Arquivos

Posts Etiquetados ‘condominio’

Bancos agora cortejam as imobiliárias

Bancos agora cortejam as imobiliárias

    De São Paulo
    05/02/2010

Depois de disputarem as redes varejistas de eletrodomésticos para expandir suas carteiras de crédito ao consumo, os bancos partem agora em busca de acordos com as imobiliárias. É a partir delas que as instituições vão distribuir produtos para imóveis, como financiamentos e seguros.

Ao fechar parcerias com os corretores, os bancos estão interessados em marcar posição em um negócio que ainda tem muito espaço para crescer. No Brasil o mercado de crédito imobiliário corresponda a 2% do Produto Interno Bruto (PIB), volume bastante inferior aos 69% dos Estados Unidos ou mesmo dos 11% do México. Além disso, é nas imobiliárias que se concentra a maior parte das transações do mercado. Os imóveis usados representam 63% das vendas anuais de casas e apartamentos.

“O importante para o banco é estar perto do cliente logo na hora em que ele decide comprar um imóvel”, diz Ademar Larine, presidente da CrediPronto, sociedade entre o Itaú e a imobiliária Lopes.

Criada por Larine e pela Lopes em 2007, a CrediPronto contratou o banco Goldman Sachs para encontrar um parceiro financeiro. A disputa teve 12 concorrentes. O Itaú saiu vencedor com a proposta de pagar R$ 290 milhões à vista à Lopes e outros R$ 220 milhões vinculados ao resultado da CrediPronto pelos próximos dez anos. Agora, as 152 lojas da Lopes e de suas associadas – número que ainda será expandido – só podem oferecer a seus clientes produtos do Itaú.

No ano passado, a CrediPronto gerou cerca de R$ 150 milhões em financiamento imobiliário. Para este ano, a expectativa é que a companhia ofereça R$ 350 milhões.

A BM Sua Casa, distribuidora de produtos financeiros da Brazilian Mortgages, opera com 30 lojas próprias – que estão até em shopping centers – e mais 500 imobiliárias associadas. “A compra de um imóvel é uma decisão familiar, geralmente tomada fora do horário comercial de um banco, por isso é importante criar canais alternativos de venda do financiamento”, avalia Vitor Bidetti, diretor da Brazilian Mortgages.

Tanto a CrediPronto quanto a BM Sua Casa pagam comissões para as imobiliárias, modelo que não é seguido pelo Santander. “Acreditamos que, ao oferecer o crédito a seus clientes, as imobiliárias já são beneficiadas”, diz Nerian Gussoni, superintendente de crédito imobiliário do banco.

A estratégia do Santander passa por um site na internet, o WebCasas, comprado pelo banco no mês passado. Ao mesmo tempo em que mostra os classificados de imóveis e informações do mercado, a página também apresenta os produtos da instituição. Em 2002, para avançar no financiamento de veículos, o banco Real, adquirido pelo Santander, comprou o WebMotors e chegou a ter a liderança do setor.

A dificuldade que as instituições financeiras encontram para se associar às imobiliárias é o fato de esse ainda ser um mercado totalmente pulverizado, diferentemente do varejo de eletrodomésticos. Só existem duas grandes empresas no setor, a Lopes e a Brasil Brokers, ainda sem parceiros financeiros.

Para as imobiliárias, as parcerias também são valiosas. “É um importante instrumento de liquidez do mercado. Ao facilitar a venda de um imóvel usado, acaba-se favorecendo também o mercado de novos porque o vendedor pode optar por morar em um apartamento mais atual”, diz Tomás Salles, diretor da Lopes. Ou seja, a corretora ganha duas vezes. “Hoje o brasileiro muda muito pouco de casa porque não tem como pagar”, diz Salles. Levantamento feito pelo Credit Suisse mostrou que os mexicanos trocam de imóvel quatro vezes ao longo da vida, enquanto a média brasileira é de 1,8 vez. (C.M.)

Construção civil será destaque em 2010

De Olho na Bolsa:

Construção civil será destaque em 2010

    Daniele Camba
    28/12/2009

Colunista

Financiamentos imobiliários com prazos mais longos, programa Minha Casa Minha Vida do governo, recuperação econômica com o fim da crise financeira internacional, além da expansão da renda e do emprego. Esses são fatores que fizeram com que o setor de construção civil tivesse um bom desempenho neste ano e, para 2010, espera-se que as construtoras se destaquem ainda mais. Essa é a opinião de algumas corretoras. No caso da Gradual Investimentos essa ideia é ainda mais forte. “O setor de construção civil deve ser o que mais dará retorno no ano que vem”, afirma Paulo Esteves, chefe da área de análise da Gradual Investimentos.

Foto Destaque

O crescimento do crédito, especialmente das linhas de mais longo prazo, a continuação do aumento da renda e do nível de emprego serão os pilares para a melhora do cenário das construtoras e, consequentemente, para as suas ações em bolsa. Já com relação às taxas de financiamento, a expectativa é de que elas caiam em 2010. Atualmente, um financiamento imobiliário de 35 anos possui uma taxa média de 10% ao ano. No próximo ano, essa taxa pode cair para algo entre 9% e 7,5% ao ano, uma redução significativa, estima Esteves.

Os números mostram o aquecimento do setor imobiliário. “Em conversas com as construtoras, elas dizem que a demanda está tão forte que em uma semana vendem 70% das unidades de um lançamento”, diz Esteves. Ele tem percebido a efervescência do setor por experiência própria. “Eu já fui procurado por vários corretores com boas oportunidades de negócios, tanto é que eu mesmo estou comprando um outro imóvel”, confessa Esteves.

Foto Destaque

Além dos fatores macroeconômicos, a insatisfação dos investidores com os ganhos da renda fixa deve ser um importante empurrão para o setor imobiliário. Com retornos mais modestos, os investidores sairão da renda fixa tradicional e uma parte desses recursos tende a ir para investimentos ligados ao setor imobiliário, desde a aplicação em fundos imobiliários até a aquisição dos imóveis em si.

Mesmo a retomada do processo de alta da taxa de juros Selic, prevista para ocorrer em meado do ano que vem, não será suficiente para mudar essa migração de recursos da renda fixa para outras formas de investimento, acredita o chefe de análise da Gradual. A projeção da corretora é que a taxa Selic termine 2010 em 10,75% ao ano, dos pontos percentuais acima do nível atual. Dentro do setor imobiliário, as principais recomendações da Gradual são os papéis da Eztec – uma construtora de menor porte, mas extremamente descontada se comparada às demais ações do segmento – e da Brookfield – a única multinacional listada em bolsa, bem estruturada e com acesso a um capital mais barato, por intermédio do seu controlador internacional -, explica Esteves.

