor do Banco Sofisa Direto, afirmou: “o lastro das nossas LCIs é o  imóvel dado em garantia nos empréstimos que concedemos para nosso clientes”. O  banco opera principalmente com empresas de médio porte. A finalidade dos  créditos concedidos é diversa. Há operações para capital de giro e para  aquisição de equipamentos, por exemplo, segundo informa o próprio banco. Essas  operações não têm as características das linhas de financiamento imobiliário,  tanto em prazo como em risco.

O Sofisa vem ampliando a captação por meio desse instrumento. De acordo do  último balanço publicado pela instituição, o estoque dos papéis emitidos somava  R$ 76,392 milhões ao final do primeiro trimestre, com crescimento de 112,7% em  relação ao registrado no final de 2011. O estoque representava 2,3% da captação  total do banco, de R$ 3,287 bilhões.

Recentemente, o Sofisa investiu em uma campanha publicitária que contou com a  participação do ator Dan Stulbach. No vídeo veiculado na TV aberta, o ator  oferecia as LCIs do banco para investidores pessoa física e ressaltava o retorno  até 20% superior à nova remuneração da poupança e a isenção do Imposto de Renda  (IR) sobre o rendimento.

Praticamente todos os grandes bancos têm lançado mão desses instrumentos  baseados na carteira de crédito imobiliário. Mesmo bancos médios como BVA, Pine  e ABC, que não atuam diretamente com a linha de financiamento imobiliário, têm  emitido esses títulos com lastro na carteira de empréstimos a construtoras ou a  projetos imobiliários, algo permitido pela legislação.

Por contarem com isenção de IR, esses papéis têm tido grande demanda,  principalmente entre investidores de private banking. O estoque de LCIs  registrado na Cetip cresceu 49% nos últimos 12 meses encerrados em junho,  somando R$ 56, 727 bilhões. Mas nem todas as operações são registradas, algo que  não é obrigatório.

A responsabilidade pela fiscalização é do Banco Central. Procurada, a  autoridade monetária informou que não comentaria o tema. O Valor apurou, entretanto, que o entendimento do BC é que as  LCIs devem ter como lastro créditos imobiliários.

A lei que autoriza a emissão de LCIs divide opiniões no mercado financeiro e  entre advogados. Há quem entenda que é possível emitir LCI sem crédito  imobiliário, como faz o Sofisa. “A legislação permite que transações para ‘usos  gerais’, que contêm garantias imobiliárias, se enquadrem como lastro de carteira  de LCIs”, diz Arturo Profili, sócio-diretor responsável pela área de renda fixa  e produtos estruturados da Capitânia Asset.

Para Alexandre Tadeu Navarro, do escritório Navarro Advogados, a lei “não  permite a emissão da LCI com lastro em crédito de outras naturezas, mesmo que a  garantia seja imobiliária.” A emissão sem lastro em crédito imobiliário também é  vista com reserva por Carlos Ferrari, sócio do escritório de advocacia o N,  F&BC. “A simples garantia de um imóvel não teria poder para modificar a  natureza da operação.”

O advogado destaca que, se a operação não estiver de acordo com a legislação,  a instituição financeira pode ser autuada pela Receita Federal por não ter  recolhido o IR nas emissões de LCIs. O investidor também pode ser cobrado por  ter auferido um rendimento acima do que era devido e pode ter que pagar a  diferença na declaração de ajuste do IR. No caso de um desenquadramento, Ferrari  também afirma que o investidor pode ter dificuldade para receber o pagamento do  Funda Garantidor de Créditos em uma eventual liquidação financeira da  instituição emissora.

Assim como nos CDBs, o risco de crédito do papel é o da instituição  financeira emissora.

O apetite das instituições pela LCI é facilmente compreendido. A captação a  partir da letra imobiliária custa muito menos para o banco do que, por exemplo,  o CDB. Como a LCI é isenta de IR para a pessoa física, o banco pode prometer um  retorno bruto menor. Uma simulação no site do Sofisa Direto mostra essa vantagem  para o banco e para o investidor. A LCI de seis meses paga 93% do CDI. O CDB de  seis meses, 103%. Quem aplicar R$ 10.000 na letra imobiliária recebe, no final  do período, R$ 10.351. No CDB, recebe R$ 10.311, 57. Atualmente, ao emitir uma  LCI, um banco médio paga entre 85% e 95% do CDI. Ao emitir um CDB, um banco  médio paga ao investidor entre 95% e 112% do CDI.

