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Linha Amarela Metro – Estadao – matéria completa

Jovens Realizam mais cedo o sonho da casa própria

Spread bancário custa R$ 261 bi aos brasileiros

Domingo, 27 de Dezembro de 2009 | Versão Impressa

Achei essa matéria muito importante e por isso segue na integra. Precisamos trabalhar pra acabar com isso.

Spread bancário custa R$ 261 bi aos brasileiros

Estudo da Fiesp mostra que spread no País é o maior entre 40 países com igual metodologia de cálculo

Marcelo Rehder

Em 12 meses de crise financeira global, o chamado spread bancário custou R$ 261,7 bilhões às empresas e consumidores brasileiros, cujo pagamento deve ser feito ao longo de dois anos. Se a diferença entre a taxa de juros cobrada por bancos e financeiras e a taxa que eles pagam para captar recursos (spread) seguisse os padrões internacionais, esse custo cairia para R$ 71,5 bilhões, o que representa uma redução de R$ 190,2 bilhões.

As informações são de um estudo inédito feito por José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o trabalho mostra que o spread médio brasileiro é o maior em um grupo de 40 países cujas metodologias de cálculo dos juros se assemelham à adotada pelo Banco Central do Brasil (média ponderada).

Em agosto, o spread médio cobrado no País era de 26,77 pontos porcentuais, enquanto no Chile estava em 6,04 pontos e na Itália, em 4,39 pontos. O custo mais baixo foi apurado no Japão, onde o spread representava apenas 1,28 ponto porcentual. “Confirmamos o que já é um consenso: o spread brasileiro é uma aberração”, afirma Roriz Coelho.

De acordo com ele, mais preocupante que isso é o “gigantesco custo” que o spread representa para os brasileiros. Supondo que todo o crédito concedido no período analisado (entre agosto de 2008 e setembro de 2009) fosse pré-fixado, o trabalho indica que a diferença entre o spread do Brasil e o da média dos cinco países da amostra que constam no Índice Fiesp de Competitividade das Nações (Chile, Itália, Japão, Malásia e Noruega) representa um custo adicional ao País de R$ 227 bilhões.

“Isso equivale a 42,6% de tudo o que é investido no Brasil em formação bruta de capital fixo e a 12,3% do consumo das famílias”, diz o diretor da Fiesp.

COMPETITIVIDADE

Roriz Coelho admite que a comparação com os países não é exata. Mas argumenta que os números se aproximam bastante da realidade, já que, do montante de R$ 1,873 trilhão em créditos novos concedidos no País entre setembro de 2008 e agosto de 2009, nada menos que R$ 1,405 trilhão refere-se a operações pré-fixadas, o que representa 77% do valor global.

Nesse período, de acordo com o trabalho, os brasileiros pagaram spread médio de 28,4 pontos porcentuais, oito vezes mais alto que o valor cobrado nos cinco países que constam do índice de competitividade da Fiesp, cujo spread médio no período foi de 3,5 pontos porcentuais. Entre todos os 40 países pesquisados, essa média ficou em 7,3 pontos porcentuais.

Para o diretor da Fiesp, a consequência disso é a perda da competitividade do produto brasileiro. “A redução do spread bancário para níveis adequados liberaria recursos para mais investimentos e consequentemente haveria melhora de produtividade”, diz. “Assim, reduziria pressões inflacionárias e permitiria o aumento sustentado da nossa competitividade, com maior geração de renda e mais emprego”.

Em outubro, último dado divulgado pelo Banco Central, o spread já estava em 25,97 pontos porcentuais, abaixo dos 26,4 pontos observados em setembro de 2008, período que antecedeu o aprofundamento dos efeitos no País da crise financeira mundial. Mesmo assim, o spread representou 72,9% do valor dos juros para o total das operações de crédito livre em outubro.

“Não existem razões para essa brutal diferença nos spreads bancários brasileiros em relação a todos esses países comparados”, afirma Roriz Coelho. “Primeiro porque o risco Brasil hoje é muito menor do que era cinco anos atrás”, analisa.

ESCALA

A inadimplência, que representa 37,4% da composição do spread bancário – o maior peso entre os componentes -, aumentou menos no Brasil do que nos países analisados, informa Roriz Coelho. Além disso, diminuiu o volume de recursos para provisões de crédito inadimplentes nos últimos cinco anos, o que significa menor custo para os bancos.