Outros setores

A expansão da renda e do emprego, juntamente com a recuperação econômica, vai impactar positivamente outras empresas ligadas ao mercado interno. Entre elas estão as que fazem produtos para a população de massa, como alimentos, carnes e bebidas. Esteves cita alguns nomes como Brasil Foods, Pão de Açúcar, M. Dias Branco, AmBev e os frigoríficos, sendo que as duas primeiras estão entre as principais recomendações da Gradual.

Já para o Ibovespa, a projeção da corretora é de 81 mil pontos para o fim de 2010, o que significa uma valorização de 19,84% em relação ao fechamento da última quarta-feira, aos 67.588 pontos. Esteves afirma que alguns clientes acharam o número acanhado demais até porque existem projeções que beiram os 90 mil pontos. Esteves explica: “Os 81 mil pontos devem ser comparados aos 62 mil pontos que projetávamos para o fim deste ano e não aos 67 mil pontos atuais”, diz. “Essa diferença entre os 62 mil e os 67 mil já é uma antecipação de um tanto que deveria subir em 2010.”

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

Banqueiros já veem queda de margem

novembro 15, 2009 1 comentário

Domingo, 15 de Novembro de 2009 | Versão Impressa

 Banqueiros já veem queda de margem

Com juros mais baixos e aumento da competição, cenário do setor começa, finalmente, a mudar no País

 

 

Leandro Modé

 

 

 

Especialista em análise de bancos, Alberto Borges Matias, professor da USP de Ribeirão Preto, não tem dúvidas: “2010 será o primeiro de uma série de anos que farão com que nosso sistema bancário se torne igual aos outros”, afirma. Que fique claro: igual, para ele, significa bancos que emprestem muito mais do que hoje e cobrem taxas de juros menores que as cobradas atualmente.

Pode-se argumentar que as palavras de Matias, tradicional crítico do modelo bancário brasileiro, carreguem um certo exagero. Mas é inegável que o cenário para 2010 tem alguns ingredientes realmente diferentes. Algo que os próprios banqueiros reconhecem.

Durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, nas semanas passada e retrasada, executivos de Itaú Unibanco e Bradesco, as duas maiores instituições financeiras privadas do País, alertaram que suas margens (relação entre lucro e receitas financeiras) devem cair no ano que vem, avaliação endossada por analistas de mercado.

“A margem deve diminuir com a competição maior”, disse o diretor executivo de Controladoria do Itaú Unibanco, Silvio de Carvalho. “A tendência é a margem cair por causa da redução do spread (diferença entre a taxa que o banco paga ao captar dinheiro e a que cobra no empréstimo ao cliente)”, completou o vice-presidente executivo do Bradesco, Domingos Abreu, que também atribuiu o provável efeito ao aumento da concorrência.

O presidente do Banco do Brasil (BB), Aldemir Bendine, é outro que espera mais competição em 2010. “Eu não estou fazendo essa projeção para o ano que vem, eu venho repetindo isso há algum tempo. A gente já esperava para este ano essa concorrência mais acirrada, por causa de uma postura mais tímida (dos concorrentes) naquele momento (auge da crise). Isso vai se acirrar para o ano de 2010.”

Três fatores são chaves para entender o cenário dos bancos para 2010. O primeiro é a expectativa de forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa média do mercado é de uma expansão na casa de 5%, mas há quem preveja alta próxima de 6%. Em geral, cada ponto porcentual do PIB implica um crescimento de 4% a 5% do crédito total da economia. Levando em conta as hipóteses menos otimistas, os empréstimos cresceriam, portanto, 20%.

O segundo fator é a perda de participação de mercado das instituições privadas para as públicas em 2009. Em dezembro de 2008, os bancos controlados pelo governo respondiam por 36,3% dos empréstimos no País. Em setembro deste ano, haviam avançado para 40,6%. Embora publicamente neguem a intenção de recuperar terreno, os bancos privados sabem que precisam reagir.

O Bradesco, aliás, no mesmo dia em que anunciou os resultados trimestrais, divulgou a ampliação dos prazos de financiamento para várias modalidades de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para empresas.

“Agora o sufoco (crise) passou. Os bancos privados vão ter de voltar (para o crédito) e isso, impreterivelmente, levará a um aumento da concorrência”, disse a analista de instituições financeiras da Ativa Corretora, Laura Lyra Shuch.

Ela lembra que a estratégia dos bancos públicos, sobretudo do Banco do Brasil (que tem capital aberto e, portanto, ações negociadas em bolsa), foi muito criticada. “A primeira interpretação, inclusive minha, foi de que o BB seria o “pai” da crise, o que fez suas ações caírem fortemente. Aos poucos, vimos que sua estratégia foi acertada.”

O terceiro fator, que, diferentemente dos outros dois, pode ser considerado estrutural, está relacionado especificamente ao crédito imobiliário. Pela primeira vez na história recente do País, os bancos apostam firmemente nessa área, que, hoje, equivale a menos de 5% do PIB – para se ter uma ideia, em países como os Estados Unidos, supera os 50%.

Esse apetite é explicado, basicamente, pela queda da taxa básica de juros, hoje em 8,75% ao ano, e por mudanças regulatórias, que deram mais segurança para o credor. “O spread (ganho) dos bancos no empréstimo imobiliário é mais baixo do que em outras modalidades”, afirmou o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu. Ou seja, à medida que as instituições aumentarem sua fatia em um segmento menos rentável, puxam para baixo a margem geral.

Os analistas ressaltam que redução de margem não implica necessariamente queda de lucro. “Os bancos vão tentar compensar essa baixa com o aumento dos volumes”, observou Santacreu. Abreu, do Bradesco, confirma. “O objetivo é compensar as operações de spread menor com alta do volume”, disse.

Santacreu também lembra que, embora os próprios bancos acreditem em uma queda da margem, vão fazer o máximo que puderem para evitá-la. “Uma queda da margem só ocorre se a redução das taxas de juros cobradas dos bancos for mais rápida do que o movimento para ampliar os volumes”, explicou. Pelo discurso dos executivos, é provável que isso de fato ocorrerá. Sinal de que a concorrência, como diz Matias, finalmente pode ter chegado para valer no País.

