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Feirão da Casa Própria movimenta R$ 1 bilhão em São Paulo
sábado, 23 de maio de 2009, 18:12 | Online
Feirão da Casa Própria movimenta R$ 1 bilhão em São Paulo
Evento vende 110 mil unidades residenciais com financiamentos que cobrem até 100% do valor do imóvel
GUSTAVO URIBE - Agencia Estado
Filipe Araújo/AE
SÃO PAULO - No penúltimo dia da quinta edição do Feirão da Casa Própria, que oferece 110 mil unidades residenciais com financiamentos que cobrem até 100% do valor do imóvel, o volume de negócios fechados até as 16 horas de hoje chegou a R$ 966 milhões em São Paulo, levando em conta os contratos assinados no local e os já negociados. Segundo a assessoria da Caixa Econômica Federal (CEF), até o final da tarde deste sábado o total de negócios firmados no feirão deveria atingir a marca de R$ 1 bilhão, dois terços do estimado para os quatro dias do evento (R$ 1,5 bilhão).
Veja também
Nos quatro primeiros meses do ano, o banco liberou só no Estado de São Paulo R$ 2,9 bilhões em crédito habitacional, contra R$ 1,3 bilhão no mesmo período do ano passado. Em unidades habitacionais, o salto foi de 24.826 no mesmo período de 2008 para 67.633 o primeiro quadrimestre deste ano.
O progresso ruma para a Barra Funda – 7/5/2009
Fonte:Gazeta Mercantil
SÃO PAULO, 7 de maio de 2009 – Pequenas casas geminadas escondem diversos cômodos, cozinha, quintal e porão por detrás de fachadas simples. Esta arquitetura conhecida como “ponta de chuva”, por ter sido traçada por mestres de obras italianos, com a ponta de um guarda-chuva na terra, resiste a décadas de inovações tecnológicas no bairro da Barra Funda, em São Paulo.
A região ganhou este nome devido ao seu formato: antigamente, a barra do Tietê era muito funda. De acordo com Levino Ponciano, no livro “Mil Faces de São Paulo”, o que hoje é o bairro, no século 19, era uma chácara que pertencia ao Conselheiro Antônio Prado. Por volta de 1850, o local foi loteado e, por estar próximo ao centro e receber os trilhos da São Paulo Railway em suas terras, cresceu rapidamente. Com a chegada do trem e dos moradores, desembarcaram também indústrias, que impulsionaram o desenvolvimento da área. Até hoje o cenário mescla galpões e casas. A novidade fica por conta dos prédios cada vez mais sofisticados – que mostra que o local é uma grande aposta do mercado imobiliário.
Segundo Silvio Chaimovitz, diretor de incorporação da Klabin Segall, o grande atrativo para o setor é a localização e a disponibilidade de grandes terrenos para a construção. Além disso, ele cita que o metro quadrado ainda possui um preço razoável. De acordo com dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), no ano passado, a média do metro quadrado chegou a custar R$ 2,8 mil. O preço se manteve estável em relação a 2007, quando chegou a atingir R$ 2,9 mil por metro quadrado.
Em contrapartida, o número de lançamentos de unidades oscilou ao longo dos últimos quatro anos. Em 2008, foram colocadas à venda 471 unidades residenciais na Barra Funda, em 2007, foram 376, em 2006, 166, e em 2005, 622. O valor médio dos apartamentos seguiu a mesma trajetória: saiu de R$ 79 mil, em 2006, para R$ 127 mil, em 2008.
Para Chaimovitz, o futuro do bairro é claro: as características industriais vão ser drasticamente reduzidas devido à chegada de novos empreendimentos imobiliários. “Com os lançamentos, o próprio entorno se transforma para atender às necessidades dos novos moradores”, afirma. Ele conta que um dos moradores do primeiro condomínio vertical lançado pela Klabin Segall, em 2000, resolveu comprar um galpão para usar como escritório. “É sempre assim: quando um prédio fica pronto, um barzinho de esquina se transforma numa padaria e os proprietários de casas resolvem pintar as fachadas.”