Para o diretor da Fiesp, também não se pode atribuir o elevado nível do spread bancário aos custos administrativos. “O volume de crédito concedido no Brasil vem de um contínuo crescimento desde 2002, e não é menor do que o dos países comparados. Portanto, não temos problema de escala”, avalia.

Por último, enumera o diretor, a carga tributária diminuiu com a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Já o compulsório remunerado foi reduzido para os níveis de 2001, enquanto o compulsório não remunerado, de maior custo para os bancos, está em seus menores níveis desde o início da década.

FRASES

José Roriz Coelho
Diretor da Fiesp
“Confirmamos o que já é um consenso: o spread brasileiro é uma aberração”

“Não existem razões para essa brutal diferença nos spreads bancários brasileiros em relação a todos esses países comparados. Primeiro porque o risco Brasil hoje é muito menor do que era cinco anos atrás”

“A redução dos spreads para níveis adequados liberaria recursos para mais investimentos”

Ontem, hoje e Amanhã – São Paulo – Urbanismo

Matéria especial Estadão sobre problemas e soluções para a capital de São Paulo

ontem hoje sp 1 - ONTEM HOJE E AMANHÃ – FOCAS CAPA

ontem hoje sp 2 - 20 anos de sonho e dedicação – Jornalistas FOCAS

ontem hoje sp 3 - SP terá 20% da verba do PAC da Copa

ontem hoje sp 4 - Custo do aquecimento global

ontem hoje sp 5 - Rio Tietê sai do coma após 60 anos – Planos Diretores bairros

ontem hoje sp 6 - Soluções para a imobiliadade urbana

ontem hoje sp 7 - Paulistano se sente menos seguro

ontem hoje sp 8 - Primeiro mundo desembarca em SP

Matérias muito boas realizadas pelos FOCAS !!!

Administremos o sucesso – Mauro Chaves

Sábado, 21 de Novembro de 2009 | Versão ImpressaAdministremos o sucesso

Mauro Chaves

Disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que agora “o problema do Brasil é administrar o sucesso”. Essas palavras, vindas de um dos homens públicos mais competentes de nosso país, significam a convocação de uma formidável “corrente pra frente”, capaz de fazer a população brasileira, irmanada e solidária, enfrentar coesa a dificílima tarefa de administrar o sucesso, com todo o penoso esforço e extenuante dedicação que isso implica. Então, este é o momento de encontrarmos um pequeno alívio para a pesada carga, refletindo sobre alguns campos em que ainda não fomos atingidos pelo problemático sucesso – o que nos deixará, sem dúvida, em situação mais confortável e tranquila.

Ainda não fomos atingidos pelo problemático sucesso no campo da infraestrutura. Obras essenciais para o desenvolvimento do País vêm sendo longamente retardadas, graças à má qualidade dos projetos, ou ao desrespeito às leis ambientais, ou ao não-cumprimento de exigências do Tribunal de Contas da União (TCU). Assim, entre 2004 e 2008 o governo federal não conseguiu investir mais do que 30% do previsto no Orçamento para o setor, o que significa R$ 20 bilhões a menos do que era destinado à infraestrutura. Em consequência, 70% das rodovias pavimentadas federais se tornaram péssimas e, sobretudo, assassinas; a ineficiência dos portos continuou encarecendo, pesadamente, as exportações e importações; e no campo da energia, ou os raios, ou os curtos-circuitos, ou o “excesso de água da chuva”, ou os hackers, ou o diabo a quatro fizeram com que quem era mãe do PAC se tornasse a madrasta do APAG (e “assunto encerrado, minha filha”).

Ainda não fomos atingidos pelo problemático sucesso no campo do desenvolvimento humano (IDH), pois nisso não ultrapassamos o 75º lugar, assim como não superamos a 81ª colocação no índice de expectativa de vida. No campo do respeito à vida, cabe registrar que continuamos a bater recordes mundiais de produção de cadáveres no trânsito – cerca de 40 mil anuais -, ao mesmo tempo que nossa taxa anual de homicídios intencionais é de 25,7 mortes por cada 100 mil habitantes, enquanto esse índice nos EUA é de 5,8, na Argentina é de 5,2, na Palestina é de 4, na Índia é de 3,4, na China é de 2,3, na Inglaterra é de 2, no Chile é de1,9, em Israel é de1,8, na França é de 1,5, na Itália é de 1,2, na Espanha é de 1,1, na Alemanha é de 0,98 e no Japão é de 0,68.