 

 

 

 

Prefeitura de SP planeja reformar 58 prédios desocupados do centro

Domingo, 01 de Novembro de 2009 | Versão Impressa

Prefeitura de SP planeja reformar 58 prédios desocupados do centro

Andares hoje totalmente ociosos vão dar lugar a apartamentos de R$ 40 mil a R$ 170 mil feitos pela Cohab

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli

Assim como na época em que o Cineasta Hotel funcionava, até quase dez anos atrás, as xícaras, pratos de porcelana e talheres permanecem expostos ali na sala de café. Estão empoeirados, jogados nas mesas de qualquer jeito, sujos – ainda assim, a louça e toda a decoração da década de 50 do imóvel mantêm de certa forma um pouco do charme que já existiu naquele prédio hoje abandonado na Avenida São João. Decadentes e esquecidos, como grande parte do centro de São Paulo, os quartos do Cineasta podem agora também simbolizar uma nova chance para a região.

O hotel é um dos 58 edifícios ociosos escolhidos pela Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) para ser transformado em moradia popular até 2012. O endereços foram selecionados com base em estudo inédito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), feito a pedido da própria Cohab, que descobriu pelo menos 208 prédios desocupados no centro paulistano.

Todos os imóveis foram analisados, os donos encontrados e as dívidas procuradas – em média, cada prédio deve R$ 100 mil de IPTU. Os pesquisadores descobriram ainda que 90 prédios têm comércio no térreo ou o estacionamento alugado, enquanto outros 68 edifícios estão completamente vazios. Com o estudo em mãos, a companhia escolheu agora os 58 edifícios que reúnem as condições para serem desapropriados, reformados, revitalizados e vendidos para a população de baixa renda.

“O grande problema desses prédios é a situação jurídica, pois são dezenas de herdeiros que não se entendem há anos e, por isso, os endereços estão ociosos”, diz o engenheiro Luiz Ricardo Pereira-Leite, presidente da Cohab. “E também há toda a dificuldade de adaptar esses prédios antigos para a legislação atual. Em alguns casos, é impossível adaptar. Por isso, queremos fazer a coisa direito, com pé e cabeça. Escolhemos os prédios que podem ser reformados por um preço realista e estamos neste momento levantando as plantas para saber como fazer a adequação.”

Os prédios terão de 50 a 280 unidades e a ideia é que cada apartamento custe de R$ 40 mil até R$ 170 mil, atraindo todas as faixas salariais dos 900 mil cadastrados na fila da Cohab. O financiamento será feito por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que dá subsídio de R$ 52 mil para habitações destinadas a famílias que ganham até dez salários mínimos (R$ 4.650).

DIFICULDADES

Os hotéis ociosos poderão ser os primeiros do plano – tratado como o maior projeto da história da companhia -, justamente por serem mais fáceis de serem revitalizados.

A negociação do Cineasta Hotel, por exemplo, já está em curso. Seus quartos de 35 metros quadrados são praticamente unidades prontas – só corredores serão rearranjados e os banheiros, divididos para dar lugar às cozinhas. Enquanto isso, os outros imóveis serão desapropriados conforme os acordos avançarem. “Hoje, se a gente fizer unidades de 20 metros quadrados, teremos público; se fizermos de 100 metros quadrados, também”, diz Pereira-Leite. “São duas as perguntas que estamos nos fazendo: como é possível reverter esse panorama do centro de São Paulo e o que é factível? O que for, faremos.”

O presidente da Cohab reconhece que há entraves no projeto, como a dificuldade de adaptar prédios antigos às novas regras de acessibilidade paulistanas. Ele prefere não adiantar o valor máximo que a Prefeitura pretende gastar com as reformas. Mas, quando o assunto é o porte do investimento, Pereira-Leite faz uma ponderação: “Reabilitar um prédio custa mais caro no micro, sem sombra de dúvida. Mas se você colocar na conta a infraestrutura, vale a pena.”

//

Crise fica no passado para as construtoras – 21/10/2009

Crise fica no passado para as construtoras – 21/10/2009

Fonte:Valor Online

Anna Carolina Negri/Valor
Foto Destaque
Eduardo Gorayeb, da Rodobens: “O cenário é mais positivo em todos os sentidos, da demanda à oferta de crédito.”

O cenário da construção civil, definitivamente, mudou de direção. A crise – que causou sérios estragos em algumas companhias – já começa a ficar para trás e abre espaço para uma nova rodada de anúncios de vendas recordes. A prévia de resultados operacionais divulgada pelas empresas com ação em bolsa também mostra uma nova tendência: o conservadorismo que pautou o discurso das empresas ao longo de todo o ano dá lugar a um tom mais otimista – refletido no aumento dos lançamentos, que estavam estacionados para que as construtoras pudessem desovar estoques, e em novas projeções de vendas.

O exemplo mais agressivo dessa mudança de rota é a mineira MRV , que atua na baixa renda e aumentou sua previsões de vendas para este ano, podendo chegar a R$ 3 bilhões. Em 2010, a companhia estima vender entre R$ 3,7 bilhões e R$ 4 bilhões. Beneficiada pelo programa do governo, a companhia anunciou vendas recordes – que atingiram R$ 789,4 milhões, alta de 85,8% sobre o mesmo período do ano passado. Os lançamentos da companhia mineira no terceiro trimestre subiram 28,2%, atingindo R$ 650 milhões.

A Rodobens Negócios Imobiliários, que também constrói imóveis populares, vendeu R$ 150 milhões entre julho e setembro, alta de 46% sobre os mesmos meses de 2009. No acumulado do ano, as vendas somam R$ 380 milhões, 15% acima dos nove primeiros meses do ano passado. “O mercado está com perspectiva muito positiva, a receptividade tem sido muito boa”, afirma Eduardo Gorayeb, presidente da companhia. “A oferta de crédito para capital de giro também aumentou”, afirma. Os lançamentos somaram 3011 unidades, recorde histórico da companhia, e somaram R$ 182 milhões, alta de 21% sobre o trimestre anterior.

Empresas que atuam na baixa renda estão reduzindo preços para se enquadrar no plano habitacional do governo e, por conta disso, precisam vender mais unidades para não comprometer o faturamento- essa equação deve começar a aparecer nos próximos balanços. “Temos que produzir mais e o esforço, que era de vendas, passou a ser de produção”, afirma Gorayeb. O preço médio da Rodobens caiu de R$ 103 mil no segundo trimestre para R$ 73 mil no terceiro.

