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Lições da Perestroika na economia

fevereiro 22, 2012 1 comentário

Lições da Perestroika na economia

Por Luiz Carlos Mendonça de Barros

O debate sobre os efeitos da abertura da economia na sociedade brasileira em geral – e na indústria em particular – pode se beneficiar de algumas lições da Perestroika na Rússia ainda comunista. Explico a seguir o porque dessa minha afirmação.

Em ambos os casos trata-se do processo de reação de uma sociedade complexa diante da distensão de regras restritivas à liberdade de indivíduos e grupos sociais impostas pelos governos nacionais. No caso russo o aspecto dominante foram as liberdades políticas do cidadão e da sociedade; no caso brasileiro de agora é a busca da liberdade econômica por parte de consumidores e empresas produtoras de bens e serviços que está no centro das mudanças.

Na Perestroika me interessam suas lições sobre a impossibilidade do governo de controlar a velocidade e a intensidade com que a liberdade política voltou ao espaço social russo. Uma vez iniciada a abertura, a complexidade do que se seguiu não estava prevista nos planos dos dirigentes comunistas, e os acontecimentos na Rússia e em outros países comunistas fugiram totalmente do controle.

Com as importações liberadas, empresas brasileiras se dão conta dos desafios das novas e das antigas restrições

A abertura da economia brasileira nos últimos anos acontece com tintas muito semelhantes. Reconheço que a dramaticidade e a influência sobre a vida do cidadão soviético da Perestroika foi muito maior do que o processo que temos hoje no Brasil. Por isso quero deixar claro que me interessam apenas algumas semelhanças que existem entre eles.

A primeira delas é o encadeamento dos ajustes que passam a ocorrer quando, uma vez liberadas as restrições externas, forças naturais passam a agir na sociedade. No caso brasileiro trata-se da liberdade do consumidor de escolher entre produtos e serviços disponíveis no mercado interno e outros que são oferecidos a partir do exterior. E aqui estamos falando não apenas de bens físicos, como televisores e automóveis, mas de serviços como férias em Miami ou mesmo Paris.

Durante décadas foi negado ao consumidor brasileiro esse direito de escolha. Até 1990 esse impedimento era de natureza legal, pois leis e regulamentos criados ao longo do regime militar criminalizavam a importação de bens e os gastos em moeda forte no exterior. A partir do governo Collor essas restrições foram aliviadas, mas o consumidor brasileiro continuou confinado ao mercado interno pelas inseguranças associadas à taxa de câmbio. Com a elevada volatilidade de nossa moeda, os canais de distribuição de bens e serviços necessários para o consumidor ter acesso às importações não se desenvolveram de forma sistêmica. Essa limitação, na prática, significou a manutenção de uma economia fechada no Brasil.

Esse quadro mudou drasticamente com a entrada da China no mercado de bens primários. Entre o início do século XXI e o segundo mandato do presidente Lula, os preços de nossas exportações cresceram mais de 30% em relação aos das importações. Essa melhora em nossos termos de troca transformou o real em uma moeda forte e incrivelmente estável no médio prazo. Com a habitual rapidez com que as empresas brasileiras se adaptam a novos tempos, nos últimos anos montou-se no Brasil uma sofisticada e eficiente rede de distribuição de produtos e serviços importados. E o consumidor passou a ter, pela primeira vez em muitas décadas, a liberdade de escolha.

Essa busca por parte do consumidor brasileiro trouxe os holofotes da opinião pública para outra restrição à liberdade econômica que prevaleceu no Brasil por mais de quatro décadas: a liberdade para as empresas brasileiras de trabalhar e produzir com custos compatíveis com os de seus concorrentes em outros países. Essa descoberta é mais recente e só agora começa a ser percebida – e exigida – por muitas delas. Dou um exemplo dramático e recente: as empresas brasileiras são hoje obrigadas a comprar o gás natural de petróleo da Petrobras por um preço quatro vezes superior ao que prevalece nos Estados Unidos. O mesmo ocorre com outros insumos de produção como energia elétrica, custos de logística e taxas reais de juros nas operações de crédito.

Outro exemplo dessa contradição é o nosso sistema tributário. Com uma carga de impostos sobre a produção pelo menos 10 pontos mais elevada, esse aleijão competitivo ficou mascarado por décadas por ser a economia insulada das importações e nossa moeda muito desvalorizada. Outro foco gravíssimo desse problema de competitividade – embora este de natureza conjuntural – é hoje o mercado de trabalho. Com as taxas de desemprego em níveis muito baixos, o custo da mão de obra para as empresas brasileiras vem crescendo muito acima de seus concorrentes em outros mercados.

