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Direcional reduz exposição ao Minha Casa

Notícias > Mercado | 25/05/2015
Direcional reduz exposição ao Minha Casa

Entre as grandes incorporadoras imobiliárias de capital aberto, a mineira Direcional é a única especializada em construir para famílias com renda de até três salários mínimos – a faixa menos rentável do programa Minha Casa, Minha Vida e a mais atingida pelos cortes anunciados na semana passada pelo governo federal. Prevendo o aperto que estava por vir, a família Valadares, que controla a companhia, decidiu mudar de estratégia e reduzir sua participação no segmento em que nadou de braçada até agora.
Hoje, cerca de 75% da receita da companhia, que no ano passado foi de R$ 1,8 bilhão, vem da primeira faixa do programa federal, subsidiado pelo Tesouro Nacional. Neste nicho, a empresa submete o projeto à Caixa Econômica Federal e o banco é responsável pela venda dos imóveis à população. A Caixa assume a carteira de clientes e paga a construtora mensalmente de acordo com o andamento da obra. Não há, por exemplo, esforço comercial de vendas.
Com as incertezas que passaram rondar o programa federal já no ano passado, a empresa começou a ciscar num terreno que até agora é dominado pela também mineira MRV, que no ano passado faturou R$ 4,1 bilhões trabalhando quase que exclusivamente nos segmentos das faixas 2 e 3 – respectivamente voltados para famílias com renda mensal de até R$ 3,2 mil e até R$ 5 mil. “Isso vai manter o nosso faturamento num momento em que o faixa 1 deve ficar mais parado”, diz o fundador Ricardo Valadares Gontijo, presidente da companhia.
Já no primeiro trimestre deste ano, os únicos lançamentos da Direcional se concentraram em um empreendimento que trabalha com as faixas 2 e 3 do MCMV, somando R$ 20 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV).
Esse nicho é financiado pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que dispõe de R$ 56,5 bilhões para financiar a habitação. Embora fiquem à mercê das políticas de governo, as companhias que constroem para o Minha Casa, Minha Vida têm a vantagem de não depender dos recursos da poupança para os financiamentos. “Nesse segmento não tem crise”, afirma o empresário.
Estratégia. A empresa já tem cerca de 20 terrenos para construir empreendimentos para a faixa 2. Na semana passada, Valadares percorreu a capital paulista atrás de outras áreas. O processo construtivo, segundo ele, continuará o mesmo, mas a estrutura de vendas ficará mais robusta.
Ao mesmo tempo em que redireciona seus negócios no Brasil, a incorporadora mineira se prepara para construir imóveis populares na Arábia Saudita, em parceria com o grupo Red Sea Housing Services. As duas empresas firmaram um acordo em março e caminham para fechar uma joint venture no país árabe. A transação faz parte da estratégia da empresa brasileira para reduzir sua exposição ao mercado brasileiro.
A empresa vem sendo penalizada pelos investidores por ser muito dependente do programa federal de habitação popular – que vem sofrendo com atrasos nos repasses desde o ano passado. No momento, as empresas que atuam na Faixa 1 do Minha Casa (a grande maioria construtoras de pequeno e médio porte) aguardam um pagamento de cerca de R$ 1 bilhão, em atraso desde o dia 13 de abril.
Nos últimos seis meses, os papéis da Direcional registraram queda de 40% na Bolsa.
MCMV. Nas duas primeiras fases, o Minha Casa, Minha Vida contratou mais de 3,5 milhões de moradias, e, para a nova etapa, o governo tem reiterado que atingirá a meta de 3 milhões de novas unidades contratadas até 2018. Para este, no entanto, ainda não há previsão de novas contratações.
Existe ainda a possibilidade da criação de uma nova faixa voltada para o público com renda mais baixa, em que os recursos de subsídio deverão ser obtidos do FGTS. A expectativa é de que o novo segmento substitua parte da linha 1 tradicional, que tem aporte de fundos do governo federal.
Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), Renato Ventura, essa nova faixa custaria menos ao governo do que o atual segmento mais popular do programa que subsidia até 95% da compra do imóvel com fundos do Tesouro, afirma.

A expectativa é que o novo segmento seja anunciado na terceira fase do programa. O lançamento dessa etapa, que tem sido prometida desde o fim do ano passado, deve ficar para “junho ou julho”, afirmou o executivo.
Por Naiana Oscar e Lucas Hirata
Fonte: O Estado de São Paulo, Economia & Negócios, 25/05/2015

Categorias:Uncategorized
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