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The Economist | Governance in the Amazon: Pará-statals

dezembro 1, 2011 1 comentário

The Economist

Governance in the Amazon
Pará-statals
A plan to create two new states

THE state of Pará occupies a vast and woefully lawless swathe of the Amazon, forming the eastern curve of the “arc of deforestation”. On December 11th its 4.8m voters will decide whether to split Pará into three, creating two new states. Carajás, with a quarter of the territory and the world’s biggest iron-ore mine, would have in Marabá potentially Brazil’s most violent state capital with 130 murders a year per 100,000 people. Tapajós, occupying three-fifths of the current state, would be 90% forest, with just 1.2m people; it could become a loggers’ paradise, or, with luck, a state-sized national park. The rump of Pará would be limited to the area around Belém, with two-thirds of the population and most of the economic activity.

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CategoriasPolitica

“É impossível administrar com 40 ministérios”, diz Gerdau

“É impossível administrar com 40 ministérios”, diz Gerdau

Por Fernando Exman | De Brasília

 

Ruy Baron/Valor/Ruy Baron/ValorGerdau em seminário do Valor: “A presidenta já tem se movimentado no sentido de criar grupos de ministérios”

 

O presidente do Conselho de Administração da Gerdau e da Câmara de Gestão criada pelo governo Dilma Rousseff, Jorge Gerdau Johannpeter, defendeu ontem a redução do número de ministérios no Executivo. A declaração foi feita durante o seminário “Os avanços da gestão pública no Brasil”, promovido pelo Valor.

Fontes do governo dizem que a presidente Dilma Rousseff estuda unificar as secretarias de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Políticas para Mulheres na reforma ministerial a ser promovida nos próximos meses, ideia que já recebe críticas de alas do PT. Outra medida cogitada no Palácio do Planalto é a reincorporação da Secretaria de Portos pela Pasta dos Transportes. Atualmente, Dilma conta com 38 ministros.

“É pacífico que é impossível administrar com 40 ministérios”, destacou o empresário durante o seminário. “A presidenta já tem se movimentado no sentido de criar grupos de ministérios.”

Gerdau preside a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, colegiado formado por empresários e ministros. O grupo foi criado em maio para sugerir ao governo formas de reduzir custos, melhorar o controle dos gastos públicos, racionalizar processos e melhorar serviços prestados à sociedade. “Não se pode trabalhar com 23,5 mil assessores de confiança na estrutura política”, argumentou Gerdau, acrescentando que o país já tem exemplos de sucesso com burocracia profissionalizada, como o Banco Central, Banco do Brasil, Forças Armadas e Itamaraty. “Defendo a profissionalização absoluta.”

Neste primeiro momento, a Câmara de Gestão faz um diagnóstico da situação dos aeroportos, dos ministérios da Justiça, Saúde e Transportes, Infraero e Correios. O grupo também acompanhará os preparativos para a Copa de 2014 e o Ministério da Previdência.

Segundo, Gerdau os trabalhos do grupo ainda estão num período inicial. Ele disse que esse tipo de consultoria normalmente exige “muito estudo prévio” para começar a dar resultados. Geralmente, contou, um projeto de gestão passa seis meses estudando e analisando, seis meses introduzindo medidas e seis consolidando-as. Por ora, a Câmara de Gestão está buscando formas para melhorar os serviços públicos. Em seguida, tentará ajudar o governo a reduzir os gastos.

Gerdau citou como exemplo a experiência de um programa de modernização da gestão pública promovido pelo Movimento Brasil Competitivo junto a Estados, municípios e tribunais de Justiça, que recebeu investimentos de R$ 78,7 milhões e já gerou uma economia de R$ 14,2 bilhões. O MBC também é ligado a Gerdau. “Normalmente, leva de 12 a 18 meses um processo desses. O importante é que foi dada a arrancada e existe um apoio enorme, disposição. Tem dezenas de outras frentes solicitando apoio. Então, existe realmente uma vontade política de fazer as coisas andar”, disse.

O presidente do Conselho de Administração da Gerdau e da Câmara de Gestão descartou ainda a possibilidade de entrar na política ou aceitar um cargo no governo. Gerdau contou que se aproximou da presidente Dilma Rousseff quando ela presidia o Conselho de Administração da Petrobras, e chegou a conversar com ela quando o atual governo estava se formando. Na época, a imprensa publicou reportagens de que Dilma estaria sondando Gerdau para integrar seu ministério.

“Na minha vida eu tomei uma decisão clara de que não quero entrar em cargo político e em cargo no Executivo. Sou empresário e quero continuar empresário”, destacou Gerdau, para quem o empresário é o “principal agente social” das mudanças das condições de um país. “Tenho convicções filosóficas profundas sobre isso.”