Com o Celebration e o Liv, os mais novos empreendimentos da incorporadora na região, não deve ser diferente. Lançados em 2007, os dois possuem 400 unidades cada e devem ser entregues em 2010. O Valor Geral de Vendas (VGV) do Celebration é de R$ 121,5 milhões e 90% dos apartamentos já foram vendidos. “Os clientes são principalmente famílias com um ou dois filhos. Moram no Bom Retiro ou são filhos de moradores de Perdizes”, afirma Chaimovitz. Já no caso do Liv, o VGV é de R$ 177 milhões.
Adalberto Bueno Netto, presidente da Bueno Netto, espera obter o mesmo sucesso nas vendas. Ele deve lançar dentro de três meses a primeira fase de um grande empreendimento. Em um terreno de cerca de 60 mil metros quadrados, serão colocadas à venda quase 1,5 mil unidades, que vão custar de R$ 120 mil a R$ 400 mil. O VGV gira em torno de R$ 260 milhões. “O empreendimento vai de encontro ao programa Minha Casa, Minha Vida. Atingimos pessoas de seis a 20 salários mínimos”, afirma o executivo. A previsão de entrega das chaves, segundo ele, é de 36 meses depois do lançamento.
“A gente comprou essa área há uns dois anos. Na época, ser uma zona especial de interesse social (Zeis) era um problema, hoje, é um grande atrativo”, diz. Bueno Netto conta que a absorção na Barra Funda é muito boa, principalmente, por causa da facilidade de locomoção. “O lugar é central e tem infraestrutura completa. Além de contar com estação de metrô e trem, a Marginal Tietê e a Avenida Pacaembú são saídas fáceis.”
A Barra Funda também é endereço do Memorial da América Latina – projetado por um dos maiores arquitetos brasileiros, Oscar Niemeyer -; do Terminal Intermodal Palmeiras-Barra Funda, que reúne estações de metrô, de trem e de ônibus, e do Parque Playcenter, o maior parque da cidade.
Cultura
A Barra Funda viveu uma época de grande manifestação cultural. Foi lá, por exemplo, que nasceu e viveu um dos principais modernistas brasileiros, o escritor Mário de Andrade. O bairro também foi palco da criação do mais antigo cordão de carnaval da cidade: o Grupo Carnavalesco Barra Funda. A partir desse grupo foi formada, mais tarde, a Escola de samba Vai-Vai, uma das mais tradicionais da cidade, instalada no distrito da Bela Vista. (Natália Flach – Gazeta Mercantil)
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A vista : R$ 650 mil
Saldo com a Construtora de R$ 288 mil, podendo ser financiado no banco ou direto com a Rossi.
Oportunidade pra quem precisa morar próximo as Marginais, Próximo de um parque como o Villa Lobos e precisa mudar já !!!! Acabei de receber o apartamento, está muito bonito, obra da Construtora Rossi muito melhor do que os clientes esperavam !!!
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Fazenda São José dos Campos – Vendo
Condomínio vira bairro privativo
Terça-Feira, 17 de Março de 2009 | Versão Impressa
Condomínio vira bairro privativo
Até 2011, SP ganhará mais 7 conjuntos ?quatro em um?, que unem residência, trabalho, lazer e comércio
Rodrigo Brancatelli
O slogan “VENHA MORAR SEM GRADES”, estampado em letras maiúsculas num panfleto imobiliário, parece um tanto contraditório. A propaganda serve para vender um novo empreendimento de alto padrão na região do Campo Belo, na zona sul de São Paulo, com uma torre comercial, um minishopping center, um miniparque e três prédios residenciais – com apartamentos que de “mini” não têm nada. As grades, os muros altos e as câmeras de vigilância estão ali, demarcando a área de quase 40 mil m². Mas, com seis meses de anúncio, cerca de 70% das unidades já foram vendidas para paulistanos que pretendem morar, trabalhar e se divertir nesse bairro privativo.