No Banco BVA, o estoque desses títulos soma R$ 800 milhões e representa 15%  da captação total da instituição. O lastro das operações são financiamentos a  projetos imobiliários, que somam hoje uma carteira de R$ 1,6 bilhão. “O mais  importante é que o tomador desse crédito seja do setor imobiliário”, afirma Ivo  Lodo, presidente do BVA. Lodo destaca que a remuneração paga pelo banco em uma  LCI, de até 108%, chega a ser de três a cinco pontos básicos inferior à de um  Certificado de Depósito Bancário (CDB) emitido pela instituição. O prazo médio  das operações é de seis meses, e todas as emissões de LCIs e seus lastros são  registrados pelo banco na Cetip.

Já no Pine, o estoque de LCIs alcançava R$ 19 milhões em julho, menos de 1%  da captação total do banco. As emissões têm como lastro o financiamento a  empresas do setor de construção civil, que hoje representam 9% da carteira de  crédito total do banco.

O Banco ABC Brasil também esclareceu que as LCIs emitidas pelo banco são  lastreadas em empréstimos a incorporadoras e construtoras, que são direcionados  para aquisição e investimentos em imóveis. O estoque de títulos emitidos pelo  banco somou R$ 169,745 milhões no segundo trimestre, o que representa 1,4% da  captação total.

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Um bom negócio para a cadeia da construção civil

Um bom negócio para a cadeia da construção civil

 

Divulgação / DivulgaçãoLeonardo Neves, da João Fortes Engenharia: opção da empresa, de ser dona dos shoppings que ergue, aumenta sinergia e produtividade

Devem estar em operação até o final deste ano 466 shoppings centers em todo o país, de acordo com projeções da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). Esse dado leva em consideração os números consolidados até junho deste ano, de 437 empreendimentos em funcionamento, mais os 28 que devem abrir as portas até o final de 2012. Quando estiverem prontos, serão 36 novos shoppings neste ano. Essa expansão irá acrescentar ao setor mais de 1 milhão de metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável) – o espaço que é usado pelos comerciantes e prestadores de serviços em um shopping. Para o ano que vem, já está anunciada a abertura de mais 43 centros de compras, acrescentando ao total de ABL no país mais 1,233 milhão de metros quadrados.

“O mercado está aquecido, mas já esteve mais”, define Marcelo Tessler, dono da gerenciadora de obras e projetos Tessler Engenharia. Participar desse aquecimento é um negócio rentável tanto para construtoras como para gerenciadoras e fornecedores. Segundo Tessler, que está há 17 anos nesse ramo, a tendência atual é de as empresas lançarem shoppings em cidades menores, no interior. O engenheiro conta que tem dez projetos em andamento, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e até em Roraima. O maior deles é o Shopping Iguatemi Esplanada, que está sendo construído na cidade de Votorantim, ao lado de Sorocaba, no interior de São Paulo, com mais de 43 mil metros quadrados de ABL, que deve ser inaugurado em 2013. De acordo com Tessler, do investimento total em um shopping, o gerenciamento ficam com 3%, enquanto o projeto custa entre 7% e 10%. “Cerca de 90% dos valores são empregados na obra em si”, afirma.

“O mercado nos grandes centros está saturado e os grandes shoppings vão para os municípios vizinhos, onde os preços (dos terrenos) são mais viáveis”, complementa Gustavo Zan, superintendente de negócios da Matec Engenharia, fundada em 1990 e com mais de 50 empreendimentos construídos”.

A Matec toca hoje três projetos de shoppings. A ampliação do Gran Plaza, de Santo André (SP), em 65 mil metros quadrados é um deles. As obras, no empreendimento da CCP (Cyrela Comercial Properties), devem ficar prontas no segundo semestre deste ano. Outro é o Shopping Center Limeira, em Limeira, no interior de São Paulo, que pertence à AK Realty, empresa do grupo Induscredi. O terceiro é o Ferraz de Vasconcelos, no interior de São Paulo, da própria Matec. “Compramos o terreno e estamos construindo o shopping, investimento de R$ 120 milhões, com 35 mil metros quadrados”,.