Gerdau destacou que a gestão é um fator “definitivo” para gerar prosperidade e riqueza, além de um instrumento essencial para o Brasil competir com os países asiáticos e aumentar os investimentos públicos sem aumentar a carga tributária. “O Brasil tem que aumentar a taxa de investimentos, e isso só pode vir por meio de gestão.”

Os demais palestrantes do seminário também discutiram iniciativas para melhorar a gestão pública em outras esferas de governo. Sérgio Ruy Barbosa, presidente do Consad e secretário de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro, alertou que o gerenciamento dos recursos humanos é um dos maiores desafios que o poder público. Para ele, a carreira dos servidores públicos tem de ser repensada a fim de atrelar a promoção a critérios meritocráticos e incluir novos conteúdos nos concursos públicos. “Hoje, as provas medem decoreba”, disse, lamentando ainda a dificuldade em demitir servidores por ineficiência.

A secretária de Gestão do Ministério do Planejamento, Ana Lúcia Amorim, contou que o governo Dilma Rousseff estuda justamente medidas para aliar uma gestão dos recursos humanos baseada na meritocracia a políticas de reconhecimento e valorização dos servidores públicos. Disse ainda que o Executivo elevou de 17% para 80% a participação dos pregões eletrônicos nas compras do governo. “Esses pregões trazem mais agilidade e economia de recursos”, explicou a secretária.

Já o superintendente central de Governança Eletrônica da Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Rodrigo Diniz Lara, destacou que o governo mineiro trabalha para implementar o chamado governo digital, solução tecnológica que deverá integrar as áreas de planejamento, recursos humanos e contabilidade. “Assim, pode-se trabalhar de forma sistêmica, tendo padronização, flexibilidade e agilidade na tomada de decisão.”

Falaram também no evento Evelyn Levy, consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial, Sérgio Barbosa, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração, e João Lins, sócio e líder de serviços ao governo e setor público da PwC. No painel sobre planejamento estratégico para a otimização de processos, os palestrantes foram Eutálio Porto de Oliveira, desembargador de Justiça em São Paulo, Ana Lúcia Amorim, secretária de gestão do Ministério do Planejamento, e Luiz Navarro de Britto Filho, secretário-executivo da Controladoria-Geral da União (CGU). (Colaborou Roberto Rockmann, especial para o Valor)

Barbas de molho

Barbas de molho

Por Carlos Lessa

 

Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.

Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc). Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China. Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil. A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.

O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes. A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está “favelizada”.

Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico

Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade. O salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre. Nosso governo fala de uma “nova classe média” e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.

É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente, todo um elenco de matérias-primas.

O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão. A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China. O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile – com pretensão de se converter na “Singapura” do Pacífico Sul – e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro. A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o Mercosul está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.

 

O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.

Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a “economia de mercado”. “Casou” com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas). O superávit comercial chinês é predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente. Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China. A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.

Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na “bola da vez” da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.

O discurso da globalização, a fantasia da “integração competitiva”, a ilusão de ser “celeiro do mundo” com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.

Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do “conto do vigário” chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.

Carlos Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES. E-mail: carlos-lessa@oi.com.br.

Ciro diz que mantém projeto de disputar Presidência da República

novembro 18, 2011 1 comentário

Ciro diz que mantém projeto de disputar Presidência da República

Por Raquel Ulhôa | De Brasília
“Eduardo Campos tem todos os dotes para sair candidato, mas por que a candidatura dele é melhor que a minha?”

Após meses dedicando-se a dar palestras e a organizar o PSB do Ceará para as eleições municipais de 2012, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes diz ter a sensação de não estar realizando nada. Em passagem por Brasília para fazer uma palestra, afirmou ao Valor que não pretende disputar novo mandato legislativo “nem sob tortura” e que mantém seu projeto pessoal de disputar a Presidência da República. Afirma, no entanto, que não brigará por isso. Segundo ele, uma eventual candidatura do presidente do PSB, o governador Eduardo Campos, não está decidida e nem foi discutida na legenda. Ciro deixa aberta a possibilidade de aceitar eventual convite da presidente Dilma Rousseff para compor o governo.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O senhor tem se dedicado a organizar o PSB no Ceará. Qual é o seu projeto pessoal?

Ciro Gomes: Estou numa transição terrível, dificílima. Nunca pensei que fosse ser mais difícil do que parar de fumar [parou há mais de um ano]. Disputar eleição não quero mais, mas, quando fico pensando no que estou fazendo de rotina, a sensação é de que não estou fazendo nada. Faço cerca de quatro palestras por mês e ganho uma boa grana – R$ 60 mil a R$ 80 mil por mês -, mas parece que não estou realizando nada.