Agora, para que não tenhamos tanta dificuldade em administrar a difícil fase de sucesso que atravessamos – conforme a percuciente observação do presidente do Banco Central – precisamos avaliar melhor as circunstâncias em que têm ocorrido algumas melhorias de posicionamento em pesquisas estatísticas. Por exemplo, melhoramos nosso índice de desmatamento da Amazônia, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – por sinal, o mesmo desqualificado pelo ministro de Minas e Energia por ter afirmado que nenhum raio caiu nas linhas de Itaberá na noite do apagão. O Inpe registrou a mais significativa queda desde o início da medição: entre agosto de 2008 e julho de 2009 foi devastada “apenas” a mata de uma região com 7.008 quilômetros quadrados, ou seja, tamanho igual a 4,6 vezes a cidade de São Paulo. Então, dá para administrar esse sucesso…

Outro sucesso que, sem dúvida, dá muito bem para administrar é o da melhoria de nossa posição no mundo (segundo a Transparência Internacional) quanto à corrupção. Tiramos nota 3,7 (num total de 10), o que nos coloca no 75º lugar. Quer dizer, no mundo há 74 países menos corruptos do que o nosso. Será isso fantástico? Mas há um detalhe importante: o que é aferido na pesquisa é a “percepção de corrupção” que os próprios brasileiros têm em seu país. Não estará essa percepção já bastante “amaciada”, de tal forma as bandalheiras, falcatruas e maracutaias se têm multiplicado e banalizado “como nunca antes na História deste país”?

Também não fomos atingidos pelo problemático sucesso no campo da educação. Apenas 25% dos brasileiros com mais de 15 anos têm pleno domínio das habilidades de leitura e escrita. Quer dizer, apenas um em cada quatro brasileiros consegue compreender, totalmente, as informações contidas num texto e relacioná-las com outros dados. Não menos que 38% dos cidadãos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais. E se, por uma descoberta jornalística, se comprovou a fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quantas outras fraudes não terão passado despercebidas em tantos outros exames escolares, já que o esforço do aprendizado e o mérito do conhecimento têm sido sistematicamente desmoralizados, “como nunca antes na História deste país”?

Bruno Ferreira Campos, de 34 anos, sua mulher, Viviane Ferreira Campos, de 33, e a filha do casal, Gabriela Gonçalves Campos, de 7 meses, voltavam de férias pela estrada Rio-Teresópolis (rodovia federal BR-116/RJ) quando, à altura do km 90, caiu uma barreira que soterrou os três – só escapando da morte Maurina, mãe de Viviane. Abre o site da administradora da rodovia o seguinte texto: “Bem-vindo à concessionária Rio-Teresópolis. Você vai encontrar aqui informações sobre os serviços que colocamos 24 horas por dia à sua disposição, sempre visando seu conforto e segurança.”

E está no site: “… as obras ora em licenciamento objetivam melhorar a capacidade de serviço da rodovia e, portanto, a segurança e o conforto para os usuários.” Eis espelhado tudo o que significa a diferença entre o pretendido e o feito, o anunciado e o realizado. Vendo a foto da bela família enterrada viva não será difícil administrarmos o sucesso.

Superado o medo da crise, mercado imobiliário vive novo ”boom”

Domingo, 15 de Novembro de 2009 | Versão Impressa

 Superado o medo da crise, mercado imobiliário vive novo ”boom”

Financiamento de imóveis até agosto cresceu 45% ante o mesmo período de 2008 e preços não param de subir

Paula Pacheco

O mercado imobiliário contrariou as previsões depois do estouro da bolha nos Estados Unidos e vive em grande fase. O crédito imobiliário para pessoa física aumentou 45% no acumulado de janeiro a agosto de 2009, na comparação com o mesmo período de 2008.

Até agosto, dado mais recente, os bancos públicos haviam despejado R$ 58,3 bilhões na atividade imobiliária, por meio de financiamentos para pessoa física. As instituições privadas desembolsaram R$ 12 bilhões. Em relação a julho, essas operações cresceram mais que as outras modalidades de crédito. As instituições financeiras dizem que têm batido recorde de contratos em carteira e esperam por um 2010 ainda melhor.

Para os interessados em comprar um imóvel, a má notícia é que os preços não recuaram. Ao contrário, não param de subir. Os executivos das incorporadoras argumentam que os aumentos têm acompanhado os índices inflacionários. Mas especialistas, como Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), dizem que o reajuste tem sido maior. “Por isso, a recomendação é pechinchar, porque as empresas estão com margens maiores e têm gordura para queimar.”