Neste ponto de minha coluna talvez a minha comparação com a Perestroika comece a ficar mais clara para o leitor do Valor. O processo de abertura às importações, em um tecido econômico e social com liberdades individuais restauradas no campo econômico, está criando um complexo processo de mudanças na sociedade. Como aconteceu no mundo comunista, os acontecimentos de agora se encadeiam e rapidamente criam novos desafios a serem enfrentados mais a frente. Por isso, tratar os problemas atuais na economia brasileira como uma mera crise na indústria provocada pelo real valorizado é uma simplificação perigosa.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, engenheiro e economista, é diretor-estrategista da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações. Escreve mensalmente às segundas-feiras e excepcionalmente nesta quarta.

CategoriasBrasil, Economia, Filosofia

“É impossível administrar com 40 ministérios”, diz Gerdau

“É impossível administrar com 40 ministérios”, diz Gerdau

Por Fernando Exman | De Brasília

 

Ruy Baron/Valor/Ruy Baron/ValorGerdau em seminário do Valor: “A presidenta já tem se movimentado no sentido de criar grupos de ministérios”

 

O presidente do Conselho de Administração da Gerdau e da Câmara de Gestão criada pelo governo Dilma Rousseff, Jorge Gerdau Johannpeter, defendeu ontem a redução do número de ministérios no Executivo. A declaração foi feita durante o seminário “Os avanços da gestão pública no Brasil”, promovido pelo Valor.

Fontes do governo dizem que a presidente Dilma Rousseff estuda unificar as secretarias de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Políticas para Mulheres na reforma ministerial a ser promovida nos próximos meses, ideia que já recebe críticas de alas do PT. Outra medida cogitada no Palácio do Planalto é a reincorporação da Secretaria de Portos pela Pasta dos Transportes. Atualmente, Dilma conta com 38 ministros.

“É pacífico que é impossível administrar com 40 ministérios”, destacou o empresário durante o seminário. “A presidenta já tem se movimentado no sentido de criar grupos de ministérios.”

Gerdau preside a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, colegiado formado por empresários e ministros. O grupo foi criado em maio para sugerir ao governo formas de reduzir custos, melhorar o controle dos gastos públicos, racionalizar processos e melhorar serviços prestados à sociedade. “Não se pode trabalhar com 23,5 mil assessores de confiança na estrutura política”, argumentou Gerdau, acrescentando que o país já tem exemplos de sucesso com burocracia profissionalizada, como o Banco Central, Banco do Brasil, Forças Armadas e Itamaraty. “Defendo a profissionalização absoluta.”

Neste primeiro momento, a Câmara de Gestão faz um diagnóstico da situação dos aeroportos, dos ministérios da Justiça, Saúde e Transportes, Infraero e Correios. O grupo também acompanhará os preparativos para a Copa de 2014 e o Ministério da Previdência.

Segundo, Gerdau os trabalhos do grupo ainda estão num período inicial. Ele disse que esse tipo de consultoria normalmente exige “muito estudo prévio” para começar a dar resultados. Geralmente, contou, um projeto de gestão passa seis meses estudando e analisando, seis meses introduzindo medidas e seis consolidando-as. Por ora, a Câmara de Gestão está buscando formas para melhorar os serviços públicos. Em seguida, tentará ajudar o governo a reduzir os gastos.

Gerdau citou como exemplo a experiência de um programa de modernização da gestão pública promovido pelo Movimento Brasil Competitivo junto a Estados, municípios e tribunais de Justiça, que recebeu investimentos de R$ 78,7 milhões e já gerou uma economia de R$ 14,2 bilhões. O MBC também é ligado a Gerdau. “Normalmente, leva de 12 a 18 meses um processo desses. O importante é que foi dada a arrancada e existe um apoio enorme, disposição. Tem dezenas de outras frentes solicitando apoio. Então, existe realmente uma vontade política de fazer as coisas andar”, disse.

O presidente do Conselho de Administração da Gerdau e da Câmara de Gestão descartou ainda a possibilidade de entrar na política ou aceitar um cargo no governo. Gerdau contou que se aproximou da presidente Dilma Rousseff quando ela presidia o Conselho de Administração da Petrobras, e chegou a conversar com ela quando o atual governo estava se formando. Na época, a imprensa publicou reportagens de que Dilma estaria sondando Gerdau para integrar seu ministério.