Valor: O que não quer é mandato legislativo?

Ciro: Juro que nunca mais. O único que tive na vida, porque o partido estava precisando, foi de deputado federal. E foram quatro anos de sofrimento. Eu vou morrer mais cedo uns 12 anos por conta desses quatro anos.

“Nunca mais quero esse tipo de mandato  [legislativo]. Nem sob tortura. Foram quatro anos de sofrimento”

Valor: Por quê?

Ciro: O que está acontecendo na Câmara federal é uma crise institucional crônica. Na minha legislatura, eu, cheio de ideias, fui ver como apresentá-las para orientar o mandato. Aí vi o seguinte: 20 mil proposituras pendentes de deliberação e a média de deliberação da Câmara é de dois projetos por semana. Se nenhum projeto novo fosse apresentado, nós precisaríamos de 10 mil semanas para limpar o que está lá. Não funciona. São 513 deputados e o palavrório do século XIX ainda é a tônica. Uma conversa mole. E não tem uma organização que faça convergir uma inteligência – que é muito grande ali, como o espírito público e a decência também são. Mas a mecânica é um negócio fragmentário. Na crise econômica de 2008, a Câmara não parou para discutir o assunto um minuto. O cara se inscreve para falar cinco minutos para fazer homenagem ao padre fulano. Se o orador seguinte falasse sobre a mesma tese, alguma inteligência iria convergir para algum assunto. Mas tem um sorteio. E naquele dia, se eu for sorteado, eu tenho que falar, sem ter nada para dizer. E no dia que tenho o que falar, não posso, porque o cara sorteado está interessado em falar sobre a importância da azeitona. Para compensar, tentaram criar mediações. São o colégio de líderes e a Mesa. Mas as minorias ativas e a ingerência do Planalto fraudaram a lógica do coletivo. Os líderes não têm nada de líderes. Quanto à Mesa, tudo se resolve no Palácio do Planalto. Tem acertos tenebrosos.

Valor: O deputado vale pouco?

Ciro: Não vale nada. Eu, acostumado a trabalhar, um cara ativo, a única coisa que fiz nos quatro anos de mandato foi um substitutivo da Lei do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]. Nunca mais quero esse tipo de mandato. Nem sob tortura.

Valor: O Senado poderia ser opção, se seu irmão, Cid Gomes, deixasse o governo do Ceará antes, para que o senhor pudesse disputar?

Ciro: O Senado muda um pouco, porque você pode falar. Mas meu plano também não é esse. Acho que o Cid deve ficar no governo até o fim, trabalhar a sua sucessão. Nesse caso, eu só poderia disputar a Presidência da República, que é o que eu admito, mas não brigo mais.

Valor: Então o senhor mantém o antigo projeto?

Ciro: Claro, não sou mentiroso. Já disputei duas vezes, não vou andar mentindo por aí que não quero. Só não vou mais brigar.

Valor: Mas no PSB parece já estar definido que é a vez do governador Eduardo Campos (PE).

Ciro: Por quem? Essa discussão nunca aconteceu.

Valor: Mas ele é colocado como candidato a presidente ou a vice.

Ciro: Eu acho que ele pode ser candidato, deve ser candidato, tem todas as condições de ser candidato, mas quero saber que candidatura é essa. Por que é melhor do que a minha, honestamente. Qual é o conteúdo, o projeto.

Valor: Defende prévias caso não seja possível uma definição entre vocês dois?

Ciro: Claro, prévias. Senão, se resolve tudo em gabinete, como aconteceu na sucessão passada. Seis pessoas decidiram. Ele tem meu apoio sem nenhum problema, desde que essas pré-condições sejam resolvidas. Tem uma coisa simples. Até você conhecer 342 municípios de Minas Gerais tem um tempo. Até o cara saber a repercussão do reflorestamento como alternativa ao colapso da bovinocultura extensiva no Rio Grande do Sul demora. E também demora saber qual é o impacto da BR-163, a Cuiabá-Santarém, no seu entorno.

Valor: Eduardo Campos tem experiência restrita a Pernambuco?

Ciro: Não. Ele tem todos os dotes. Estou dizendo é que para uma candidatura ter sentido precisa ter estrada, projeto, argumento. Tínhamos um candidato com 15% numa eleição com uma candidata desconhecida [Dilma Rousseff, do PT] e outro desgastado [José Serra do PSDB]. Tínhamos chance, no mínimo de jogar o jogo de um segundo turno valendo ouro. O partido desistiu por quê? E agora, que fazemos parte de um governo, com uma candidata que está ganhando popularidade e se constituindo uma boa governante, vamos lançar candidato contra. Qual é a explicação? Em qualquer circunstância, temos que manter a correção moral e a lealdade com a Dilma.