Com a promessa de comodidade, qualidade de vida, tranquilidade e segurança, diversos empreendimentos “quatro em um” estão sendo erguidos atualmente em São Paulo, unindo num mesmo espaço moradia, trabalho, lazer e consumo. Até 2011, serão sete lançamentos, totalizando 490 mil m² de terreno e um valor geral de vendas na casa dos R$ 2,5 bilhões. E outros cinco estão sendo planejados por três incorporadoras. Se por um lado esses megaempreendimentos multifuncionais servem como alento ao trânsito, propondo um novo jeito de viver dentro da metrópole, muitos urbanistas torcem o nariz para o que consideram empobrecimento da questão urbana.
“É possível sim integrar esses projetos à cidade, mas não dá para fechar todas as portas, erguer muros de 7 metros e criar bairros fechados e autossuficientes”, diz o arquiteto e urbanista Cândido Malta, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). “Os novos empreendimentos de uso mistos estão refletindo a insegurança social dos nossos tempos. É um exagero, uma paranoia.”
Na cidade de 22 mil prédios residenciais, onde 5 milhões de pessoas moram em apartamentos, a escalada por novidades parece ser um fenômeno natural. O marco da vida entre muros em São Paulo foi a inauguração há cerca de três décadas dos residenciais de Alphaville, em Barueri, a 30 km da capital. Já os empreendimentos “quatro em um”, que levam a ideia do isolamento à enésima potência, surgiram com o Parque Cidade Jardim, na zona sul, que contempla o Shopping Cidade Jardim, nove edifícios residenciais e três torres comerciais. Seis meses antes da entrega das chaves, 80% das unidades de alto padrão já haviam sido vendidas – com valores que iam de R$ 2 milhões no apartamento menor até os R$ 18 milhões da cobertura tríplex de 1,8 mil m².
“Não é só a comodidade de pegar um elevador para ir ao cinema ou tomar um sorvete e comprar um livro, mas a sensação de segurança também é muito maior”, diz a empresária Lucia Barra, que está de malas prontas para mudar para um apartamento no complexo. “Nesses empreendimentos de uso misto, a família tem a loja do lado, pode montar o escritório ali, então é um conforto”, completa Ubirajara Spessoto, diretor-geral da Cyrela em São Paulo, que planeja o lançamento de três projetos do mesmo tipo. “É uma coisa que veio para ficar.”
O Parque Cidade Jardim teve como inspiração grandes empreendimentos ao redor do mundo, como o Time Warner Center, em Nova York, e o Bal Harbour Shops, em Miami – o primeiro foi lançado há cinco anos em Tóquio, chamado de Roppongi Hills, que reúne num só endereço escritórios, hotel, apartamentos, lojas, restaurantes e até um museu. “Em geral, sou favorável à mistura de usos em qualquer cidade, faz sentido que as pessoas morem perto de onde trabalham”, diz o arquiteto e urbanista Jonas Rabinovitch, que há 15 anos trabalha em Nova York como coordenador de Desenvolvimento Urbano da Organização das Nações Unidas (ONU). “O problema é que a inserção de um prédio no seu entorno urbanístico é sempre uma questão importante para a cidade. Se o condomínio em questão significar a criação de um gueto físico, social e econômico, isso obviamente não pode ser bom para a cidade.”
No encalço do Cidade Jardim, os novos empreendimentos só reforçam a ideia de um oásis dentro de uma cidade caótica. O Condomínio Paulistano, por exemplo, que se vende como “bairro privativo” dentro do Morumbi, na zona sul, terá casas, escritórios, lojas, prédios residenciais, praças e um clube esportivo completo num terreno de 155 mil m². No panfleto, lê-se: “Faz tempo que São Paulo não vê namoros na porta das casas, crianças brincando na rua, amigos sentados na calçada. Felizmente, as coisas mudam.”
CASA, ESCOLA E LOJA
E a mesma incorporadora que fez o Parque Cidade Jardim agora prepara algo mais ambicioso no km 50 da Rodovia Castelo Branco, na altura de São Roque – numa área de 7 milhões de m², serão construídas casas, apartamentos e toda uma estrutura privativa com postos de saúde, escolas, universidades, igrejas e lojas para atender a população de quase 60 mil pessoas. “Aí não é nem um bairro privativo, é uma cidade fechada”, diz o urbanista Cândido Malta. “Claro que com cada vez mais assaltos, com prédios sendo assaltados por quadrilhas, as pessoas começam a procurar esses empreendimentos. Mas é preciso ter um balanceamento. Antes de combater as grades, é preciso combater a insegurança.”