“Na minha vida eu tomei uma decisão clara de que não quero entrar em cargo político e em cargo no Executivo. Sou empresário e quero continuar empresário”, destacou Gerdau, para quem o empresário é o “principal agente social” das mudanças das condições de um país. “Tenho convicções filosóficas profundas sobre isso.”

Gerdau destacou que a gestão é um fator “definitivo” para gerar prosperidade e riqueza, além de um instrumento essencial para o Brasil competir com os países asiáticos e aumentar os investimentos públicos sem aumentar a carga tributária. “O Brasil tem que aumentar a taxa de investimentos, e isso só pode vir por meio de gestão.”

Os demais palestrantes do seminário também discutiram iniciativas para melhorar a gestão pública em outras esferas de governo. Sérgio Ruy Barbosa, presidente do Consad e secretário de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro, alertou que o gerenciamento dos recursos humanos é um dos maiores desafios que o poder público. Para ele, a carreira dos servidores públicos tem de ser repensada a fim de atrelar a promoção a critérios meritocráticos e incluir novos conteúdos nos concursos públicos. “Hoje, as provas medem decoreba”, disse, lamentando ainda a dificuldade em demitir servidores por ineficiência.

A secretária de Gestão do Ministério do Planejamento, Ana Lúcia Amorim, contou que o governo Dilma Rousseff estuda justamente medidas para aliar uma gestão dos recursos humanos baseada na meritocracia a políticas de reconhecimento e valorização dos servidores públicos. Disse ainda que o Executivo elevou de 17% para 80% a participação dos pregões eletrônicos nas compras do governo. “Esses pregões trazem mais agilidade e economia de recursos”, explicou a secretária.

Já o superintendente central de Governança Eletrônica da Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Rodrigo Diniz Lara, destacou que o governo mineiro trabalha para implementar o chamado governo digital, solução tecnológica que deverá integrar as áreas de planejamento, recursos humanos e contabilidade. “Assim, pode-se trabalhar de forma sistêmica, tendo padronização, flexibilidade e agilidade na tomada de decisão.”

Falaram também no evento Evelyn Levy, consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial, Sérgio Barbosa, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração, e João Lins, sócio e líder de serviços ao governo e setor público da PwC. No painel sobre planejamento estratégico para a otimização de processos, os palestrantes foram Eutálio Porto de Oliveira, desembargador de Justiça em São Paulo, Ana Lúcia Amorim, secretária de gestão do Ministério do Planejamento, e Luiz Navarro de Britto Filho, secretário-executivo da Controladoria-Geral da União (CGU). (Colaborou Roberto Rockmann, especial para o Valor)

Barbas de molho

Barbas de molho

Por Carlos Lessa

 

Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.

Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc). Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China. Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil. A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.

O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes. A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está “favelizada”.

Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico

Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade. O salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre. Nosso governo fala de uma “nova classe média” e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.

É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente, todo um elenco de matérias-primas.

O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão. A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China. O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile – com pretensão de se converter na “Singapura” do Pacífico Sul – e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro. A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o Mercosul está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.

 

O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.

Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a “economia de mercado”. “Casou” com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas). O superávit comercial chinês é predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente. Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China. A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.

Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na “bola da vez” da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.

O discurso da globalização, a fantasia da “integração competitiva”, a ilusão de ser “celeiro do mundo” com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.

Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do “conto do vigário” chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.

Carlos Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES. E-mail: carlos-lessa@oi.com.br.

A Europa tem uma opção coreana?

A Europa tem uma opção coreana?

Por Simon Johnson

 

Aparentemente pelo menos, a situação da zona do euro hoje e da Coreia do Sul no outono de 1997 parecem distintas, apesar de ambas representarem casos de grave crise econômica. Mas os problemas da zona do euro decorrem de níveis elevados de endividamento público, ao passo que a Coreia do Sul sofreu uma fuga em massa de capitais e sua moeda entrou em colapso – e quase a totalidade da dívida fora contraída pelo setor privado.

Apesar disso, a zona do euro poderia aprender com a experiência sul-coreana, que deixou para trás sua crise mais rapidamente do que qualquer observador esperava, combinando reformas sensatas e recuperação rápida. A chave para a virada foi uma grande desvalorização da moeda, o won. A desvalorização do euro parece ser um caminho provável para que a zona do euro saia de suas dificuldades.