Valor: Na sucessão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o partido não permitiu sua candidatura, a situação era outra?

Ciro: Nós tínhamos acompanhado o Lula nos dois governos. Cumpri minha obrigação com o país, me expus sem reservas na defesa do Lula, quando uma escalada golpista quis derrubá-lo. Não tinha nenhum passivo. Um ciclo estava se encerrando. O partido deveria ter candidato ali. Não consegui. Agora, nós somos parte do governo da Dilma. Participamos do governo. Se queremos sair, temos que ser corretos com ela. Não tem sentido ser na última hora.

Valor: Quando deve ser a decisão?

Ciro: Vai haver uma tensão muito séria [entre os partidos aliados] nas eleições municipais. O próprio Lula já me falou pessoalmente, de boa fé, que o plano dele é fazer um partido só. Ele acha que no Brasil não tem sentido ter esse monte de partidos. A intenção do PT é de aniquilar essas frações. É o pensar do Lula. Vai ter uma tensão muito grande nas eleições e temos que ser leais com ela na sequência. Passadas as eleições, temos que avaliar o quadro.

Valor: Se não tiver espaço no PSB, pode trocar de partido?

Ciro: Eu tive que enfrentar essa especulação, enquanto organizava o PSB no Estado. O que me perseguiu a vida inteira foi uma inconstância partidária, provocada por situações que foram surgindo. Parei com isso.

Valor: Como vê a gestão Dilma?

Ciro: É um governo que se guia sem projeto. Ela herdou assim e não constituiu um projeto. Também, com a massa crítica que ela tem, é impossível. Até o PAC, que tem uma gestão especial, que é um rudimento ínfimo de planejamento que resta, está passando 17% abaixo de execução em relação ao ano passado. A população está percebendo que ela recebeu uma equipe, fruto da injunção político eleitoral e está tendo que consertar essa equipe na medida dos escândalos ou das contradições. O povo brasileiro, à custa do pragmatismo do Lula, está numa de que a política é assim mesmo. Dilma, pelo menos, não tem compromisso com o erro. Pilhado, ela põe pra fora. No segundo mandato, o Lula contemporizou mil coisas. Eu sei o que ele pensava do Eduardo Cunha [deputado do PMDB do Rio de Janeiro] e deu Furnas para ele depois de ser chantageado pelos jornais. O que tem de novidade é que Dilma não ter compromisso com o erro.

Valor: A reforma ministerial vai ser a oportunidade para ela começar o governo dela?

Ciro: Menos por moralismo e mais por eficiência. Tem outro lado que não está sendo feito na política. Quem é que está construindo a base de sustentação da Dilma? O Lula tinha uma ascendência automática sobre o PT, que ela não tem. Você vai ver a confusão que o PT vai causar para ela. O partido viu o ministro do Esporte balançar e quis o ministério. Está vendo o ministro do Trabalho balançar, quer a pasta. Isso tudo gera sequela. No começo de governo, todo mundo engole. Mas a popularidade cai, a economia vai esfriar, haverá confusão na eleição municipal e reflexos da crise econômica no Brasil. E essas vinganças estão todas se acumulando no Congresso, por parte de quadrilhas, grupos e partidos. O PCdoB teve que mostrar os dentes para segurar o ministério. O PDT, o PR, o PMDB… E quem é que está fazendo o trabalho, quem está demonstrando Maquiavel para essa gente? A Ideli [Salvatti, ministra das Relações Institucionais] é maravilhosa, valente, leal, correta, mas não tem vivência.

Valor: O senhor aceitaria compor o governo?

Ciro: Na formação do governo, ela [Dilma] me privilegiou com a possibilidade de trabalhar com ela. Pedi para me dispensar e mais ou menos antecipei essas coisas para ela, que haveria uma crise. Eu disse: nessa hora, se você precisar de mim, conte comigo.

Valor: Muita irregularidade no governo ainda virá à tona?

Ciro: Se for atrás desse nível de vulgaridade, o céu é o limite. E muita coisa pior nem vai aparecer, porque esses que fazem a retórica moralista estão entranhados até o gogó no assunto: bancos, Petrobras, grandes empreiteiras…

Valor: O que um candidato a presidente poderia propor ao país?

