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OGX tornou mudanças, há muito esperadas, urgentes

12/09/2013 às 00h00

OGX tornou mudanças, há muito esperadas, urgentes

Por Ana Paula Ragazzi e Téo Takar | Do Rio e de São Paulo

A presença da petroleira OGX no Ibovespa tornou urgente a necessidade de fazer modificações na metodologia do índice, o que há muito tempo era desejado pelo mercado. Com 45 anos de vida, o indicador foi criado pensando em um determinado momento de mercado – no entanto, alguns episódios mostram que uma reforma é necessária.

A necessidade de retirar a OGX da carteira, diante da situação cada dia mais delicada da empresa, fez com que a bolsa e o mercado tivessem de abrir um debate para, de fato, reformar o modelo. Ninguém acredita que apenas determinar a saída da petroleira resolveria os problemas do indicador.

A tese de partida é que um índice de referência ideal é aquele que melhor represente o mercado de ações. Nesse ponto, o Ibovespa já vem sendo questionado há tempos – houve um período em que o setor de telecom já concentrou quase metade da carteira, questão que, sem intervenções, levou praticamente dez anos para ser equacionada pelo mercado. Recentemente, as ações da Mundial quase ingressaram no índice, em episódio conhecido como "a bolha do alicate".

A questão atual envolvendo OGX tornou-se urgente porque o peso do papel é grande e tem subido cada vez mais a cada rebalanceamento. Isso tem prejudicado outras operações, em especial de arbitragem do mercado, e também agregado muita volatilidade ao indicador.

No mercado já há histórias sobre gestores que comparam seu retorno a um certo "Ibovespa ‘ex’ OGX". A pressão da indústria de fundos para que a bolsa modificasse a metodologia chegou ao ponto de se aventar a possibilidade de o Ibovespa deixar de ser referência, com gestores atrelando carteiras a outros indicadores.

Em julho passado, durante evento no Rio, o presidente da bolsa, Edemir Pinto, foi enfático ao afirmar que o índice, que é a principal referência do mercado de ações brasileiro, não sofreria nenhuma mudança brusca. Ele citou que algumas flexibilizações nas regras seriam possíveis e também aperfeiçoamentos, acrescentando que "qualquer ajuste pontual" seria adotado em dois ou três anos após o anúncio.

Depois do rebalanceamento da carteira que passou a vigorar em setembro, a situação ficou insustentável. Um cálculo que circulou no mercado na virada da carteira avaliava que, se todos os fundos passivos comprassem os papéis da petroleira para acompanhar o rebalanceamento, além de alguns investidores já posicionados, o tamanho da oferta compradora para a OGX seria de 160% do valor de mercado atual da empresa, o que poderia fazer com que o papel chegasse a R$ 2. Alguns avaliam que isso só não ocorreu porque os dias de rebalanceamento foram também os escolhidos por Eike para vender as suas próprias ações, aumentando a quantidade de papéis da petroleira em circulação.

Além da volatilidade do índice, o peso elevado de OGX está espalhando uma série de problemas no mercado. Dezenas de ações estão com o custo de aluguel muito elevado diante da falta de papel disponível para empréstimo – muitas delas, guardadas as devidas proporções, assemelham-se ao caso de OGX no sentido de ter um valor de mercado relativamente pequeno e uma liquidez alta; em certos casos, também pelo valor pequeno das cotações. Pelo critério atual do Ibovespa, quanto mais o papel negocia, maior será seu peso no portfólio.

O encarecimento das operações de aluguel está levando ao deságio entre os índices Bovespa futuro e à vista. O mercado não está conseguindo fazer a tradicional operação de financiamento, em que vende a carteira à vista e compra o índice futuro. Para vender a cesta de papéis à vista, é preciso alugar os papéis. Como as taxas subiram, a operação encareceu e fazer a arbitragem não está valendo a pena.

Carregar posições alugadas também ficou caro demais e o mercado tem visto muito o desmanche de posições, que provocam fortes altas em determinados papéis, casos recentes de Eletropaulo, Gol e PDG Realty, por exemplo. As cotações disparam sem nenhum motivo atrelado ao fundamento das empresas e acabam provocando o chamado rali técnico no índice.

A dificuldade com o aluguel dificulta as estratégias para o mercado de opções. O caso OGX expôs esse problema do índice.

Em função disso, cresceu a pressão do mercado para que a bolsa apresente um índice mais eficiente para refletir o mercado e que, para tanto, a melhor alternativa é que ele seja baseado no ‘valuation’ das empresas. Ou seja, só as companhias grandes entram. Se esse for o parâmetro, de imediato, além da OGX, também as construtoras deverão ter peso reduzido.

Diante de todas as dificuldades, o mercado já aceitaria até mesmo uma mudança de imediato, apesar das preocupações da bolsa com possíveis impactos da alteração do índice. Durante uma reunião que buscou ouvir o mercado na terça-feira, foi sugerida até a possibilidade de nem mesmo esperar o rebalanceamento de dezembro, fazendo a mudança quase imediatamente, de forma extraordinária.

Alguns profissionais disseram que não têm condições de operar e não mexeriam nas carteiras até o fim do ano.

Outro ponto que muito preocupa os gestores é a possibilidade de a OGX entrar em uma recuperação judicial e ter de sair do índice. Se ela tivesse um peso marginal, esse não seria um problema tão grande. Mas com o peso atual, de cerca de 4,3% na carteira teórica apresentada no início do mês, não se sabe ao certo como a bolsa procederá se eventualmente isso ocorrer.

Os fundos passivos, que replicam o Ibovespa, têm muitos cotistas pessoas físicas que estão, inclusive, obrigatoriamente expostos ao risco da petroleira. Muitos desses fundos são de previdência privada, o que compromete a renda que essas pessoas receberão ao se aposentar.

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