Cada crise é peculiar, mas a Coreia do Sul compartilhou muitos aspectos com outros conturbados mercados emergentes na década de 1990. Grandes grupos empresariais politicamente bem conectados – conhecidos como chaebols – expandiram-se rapidamente, assumindo grandes volumes de endividamento barato. Acionistas externos tiveram pouca influência sobre as personalidades poderosas que comandavam os chaebols e os credores emprestaram dinheiro à vontade, presumindo que os mais importantes eram tão significativos para o governo, e que por isso não os deixariam falir.

O extremamente poderoso grupo Daewoo sofreu um colapso e foi reestruturado. No geral, a Coreia do Sul conseguiu diminuir o poder excessivo do seu setor empresarial, o que fornece lições sobre como lidar com os atuais megabancos.

Por outro lado, fatores políticos desempenharam um papel importante em permitir que a dívida se acumulasse – criando vulnerabilidades que puderam rapidamente converter-se em crise econômica, depois que os investidores ficaram nervosos. Apesar de os bancos estatais sul-coreanos controlarem nominalmente o fluxo de capitais, as estreitas relações entre o setor privado e o governo implicaram que os chaebol acreditassem ter pouco a temer.

No outono de 1997, após crises terem impactado a Tailândia e a Indonésia, alastrou-se um pânico generalizado pela Coreia do Sul. À medida que a moeda se depreciou, os empréstimos externos ao setor empresarial tornaram-se mais onerosos – exacerbando ainda mais o pânico. O apoio inicial oferecido pelo Fundo Monetário Internacional não estabilizou a situação.

A zona do euro, hoje, não tem um problema de dívida externa – a totalidade da dívida em questão é em euros e a maior parte dela é devida pelos governos europeus a bancos de seus próprios países. Mas essa é uma combinação tóxica, como descobriram a Grécia e a Itália. A dinâmica da dívida europeia é bastante distinta da que existiu na Coreia do Sul, mas o problema, em ambos os casos, poderia ser considerado insuperável.

A rota de fuga óbvia passa por crescimento econômico, que reduziria a proporção da dívida em relação ao PIB e faria os pagamentos de juros parecerem razoáveis. Mas os caminhos convencionais para estimular a economia europeia não estão abertos: a política fiscal é limitada por níveis já elevados de endividamento; e o Banco Central Europeu, temendo a inflação, tem mantido um rígido controle sobre a política monetária.

Nenhuma das outras ideias na mesa de discussões europeia, inclusive vários tipos de “reforma estrutural”, proporcionarão rápido crescimento em curto prazo. Em setembro, Portugal pretendia colocar em prática uma forma de “desvalorização interna”, reduzindo impostos sobre salários e aumentando o imposto sobre o consumo; isso foi agora arquivado, presumivelmente por ser politicamente impraticável.

 

Uma desvalorização efetiva, por outro lado, faria maravilhas para a economia real. A moribunda economia italiana ganharia vida se o euro sofresse uma desvalorização de 30% (ajustada pela inflação). Em 1997, a economia da Coreia do Sul entrou em queda livre e 1998 ainda foi um ano difícil, mas em 1999 o PIB cresceu 11,1%.

A maneira pela qual o euro poderia ser desvalorizado, uma vez que se trata de uma moeda flutuante sujeita a muito pouca intervenção – ou seja, a taxa de câmbio é praticamente determinada pelo mercado – depende de política monetária. Se o BCE aceitasse afrouxar a política monetária ou provesse “liquidez” suficiente para bancar vários pacotes de socorro, os investidores temeriam a inflação, enfraquecendo o euro. Por outro lado, se o BCE preferisse deixar grandes países, como a Itália, ficar em condição inadimplente em face de seus credores, isso provavelmente enfraqueceria ainda mais o euro e os investidores temeriam um contágio de colapsos de países.

Embora uma depreciação nunca seja a política declarada das autoridades da zona do euro, atualmente parece que todos os caminhos vão nessa direção.