O mesmo comportamento ocorre nos imóveis usados. No caso dos apartamentos de alto padrão, a alta no preço de venda do ano passado para cá chegou a 25%, segundo Celso Pinto, diretor da Sotheby”s International Realty de São Paulo. Apesar do encarecimento dos produtos, as vendas estão melhores que no período pré-crise.

Roseli Hernandes, gerente de Locação e Vendas da Lello Imóveis, confirma a retomada das vendas de usados e a alta do preço. O total de imóveis comercializados pela empresa aumentou 19% em relação ao período anterior à crise. “Tem muito proprietário com medo de vender e depois se dar conta que não fez um bom negócio na hora de comprar outro. Os preços têm subido demais”, explica.

Para se ter uma ideia de como o comércio de casas e apartamentos está em alta, segundo dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), o preço médio do metro quadrado (m²) do usado na região que inclui Alto da Boa Vista, Alto dos Pinheiros e Brooklin Velho, que era de R$ 2,5 mil em agosto, foi para R$ 3,7 mil em setembro, uma alta de 51,89%. De agosto a setembro, as vendas de usados subiram 44,35% na capital paulista.

Ana Luiza Bueno, gerente comercial da Villa Daslu, começou a procurar apartamento há cerca de um ano. Dia sim, dia não, ela conversa com um dos dez corretores que estão correndo atrás do imóvel. “O mercado está muito aquecido. Quando paro para fazer as contas, o apartamento já foi vendido. Cheguei a um ponto em que eu própria estou batendo nos prédios para saber se há algum imóvel vago”, conta.

É o primeiro imóvel próprio de Ana Luiza, que sonha em começar 2010 no novo endereço. Ela procura um apartamento com área de até 290 m² e três suítes, no bairro do Itaim ou Jardins. “Sendo realista, acho difícil”, lamenta.

Não é só para a classe A que o mercado está inflacionado e com pouca oferta. Na favela de Paraisópolis, em São Paulo, uma das maiores do País, Helena dos Santos é dona de uma imobiliária informal há 26 anos e nunca viu os preços tão altos.

Se a casa de dois cômodos e banheiro, com área de cerca de 30 m², for em uma rua asfaltada e bem localizada, é vendida por cerca de R$ 30 mil. Seis meses atrás, o desembolso era bem menor, na faixa dos R$ 17 mil.

“Hoje tenho uns 150 imóveis em carteira. Não está fácil vender. O preço está alto e a intervenção da Prefeitura por aqui, com a desocupação de algumas áreas, tem gerado incertezas tanto para quem quer comprar quanto para os proprietários.”

FONTES DE RECURSOS

Para os bancos, a boa demanda confirma que o momento é propício para elevar as apostas nos financiamentos imobiliários. Além de ganhar diretamente com a operação de empréstimo habitacional, para os bancos é um grande negócio atuar cada vez mais no segmento. É uma forma de ter um cliente fiel por até 30 anos – prazo máximo de quitação de um financiamento – e, nesse período, vender a ele outros tantos produtos, como seguros e aplicações.

O principal argumento do sistema financeiro para apostar no potencial é o fato de o crédito imobiliário representar apenas 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, enquanto a média mundial é bem mais alta. No Chile, por exemplo, a participação é de 15% do PIB, lembra Luís Antonio França, diretor de crédito imobiliário do Itaú Unibanco.

Apesar dos planos de expansão, França garante que é importante não perder de vista a cautela. “Se a agressividade nesse negócio significa oferecer financiamentos com apenas 5%, 10% de entrada, não é o que pretendemos. Isso é risco sistêmico e pode matar o mercado, como vimos em outros países.”

A Caixa Econômica Federal, dona de mais de 70% dos empréstimos habitacionais no País, registrou em janeiro uma média de 2.032 financiamentos por dia. Neste mês, a média está em 3.978 contratos. O banco prevê desembolsar este ano R$ 38,5 bilhões com imóveis, 20% mais que em 2008.

“O mercado está muito bem. Não há porque não acreditar que esse comportamento será diferente em 2010 “, diz José Roberto Machado, diretor de Crédito Imobiliário do Santander Real. “É uma combinação de fatores que ajuda, como a queda da taxa de juros, o déficit habitacional do País e o alongamento dos prazos de financiamento.”