Ciro: Não sou candidato. Admito ser, é diferente. O que acho nesse assunto é que a gente tem que disputar no primeiro turno com a cara limpa. Essas [alianças] são as deformações. O mercado secundário de tempo de televisão é uma das maiores corrupções do sistema democrático brasileiro. É para isso que existem essas arapucas, que não têm responsabilidade nenhuma, tipo PMDB. Não tem responsabilidade nenhuma, com nada. Eles só se impõem – os grandões – para obrigar todos os governos a entregar para eles, depois brigam para repartir o butim. Então, que cada partido apresente-se com seu rosto, suas propostas.

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FHC prega apoio tucano a Dilma

agosto 19, 2011 1 comentário

19/08/201114h21

FHC prega apoio tucano a Dilma

 

Nas conversas reservadas com dirigentes do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem defendido que o partido dê apoio à presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção. FHC acha que o PSDB deveria abandonar a articulação para criar uma CPI da Corrupção no Congresso.

O ex-presidente conversou sobre o assunto com os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Antonio Anastasia (MG). A recomendação foi transmitida ao senador mineiro Aécio Neves, hoje o primeiro da fila tucana para disputar o Palácio do Planalto em 2014.

A presença de FHC no encontro de Dilma com governadores do Sudeste, na quinta (18/08), em São Paulo, foi calculada para se transformar num gesto de apoio à presidente. No evento, houve o lançamento do projeto “Brasil Sem Miséria” para a região.

Na visão de FHC, se o PSDB bombardear Dilma agora, o principal efeito será torná-la refém dos setores mais fisiológicos e atrasados de sua base de apoio no Congresso. Mais: reforçar Dilma diminuiria a possibilidade de uma eventual candidatura presidencial de Lula em 2014.

FHC tem se chocado com o ex-governador José Serra, candidato derrotado por Dilma na disputa presidencial do ano passado. O ex-presidente discorda do tom oposicionista mais duro de Serra, que, hoje, está isolado no PSDB.

 

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Obama quer enviar 100 mil estudantes à China – Exemplo a ser seguido

G2 : Objetivo é formar um “exército” de especialistas sobre o novo rival

Obama quer enviar 100 mil estudantes à China

Alex Ribeiro | De Washington
21/06/2011

 

 

O presidente americano, Barack Obama, quer levar 100 mil estudantes para universidades chinesas, num esforço para formar um exército de especialistas que falam a língua e entendem a cultura de seu maior rival na geopolítica e comércio mundial. Mas, para chegar lá, antes será preciso vencer a falta de dinheiro e o desinteresse do americano médio por idiomas estrangeiros e pelo que ocorre fora de seu próprio território.

Apenas 14 mil americanos estudam na China, enquanto os chineses inundam as universidades dos Estados Unidos com 128 mil matrículas, segundo dados do Instituto de Educação Internacional. Os americanos não veem muitos motivos para saírem do próprio país, que tem muitas das melhores universidades do mundo. Quando vão para o exterior, a preferência é pelo Reino Unido, com quem dividem a língua e a herança cultural, com 31,3 mil matriculados. A maioria faz cursos de verão. Somente 4,3% dos que saem do país estudam um ano ou mais.

Obama tem se notabilizado por lançar grandes metas sem indicar exatamente como alcançá-las, como dobrar as exportações em cinco anos ou cobrir toda a zona rural com internet de banda larga. Mas o projeto de levar estudantes para a China é considerado estratégico pelo Departamento de Estado – não apenas pela força da economia do país asiático, mas também por interesses geopolíticos. “Talvez não haja relação mais importante e complexa para assegurar a paz global e a segurança do que a entre os Estados Unido e a China”, afirma a descrição do programa feita pelo Departamento de Estado.

“Se você quer mandar estudantes para passar um ano na China, talvez seja bom eles aprenderem a falar algum chinês antes”, afirma Joy Hughes, vice-presidente da George Mason University, do Estado da Virgínia, que tem um dos mais bem-sucedidos programas de intercâmbio do país. “Muitas universidades abrem programas e fazem propaganda entre os estudantes, mas ficam surpresas que ninguém se inscreve.”

O chinês é ensinado em cerca de 3% das escolas do ensino básico nos Estados Unidos, segundo pesquisa do Centro para Linguística Aplicada, baseado em Washington. É um avanço importante em relação aos percentuais inferiores a 1% observados dez anos atrás, e os números tendem a crescer, em parte porque o governo chinês tem oferecido professores para escolas americanas. Mas os números ainda são relativamente pequenos. Para cada americano que estuda a língua chinesa, há cerca de 600 chineses que aprendem inglês, segundo dados citados pelo Departamento de Estado.