NÚMEROS
70% das unidades de um empreendimento do gênero no Campo Belo foram vendidas em 6 meses
R$ 2,5 bilhões vão custar os 490 mil m² de condomínios de uso misto
previstos para serem abertos nos próximos 2 anos. Isso sem contar mais 5 conjuntos, que estão ainda em projeto
Brasil Brokers tem lucro líquido de R$ 58,3 milhões
Brasil Brokers tem lucro líquido de R$ 58,3 milhões
SÃO PAULO, 17 de março de 2009 – A Brasil Brokers Participações registrou lucro líquido de R$ 58,3 milhões no ano passado. Em função das alterações no cenário econômico mundial, que impactaram significativamente o mercado imobiliário nacional no quarto trimestre de 2008, a companhia teve um prejuízo de R$ 7,4 milhões no período, correspondendo a uma margem líquida negativa de 21,4%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) somou R$ 65,5 milhões em 2008, representando uma margem Ebitda de 31,9%, sendo que no último trimestre ficou negativo em R$ 4,4 milhões, com margem de – 12,8%.
Entre outubro de dezembro, as vendas contratadas apenas de unidades residenciais e comerciais totalizaram R$ 1,615 bilhão. Deste total, R$ 352 milhões referem-se à revenda de imóveis avulsos e R$ 1,263 bilhão referem-se à venda de lançamentos. No ano de 2008, as vendas contratadas totalizaram R$ 9,4 milhões. Deste total, R$ 1,731 milhões referem-se à revenda de imóveis avulsos.
Segundo a companhia, as obrigações da empresa referentes a empréstimos e financiamentos totalizavam R$ 10,7 milhões no final de 2008, sendo que R$ 10,3 milhões referem-se a um empréstimo de capital de giro para a subsidiária Abyara Brokers que foi consolidado na proporção de participação de capital na companhia. “Esse empréstimo foi transferido integralmente para outra empresa, sem nenhum vínculo com a Brasil Brokers, quando da realização da cisão parcial de ativos imobiliários e dívidas da subsidiária, conforme divulgado ao mercado em 18 de fevereiro de 2009″, ressalta em nota.
Em comunicado, a administração informa que a Brasil Brokers possuia um saldo a pagar de R$ 24 milhões ao final de 2008 referente as aquisições efetuadas. “Este valor já considera os ajustes da lei 11.638/07 em que os passivos da empresa são calculados a valor presente com a utilização de taxa de desconto de 12,75% ao ano”.
A Companhia também destacou que não possui nenhum passivo baseado em operações com derivativos ou atrelado à variação cambial.
De acordo com a Brasil Brokers, seu plano de expansão foi concluído no último trimestre com a inauguração de mais cinco filiais, totalizando 30 novas filiais abertas no ano de 2008.
(Vanessa Stecanella – InvestNews)
Começa a Batalha do Plano Diretor em SP – Valor
COMEÇA A BATALHA DO PLANO DIRETOR EM SP
VALOR ECONÔMICO – 10/03/2009
Ainda silenciosa, uma batalha envolvendo interesses bilionários e com reflexos diretos sobre o futuro da caótica cidade de São Paulo está tomando corpo na Câmara de Vereadores da capital paulista. De um lado estão o prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), os partidos que o apóiam e empresas e entidades ligadas ao setor da construção civil. Na outra ponta, reunem-se os partidos de oposição e mais de uma centena de entidades da sociedade civil. No meio dessa disputa, que promete ser ruidosa, está o projeto de lei enviado pelo Executivo propondo uma ampla reforma no atual Plano Diretor da maior e mais rica cidade do país.
O cerne da batalha que terá como palco a Comissão de Política Urbana da Câmara são as alterações no zoneamento do município que serão possíveis por meio da revisão do Plano em vigor. As empresas do setor querem ampliar os limites de construção nas áreas mais valorizadas da cidade, que hoje é de quatro vezes o terreno. “Não chegamos a um número fechado, mas estes limites poderiam dobrar em algumas regiões”, diz o presidente do Secovi, o sindicato do setor imobiálio, João Crestana.