Quem atua em residencial para a classe média e alta e em imóveis comerciais, como Helbor e Even, também venderam mais. As vendas da Helbor somaram R$ 314 milhões, alta de 182% sobre o terceiro trimestre de 2008. A Even teve vendas recordes de R$ 426 milhões no terceiro trimestre, alta de 36% sobre 2008. A única exceção é a Agre, junção da Abyara, Agra e Klabin Segall, que está se estruturando em uma única companhia. Vendeu R$ 541 milhões entre julho e setembro, contra R$ 994 milhões das três companhias juntas no ano passado.

Presidente da CEF faz balanço do Minha Casa – 16/9/2009

Presidente da CEF faz balanço do Minha Casa - 16/9/2009

Fonte:Valor Online 

 

A presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Ramos Coelho, quase não consegue parar para dar entrevista depois de sua apresentação no Brazil Real Estate Conference, em Nova York. Investidores estrangeiros e executivos brasileiros, com os seus cartões em mãos para se apresentar à executiva, queriam tirar mais dúvidas sobre o plano ou simplesmente cumprimentar o seu trabalho à frente da instituição.

Depois de atender cordialmente a cada um deles, senta-se para falar sobre o Minha Casa, Minha Vida, plataforma política importante do atual governo, costurada por Maria Fernanda e a ministra Dilma Roussef com 11 das maiores empresas do setor. Procura ser precisa nos números e o que não tem de cabeça providencia rapidamente via e-mail pelo seu blackberry. A CEF tem 329.836 unidades em análise, que representam 1726 empreendimentos. Desse total, 54 mil unidades já foram aprovadas (285 empreendimentos). A meta do governo é aprovar 400 mil unidades este ano e outras 400 mil em 2010 do total de 1 milhão de casas anunciado pelo programa. “33% da meta já está em análise dentro da Caixa”, diz Maria Fernanda.

A cobrança dentro e fora de “casa” é grande. A maior dúvida que o setor e os investidores têm hoje diz respeito à capacidade de colocar o programa em prática. “Esse é, sem dúvida, nosso maior desafio”, diz a presidente da Caixa. “A ministra nos pede capacidade de resposta.”

Para conseguir dar agilidade às aprovações, segundo Maria Fernanda, além de ter reduzido a burocracia de mais de 200 itens para cerca de 50, contratou 300 novos engenheiros e arquitetos desde o começo do ano. A Caixa também trabalha com cerca de duas mil empresas terceirizadas que auxiliam no trabalho de aprovação. Mas e o risco de formar uma carteira de crédito deficiente que será carregada por até 30 anos? “Simplificamos o processo, mas não alteramos o nível de avaliação de risco”, diz. “Nossa taxa de inadimplência está estável na casa de 2% e o rating de crédito da Caixa melhorou no último ano “, completa. A avaliação mais alta (AA-B) , que representava 61,4% em junho de 2008 passou para 67% em junho de 2009.

Embora a CEF seja o maior agente de crédito imobiliário no país, com 72,4% do total concedido, Maria Fernanda defende a entrada de outras instituições no programa Minha Casa, Minha Vida. O Banco do Brasil já anunciou que vai aderir, mas os bancos privados ainda não deram qualquer sinalização até porque o gestor dos recursos do FGTS é a Caixa.

O banco tem procurado fazer parcerias com as grandes empresas. Criou a figura do correspondente bancário, no qual a construtora pode adiantar boa parte do processo burocrático e só passa para a CEF a aprovação do crédito. Recentemente, abriu uma plataforma de atendimento especial para as grandes empresas e passou a centralizar o processo de aprovação das que atuam em vários estados.

Uma das críticas das construtoras em relação à Caixa está relacionada à avaliação dos imóveis – que costumavam ser subavaliados segundo as empresas. “Agora a discussão da avaliação do imóvel é feita por cada unidade da federação, que considera todos os aspectos daquela região.”

Até o fim de agosto, o volume de crédito imobiliário da CEF foi de R$ 26 bilhões, mais do que o total concedido no ano passado inteiro, quando o banco financiou R$ 23 bilhões. No primeiro semestre, houve aumento de 90% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Durante a crise, segundo a exposição feita por Maria Fernanda, a Caixa aumentou a concessão de crédito imobiliário em 51,2%, enquanto os outros bancos reduziram em 18,2%.

Alphaville Granja Viana – Vendo 2.500 m2 em lotes comerciais na portaria do condominio

convite alphaville 1convite alphaville

5 lotes comerciais apenas, de frente pra Av. São Camilo, melhor oportunidade pra quem trabalhar ao lado do Alphaville, do  lado de São Paulo, dentro de uma área verde de 300 mil m2 (cerca de 230 m2 de área verde por habitante). Devido ao número limitadissimo de unidades e a exclusividade do projeto.  Não perca a oportunidade !! Como investimento, terreno moeda forte, não há outro projeto igual no mercado !

mapa alphaville granja viana

Escolha seu lote, para investimento ou moradia, melhor oportunidade do ano !!

DADOS TÉCNICOS:


População
Previsão de população 304 x 5 = 1520 habitantes
Área verde por habitante 228 m²/habitante
Estatísticas de Áreas
Área total 674.938,97 m²
Área de lotes 198.062,45 m²
Estatística de Lotes
Residenciais Unifamiliares 179.561,34 m² (304 lotes)
Comerciais 18.501,11 m² (29 lotes)
Áreas Verdes
Clube 19.354,29 m²
Espaços livres (EL) 35.605,83 m²
Áreas Verdes externas 139.280,01 m²
Áreas de Preservação Permanente (APP) 152.305,68 m²
Total de áreas verdes 346.545,81 m²

Matéria publicada na imprensa :

Alphaville Granja Viana vem aí

A Prefeitura de Carapicuíba assinou em 19 de maio, um Termo de Compromisso para construção de duas novas creches na cidade, uma na Estrada do Jacarandá, Roseira Parque, com 250 vagas e outra na Estrada do Jathay, Ariston III, com 220 vagas.

A conquista veio através de uma reivindicação do prefeito Sergio Ribeiro junto à empresa Alphaville Urbanismo S/A, que construirá um condomínio na cidade, o Alphaville Granja Viana, na Avenida São Camilo.

A área total tem cerca de 700 mil metros quadrados de mata nativa, como vocês podem observar no google maps aqui.
Apenas um terço será destinado ao condomínio, um empreendimento com cerca de 400 lotes de 500 metros, para residências de alto padrão.

Por solicitação da prefeitura, o restante da área será transformado em parque para uso da comunidade e a região ganhará um novo acesso até o km 26 da Rodovia Raposo Tavares.

Marcelo Willer, representante da Alphaville Urbanismo ressaltou que, “será implantado um centro de educação ambiental para as crianças das escolas da região, que vai ajudar na preservação do patrimônio ambiental”.