Como o inglês é a língua internacional mais importante do mundo, muitos americanos não veem a necessidade de aprender um segundo idioma. A crise fiscal que atinge o país está levando os departamentos públicos de educação a cortar verbas destinadas ao ensino de idiomas. Apenas 25% das escolas de ensino fundamental, que equivalem aos cinco primeiros anos do ciclo básico no Brasil, ensinam uma língua estrangeira, ante 31% uma década atrás.

Obama lançou a iniciativa para levar 100 mil estudantes à China em fins de 2009 e, frente aos lentos progressos, a primeira-dama, Michelle, tentou dar um empurrão com uma visita à Howard University, que serve sobretudo à comunidade afrodescendente de Washington. Apenas 25 de seus alunos estão matriculados no curso básico de chinês, criado em 2006, de um total de 10,5 mil estudantes. “Não é verdade que os americanos não se interessam pelo que se passa no exterior”, afirma Barbara Griffin, da Howard University. “Quando eles têm oportunidades, acabam se ligando ao mundo.”

Outra frente do programa é aumentar o interesse dos americanos pelo que ocorre fora das fronteiras. A Mason University assinou um convênio com o condado de Fairfax, Virgínia, para ampliar o conteúdo programático sobre a China nas cadeiras de ciências sociais e, assim, incutir uma maior curiosidade sobre o país asiático nos cerca de 160 mil estudantes do ensino básico e médio. “Se os professores falarem mais sobre a China, eles podem inspirar os alunos”, diz Alice Reilly, coordenadora de estudos sociais da rede pública de Fairfax.

Mas falta dinheiro público para apoiar o programa. Os Estados Unidos não têm recursos orçamentários para levar estudantes para a China, além dos programas já existentes para incentivar o estudo no exterior. O modelo difundido pelo governo são as parcerias com empresas privadas. Até agora, porém, foram levantados apenas US$ 7 milhões, muito pouco para os ambiciosos planos do governo.

A Fundação Coca-Cola, por exemplo, resolveu apoiar iniciativas em Atlanta, cidade em que está sediada, e a Caterpilar fez algo semelhante no Estado de Illinois. “As empresas estão interessadas em formar os futuros profissionais que eles vão mandar para a China”, afirma Kofi Bota, assessor especial do reitor da Howard University. “O maior interesse são os cursos de administração e de engenharia.” O governo chinês se comprometeu a conceder 20 mil bolsas de estudos para americanos.

No Brasil, o governo Dilma Rousseff também estabeleceu como prioridade mandar mais alunos para estudar no exterior, embora não haja nenhum programa específico para a China. A meta é enviar 75 mil estudantes ao exterior e, para tanto, o Itamaraty negocia um programa com o Departamento de Estado para abrir as portas das universidades americanas. Hoje, 8,8 mil brasileiros estudam nos Estados Unidos e formam a 14º maior população estrangeira nas universidades americanas.

Por que a taxa de juros é tão alta? | Valor Online

Por que a taxa de juros é tão alta? | Valor Online.

Matéria importante !! De interesse geral.

 

Com rigor fiscal e inovação, Suécia propõe novo modelo | Valor Online

Com rigor fiscal e inovação, Suécia propõe novo modelo | Valor Online.

Exemplo a seguir :

Trecho extraido da matéria que vale a pena ler

Valor: O sr. não teme que esses empregos mais high-tech, mais inovadores, também migrem para os países emergentes?

Reinfeldt: Temos de ter consciência desse risco, tanto de que os empregos migrem como de que tenhamos novas formas de competição. A China, por exemplo, está competindo em todo o mundo agora. Eles têm uma disponibilidade de mão de obra quase inesgotável e também formaram trabalhadores altamente qualificados. Enfrentamos uma nova competição. Por isso é importante saber como competir internacionalmente. Não há outro modo senão ter um sistema educacional melhor, gastar mais com pesquisa e desenvolvimento, ser mais inovadores, mas também tentar encontrar o tipo de emprego que é mais orientado ao setor de serviços.

Senão, você será levado à discussão, que está acontecendo em boa parte do mundo, de como se proteger, favorecendo os produtos nacionais e elevando tarifas e barreiras, que tornarão os pobres mais pobres. Isso seria um a pena, pois o mundo deu um salto enorme na redução da pobreza. Veja o Brasil, a China, a Índia. São fantásticas as oportunidades que temos hoje. Mas a questão está aí: os países permanecerão abertos? Eles ousarão continuar abertos e enfrentar a concorrência internacional?