A oposição e as entidades civis, por sua vez, estão decididos a impedir essas mudanças. “Querem transformar o Plano Diretor em mero instrumento para mudar o zoneamento”, diz o vereador Francisco Macena, o Chico Macena (PT), ex-presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no governo de Marta Suplicy (PT). “Estão transformando a Câmara em um balcão de negócios”, afirma o presidente do Movimento Defenda São Paulo, Heitor Marzagão, que encabeça um abaixo assinado com entidades como o Instituto Polis, Sindicato dos Arquitetos, Sindicato dos Engenheiros e dezenas de associações de bairros.
Já o Executivo e os governistas adotam discurso menos enfático. “O Plano precisa ser revisto. A cidade muda e quem critica adota uma posição anti-democrática porque nem quer discutir”, diz o líder da bancada do DEM na Câmara, Carlos Apolinário, que assim como o relator da Comissão e líder do governo, José Police Neto (PSDB), teve como principal doador de campanha a Associação Imobiliária Brasileira (AIB), entidade quase virtual.
O projeto foi preparado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano nos últimos dois anos. De acordo com o secretário Miguel Bucalem, o projeto enviado à Câmara apenas aprimora itens do projeto vigente. “As críticas das entidades não se referem ao projeto de revisão do Plano Diretor, e sim à revisão da Lei de Zoneamento”, afirmou o secretário por e-mail ao Valor.
O setor da construção civil como um todo teve um papel ativo nas eleições municipais de 2008. Dos R$ 34 milhões que o Comitê Financeiro Único Municipal do DEM arrecadou no ano passado, mais de R$ 11 milhões vieram diretamente de empresas de construção e engenharia. Dos sete vereadores da comissão, apenas três não receberam contribuições da AIB, que fez doações diretas a 27 dos 55 vereadores de São Paulo.
O peso do setor no financiamento das campanhas é proporcional aos interesses econômicos envolvidos na revisão do Plano Diretor. Apenas as 22 empresas com capital aberto têm um estoque de terrenos na capital que lhes garante uma receita potencial de R$ 35 bilhões. Se o setor tiver força política suficiente para conseguir ampliar os limites de construção, que hoje são equivalentes a uma área quatro vezes maior do que o terreno onde o empreendimento é erguido, esses valores podem até mesmo dobrar.
O jogo político em torno de interesses tão vistosos já fez a primeira vítima. A poucos dias da instalação da comissão o vereador Juscelino Gadelha (PSDB) tinha certeza de que seria eleito presidente. Dias antes da sessão que elegeu Carlos Apolinário para o cargo, estava certo que viraria relator. Terminou como simples integrante. “Juscelino não tem ligação estreita com construtoras nem goza da confiança irrestrita do prefeito”, diz um parlamentar que participou das negociações.
Apesar de as forças políticas estarem concentradas na revisão do Plano Diretor, a grande batalha, na verdade, se dará na sequência, com a Lei de Zoneamento. “É nesse momento que as alterações que nos preocupam serão realmente feitas.”, diz Kazou Nakano, diretor do Instituto Polis, também contrário projeto em tramitação. “As grandes mudanças do Zoneamento só podem acontecer com as mudanças no Plano Diretor, por isso ele é a mais importante, trincheira para nós”, diz Macena.
É na Lei de Zoneamento que as emendas são apresentadas para alterar as categorias de cada quadra da cidade. “É ali que tudo acontece, é nesse ponto em que as mudanças pontuais vão se dar”, diz o ex-vereador Nabil Bonduki (PT), relator do projeto do Plano Diretor em vigor, que durante o processo recebeu mais de mil emendas. “A pressão começa agora e só vai crescer”, conta. Pouco menos de um mês desde a instalação da comissão, já há mais de 100 emendas.
Ponto Vital
A cidade de São Paulo ainda é o maior e mais importante mercado para o setor imobiliário brasileiro
Juntas as 22 empresas de capital aberto do setor somam terrenos com capacidade potencial de receita superior a R$ 35 bilhões em valores de mercado de outubro de 2008, se respeitadas as regras de Plano Diretor vigente.