O prefeito Sergio Ribeiro já determinou que as duas creches fossem construídas pela própria Alphaville Urbanismo, para dar agilidade às obras.

Outros detalhes sobre o empreendimento Alphaville Granja Viana serão dados em breve pela Assessoria de Imprensa da empresa.

3355123

33551263355124

33551283355127 me envie um email jonasjr@delfortefrema.com.br que darei mais detalhes (91067441)

Vagas tamanho “p” criam confusão em condomínios – 5/5/2009

Vagas tamanho “p” criam confusão em condomínios – 5/5/2009

Fonte:Folha de S. Paulo

Garagens viram alvo de reclamações por causa do aumento dos carros utilitários

Demarcação de espaço para veículos foi regulamentada em 1992, quando a frota de carros de grande porte era menor do que a de hoje

MÁRCIO PINHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Achar um lugar para estacionar em São Paulo não é um problema apenas nas ruas. Nos condomínios, a presença cada vez maior de veículos grandes, entre eles utilitários como minivans que não cabem na maioria das vagas que são de tamanho “p”, é motivo de conflitos e muita reclamação.
De um lado, os donos dos carrões reclamam da falta de vagas grandes e se engalfinham em assembleias de divisão buscando garantir as maiores.
Do outro, os que têm carros menores reclamam que os utilitários invadem suas vagas e frequentemente ficam com a frente ou a traseira no corredor, dificultando manobras.
Os dois grupos apontam riscos nas portas como resultado de carros grandes e pequenos lado a lado, em vagas pequenas.
A origem da confusão pode estar em 1992, quando foi regulamentado o Código de Obras da prefeitura. Nele, está definido que vagas pequenas (“p”) terão no mínimo 2 m de largura e 4,2 m de comprimento -medida menor que a de carros lançados muitos anos depois, como Corolla ou Honda Civic.
Algumas construtoras tentam fugir dessas medidas para dar mais conforto, mas o setor imobiliário aponta barreiras como o aumento do custo dos empreendimentos.
O Código de Obras estabelece ainda que 50% das vagas que o prédio obrigatoriamente precisa ter -uma para apartamentos de até 150 m2, por exemplo- sejam pequenas. Outros 45% de “m” -medida que comporta hoje boa parte dos utilitários- e apenas 5% “g” -para utilitários maiores e minivans.
Se esses parâmetros permanecem desde 1992, o que teve, sim, uma alteração foi a venda de utilitários. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o segmento vendeu 128 mil unidades naquele ano, enquanto que em 2008 foram 477 mil no país.
Para Márcio Rachkorsky, presidente da Assosíndicos (Associação dos Síndicos do Estado de São Paulo), a estimativa do Código de Obras nunca se adequou à prática.
“A situação só piorou com o aumento da presença dos utilitários. Visitando condomínios de classe média ou média alta percebe-se muitos carros grandes em vagas menores. As porcentagens de tamanho do código precisam ser revistas para evitar litígios”, diz.
As dificuldades para estacionar já fizeram surgir empresas que fazem readequação de garagens. Sidnéia Menezes, da Construsinal Serviços de Sinalização, afirma que o principal problema que verifica são as demarcações erradas. “Há vagas irregulares. Já achei até com apenas 3,10 metros de comprimento”, afirma.
A contratação de manobristas para minimizar os problemas nas garagens, é tida como uma alternativa. Mas os condomínios preferem apostar no entendimento entre os moradores -nem sempre possível.

Mercado diz que vaga maior está mais difícil

Construtores negam fazer demarcações menores em garagens e defendem revisão da cota para carros de maior porte

Hubert Gebara, do Secovi, diz que há 20 anos, era mais fácil um prédio oferecer vagas que chegavam ao tamanho de 4 m por 7

DA REPORTAGEM LOCAL

O setor imobiliário admite que a possibilidade de oferecer vagas maiores é reduzida hoje. “Tratou-se de uma imposição de mercado”, afirma Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo.
Ele conta que, há 20 anos, era mais fácil um prédio oferecer vagas que chegavam ao tamanho de 4 m por 7 m, medidas que caíram muito.
Entre os motivos, ele aponta que “as leis mais restritivas ao setor, terrenos mais escassos, principalmente em locais de boa venda, como nas proximidades de estações do metrô”.
Esses e outros fatores aumentam o custo da construção e exigem um aproveitamento do espaço que torne o empreendimento viável economicamente, segundo ele. Uma das apostas tem sido optar por áreas pequenas em prédios com muitos apartamentos.
Se o prédio tem área para construir mais vagas nas garagens além das obrigatórias, as tamanho “p” são uma opção de aproveitamento de espaço.
Algumas construtoras tentam fugir dos limites do Código de Obras. A Tecnisa, por exemplo, tem vagas do tipo pequena com largura de 2,10 m, o que dá 20 cm a mais entre duas vagas em comparação com vagas de largura mínima.
O arquiteto Jonas Birger, que faz projetos para grandes construtoras, diz que de seu escritório não saem projetos com largura menor que 2,30 m. “Com 2 m a pessoa não consegue sair”.
Hubert Gebara diz que administradoras têm sentido, devido às facilidades de financiamento, um aumento na presença dos automóveis grandes. Ele apoia a revisão da fatia de 5% para esse tipo de veículo.
Nega, porém, que construtoras façam vagas menores que o permitido, pois não conseguiriam, por exemplo, o Habite-se.