A Matec também constrói galpões industriais e prédios para outros usos comerciais, mas a área de shoppings representa 40% da receita da companhia. De acordo com Zan, o faturamento previsto para este ano deve chegar a R$ 500 milhões, com alta de 25% sobre o ano passado.

O caminho que a Matec está trilhando, de ser dona dos shoppings que ergue, é o mesmo que a João Fortes Engenharia percorreu. “Fizemos 14 shoppings”, conta Leonardo Neves, gerente de negócios da companhia. “Até 2006, a construção era para terceiros. Nesse ano fizemos o Bangu Shopping e passamos a ter participação nos empreendimentos”. O segundo empreendimento que a João Fortes assumiu foi o Parque Europeu, em operação em Blumenau (SC) e o terceiro será o Park Lagos, em Cabo Frio, que deve ficar pronto em 2013. Outro da própria construtora é o Park Sul, em Volta Redonda (RJ), que deve ficar pronto no segundo semestre deste ano. “No Bangu não temos mais participação. Vendemos para a Aliansce”, conta Neves. Os percentuais de participação no capital dos shoppings variam de 80% a 90%.

“Quando fazemos o shopping para nós há uma sinergia que gera ganhos de produtividade, por isso hoje não temos nenhum shopping em construção para terceiros”, diz Neves.

A CCP não atua na construção. Contrata construtoras e mantém os centros em sua carteira ou em sociedade e recebe aluguel pelos espaços. A receita média de locação da empresa chega a R$ 180 milhões anuais. Os shoppings, segundo José Roberto Voso, diretor da área de shoppings da CCP, representam hoje 20% desse montante, mas isso deve mudar. “Atualmente, 70% de nossa receita de locação é de escritórios, mas esse percentual baixará para 50%; as indústrias irão responder por 20%, e os shoppings, 30%.”

Roberto Perroni, presidente da CCP, conta que a companhia tem quatro shoppings em operação, dois consolidados – o Gran Plaza, de Santo André, onde estão sendo investidos R$ 90 milhões na ampliação, e o Shopping D, em São Paulo. Outros dois foram inaugurados nos últimos 60 dias – o Park Shopping Belém e o Shopping Estação BH, respectivamente em Belém e Belo Horizonte. “Temos ainda quatro em desenvolvimento.”

Segundo Perroni, dos quatro empreendimentos em andamento, dois são em São Paulo, o Tietê Plaza Shopping, em construção na marginal do rio Tietê, com investimento de R$ 280 milhões, e o Shopping Cidade de São Paulo, na avenida Paulista. “Será um shopping e um prédio de escritórios, com 18 mil metros quadrados de ABL, mais 20 mil metros quadrados de escritórios”, diz. ACCP é sócia da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário no empreendimento.

A companhia tem ainda dois shoppings em construção, um no Rio de janeiro, onde estão sendo investidos R$ 270 milhões, e outro em Goiânia. Para contratar a construtora, a CCP faz uma concorrência da qual participam as grandes empreiteiras. “Fazemos um contrato com o preço máximo garantido. Se passar disso, a construtora assume. Se houver economia, ela divide conosco”, conta o presidente da CCP.

A Sergio Porto Engenharia, de São José dos Campos, no mercado desde 1978, atua na construção de shoppings, escolas e prédios para outros usos. Foi ela que fez a ampliação do Shopping Interlagos, em São Paulo, em 1997. Mas, hoje, se dedica às obras da rede de cinemas Cinemark. “A concorrência em shoppings está muito grande, não está valendo a pena”, afirma Sergio Porto, dono da companhia, animado com o novo filão. “Do ano passado para cá, construímos dez complexos para o Cinemark”, diz. Segundo Porto, só na construção são investidos cerca de R$ 8 milhões em cada complexo, fora as instalações, cadeiras e equipamentos, que devem consumir um valor semelhante.

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