O que o setor da construção quer
- Ampliação dos índices de aproveitamento construtivo dos terrenos, tendo como base sua área total
- Retirada das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) das áreas mais valorizadas da cidade
- Ampliação do estoque de terrenos que pode ser adquirido via outorga onerosa
Como é hoje
- Índice médico de aproveitamento do terreno de duas vezes sua área total, com possibilidade de expansão máxima para quatro vezes, por meio de outorga onerosa, dependendo de estoque disponível na região
- Cerca de 800 Zeis espalhadas por toda a cidade com o intuito de diversificação social nas áreas mais nobres
- Estoque limitado para ampliação do índice de aproveitamento dos terrenos por meio de outorga onerosa. Regiões como Lapa, Vila Olímpia e Mooca já têm escassez de estoque disponível
Comitê Financeiro Municipal Único do DEM – Arrecadação Total – R$ 34,4 milhões
R$ 17,6 milhões – Recursos oriundos do Diretório Nacional do DEM
R$ 11,5 milhões – Recursos oriundos de empresas do setor da construção civil
Principais doadores:
- Construtoras Camargo Corrêa – R$ 3 milhões
- Empresa Industrial Técnica S/A – R$ 2,1 milhões
- Serveng-Civilsan S.A. Empresas Associadas de Engenharia – R$ 1,2 milhões
ENTIDADE IMOBILIÁRIA FINANCIOU METADE DA CÂMARA
VALOR ECONÔMICO – 10/03/2009
Por seu nome, a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) parece ser apenas mais uma das centenas de entidades de classe que congregam empresas de um mesmo setor. Mas não é. Ao contrário da maior parte dessas associações, a AIB tem uma operação quase virtual. Sua sede, em uma sala em um edifício de escritório na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, está sempre fechada. Seus sócios não são conhecidos. Funcionários, não existem, assim como páginas na internet ou mesmo um número de telefone registrado em seu nome. Para entrar em contato com a entidade o melhor caminho é ligar diretamente para o seu presidente, o empresário do setor imobiliário Sérgio Ferrador.
Apesar da aparência quimérica, a AIB teve participação ativa na última eleição municipal de São Paulo. A associação foi uma das maiores doadoras de recursos para candidatos a vereador na cidade. Ao todo a AIB distribuiu quase R$ 4 milhões a 47 concorrentes a uma vaga na Câmara de São Paulo, sendo que 27 deles foram eleitos.
Os sócios da AIB, e os doadores destes valores, são as empresas de construção civil da cidade, em especial aquelas voltadas ao mercado imobiliário. Sérgio Ferrador não revela o nome dos sócios, mas não esconde que a maior parte das empresas de capital aberto do setor integra a entidade, que fez as suas doações de forma legal com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ferrador, dono de uma empresa de consultoria imobiliária, trata pessoalmente de toda a operação da ABI. Ele recolhe os recursos com a empresa e trata diretamente com os candidatos que receberão a doação. “Não há nada de ilegal nisso, somos uma entidade registrada, que defende os interesses do setor”, diz o empresário, claramente incomodado em falar sobre a associação que preside. De acordo com o empresário, a AIB não atua apenas como doadora de campanha. “Também fazemos estudos, mas é uma atuação extremamente específica, por isso não mantemos estrutura permanente”, diz.
O empresário afirma não ser remunerado pelo que faz e nem escolher quem receberá as doações. A decisão é da empresa contribuinte, de acordo com seus interesses específicos. “Meu trabalho é de um abnegado, estou apenas dando minha contribuição para o setor”, afirma. “Precisamos todos na vida fazer um trabalho pelo bem comum e estou fazendo minha parte na AIB”.
SETOR APOSTA EM MUDANÇA PARA ALAVANCAR RECEITA
VALOR ECONÔMICO – 10/03/2009
O sonho de uma noite de verão vivido pelas empresas imobiliárias nos anos de 2006 e 2007, quando captaram mais de R$ 12 bilhões com as ofertas públicas de ações, começou a se transformar em pesadelo no ano passado. A corrida por terrenos e o consequente esvaziamento do caixa pegou a maior parte das empresas no contrapé quando o crédito começou a escassear. Sem recursos para construir os R$ 25 bilhões em projetos que lançaram em 2007, muitas tiveram que rever suas expectativas. Como consequência, as ações das empresas do setor despencaram, em média, mais de 80%.