Sorteio de lugar em garagens garante quórum

DA REPORTAGEM LOCAL

Conseguir juntar um número considerável de moradores para uma reunião de condomínio é um feito. Não é diferente no edifício de classe média alta Echelles, em Perdizes (zona oeste de SP), onde também predomina a percepção de que assembleia é uma chatice.
Contudo, basta que um dos temas da pauta seja a divisão das vagas de garagem para que o salão de festas fique pequeno.
“Temos em média uma participação de 20% a 30% nas reuniões comuns. Quando realizamos a divisão, a participação é superior a 95%”, afirma Márcio Rachkorsky, síndico do condomínio de classe média alta e presidente da associação de síndicos do Estado.
A presença maciça dos moradores evidencia o medo que muitos que têm carros grandes têm de ficar com vagas pequenas ou então com as chamadas “vagas indesejadas” -de difícil manobra.
É o caso do empresário Valdeci Borges da Silva Júnior, 33, que quando sabe que esse tema será discutido, cancela seus compromissos para poder ir à reunião de condomínio. Já aos outros encontros, vai “quando dá”.
Silva Júnior tem dois carros relativamente grandes, um C4 e um Sentra, ambos maiores que a medida das vagas tamanho “p” previstas pela prefeitura (4,2 m).
“Fico na expectativa de o meu apartamento ser sorteado logo no início para que eu possa escolher duas vagas maiores. Assim, não terei dor de cabeça para manobrar e meus carros não irão ultrapassar as medidas da vaga”.
Ele conta que teve problemas quando um dono de carro grande herdou uma vaga ao lado de onde ficava seu C4. O novo vizinho tinha outro carro grande (Infiniti), e a manobra ficou difícil. Uma vez, Silva Júnior teve de deixar o veículo fora da vaga.
Segundo Márcio Rachkorsky, são comuns disputas entre moradores nos edifícios. “Os que têm carros grandes querem as vagas grandes. Já os que têm carro pequeno acham injusto o privilégio pois, em alguns casos, optaram por um carro menor pensando na dificuldade de espaço. O síndico é que fica sem saída”, diz.
Rachkorsky afirma que é complicado nos prédios conseguir votar coisas importantes, como a convenção de condomínio, que precisa de quórum qualificado. A dica, segundo ele, é marcar votações importantes para o dia da divisão de vagas.

Mesmo sem adesão de grandes Estados e municípios, pacote de habitação tem forte procura

Infraestrutura: Mesmo sem adesão de grandes Estados e municípios, pacote de habitação tem forte procura Plano já tem projetos, terrenos e muitas famílias cadastradas

Marli Lima, Sergio Bueno, César Felício, Vanessa Jurgenfeld e Ana Paula Grabois, de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis e Rio
20/04/2009

O programa Minha Casa, Minha Vida, começou, de fato, ao longo dos seus primeiros cinco dias. Nesta semana, dois contratos de financiamento de projetos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida vão ser assinados na cidade de Curitiba direcionados para famílias até três salários mínimos. Na semana passada, seis projetos de construtoras foram protocolados na Superintendência da Caixa Econômica Federal de Florianópolis, direcionados para famílias acima de três mínimos. Em Porto Alegre, foi registrada manifestação de interesse para nove projetos para 4,5 mil casas para baixa renda. Ao mesmo tempo, no Estado de São Paulo, onde o déficit habitacional é de 1,4 milhão de moradias, a forte demanda por parte da população provocou a formação de filas nos postos de cadastramento, mas prefeitura e Estado – ambos governados pela oposição – ainda não sabem como vão aderir ao programa. Também em Minas Gerais, prefeitura (aliada do governo federal) e Estado (oposição) não formalizaram a adesão.

De acordo com o superintendente regional da Caixa em Curitiba, Celso Matos, os dois contratos que serão assinados esta semana são da Companhia de Habitação (Cohab) e possuem, cada um, 48 unidades habitacionais. São projetos que estavam sendo tocados para pessoas com renda superior a três mínimos, mas puderam ser adaptados às novas regras. “Temos outros casos que estão em tramitação e poderão ser enquadrados no programa”, informa.

De acordo com o presidente da Cohab, Mounir Chaowiche, atualmente há áreas identificadas no município para a construção de 10 mil casas para famílias com renda de até seis salários. Nos próximos dias, a prefeitura planeja lançar um pacote para agilizar o processo de aprovação dos projetos e também está em estudo a redução de impostos municipais para essas casas. A Cohab tem uma fila de 56 mil pessoas interessadas em ter moradia própria e nove endereços para a inscrição das famílias.

No Estado, o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Rafael Greca, calcula que os terrenos sugeridos nos últimos dias por prefeitos da região metropolitana sejam suficientes para a construção de 12 mil imóveis. Ele informou que criou um grupo para agilizar e acompanhar o trabalho. Logo que o programa foi anunciado, Greca passou a fazer reuniões com representantes da CEF e com prefeitos de cidades vizinhas da capital para conhecer as áreas que poderão abrigar as 44 mil casas previstas para o Estado.

Em Florianópolis, o programa do governo federal deverá levar o prefeito, Dário Berger (PMDB), a realizar o seu maior investimento em habitação desde sua primeira eleição à prefeitura, em 2004. De acordo com o secretário de Habitação da capital catarinense, Átila Rocha, considerando os sete terrenos que estão previstos para serem doados pelo município, o investimento ficaria em R$ 50 milhões.

A adesão da prefeitura da capital ao programa da CEF está prevista para esta semana, depois de São José, Palhoça e Criciúma. No total, o programa será feito em 10 cidades do Estado. Um mapeamento das áreas e terrenos em Florianópolis já está pronto para construção de mil moradias. Serão quatro projetos – Vila do Arvoredo, Ponta do Leal, Boa Vista e Monte Cristo – para a classe de renda de zero a três salários mínimos, contemplando 300 moradias, e três projetos – Jardim Atlântico, Canasvieiras e Jardim Atlântico – para quem ganha de três a 10 salários mínimos, em um total de 700 moradias.

O total previsto de mil moradias é pouco perto do déficit habitacional do município, que segundo Rocha, chega a 16 mil unidades. No entanto, ele diz que há conversações com o setor privado por meio do Sinduscon da Grande Florianópolis que demonstra interesse nas construções. “Isso pode aumentar o ritmo de construções para 2 mil ou 3 mil unidades até 2010″, estima Rocha.

O superintendente regional da Caixa Econômica Federal para a Grande Florianópolis, Roberto Carlos Ceratto, diz que chegaram até sexta-feira seis projetos de construtoras interessadas no programa, o que responderia por um total de 1,1 mil novas moradias.

O pacote habitacional do governo federal estreou sexta-feira em Porto Alegre com a entrega, para a superintendência da Caixa Econômica Federal na cidade, de manifestações de interesses para a construção de 4,5 mil moradias destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos, distribuídas em nove projetos. O montante já equivale a quase 7% do déficit habitacional local de 65 mil unidades, conforme os dados do Departamento Municipal de Habitação (Demhab) da prefeitura, que encaminhou as propostas.

Segundo o diretor-geral do Demhab, Humberto Goulart, no mesmo dia a prefeitura iniciou o cadastramento da população que ganha até três salários mínimos para adquirir os imóveis subsidiados. Só na primeira manhã 100 pessoas foram à sede do departamento, um dos dez pontos disponibilizados na cidade para as inscrições. Conforme Goulart, o cálculo do déficit habitacional considera as famílias que vivem com parentes ou amigos e as que moram em condições “indignas”.