A desvalorização da moeda, evidentemente, não é uma panaceia. A situação da Coreia do Sul também envolveu passos difíceis, entre eles um confronto entre o governo e o maior dos chaebols, alguns dos quais tinham flagrantemente violado a legislação. Após uma série de confrontos, em meio aos quais uma das companhias, a Daewoo, ameaçou declarar-se inadimplente, forças políticas reuniram-se em seu apoio, mas o governo venceu; o extremamente poderoso grupo Daewoo sofreu um colapso e foi reestruturado. No geral, a Coreia do Sul conseguiu diminuir o poder excessivo do seu setor empresarial (o que fornece lições sobre como lidar com os atuais megabancos).

Analogamente, a Europa precisa corrigir seus problemas estruturais mais profundos. A Europa necessita um centro fiscal – assim como os EUA necessitaram uma autoridade tributária federal em 1787. De fato, os europeus precisam de um equivalente à Convenção Constitucional americana – e do debate ratificador que se seguiu.

Mas alguma depreciação do euro criaria uma ponte para obter uma reforma para a governança interna. E, gostemos ou não, a crescente pressão sobre o euro provavelmente forçaria as autoridades europeias a cruzá-la. (Tradução de Sergio Blum)

Simon Johnson foi economista-chefe do FMI e é cofundador de um destacado blog de economia – BaselineScenario.com, – professor da MIT Sloan, membro sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional e coautor, com James Kwak, “13 Bankers” (13 de banqueiros). Copyright: Project Syndicate, 2011.

www.project-syndicate.org

CategoriasEconomia, Filosofia

Petrobras

Não sou especialista no mercado financeiro, esse é um blog voltado ao mercado imobiliario, mas vou dar um pitaco em um assunto/problema que está tão evidente a solução que parece precisa de algum empurrão. Pois bem, estamos com um problema de expectativa inflacionária, fora de controle, os preços dos combustíveis foi elevado, tem posto de gasolina com gasolina a 3,17 R$ em Goias, ontem houve um movimento popular importante, com filas nas portas dos postos abastacendo R$ 0,50 por carro, imagine só…. o que dá pra abastecer com cinquenta centavos…

O problema é muito simples, o nome é IMPOSTO . Qual a lógica de uma companhia como a Petrobras que tem uma ingerência do governo em sua governança e tá apanhando por isso nos últimos 12 meses com o preço da PETR4 hoje batendo R$ 24,00 (ridiculo, diga-se de passagem) um multiplo de 8x P/L e abaixo de seus pares…. e se sujeitando a pagar um imposto absurdo ( ICMS – pior de todos ) que impede a empresa de subir o preço de seu produto !!

A solução é muito simples, já que o Governo quer uma Petrobras forte (sou partidário da Governança Corporativa e da não ingerência do Governo) e concordo com isso pois Energia é estratégico para o país, decrete-se uma remoção total do imposto do produto no curto prazo com o argumento que tanto a defesa da Petrobras quanto das metas inflacionários são assuntos de interesse do Estado e libere o povo desse aumento que no final das contas não vai pra Petrobras e sim pro Governo…  que tá precisando fazer obra pra Copa do Mundo…..

Tem um rapaz que tá fazendo uma campanha bacana chamada Preço Justo, meus filhos me mostraram pedindo adesão, talvez uma boa seja aderir a campanha dele, preço justo, abaixo o imposto absurdo… www.precojustoja.com.br

Jonas

CategoriasEconomia, Filosofia

Crédito hipotecário engatinha

Crédito hipotecário engatinha

Adriana Cotias | De São Paulo
Valor Economico
27/04/2011

Nos Estados Unidos, o crédito com garantia em imóveis, ou hipotecário, soma US$ 5,7 trilhões, mais de um terço do estoque de crédito habitacional. No Brasil, onde o financiamento da casa própria atinge apenas R$ 146 bilhões, executivos de bancos estimam que o “home equity” represente apenas 1% desse volume. O percentual é tão pequeno que o Banco Central nem divulga estatísticas detalhadas sobre essa modalidade de crédito.

Alguns entraves impedem a expansão desse instrumento: nas agências dos bancos, essa linha compete com outras modalidades mais rentáveis para a instituição financeira e, pelo lado do consumidor, há uma resistência cultural em oferecer a casa própria, já quitada, como garantia de um empréstimo bancário, por causa do risco de perda do imóvel no caso de inadimplência.

Mesmo assim, alguns bancos, como o HSBC, reformularam o produto, aumentando os prazos de pagamento e o valor que pode ser financiado.