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Governo alcança 90% da meta do Minha Casa

Habitação: Entre as moradias negociadas pela Caixa, 207 mil foram entregues até o dia 1º de dezembro
Governo alcança 90% da meta do Minha Casa
Samantha Maia | De São Paulo
28/12/

Ruy Baron/Valor

Inês Magalhães: resultado do programa é positivo pelo volume alcançadoO programa habitacional Minha Casa, Minha Vida não deve cumprir a meta de contratar 1 milhão de moradias no país até o fim deste ano. As contratações atingiram 875 mil moradias populares desde abril do ano passado até a primeira quinzena de dezembro, considerando as realizadas pela Caixa Econômica Federal, pelo Banco do Brasile as contratações nos municípios com menos de 50 mil habitantes, contabilizadas diretamente pelo Ministério das Cidades. Foram entregues 207 mil casas até 1º de dezembro, de um total de 761 mil contratadas apenas pela Caixa.

Em números de moradias, os Estados que mais contrataram foram São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mas proporcionalmente eles ficaram abaixo da média nacional,segundo dados do Ministério das Cidades. Nos três, a faixa destinada às famílias com renda entre três a seis salários mínimos teve um desempenho melhor. Cinco Estados superaram as metas: Alagoas, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Os dois primeiros, que ultrapassaram o objetivo em mais de 30%, foram fortes na contratação para o grupo com renda de até três salários mínimos.

Segundo a secretária de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, mesmo não atingindo a meta, o resultado do Minha Casa, Minha Vida é positivo pelo volume alcançado. Para ela, o programa mostrou que a iniciativa tem mais sucesso onde o setor público possui mais poder de decisão, ou seja, nos investimentos para famílias com renda até três salários mínimos.

Nessa faixa, o governo federal compra o investimento das construtoras e financia via Caixa, com subsídio de até R$ 23 mil para o comprador. “Acredito também que, como era um mercado novo, houve uma concentração maior de esforços do setor produtivo para essa faixa, e o resultado é uma execução mais forte até o momento”, diz Inês.

Segundo o balanço da Caixa, as contratações dos imóveis nessa faixa de renda chegaram a 333 mil moradias até o começo de dezembro, 83% da meta de 400 mil, resultado semelhante ao grupo de três a seis mínimos, que também tinha como meta a construção de 400 mil moradias, enquanto na faixa de seis a dez salários mínimos, cuja meta era construir 200 mil moradias, o resultado ficou em 49%.

Mesmo os grandes centros, que sofrem a escassez de áreas economicamente viáveis para os investimentos na faixa de menor renda, conseguiram avançar bastante nesse grupo. São Paulo contratou 57% da sua meta, o Rio de Janeiro, 77%. Minas, 83%.

Desde o início do programa, as capitais do Sudeste foram as que mais preocuparam os gestores do programa, por serem os locais com maior concentração de déficit habitacional e, ao mesmo tempo, os mais caros para se investir. A saída encontrada pelas prefeituras e governos estaduais foi conceder incentivos, como isenções fiscais e doações de áreas, e assim reduzir os custos das construtoras. “Tivemos um trabalho forte com as prefeituras para buscar terrenos e agilidade na aprovação dos projetos, e com as construtoras, para mostrar a atratividade desse mercado”, diz Valter Nunes, superintendente regional da Caixa em São Paulo.

O processo para usar os terrenos públicos, porém, costuma ser bem mais longo e complicado do que a simples compra dos imóveis particulares pelas construtoras, e isso pode explicar por que somente agora se vê a recuperação das contratações para o público que ganha até três mínimos. “O trabalho inicial foi se refletindo durante o tempo”, diz Nunes.

Os municípios do Rio de Janeiro e Salvador estudaram a compra de terrenos das Forças Armadas e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), uma operação complexa, devido à burocracia. Para diminuir esses problemas, a segunda fase do programa prevê a construção de casas em terrenos em fase de regularização, no caso de reassentamento de favelas. Para José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a medida não representa risco para os investidores.

No caso do Rio, segundo o secretário estadual de Habitação, Leonardo Picciani, será uma abertura importante, já que o Estado está trabalhando na regularização de áreas para o programa. “Facilita, pois muitas vezes temos a emissão provisória de posse, mas não a definitiva, e precisamos começar a construir”, diz ele.

O Estado do Rio destinou cinco áreas para o programa, para a construção de 10 mil unidades habitacionais, nem todas contratadas ainda. Segundo o secretário, o Estado está estudando a compra de terrenos em cidades que ainda enfrentam escassez de área para baixa renda, como Angra dos Reis e Petrópolis.

A faixa intermediária – de três a seis salários mínimos – sofreu um impulso do meio do ano para cá, período em que as contratações dobraram de 170 mil para 330 mil. Nove Estados conseguiram superar as metas de contratação para esse grupo, com destaque para Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Já para a faixa de maior renda, considerada de início a mais fácil para investimentos, apenas o Sergipe conseguiu superar seu objetivo de contratações.