Já o governo estadual ainda não decidiu como vai participar do Minha Casa, Minha Vida. O diretor técnico de habitação da Secretaria de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano, Marcelo Soares, disse que a ideia do Estado é ceder áreas que pertenciam à extinta Cohab, mas a definição ainda depende de um aval da governadora Yeda Crusius (PSDB).

Conforme o superintendente regional da Caixa em Porto Alegre, Valdemir Colla, os projetos definitivos das 4,5 mil unidades apresentadas sexta-feira deverão ser encaminhados nos próximos dias pelas construtoras e a partir daí a instituição pretende fazer a análise das propostas em no máximo 45 dias, ante o prazo normal de até 120 dias para processos desse tipo.

Colla acredita que o Rio Grande do Sul poderá absorver de 9% a 10% dos R$ 15 bilhões previstos para o pacote do governo em 2009, a mesma proporção observada na liberação anual dos créditos habitacionais pela Caixa. Segundo ele, algumas das propostas encaminhadas na semana passada são adequações de projetos desenvolvidos originalmente para outras linhas de financiamento.

As prefeituras das cidades mais populosas em Minas Gerais e o setor da construção civil ainda não se mobilizaram para começar a oferecer financiamentos para a população com renda de zero a três salários mínimos, dentro do programa do governo federal. Ele aguardam novas instruções normativas da Caixa, que devem ser divulgadas dia 22. Há dúvidas sobre as contrapartidas que serão exigidas do poder municipal e expectativas de que seja alterado o teto do financiamento para a região metropolitana de Belo Horizonte – de R$ 46 mil para apartamentos. A Caixa já alertou que dará preferência aos projetos de de Estados e municípios que ofereçam maior contrapartida e desoneração fiscal de ICMS, ITCD, ITBI e ISS, além do fornecimento de infra-estrutura em áreas distantes do centro urbano.

“O valor estabelecido para apartamento é 10% a menos do que o estabelecido para São Paulo e isto faz diferença para atrair o empreendedor, já que para esta faixa eles trabalham com uma margem de lucro da ordem de 8% a 10%. Aí o valor fixado torna difícil a atração”, disse o secretário municipal de Políticas Urbanas em Belo Horizonte, Murilo Valadares (PT).

Segundo Valadares, o prefeito Márcio Lacerda (PSB) deve anunciar no dia 22 os critérios para a elaboração do cadastro de interessados. O universo potencial é de 20 mil famílias, mas deste total serão retiradas as já beneficiadas por outros programas habitacionais e as que recebem outro tipo de benefício federal. A mesma prudência existe em municípios do interior. “Temos quatro empreendimentos em estudo que podem somar 3 mil lotes. A prefeitura poderia oferecer a infraestrutura de saneamento básico. Mas projetos do governo federal tendem a maturar com certa lentidão. Vamos aguardar, até porque temos mercado para fazer política habitacional sem esta parceria”, disse Francisco Martins (PDT), vice-prefeito de Divinópolis, cidade com 215 mil habitantes.

De acordo com o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), André de Sousa Campos, o valor ideal para atrair empresas ao segmento de faixa mais baixa em Minas Gerais seria de R$ 48 mil o apartamento. Ele conta que na faixa de renda de três a dez salários , não há necessidade de intervenção do poder público e o mercado já se aqueceu desde o anúncio do programa. “O lançamento residencial Monte Verde, no bairro Vitória, vendeu 50 unidades de dois quartos e 45 metros quadrados a R$ 65 mil o financiamento, no mês de março. Agora em abril já conseguimos 43 vendas e a segunda quinzena nem começou”, citou como exemplo.

No Rio, o programa tem a adesão dos governos estadual e municipal, ambos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A procura da população com renda familiar de até três salários mínimos apresentou forte crescimento desde o anúncio do programa pelo governo federal. Na prefeitura, 12.374 pessoas se cadastraram de 26 de março a 16 de abril, média diária bem acima dos 60 cadastros diários anteriores ao pacote. A prefeitura já tem outros 90 mil cadastrados vindos do Programa de Arrendamento Residencial (PAR). Segundo o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar (PT), já foram identificados 217 terrenos públicos que podem ser utilizados no programa, seja do próprio município, do Estado ou da União. A meta é oferecer cem mil residências até 2012, quando termina a gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

No caso do governo estadual, a meta é construir outras cem mil unidades habitacionais, mas o governo ainda está fazendo estudos para mapear os terrenos. A procura pelo cadastro estadual também aumentou sensivelmente – a média diária de cadastros passou de 50 antes do programa federal para cerca de 800. A maior demanda ocorre nos bairros de Jacarepaguá e Campo Grande, na zona oeste.

A superintendência da Caixa Econômica Federal no Rio, os projetos das construtoras que pretendem vender para famílias com renda acima de três e até dez salários mínimos ainda não foram apresentados, está enquadrando empreendimentos que já estavam em andamento. “Neste mês já devemos assinar empreendimentos enquadrados no programa”, afirmou Nelma Souza Tavares, superintendente da Caixa. Ela estima investimento de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões pelo banco até março de 2011 para financiar as 75 mil unidades residenciais previstas no Estado. “Já existe uma mobilização grande. Construtoras que já estavam no PAR estão obtendo informações e a prefeitura já está bem adiantada na identificação dos terrenos”, disse. A expectativa é que os primeiros imóveis fiquem prontos em 15 meses, a partir do segundo semestre do ano que vem.

Em estímulo fiscal, o município decidiu reduzir as alíquotas do ISS para o setor de construção e do ITBI das residências, além de perdoar as dívidas de IPTU de imóveis localizados no centro da cidade e que venham a fazer parte do programa. Já no governo estadual, não houve aceno para baixar a alíquota do ICMS. A Assembleia Legislativa, contudo, deve votar projeto de lei para reduzir o imposto.

Aos pobres o que é de pobre – 17/4/2009

Aos pobres o que é de pobre – 17/4/2009

Fonte:Valor Econômico

Por Alberto Carlos Almeida, de São Paulo
17/04/2009
É hora de ver se os políticos vão inovar na adoção do novo programa habitacional do governo ou se persistirão as diferenças ainda presentes na sociedade.

O tema mais importante da obra de Roberto da Matta é o caráter hierárquico da sociedade brasileira. Nosso maior antropólogo em atividade celebrizou esse fato na frase: “Você sabe com quem está falando?” É frase clássica utilizada para “dar uma carteirada”. Alguém importante, com uma credencial elevada ou com parentes e amigos em cargos de alto nível, recorre ao você sabe com quem está falando para escapar de uma multa ou punição.