Além do potencial de geração de receita, o gigantesco banco de terrenos que as empresas têm compõem um ativo importante não só para executar projetos, mas também para gerar capital, caso haja necessidade em um momento de pouca liquidez. De acordo as regras estabelecidas no Plano Diretor atual, uma empresa pode construir no máximo quatro vezes o tamanho do terreno.
E para construir acima da cota prevista é preciso comprar a “área” excedente por meio de um instrumento chamado de outorga onerosa, que depende de um estoque virtual pré-definido no Plano Diretor atual. Muitos deles estão próximos ou fazem parte das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), áreas que, por lei, são destinadas a construção de imóveis populares.
A pressão do setor é para aumentar esse limite máximo, principalmente nas áreas da cidade onde existe uma boa infraestrutura de transporte e, consequentemente, mais valorizadas. Querem também que as Zeis localizadas em áreas de grande demanda sejam deslocadas para regiões periféricas, além de uma ampliação dos estoques disponíveis para compra por meio da concessão onerosa. “O desenvolvimento precisa se dar de forma economicamente viável, não podemos ter diretrizes utópicas,” diz o diretor imobiliário do Sinduscon, o Sindicato das Construtoras, Odair Senza.
Se de fato conseguir aumentar os limites o setor ganha duas vezes. Amplia a margem de retorno dos empreendimentos por conta da redução do preço do terreno no seu custo total e também valoriza de forma considerável seus ativos imobilizados.
Pinheiros: região querida dos executivos e casais – 5/3/2009
Fonte:Gazeta Mercantil
SÃO PAULO, 5 de março de 2009 – Um oásis dentro de São Paulo. Assim é o bairro de Pinheiros com suas árvores de copas altas, ruazinhas de paralelepípedos e avenidas importantes. “A área passou por uma transformação nos últimos 15 anos”, afirma Paulo Porto, diretor de marketing e vendas da Klabin Segall. Ele se refere à mudança do perfil dos moradores do bairro, principalmente por causa da consolidação da Vila Madalena, seus bares e restaurantes. “A família tradicional vem sendo substituída, Pinheiros rejuvenesceu. O tradicionalismo agora divide espaço com a chegada de executivos entre 28 e 45 anos e de casais jovens com filhos pequenos de classe média média mas chegando à classe média alta”, explica.
Porto é exemplo dessa mudança: quando ele desembarcou em São Paulo, há 13 anos, vindo do Rio de Janeiro, escolheu a região para morar. “Quando cheguei o preço do metro quadrado custava em torno de R$ 3,8 mil, hoje você não acha nada por menos de R$ 5 mil.”
De acordo com dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), em 2005, foram lançadas 487 unidades residenciais; em 2006, 352 unidades; em 2007, 346. Entre janeiro e novembro de 2008 o número de lançamentos baixou para 116 – empreendimentos de dois ou três dormitórios, o que explica o valor médio de R$ 346 mil. Em 2005, quando foram lançados apartamentos de um a quatro quartos, o valor médio era de R$ 546 mil; em 2006, de R$ 513 mil; em 2007, de R$ 445 mil. Na contramão da redução dos números, o preço do metro quadrado subiu de R$ 4,3 mil, em 2007, para R$ 4,6 mil, no ano passado.
Em outras palavras: houve valorização do bairro, os preços subiram e os terrenos estão cada vez mais escassos. “Pinheiros tem muita área verde e poucos terrenos contínuos. Mas acho que isso não pode ser destruído por causa da construção de um empreendimento. Um zoneamento urbano novo estragaria o que a região tem de melhor”, diz Porto.
O diretor da Klabin Segall lembra que até outubro do ano passado os preços dos terrenos estavam muito altos, mas a tendência é que a “afobação se arrefeça”. “Meu conselho é fazer mais negociações para que os preços caiam ainda mais.”
