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Plano de opções da OGX tinha potencial de lucro de R$ 1 bi

06/08/2013 às 00h00

Plano de opções da OGX tinha potencial de lucro de R$ 1 bi

Por Graziella Valenti e Fernando Torres | De São Paulo

Eike Batista, além do valor do controle, perdeu outros R$ 2 bilhões com empresa de petróleo, comprando e cedendo ações

Não foi apenas pela personalidade do fundador Eike Batista que a visão otimista sobre os negócios da OGX prevaleceu na alta administração da companhia nos últimos anos. Tanto os executivos, como também os conselheiros de administração, tinham um incentivo extra para isso: os planos de opções de compra de ações oferecidos pelo empresário lhes deram potencial de lucro de mais de R$ 1 bilhão desde o início de 2009.

Esse valor considera a diferença entre o preço de exercício das opções de compra pago pelos beneficiados, que ficou na média em R$ 0,16 por ação, e a cotação em bolsa no dia em que elas foram liberadas para ser vendidas. Trata-se do potencial real de ganho e difere do critério contábil, usado no Formulário de Referência, que tem como base o valor justo das opções na data em que são concedidas.

Dar más notícias ao controlador e ao mercado, portanto, significava um lucro menor tanto para os responsáveis pela execução das tarefas, os diretores e funcionários, como também para aqueles que deveriam supervisionar e fiscalizar esse trabalho, os conselheiros.

Uma característica que chama a atenção nessas transações, identificadas por levantamento do Valor, é que os conselheiros e diretores estatutários da empresa – os que respondem legalmente como administradores perante a Comissão de Valores Mobiliários – ficaram com apenas 43% das opções que deram esse potencial de ganho de R$ 1 bilhão.

Esse potencial refere-se ao programa principal, em que os papéis foram cedidos pelo próprio Eike.

A OGX disse em nota ao Valor que a outra parcela se refere a "transferências a funcionários que detinham ações do plano de stock options do controlador". Mas se sabe que executivos que ajudaram a fundar o grupo EBX, mesmo fora da OGX, também ganhavam essas opções.

Desde o início, a OGX foi publicamente conhecida pela agressividade de planos de remuneração com ações, uma prática adotada estrategicamente para conseguir atrair e reter talentos profissionais para um projeto arriscado e ainda embrionário. Foi assim, com uma perspectiva de ganhos elevados, que conseguiu capturar nomes conhecidos da estatal Petrobras.

E foi também por isso que Eike decidiu evitar polêmica com os demais acionistas e pagava a maior parte do pacote de opções com ações dele próprio – sem emissões, não diluía os minoritários.

Com essa forma de pagamento, Eike era o único que tinha sua participação diminuída. Na prática, era uma divisão de sua riqueza, pois o ganho potencial de quem exercia as opções correspondia a uma perda equivalente para si, caso tivesse vendido os papéis a preço de mercado nas mesmas datas.

Para se ter uma ideia da agressividade dos planos, em 2010, a remuneração fixa representou apenas 3% e 11% dos valores recebidos pelo conselho de administração e pela diretoria, respectivamente. O restante foi todo recebido em ações. Em 2011, esses percentuais foram de 63% e 19%; passando para 48% e 23% no ano seguinte.

Para este ano de 2013, a previsão, antes do colapso em bolsa, era de que os ganhos do conselho seriam 79% em valores fixos e da diretoria, 41%. No caso dos diretores, haveria 32% em bônus e 27% em plano de opções. Com as cotações em queda livre na bolsa, este seria o primeiro ano em que bônus em dinheiro seriam pagos, conforme informações do Formulário de Referência – documento entregue anualmente à CVM.

"A companhia busca incentivar a melhoria da gestão, atração e retenção dos administradores, assim como o alinhamento com os interesses dos acionistas através do compartilhamento de riscos e incentivos de longo prazo", afirma a OGX no item do formulário dedicado a explicar a composição do pacote total de remuneração.

Usar plano de opções de ações na remuneração do conselho de administração é um assunto controverso nos fóruns de discussão sobre boas práticas de governança corporativa. Embora seja algo que exista em companhias como Itaú, Santander, Ambev e Cetip, os valores envolvidos costumam ser menores – variando entre 10% do total recebido e um terço.

No caso da OGX, ao adotar esse mecanismo, a companhia pôde atrair profissionais de renome sem ter que desembolsar caixa, o que era um de seus objetivos. Contudo, existe a leitura de que o plano agressivo, especialmente no caso do conselho, pode ter retirado o incentivo de fiscalizar a administração executiva. O estímulo financeiro, pelo seu potencial, poderia ter contaminado a visão dos conselheiros com o mesmo otimismo dos executivos.

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