Nos anos 70, quando pela primeira vez Da Matta escreveu sobre o tema, a utilização do recurso hierárquico, vamos chamá-lo assim, era mais ostensiva. Ele continua presente em nossa vida, muitas vezes de maneira mitigada. Alguém pode se vestir melhor para participar de uma reunião. Em comparação com os demais participantes, a pessoa mais bem vestida poderá estar transmitindo o recado de que ela está acima dos demais.

Um elemento interessante da noção de hierarquia, cada macaco no seu galho, para falar de forma popular, é que dessa noção se pode deduzir muitos outros acontecimentos de nossa sociedade. Em setembro de 2007 no Rio, os ministros Pedro Brito (Portos) e Márcio Fortes (Cidades), além do secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, estavam em um trem metropolitano numa viagem inaugural de um determinado trajeto, quando o trem foi alvejado por balas dos traficantes do morro do Jacarezinho. Havia também outras pessoas no trem, pessoas comuns.

Na ocasião, diante do fato, o governador Sérgio Cabral determinou que a polícia atuasse “de maneira enérgica diante da ousadia dos criminosos”. Além disso, um dos chefes de polícia do Estado do Rio afirmou que os bandidos só atiraram no trem porque não sabiam que ali estavam autoridades.

Pois é, os bandidos não são bobos. Uma coisa é um trem só com pessoas comuns, outra, muito diferente, é um trem com algumas autoridades. Os bandidos sabem que no Brasil pessoas diferentes têm tratamentos diferentes. Dependendo da origem social de cada um, o tratamento é completamente diverso. Os bandidos sabem que a polícia vai ser enérgica caso um trem com autoridades seja alvejado, e não agirá caso um trem com pessoas comuns apenas seja alvo de disparos de armas de fogo.

Peço ao leitor que faça o seguinte exercício: coloque no Google as palavras “traficantes, tiros, trem”. Haverá várias notícias de tiros em trens. Em nenhuma a polícia entrará no morro do qual saíram os tiros, mas ela entrou quando havia ministros no trem. Entrou, agiu e uma pessoa morreu.

Vamos agora refletir: conferimos tratamento diferenciado a uma pessoa quando sabemos que ela é importante? Um tratamento positivamente diferenciado? E quando temos a informação, muitas vezes dada pelas vestimentas e marcas do tempo na face e nos dentes, de que a pessoa é pobre ou vem de estratos sociais mais baixos, esse tratamento é negativamente diferenciado? Um observador brasileiro, do mercado financeiro, disse-me uma vez que as roupas de grife, como as camisas Ralf Lauren e Tommy, são menos usadas e valorizadas por seus pares americanos do que entre os brasileiros.

Não é o caso dessas marcas, mas o Brasil é mestre em transformar o que é de massa nos Estados Unidos em premium no Brasil. Isso ocorre com os automóveis, algumas franquias de restaurantes e outros bens ou serviços que lá são acessíveis a toda a classe média.

Isso também acontece nos esportes. Quem entra em uma megaloja de esportes nos EUA vai se espantar com o fato de a maior área da loja ser dedicada ao golfe. Lá há centenas de campos públicos. Público lá não é sinônimo de gratuito, mas com certeza de algo pago e acessível a todos. Senão todos, a maioria pode pagar. Uma taqueira de golfe usada no Brasil custa R$ 1.700; uma nova nos Estados Unidos, US$ 200. Converta-se as moedas e ver-se-á onde o esporte é popular.

É possível popularizar o golfe no Brasil. Sim, é. Mas a interpretação damattiana do Brasil nos levará à conclusão de que quando o golfe for popularizado haverá outro esporte a ser utilizado como elemento de hierarquização das pessoas.

Quando pensamos sobre os programas sociais no Brasil somos levados a avaliá-los também sob essa ótica. Há coisas para pobres e coisas que não são para pobres? Quem conhece São Paulo já teve a chance de ver, ao menos por fora, os prédios do Projeto Cingapura. Muitos deles ficam em um lugar de péssima qualidade habitacional, à beira das marginais. Além disso, os apartamentos, muitas vezes denominados de unidades habitacionais, são muito pequenos.

Trata-se de algo para pobre. Afinal, as pessoas que foram para aquelas residências moravam em outras muito piores, em uma favela, denominada pelo IBGE de aglomerado urbano subnormal. Elas devem dar graças a Deus: saíram do subnormal e foram para o normal. Ademais, pagaram pouco ou nada por isso e, como diz o ditado, a cavalo dado não se olham os dentes.

Sabemos das imensas carências do Brasil. Sabemos das limitações orçamentárias. Sabemos da necessidade de gerar superávit que tanto limita vários investimentos, em particular os sociais. A questão é outra. É possível que a nossa sociedade passe a chamar todo mundo por você, em vez de diferenciar entre quem deve ser tratado por você e aqueles aos quais devemos dispensar o tratamento de senhor? É possível que seja elaborado um programa habitacional no qual os locais escolhidos para a construção das moradias populares (essa expressão tem conotação pejorativa?) seja mais ou menos equivalente ao de onde moram os não pobres?

A solução habitacional americana é cheia de defeitos, o mais relevante de todos diz respeito à total dependência em relação ao automóvel. Tudo é espalhado, tudo é esparramado. Assim, para fazer qualquer tipo de compra, ter acesso a qualquer tipo de serviço, somente de carro. Nem a bicicleta é viável.

Do lado das virtudes, destaca-se o aspecto geral da ocupação territorial residencial: tudo é muito parecido, praticamente igual. É óbvio que há bairros pobres e ricos, mas a diferença entre eles não é grande. Mais do que isso, os bairros pobres são dignos e não estão na periferia da periferia. Os pobres têm carro e acesso aos mesmos lugares que os não pobres. Lá, quem realmente é pobre mora no centro das cidades, nas “inner cities”, uma minoria.

Precisamos ser criativos. Nossos políticos e decisores públicos, eleitos e não eleitos, deveriam abandonar as fórmulas antigas e procurar saídas novas e originais. Praticamente 60% dos brasileiros preferem morar em uma casa que não seja muito boa, mas em um lugar que seja bom, ao passo que 36% prefere uma casa boa em um lugar que não seja muito bom. Vejamos como será o desenrolar do programa recém-lançado pelo governo federal. Vejamos que terrenos serão reservados aos pobres. Vejamos se serão terrenos de pobres, como sempre, ou se haverá realmente áreas dignas com moradias dignas.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de “A Cabeça do Brasileiro” (Record).

E-mail: Alberto.almeida@institutoanalise.com

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 670 other followers