Paulo Melo, diretor de incorporação da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, concorda que os valores são muito altos. Mesmo assim é um lugar que vale o investimento. É o que aconteceu com o Sonata, empreendimento entregue em agosto de 2006 e totalmente vendido. Os prédios têm três andares por causa do zoneamento que não permite imóveis acima dessa altura.
Na época, o valor geral de vendas (VGV) foi de R$ 32 milhões para 26 unidades, o que caracteriza o empreendimento como de alto padrão. “O Alto de Pinheiros oferece qualidade de vida aos moradores. Está próximo ao Parque Villa-Lobos e é muito arborizado”, ressalta Melo. “Sem falar das melhorias cada vez presentes no bairro, como a inauguração do metrô e a revitalização do Largo da Batata pela prefeitura. A região vai se constituir por uma mistura de imóveis comerciais, residenciais e empresariais.”
Aprovado em 2002, o projeto das Operações Urbanas visa promover melhorias em regiões pré-determinadas da cidade por meio de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada. Uma dessas regiões é o Largo da Batata, que deve ser revitalizado até 2023. Por isso e pela inauguração próxima do metrô, o local tornou-se uma forte aposta do mercado imobiliário.
Segundo dados da CB Richard Ellis, Pinheiros possui 74 edifícios de escritórios, os quais somam uma área útil de aproximadamente 400 mil metros quadrados. No bairro, 75% dos edifícios possuem ar-condicionado central, um indicador de qualidade dos prédios. Como é o caso do Eldorado Business Tower, construído no estacionamento do Shopping Eldorado, que foi entregue com alta taxa de absorção dos espaços no final de 2007. Na inauguração, havia poucos andares vagos.
Espera-se o aumento do número de edifícios com ar-condicionado central e os considerados classe A ou superior. De acordo com informações da consultoria, o mercado imobiliário não parou em 2009, apesar de registrar uma estabilização da taxa de vacância em muitas áreas. Com o baixo volume ofertado, o crescimento do bairro dependerá da entrega de novos espaços e do investimento da prefeitura.
A Esser está fazendo a sua parte. Lançado em dezembro do ano passado, o Neo Offices Faria Lima teve 70% das suas 140 unidades vendidas em um mês. A previsão de entrega é de dezembro de 2011 e o VGV calculado chega a R$ 35 milhões. “A vacância é baixíssima, por isso continuamos prospectando novos projetos”, revela Maurício Ribeiro, gerente de marketing da Esser.
Segundo dados da Lidencorp, Pinheiros é a região de menor vacância de São Paulo. O segmento comercial de alto padrão de São Paulo registra a menor taxa de vacância dos últimos sete anos. E apresenta também uma absorção líquida recorde, com aproximadamente 130 mil metros quadrados de espaços absorvidos.
O bairro está entre aqueles que demonstraram excelente desempenho em locação de escritórios, com baixíssima taxa de vacância e alto índice de ocupação. A tendência no mercado de imóveis comerciais classes A e AA continua em alta para investidores, com demanda acentuada. Por isso a incorporadora apostou no pré-lançamento do Win Work Pinheiros e acertou. Cerca de 50% das 73 unidades já foram vendidas. O VGV estimado é de R$ 60 milhões. “O bairro é completo: tem shoppings, restaurantes e bancos”, diz Ana Vasconcellos, desenvolvedora de projetos da Lindencorp.
Praça Benedito Calixto
Há 21 anos, a praça Benedito Calixto, em Pinheiros, fica abarrotada de pessoas que visitam a feirinha de artesanato, antiguidades e gastronomia. Segundo Maria Emília Ciavagria, vice-presidente da Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto, são 300 expositores e a estimativa é de que 8 mil visitantes passem pelo local aos sábados, quando as barraquinhas são armadas. “A feira acabou por contribuir para a valorização imobiliária nos arredores”, diz.
“A procura por imóveis em Pinheiros é boa. Tudo o que é ofertado é alugado no mesmo dia”, afirma Eunice do Nascimento, assistente comercial da Lello. Segundo ela, o aluguel de um imóvel de um quarto, próximo à praça, custa R$ 2 mil. “Temos até fila de espera”, comenta. (Natália Flach – Gazeta Mercantil)