Aumento de custos derruba lucro da Cyrela

Matéria mais importante do mercado da semana

Aumento de custos derruba lucro da Cyrela

Daniela D’Ambrosio e Denise Carvalho | De São Paulo

30/03/2011

A Cyrela, segunda maior empresa do setor de construção em valor de mercado, teve um dos piores resultados de sua história. A divulgação das demonstrações financeiras da incorporadora surpreendeu ontem os investidores e evidenciou a dificuldade da companhia em controlar custos depois que seu crescimento foi turbinado nos últimos anos por associações e parcerias com construtoras em todo o país.

Após sucessivos aumentos de lucro, a companhia apresentou queda expressiva na última linha do balanço. A Cyrela lucrou R$ 82,5 milhões no quarto trimestre de 2010, 60,3% menor na comparação com o mesmo período do ano anterior. No ano, o recuo foi de 17,7%. A margem líquida caiu de 17,4% no quarto trimestre de 2009 para 5,9% no mesmo período de 2010 – nível nunca antes registrado por uma companhia do porte e respeito conquistados pela Cyrela ao longo dos anos e comparável ao das empresas que tiveram sérios problemas nos últimos anos e foram sendo adquiridas por concorrentes, como Klabin Segall, Agra e InPar. Historicamente, a margem líquida da Cyrela era uma das melhores do setor, acima de 20%.

Ontem, em teleconferência com analistas, a companhia – na voz de seu presidente, Elie Horn – fez um mea culpa. Admitiu que teve problemas e está corrigindo a rota. O tom foi de uma empresa que vive uma situação delicada, sim – muito em função do crescimento – e que no médio prazo pretende voltar a ter boas notícias. “Para o próximo ano, queremos rentabilidade acima de tudo”, disse Elie Horn. 

A Cyrela terá um trabalho árduo pela frente. A forte queda de margem de outubro a dezembro contaminou a rentabilidade anual. No ano, em relação a 2009, a margem Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) teve queda de 5,8 pontos percentuais, a margem bruta caiu 3,1 pontos percentuais e a líquida recuou 5,6 pontos.

Os problemas estão concentrados no descontrole do orçamento e, segundo a própria companhia, mais focados nos parceiros. “Neste trimestre, realizamos uma conciliação detalhada dos orçamentos de custos financeiros a incorrer versus a evolução física de nossas obras orgânicas (obras executadas pela própria companhia) com parceiros e terceiros, o que resultou num acréscimo no custo orçado a incorrer no trimestre de R$ 367,2 milhões, 3,7% sobre o custo orçado total”, escreveu a companhia no release de resultados.

Desse “estouro”, segundo o diretor financeiro Luis Largman, 30% foram ocasionados nas obras próprias e 70% onde a produção é terceirizada. Durante todo o ano de 2010, o incremento total de custo foi de R$ 533,6 milhões. De cerca de 200 canteiros de obras, houve problemas em 30. Ainda de acordo com Largman, com o crescimento acelerado, começaram a aparecer os problemas. Alguns parceiros passaram a ter duas a três vezes o número de obras que tinham antes. “Mas tivemos muitos acertos com muitos parceiros”, disse.

A situação foi detectada pela Cyrela ainda no ano passado, a ponto de o empresário Elie Horn, controlador da Cyrela, ter destacado três executivos para comandar a implantação de um controle mais rigoroso de custos nas suas parceiras espalhadas pelo país. Segundo a reportagem do Valor apurou, há pelo menos oito meses, os executivos Eric Alencar, Paulo Madruga Silva e Gustavo Tayar estão acompanhando mais de perto o dia a dia das operações, respectivamente, no Rio de Janeiro, no Centro-Oeste e no Nordeste.

Essa seria uma tentativa de recuperar o atraso da empresa na implementação do SAP, sistema que integraria todas as operações. O sistema começou a ser implantado entre 2006 e 2007. Com a explosão da crise em 2008, a empresa colocou o pé no freio e retomou a implantação em meados de 2009. Segundo a companhia, a implantação do software custou R$ 33,5 milhões. Procurada para comentar a missão dos executivos nas regiões, a companhia não concedeu entrevista.

O diretor da Cyrela em São Paulo, Ubirajara Alves, disse na teleconferência que a companhia vai aprimorar a gestão e a fiscalização das obras de terceiros e adotar a cogestão desses empreendimentos. “Vamos melhorar o treinamento de mão-de-obra, o que leva algum tempo, vamos reorganizar a engenharia em esfera nacional para atender o crescimento futuro e contratamos uma consultoria para preparar indicadores nos mercados regionais”, disse.