“As construtoras acabaram se voltando mais para a faixa de zero a três salários mínimos, na qual houve mais esforço para o desenvolvimento do novo mercado, e isso pode ter prejudicado o andamento dos projetos para o público de seis a dez salários”, diz Nunes, da Caixa.

Para Picciani, a demanda se mostrou mais forte no público de menor renda, e por isso o governo federal acertou em propor que 60% das moradias da próxima fase do programa sejam destinadas para esse grupo. “Isso atende melhor a realidade, conforme pudemos ver na execução da primeira fase do Minha Casa, Minha Vida”, afirma o secretário.

O balanço final do programa será apresentado pelo governo federal amanhã, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estará em Salvador.

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FHC desafia Lula a debater ‘cara a cara’

FHC desafia Lula a debater ‘cara a cara’

Em discurso inflamado para tucanos, ex-presidente classifica sucessor de ‘mesquinho’ e de mentir ‘sem cessar’ sobre o País que encontrou ao assumir mandato

Sexta, 14 de Outubro de 2010, 22h21

Roberto Almeida/SÃO PAULOEm sua mais contundente incursão na campanha tucana até agora, que incluiu a defesa de seu legado à frente do Palácio do Planalto, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, desafiou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um debate “cara a cara” após o fim das eleições.

Diante de centenas de militantes do PSDB, em um hotel na zona norte da capital paulista, FHC pediu a Lula que, quando “perder o monopólio da verdade”, vá ao instituto que leva seu nome, em São Paulo, para debater. “Presidente Lula, quando acabar as eleições, quando você puser o pijama, será bem recebido. Venha ao meu instituto, vamos conversar, cara a cara”, bradou, em discurso inflamado.

O ex-presidente, dizendo-se alvo de mentiras, passou a defender suas gestões na Presidência (1994–2002). As cenas, gravadas por uma equipe da campanha do presidenciável tucano José Serra – que não esteve no evento –, devem ir ao horário eleitoral.

“Estou calado há muitos anos ouvindo. Agora quando o presidente Lula vier, como deve vir, como todo presidente democrata eleito, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil”, disse FHC.

“Não é para conversar para dizer o que eu fiz, o que ele fez. Isso o povo vai julgar. É para ter firmeza, olhando cara a cara, um ao outro, e ver se um é capaz de dizer ao outro as coisas que diz”, continuou o ex-presidente.

Como exemplo dos pontos que abordaria no debate com Lula, FHC citou o Plano Real, principal bandeira tucana, e disse que questionaria o petista sobre as responsabilidades pela estabilização econômica do País.

“Quero ver o presidente Lula, que votou contra o Real, que fez o PT votar contra o Real, dizer que estabilizou o Brasil. Ele não precisa disso. Ele fez coisas boas que eu reconheço. Ele agiu bem na crise atual, financeira. Para que, meu Deus, ser tão mesquinho? É isso que quero perguntar a ele: ‘Lula, por que isso, rapaz?’”, bradou.

Aos militantes tucanos, o ex-presidente apostou na veemência para que seu nome, antes escondido nas campanhas, passe a ser defendido abertamente.

“Eu não tenho do que me arrepender. Eu mudei o Brasil. Eu nunca disse isso. Agora, oito anos depois do governo Lula (digo que) eu mudei o Brasil. Não mudei sozinho, mas com o povo brasileiro, com uma equipe de gente competente, com outros partidos. Tudo o que foi inovador foi plantado naquele período. Chega de ficar calado”, afirmou FHC.

Privatizações. O ex-presidente elevou o tom e pediu “respeito” ao rebater nota divulgada ontem pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que o acusou de preparar a estatal para a privatização.

“Quem é esse Gabrielli pra falar isso pra mim, meu Deus? Eu mandei uma carta ao Senado para dizer que não privatizaria a Petrobrás. Eu perdi uma cátedra porque eu defendi a Petrobrás e fui processado”, anotou FHC.

De acordo com FHC, a “politicalha” voltou avançar sobre a estatal após sua saída do governo. “Por isso, perdeu já 20% do valor de mercado sob a batuta dessa gente. O mercado, assim chamado, percebeu agora – custou – que tem ingerência política”, anotou.

Ao final do discurso, o ex-presidente lembrou ainda a queda da ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, acuada por denúncias de lobby no Planalto. “Não queremos um Brasil de preguiçosos, não queremos um Brasil de amigos do rei. nós não queremos um brasil de companheiras tipo Erenice”, anotou FHC, que pediu “apoio total” à candidatura de Serra.

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