O Banco do Brasil (BB) é um dos mais novos players no financiamento imobiliário. Entrou em agosto do ano passado e não tem economizado na munição para divulgar o novo produto. Sergio Augusto Kurovski, gerente-executivo de Novos Negócios do BB, diz que as condições econômicas do País, com aumento do emprego e melhora da renda, são o que mais influencia o brasileiro atualmente a se decidir por um endividamento habitacional de longo prazo.

Com o apetite dos bancos e condições de financiamento muito parecidas, fica difícil ganhar participação. Para Antonio Barbosa, diretor de Crédito e Consórcio do HSBC, o segredo é o incremento do serviço. Além disso, segundo o executivo, o banco quer cada vez mais aumentar as parcerias com as construtoras e imobiliárias para oferecer o crédito direto na fonte.

Printed the fear of the crisis, real estate market lives new ” boom ”
 Financing of property until August the same grew 45% before period of 2008 and prices do not stop to go up
 Paula Pacheco
 the real estate market opposed the forecasts after the burst of the bubble in the United States and live in great phase. The home loans for natural person increased 45% in the January gathered the August of 2009, in the comparison with the same period of 2008.
Until August, given more recent, the public banks had poured R$ 58,3 billion in the real estate activity, by means of financings for natural person. The private institutions had spent R$ 12 billion. In relation the July, these operations had grown more than the other modalities of credit. The financial institutions say that they have beaten contract record in wallet and still wait for one 2010 better.
For the interested parties in buying a property, the bad notice is that the prices had not withdrawn. In contrast, they do not stop to go up. The executives of the incorporators argue that the increases have folloied the inflationary indices. But specialists, as Luiz Pablo Pompéia, president of the Brazilian Company of Studies of Patrimony (Embraesp), says that the readjustment has been bigger. “Therefore, the recommendation is to pechinchar, because the companies are with bigger edges and have fat to burn. ”
 The same behavior occurs in the used property. In the case of the apartments of high standard, the high one in the price of venda of the year passed to arrived 25% here, according to Celso Pinto, director of Sotheby ” s International Realty of São Paulo. Although price increasing of the products, vendas is better that in the period daily pay-crisis.
Roseli Hernandes, manager of Location and Immovable Vendas of the Lello, confirm the retaken one of vendas of used and the high one of the price. The total of property commercialized for the company increased 19% in relation to the previous period to the crisis. “It has much proprietor from fear to vender and later if giving account that did not make a good business in the hour to buy another one. The prices have gone up excessively “, explain.
To have an idea of as the commerce of houses and apartments it is in high, according to data of the Regional Advice of Real estate brokers of the State of São Paulo (Creci-SP), the average price of the square meter (m ²) of the used one in the region that includes High of the Boa Vista, High of Pinheiros and Old Brooklin, that age of R$ 2,5 a thousand in August, was for R$ 3,7 a thousand in September, one high one of 51,89%. Of August, vendas of used had the September gone up 44.35% in the São Paulo capital.
Ana Luiza Bueno, commercial manager of the Villa Daslu, started to look apartment has about one year. Day yes, day not, it talks with one of the ten correctors that are running behind the property. “The market is very warm. When I stop to make the accounts, the apartment already was vendido. I arrived at a point where proper I am beating in the building to know if he has some vacant property “, he counts.
It is the first proper property of Ana Luiza, who dreams in starting 2010 in the new address. It looks an apartment with area of up to 290 m ² and three suítes, in the quarter of the Itaim or Gardens. “Being realistic, I find difficult”, laments.
The one is not alone for the classroom that the market is inflated and with little it offers. In the slum quarter of Paraisópolis, in São Paulo, one of the greaters of the Country, Helena Dos Santos is real estate owner of an informal one has 26 years and it never saw the prices so high.
If the house of two cômodos and bathroom, with 30 area of about m ², will be in a tarred street and located well, it is vendida by about R$ 30 a thousand. Six months behind, the outlay was well lesser, in the band of R$ 17 a thousand.
“Today I have one 150 property in wallet. It is not easy to vender. The price is high and the intervention of the City hall this way, with the inoccupation of some areas, has generated uncertainties in such a way for who wants to buy how much for the proprietors. “
SOURCES OF RESOURCES
 For the banks, the good demand confirms that the moment is propitious to raise the appositive ones in the real estate financings. Beyond earning directly with the operation of habitacional loan, for the banks it is a great business to more act each time in the segment. It is a form to have a faithful customer for up to 30 years – maximum stated period of repayment of a financing – and, in this period, to vender it others as many products, as safe and applications.
The main argument of the financial system to bet in the potential is the fact of the home loans to represent only 2.7% of Produto Interno Bruto (PIB) Brazilian, while the world-wide average is well higher. In Chile, for example, the participation is of 15% of the GIP, remembers to Luis Antonio France, director of home loans of the Itaú Unibanco.
Although the expansion plans, France guarantees that it is important not to lose of sight the caution. “If the aggressiveness in this business means to offer financings with only 5%, 10% of entrance, is not what we intend. This is sistêmico risk and can kill the market, as we saw in other countries. “
The Federal government saving bank, owner of more than 70% of the habitacionais loans in the Country, registered in January a average of 2.032 financings per day. In this month, the average is in 3.978 contracts. The bank foresees to spend this year R$ 38,5 billion with property, 20% more than in 2008.
“The market is very well. It does not have because not to believe that this behavior will be different in 2010 “, says Jose Robert Machado, director of Home loans of Real Santander. “It is a combination of factors that helps, as the fall of the tax of interests, the habitacional deficit of the Country and the allonge of the financing stated periods. ”
 The Bank of Brazil (BB) is one of new players in the real estate financing. It entered in August of the last year and it has not saved in the ammunition to divulge the new product.
August Sergio Kurovski, controlling-executive of New Businesses of the BB, says that the economic conditions of the Country, with increase of the job and improves of the income, is what more he influences the Brazilian currently if to decide for a habitacional indebtedness of long stated period.
With the appetite of the banks and conditions of financing very seemed, it is difficult to gain participation. For Antonio Barbosa, director of Credit and Trust of the HSBC, the secret is the increment of the service. Moreover, according to executive, the bank more wants each time to increase the partnerships with the real estate constructors and to offer to the credit right-hander in the source.
 

