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Recuperação americana entusiasma os mercados

Recuperação americana entusiasma os mercados
A firme recuperação do mercado imobiliário dos EUA é o elo que faltava para que o país deixe para trás a crise financeira de 2008, desencadeada pela farra do “subprime”, que estourou uma enorme bolha e quase levou à bancarrota o sistema financeiro. Os números recentes indicam com mais força que se caminha para a normalização nesse mercado. Ontem, o índice S&P-Case-Schiller apontou que nos doze meses findos em março, os preços dos imóveis em 20 grandes cidades americanas subiram em média 10,9%, maior aumento em sete anos. A venda de imóveis usados foi em abril a mais alta desde novembro de 2009. Com parte de seu patrimônio caminhando para a recomposição, os consumidores estão otimistas. Seu índice de confiança é hoje o maior em cinco anos.

A ação dos afrouxamentos monetários do Federal Reserve Bank foi decisiva para tirar da prostração o mercado imobiliário, ao despejar centenas de bilhões de dólares na compra de papéis das agências oficiais de hipotecas Freddie Mac e Fannie Mae. Com isso, o crédito hipotecário para 30 anos atingiu em novembro sua menor taxa histórica, de 3,31% ao ano. Hoje ela não está muito acima disso (3,59%).

A reanimação do mercado de imóveis é um dos elementos que coloca a retomada econômica dos EUA à frente da zona do euro, onde em vários países ainda se sentem os efeitos devastadores do estouro de bolhas imobiliárias (a Espanha é o mais óbvio exemplo). E, ao contrário dos países da união monetária, a reestruturação dos bancos foi mais eficaz e mais rápida que do outro lado do oceano. Ainda que existam problemas a resolver para tornar o sistema financeiro sistemicamente seguro, como buscam as regulamentações já implantadas ou a implantar, pelo menos os bancos americanos não estão abarrotados de papéis de governos à beira da inadimplência.

As boas notícias do mercado imobiliário e do ânimo dos consumidores, que estão entusiasmando os mercados financeiros, se completam com uma resolução surpreendentemente suave das charadas fiscais de curto prazo.

O “sequestro” que retira do orçamento US$ 85 bilhões no atual ano fiscal (que se encerra em setembro), deveria “comer” de 0,3% a 0,6% do PIB deste ano. Entretanto, a recuperação da economia permitiu que o exercício fiscal de austeridade americano fosse mais brando e menos perverso do que na zona do euro. O “sequestro” é um freio importante à atividade, mas estima-se que no último trimestre do ano a economia estará novamente crescendo a uma velocidade superior aos 2%.

A queda do déficit fiscal anual foi rápida e relativamente sem grandes sacrifícios, contribuindo para o clima de otimismo com os rumos da economia. Em 2013, o déficit público chegará a 4% do PIB, depois de um buraco de 7% do PIB no ano passado – e poderá alcançar 3,4% em 2014. Mas os impasses fiscais de longo prazo não foram resolvidos. A dívida bruta americana é de 108% do PIB e a líquida, de 89%. Duras batalhas fiscais serão travadas até outubro sobre o novo limite de endividamento do Tesouro. Porém, comparado com as previsões oficiais, o cataclismo fiscal não aconteceu.

A retomada americana já antecipou a ansiedade dos mercados em relação ao momento em que o Fed terá de interromper os estímulos monetários e elevar os juros. O Fed deixou claro que isso só ocorrerá quando a inflação futura prevista superar 2% ou quando a taxa de desemprego chegar a 6,5%. No front inflacionário, a situação é confortável, com o índice preferido do Fed (despesas pessoais de consumo) girando ao redor de 1%. O desemprego caiu para 7,5%, mas sua diminuição é mais sujeita a dúvidas. Ben Bernanke, presidente do Fed, indicou que a última coisa que quer fazer é interromper prematuramente a recuperação. E insinuou que entre o fim do afrouxamento monetário e o início do ajuste de juros o intervalo de tempo poderá ser longo.

O fato de a maior economia do planeta continuar exibindo indicadores confiáveis de que voltará à boa forma ajuda a tornar improváveis os piores cenários e traz novos desafios. O dólar entrou em trajetória de valorização, o que traz problemas para o Brasil, com pressão sobre o real em um momento inflacionário delicado. Há grandes incertezas sobre o comportamento dos fluxos de capitais, que até agora procuraram vários países emergentes por falta de alternativas de rentabilidade.

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