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BES mantém os planos de crescimento no Brasil

BES mantém os planos de crescimento no Brasil

Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo
08/04/2009
Davilym Dourado / Valor
Ricardo Espírito Santo, que é o presidente do BES Investimento no Brasil

O português Ricardo Espírito Santo, presidente do BES Investimento do Brasil, se diz aliviado por não ter fechado com o banco alemão WestLB uma sociedade para atuação conjunta nas Américas. A ideia que chegou a ser cogitada era unir as estruturas dos dois grupos nos Estados Unidos e América Latina e cada um ficar com 50% do negócio. “Teríamos uma estrutura muito maior do que o necessário em meio a essa crise toda nos mercados”, diz, em entrevista ao Valor.

Os planos de crescimento do Grupo Espírito Santo no Brasil, no entanto, se mantêm firmes e fortes. “O país é uma das prioridades para nós”, diz Ricardo Espírito Santo, bisneto do fundador do grupo, o português José Maria do Espírito Santo e Silva. O BES nasceu em 1868, em Lisboa, como casa de câmbio, se tornou também loteria espanhola e hoje é a segunda maior instituição financeira privada em Portugal em ativos líquidos.

No Brasil, acaba de comprar uma fatia de 70% na Refran, que o executivo definiu como um “multi family office”, um gestor de fortunas para diversas famílias ricas. A Refran continua 30% de seu fundador, Francisco Brant de Carvalho, que trabalhou no Lloyds mas tem “mais de dez anos de vôo solo”. Segundo Espírito Santo, os bilionários têm estrutura própria de gestão de fortunas, mas muitos milionários não. “Queremos nos posicionar no aconselhamento profissional de investimentos, no chamado wealth management.”

Segundo ele, o banco pretende também abrir um fundo de private equity no Brasil, que compra participações em empresas para depois tentar vendê-las com lucro, de US$ 200 milhões. O capital próprio seria de 15% a 20% e o resto dos clientes. “Queremos fazer isso neste ano, mas se não der fica para o início de 2010”, afirma.

Afinal, segundo o executivo, o grupo, que está desde 1976 no país, já tem experiência no investimento e desinvestimento de capital próprio em diversas empresas de diversos setores (ver arte nesta página). Recentemente, o grupo ganhou, por meio do consórcio Opway, a sua primeira concessão para operação de rodovia, no caso a Marechal Rondon Leste, a autoestrada SP300 no Estado de São Paulo, com um total de 415 km de extensão. Do consórcio vencedor participam a Ascendi (empresa da construtora portuguesa Mota-Engil e do grupo Espírito Santo), com 40%, o Cibe, empresa do Bertin e da Equipave, com 50%, e o Leão & Leão, com 10%. O Espírito Santo participa ainda do grupo Monteiro Aranha, com 23% do capital, da empresa de seguro de assistência automotiva Europ Assistence Brasil – em parceria com o Bradesco e a Generali-, entre outras empresas.

Em abril do ano passado, o BES aproveitou a venda da fatia de 5% das ações ordinárias que o espanhol BBVA possuía no Bradesco e cresceu sua participação para 7,97% do capital votante e 4% do capital total. O Bradesco, por sua vez, tem 20% do Banco Espírito Santo de Investimento no Brasil e também tem participação de 3,1% no Banco Espírito Santo em Portugal. O brasileiro já informou que pretende participar do aumento de capital que o português está fazendo, de ? 1,2 bilhão, de forma a manter sua participação de 3,1% inalterada. “Consideramos o Bradesco o nosso braço de varejo no Brasil”, diz Ricardo Espírito Santo.

O BES Investimentos pretende continuar a crescer no Brasil apesar de a crise, no entender de seu presidente, não ser uma “marolinha”. Ele afirma que a escassez de recursos continua grande. “O dinheiro sumiu e não sei onde foi”, brinca. No entanto, no seu entender, a situação no país é mais tranquila. “O governo brasileiro está adotando políticas contracíclicas e o setor financeiro no Brasil é um dos mais regulamentados do mundo”, diz. Ele acredita que os bancos brasileiros estão mais fortes do que na Europa e nos Estados Unidos. “O crédito não é tão desenvolvido, é só 60% a 70% do Produto Interno Bruto, nos outros países vai a 200%, e por isso a escassez de crédito afeta mais a economia lá fora do que aqui”, diz.

Ele vê o mercado de fusões e aquisições aquecido no Brasil. “Muitas empresas precisam de recursos e por isso terão mais propensão a aceitar sócios, ainda mais diante da inexistência do mercado de capitais”, comenta. Ricardo Espírito Santo acredita existir uma boa oportunidade para empresas brasileiras que “estão relativamente fortes e capitalizadas” irem à Europa e aos Estados Unidos comprar. “As empresas brasileiras não são muito alavancadas, pois o crédito é caro e o custo do crédito inibe a alavancagem”, diz.

Ele também vê oportunidade no financiamento de projetos, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal a todo vapor. Os negócios estão nas áreas de energia renovável, parques eólicos, energia hidrelétrica, transmissão elétrica, transportes, aeroportos, portos e rodovias. “Queremos também atuar nos financiamentos para a construção das plataformas de petróleo que serão alugadas pela Petrobras”, diz.

O banco pretende ainda continuar a focar sua atuação no mercado de capitais externo e interno. Neste ano, foi co-líder na emissão de US$ 200 milhões de eurobônus da construtora Norberto da Odebrecht. Atuou como coordenador na emissão da debênture da Bradespar, de R$ 690 milhões, e da nota promissória da OHL, de R$ 200 milhões.

No primeiro trimestre, a volatilidade maior trouxe oportunidades a tesouraria do banco, conta, e o BES Investimento conseguiu elevar suas receitas em 100% na área na comparação com o ano passado. “Mas é preciso lembrar que a receita é não recorrente, tem que correr atrás”, afirma. “A única coisa certa em um banco de investimento é custo.”

Um dos grandes focos de atuação do banco é o atendimento aos 200 clientes espanhóis e portugueses no Brasil. “Acompanhamos o movimento de internacionalização de nossos clientes, inclusive pequenos e médios, quando eles vão ao Brasil, Angola e Europa do Leste”, conta o executivo.

O acordo com o WestLB não deu certo, mas em agosto de 2008 o BES assumiu a área de gestão de recursos do alemão no Brasil, ampliando a gestora de recursos de terceiros Besaf, com ativos de R$ 500 milhões hoje. Executivos seniores do WestLB também foram para o banco em Nova York, que recentemente abriu agência e corretora na cidade. No Brasil, o banco contratou cerca de 12 pessoas no ano passado, crescendo seu time para 160 pessoas. Hoje, há pressão para redução de pessoal, diz Ricardo Espírito Santo.

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