O Valor apurou que os maiores problemas estão na Bahia, onde a companhia tem parceria com a Andrade Mendonça. Ambas estão construindo o maior empreendimento de Salvador, com cerca de mil unidades para a classe média e média alta. Só nessa obra, o estouro no orçamento teria sido de mais de R$ 150 milhões. O projeto está com atraso na entrega. Procurada, a Andrade Mandonça não retornou.

Como toda empresa do setor imobiliário, a Cyrela atua com parcerias nos mercados nos quais não operava tradicionalmente. A Cyrela tem parceiros nas SPEs (Sociedades de Propósito Específico), empresa criada para cada empreendimento – geralmente uma construtora para cada região -, além de joint ventures, como é o caso da Cury para baixa renda e Mac. É controladora de duas outras empresas, a RJZ, do Rio, e a Goldztein, que atua no sul do país.

Em 2010, para cumprir o que prometeu ao mercado, a Cyrela lançou R$ 4,5 bilhões no último trimestre, quase 70% do total do ano, de R$ 7,6 bilhões. As despesas comerciais subiram 37,9% de um ano para outro, passando de R$ 291,2 milhões para R$ 401,8 milhões. As despesas gerais e administrativas aumentaram de R$ 255,8 milhões em 2009 para R$ 352,4 milhões em 2010. “Abrimos filiais no Centro-Oeste e no Norte”, disse Largman para justificar o aumento. “Esses gastos corroem margem e não têm nada a ver com aumento de custo de construção”, afirmou uma fonte do setor.

Para analistas ouvidos pelo Valor, a Cyrela demorou para dimensionar o tamanho dos problemas, enquanto concorrentes do setor, como Rossi e Gafisa, vêm reconhecendo estouros de obras desde 2008. A MRV, por exemplo, acaba de reconhecer um ajuste de orçamento de R$ 50 milhões e também teve impacto importante nas margens. “Olhando em retrospectiva, acreditamos que os lucros reportados pela Cyrela foram motivados por orçamentos imprecisos”, diz em relatório Guilherme Vilazante, analista do Barclays. “Então, o prêmio com que a empresa era negociada em bolsa era injustificável.”

Com queda do caixa de R$ 1,7 bilhão no fim de 2009 para R$ 1,15 bilhão em 2010, a dívida líquida saiu de R$ 927 bilhões para R$ 2,25 bilhões na mesma comparação.

Embora os papéis tenham fechado com leve alta ontem (0,5%), no ano é a maior queda do setor, de 31,4%. A interpretação do mercado é que os investidores já tinham penalizado a empresa depois que anunciou, há cerca de 15 dias, revisão na previsão de lançamentos, vendas e margens. Para a margem Ebitda, a companhia projetava um intervalo entre 20% e 24% para 2011 e 2012. Reduziu para uma faixa entre 15% e 19% este ano.

Today’s Best Investment ? Buy a house

February 9, 2011 How to Beat the Looming Inflation Tsunami

How to Beat the Looming Inflation Tsunami

[Editor's Note: He predicted the financial crisis and the bull markets in gold and silver, and he "called" the bear-market bottom. Now Money Morning's Martin Hutchinson is sounding the inflation alarm - and has identified the one move investors can make to beat the looming inflation tsunami.]

By Martin Hutchinson, Contributing Editor, Money Morning

Inflation is coming our way. Make no mistake about it.

This insidious increase in the general level of prices is currently rattling around in the world’s emerging markets – causing China and Brazil to put up interest rates and India to try and suppress it with price controls. It’s beginning to appear in Britain, which had a similar crash to the United States, but where the currency has been somewhat weaker.

Within the next six months – while the U.S. Federal Reserve is still buying U.S. Treasury bonds under its “quantitative easing” policy – this inflation tsunami will hit the United States.

Inflation is a lot like the unwelcome houseguest: Once you invite it into your home, you can’t seem to get it to leave.

The key catalysts for the inflationary visitor that’s headed our way are the silly-money policies that the Fed and other central banks have been pursuing. Those policies have inflated yet another massive bubble – this one in the commodities sector. All the cheap money that’s right now sloshing around the global markets have sent commodity prices into the stratosphere, and are causing emerging-market economies to grow like crazy.