Imóvel da periferia fica sem crédito

Domingo, 01 de Novembro de 2009 | Versão Impressa Imóvel da periferia fica sem crédito

Expansão imobiliária é restrita onde o País mais precisa

 

Fernando Nakagawa e Edna Simão, BRASÍLIA

 

Famílias que dependem de financiamento têm enfrentado dificuldades para comprar imóveis. O problema está nas casas usadas que foram ampliadas, como o puxadinho incentivado pelo governo há alguns anos, e não tiveram registro atualizado na prefeitura.

Nas novas casas, o obstáculo está nas unidades construídas em terreno irregular ou por construtoras com dívidas tributárias e previdenciárias. Nesses casos, o banco não libera o financiamento. Com o aumento da demanda, o fenômeno virou um novo gargalo do mercado imobiliário, principalmente na periferia.

Em alguns bairros de periferia de grandes cidades, até 80% dos imóveis à venda estão irregulares e não podem contar com financiamento imobiliário ou o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a compra. Com isso, uma grande parcela da população que pretende ter acesso ao crédito fica à margem do boom imobiliário e dos programas para facilitar o acesso à casa própria.

“O fechamento de uma área de serviço, a cobertura da garagem ou a ampliação do quarto dos filhos, tudo é motivo para impedir a liberação do crédito, inviabilizando o negócio. É um gargalo sério”, afirma o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana.

Corretores afirmam que, normalmente, mais da metade dos imóveis à venda têm alguma irregularidade e não são aprovados pelos bancos. “Há bairros, porém, em que o porcentual é maior, principalmente na periferia, onde é comum chegar a 80% de irregularidade”, diz. Nas casas novas, o problema costuma ser menor.

GARANTIA

A falta de regularização de imóveis sempre existiu no Brasil, mas o aumento de renda das últimas duas décadas acentuou o fenômeno porque milhares de famílias expandiram suas casas, no que a indústria da construção chama de “segmento formiguinha”.

Agora, com a demanda em velocidade muito maior que a oferta de unidades novas, o fenômeno antes comemorado acaba constituindo num limitador para os negócios. A situação é mais grave em bairros em que há pouca área disponível para novos empreendimentos, o que reforça a procura por usados.

Normalmente, os puxadinhos e a falta de regularização do terreno são os maiores problemas na periferia. Nos bairros centrais, as irregularidades aparecem com a construção de uma piscina ou sauna.

Bernardete Coury, superintendente nacional de habitação da Caixa, defende que imóveis precisam estar com a documentação em dia para receber um financiamento. Mas diz que engenheiros da instituição têm margem para aprovar residências com modificações pequenas, que não comprometem a estrutura.

“Como agente financeiro, preciso olhar a casa como uma garantia do crédito. É preciso que a casa esteja em condições nos próximos 15 ou 30 anos”, diz.

Segundo a secretária nacional de habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, o governo trabalha para viabilizar a regularização fundiária e urbanística, fundamental para a liberação de empréstimos. Mas a regularização depende de conscientização da população, que precisa registrar todas as alterações feitas no imóvel. “É necessário criar a bandeira da assistência técnica para que a população tenha acesso às informações.”

O vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, deputado federal Fernando Chucre (PSDB-SP), diz que muitos proprietários não averbam as mudanças feitas nas construções e só têm a planta original do imóvel. “É preciso simplificar os procedimentos de cartório e baixar o custo para estimular a formalização das reformas e ampliações”, disse.

EFEITO PUXADINHO

Fatores que atravancam o crédito imobiliário

Falta de regularização impede financiamento e uso do FGTS. Por isso, normalmente, o comprador precisa fazer o pagamento à vista

A regularização demora de 90 dias a 1 ano

O negócio é barrado quando o banco vistoria a construção ou analisa documentos

Os imóveis irregulares têm baixa procura, queda de preço e ficam meses à espera de comprador que precisa pagar à vista

Principais pendências

Ampliação e reforma não notificadas na prefeitura e cartório

Terreno irregular

Falta de pagamento de impostos durante a construção

O que fazer para evitar o problema?

Submeter e aprovar o projeto de ampliação e reforma na prefeitura

Atualizar o registro no cartório de imóveis

Quitar pendências tributárias

Para onde vamos?

Domingo, 01 de Novembro de 2009 | Versão Impressa

 Para onde vamos?

 Fernando Henrique Cardoso

 A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República

 

 

 

 

Expansão do Porto de São Sebastião

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Governo deve segurar gastos públicos para manter crescimento, diz Coutinho

Domingo, 25 de Outubro de 2009 | Versão Impressa

 

Governo deve segurar gastos públicos para manter crescimento, diz Coutinho

Presidente do BNDES vê a ideia como parte de uma nova agenda para o País, mas ressalva que se trata de uma opinião pessoal

David Friedlander e Ricardo Leopoldo

 

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, acha que o governo precisará segurar os gastos de custeio da máquina pública para que o País continue a crescer nos próximos anos. Coutinho ressalva que a opinião, que toca numa das principais críticas ao governo Lula, é estritamente pessoal. Mas entende que a ideia deveria ser discutida como parte de uma nova agenda para o País. Nessa nova agenda, ele sugere ainda a reforma da Previdência Social e, do lado empresarial, maior participação dos bancos privados no financiamento de grandes projetos.

Chefe de um caixa com mais de R$ 100 bilhões para aplicar, Coutinho entende que as iniciativas são necessárias para aumentar a taxa de investimento na economia. Para que os próximos anos sejam prósperos, diz ele, será preciso investir o equivalente a 25% do Produto Interno Bruto (PIB)por ano. A taxa, hoje, está parada em 18%. Só assim o País conseguirá crescer, de forma sustentável, a um ritmo de 6% ao ano.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O sr. diz que para crescer o País precisa aumentar a taxa de investimentos, hoje equivalente a 18% do PIB. Como fazer isso sem pressionar a inflação?

Antes da crise o investimento caminhava para 20% do PIB, o que ainda é insuficiente. Precisamos fazer subir essa taxa e a de poupança no País para algo próximo a 24%, 25% do PIB. Isso nos daria conforto para crescer sustentadamente 6% ao ano, sem inflação. Eu acredito que a agenda da ampliação de investimento deveria ser uma prioridade de primeira grandeza para o País.

O que há nessa agenda?

Olhando para o futuro, isso significa ampliar a poupança doméstica e requer reformas: contenção da taxa de crescimento do gasto de custeio do Estado, reformas a longo prazo do sistema previdenciário e um forte incentivo da poupança das famílias e o desenvolvimento de poupadores institucionais. Isso tem o objetivo de fortalecer a capacidade de investimento.

A agenda que o sr. propõe vem no sentido contrário do que ocorre hoje, especialmente em relação à gestão dos gastos públicos…

Essa é uma agenda de médio e longo prazo. Algumas decisões que alteraram os gastos neste ano foram adotadas anteriormente. Nós estamos vivendo um período normal em qualquer democracia, que é um período pré-eleitoral. Ela precisa ser compreendida dentro de um momento novo.

Essa é uma agenda ainda para o governo Lula ou para o próximo governo?

Eu estou dando minha opinião como um simples economista e cidadão, que por acaso é presidente do BNDES no momento. A decisão da agenda do governo, de política econômica, está fora da minha esfera. É a minha opinião. Esse tema de longo prazo é oportuno sempre que vai haver uma eleição majoritária. É um tema oportuno para discutir a longo prazo.

Qual o papel da iniciativa privada nesse processo?

Do lado privado, eu vejo que o Brasil tem um conjunto de oportunidades de investimento extremamente rentável, de baixo risco, em pelo menos cinco fronteiras relevantes: toda a cadeia de petróleo e gás, o setor de infraestrutura de energia elétrica, toda a área de logística, transportes e portos, construção civil e agronegócios. Além deles, acredito que o Brasil deveria desenvolver investimentos na sua indústria manufatureira. Isso requer uma política de fomento um pouco mais ativa do que nas outras cinco fronteiras.

Há necessidade de ampliação da poupança doméstica, porque de outra forma não será possível conciliar o crescimento do Brasil com o financiamento do investimento agregado sem incorrer em déficits crescentes de contas correntes e portanto tornando o País dependente de poupança externa.

Isso seria um problema?

Nada contra a poupança externa, que deve ser atraída, especialmente em investimentos diretos. Mas depender dela de maneira excessiva torna o crescimento vulnerável.

Até quando o BNDES será a única fonte de financiamento de longo prazo do País?

O financiamento de longo prazo precisará da contribuição do sistema bancário privado para que não fique estritamente sob a responsabilidade do BNDES. Essa tarefa, no limite, pode se tornar impossível. Portanto, é importante discutir essa agenda positiva com o sistema bancário privado. Os bancos podem e deveriam participar mais do financiamentos dos investimentos. Mas isso demandará um aperfeiçoamento de condições institucionais e de incentivo à poupança, especialmente a poupança privada de médio e longo prazos.

O que é preciso mudar?

Facilitar a constituição de um “funding” (fonte de recursos) de médio e longo prazos do próprio sistema bancário, habilitando-o a correr riscos de longas maturidades, de projetos de maior escala que hoje têm ficado quase exclusivamente a cargo do BNDES no lado do financiamento. É claro que o mercado de capitais ajuda, mas esses projetos em geral são alavancados, pois há uma poupança tipicamente 30% de equity (ações) e 70% de financiamento. O lado equity do investimento vai estar bem equacionado pelo pujante desenvolvimento do mercado de capitais. Mas o financiamento de longo prazo precisa do sistema bancário.

Quando o sr. acha que os bancos privados vão se mover nessa direção?

Tenho confiança de que a redução da inadimplência – a da pessoa física já caiu e a da pessoa jurídica está começando a cair – e a movimentação mais agressiva de alguns bancos, vai desatar a concorrência entre eles e provocar expansão da oferta de crédito nos próximos meses.

Como o BNDES vai se financiar no ano que vem?

Há uma decisão do presidente da República e do ministro da Fazenda de assegurar os recursos necessários ao BNDES. Estamos em tratativas e estou seguro em relação a este ponto, mas não posso adiantar.

Como o sr. avalia a associação entre a atuação do BNDES e a política de Estado forte do governo Lula?

Acho que aí há uma falsa avaliação. Não há uma volta ao passado, ao velho modelo estatal desenvolvimentista. Também o modelo liberalizante foi inconsistente da forma como foi implementado no Brasil. Nós temos de unir as duas coisas: temos de ter um Estado eficiente, combinado com as virtudes do mercado.

Essa combinação requer, no Brasil, a criação de um paradigma novo de relacionamento entre Estado e sistema empresarial. Me sinto muito confortável. Não há uma disposição nossa de substituir o mercado ou o sistema privado. Ao contrário, nosso interesse é fortalecê-lo.

Está crescendo no mercado a aposta que o senhor pode substituir o presidente do BC, Henrique Meirelles, caso ele deixe o governo para concorrer a um cargo público…

Isso não tem fundamento. Minha expectativa é permanecer no BNDES enquanto continuar merecendo a confiança do presidente Lula.

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