Inflation was especially virulent in the 1970s, when rising prices and high unemployment combined to cause the particularly odious form known as “stagflation.” It certainly didn’t help that it took policymakers almost the entire decade to face up to the fact that inflation wouldn’t go away on its own.

Indeed, it wasn’t until we got Paul A. Volcker in as Fed chairman in 1979 that inflation even had a worthy foe. It was Volcker who eventually crafted the aggressive policies that were required to vanquish the inflationary pressures that had gripped the U.S. economy for so long.

This time around, unfortunately, the U.S. central bank appears to be even more determined to ignore inflation’s early warning signs, while the banks and the politicians will fiercely resist higher interest rates, the only known remedy, because of the dangers of a further housing collapse.

So we can expect inflation to be with us for several years this time, too. In fact, expect it to get worse for the next three to four years, while Ben S. Bernanke remains at the helm of the nation’s central bank. Bernanke’s term as Fed chairman ends in January 2014; hopefully, whoever is the U.S. president at that point won’t reappoint him.

But we’d better arrange matters so we don’t lose out from it.

A Tale of Caution

As investors, the main problem we have with inflation is that any contract written in nominal dollars will rapidly decline in value. Long-term bonds are the classic losers from periods of inflation; their nominal value declines, and their prices decline, as well, because inflation pushes up interest rates.

My Great-aunt Nan, a splendid lady, retired at 65 in 1947 – at the beginning of Britain’s postwar inflationary surge, with ample retirement savings – invested in a 3.5% War Loan, the normal safe haven for British savers in the 19th and early 20th centuries.

She made it into the 1970s, bless her. But by the time she died, not only was the income from her War Loan worth a quarter of its 1947 value, but its capital value had also declined in nominal terms to about 30% of its 1947 level, as interest rates had risen from 3½% to 12%.

(Little wonder the British newspaper, The Independent, once wrote that “over the years … the War Loan is a monument to the poor investment value of government stocks.”)

Don’t let this happen to you!

The One Move to Make Now

If your money is in bonds – whether those bonds are U.S. Treasuries, municipals or corporates – move it somewhere else.

If you have the sort of solid final-service pension that companies used to give out and the government still does, check the inflation protection. If the pension doesn’t have a 100% protection against inflation – however high it goes – you have a problem.

In the face of rampant inflation, many stocks won’t be an answer, either. Theoretically, if your company is making tangible things from tangible factories, or providing tangible services (and not just sitting on a bunch of loans and bonds), then its earnings (and therefore its overall value) should rise with prices. In practice, however, this often doesn’t happen.

For one thing, many institutional investors use the so-called “Fed Rule” for determining share price values, which divides the expected future earnings stream by the current interest rate (Future Earnings Stream/Current Interest Rates = Share Price Value).

That’s why stocks behaved so spectacularly in 1982-2000: As interest rates came down the “denominator” of that value equation got smaller and smaller – which made it easy for the share price value to go up.

But there’s a problem: That formula uses “nominal” – not “real” – interest rates. It also fails to account for cuckoo Fed policies, so if interest rates are exceptionally low for a long period, the formula says share prices should go up and up. And if the interest rate is close to zero, the share “value” should be close to infinity!

With the return of inflation, nominal rates will have to increase to keep pace. And real interest rates will have to do the same as Volcker-esque monetary policies are used to get inflation under control. So share prices will almost certainly decline sharply in real terms, just as they did from 1966-82, even though nominal share prices remained approximately flat.

Gold and silver are a good speculation in times of inflation, but not a good investment. Before 1914, when the world was on the “gold standard,” the gold market was approximately in equilibrium at a price of just under $19 per ounce. U.S. consumer prices have increased 22-fold since then, so a price of $418 per ounce today would be fully justified. You see the problem?

In practice, the increase in world population – by about 3.7 times – since 1914 should have caused the gold price to increase approximately in tandem. That’s because the world’s gold supplies have not increased, but its population has. That would justify a price of around $1,550 today.

This calculation suggests gold is a good buy currently, but if inflation returns and money stays cheap, the price of gold is going to be far above that level quite soon, and buying gold will have become a very speculative activity. At $3,000 per ounce, gold is a hugely risky investment.

What’s the best investment to make right now? A house.

The housing market has bottomed out – or, at worst, is close to doing so. And you can get a fabulous rate on a 30-year mortgage, making you benefit from inflation just as bondholders lose from it.

The combination of a relatively depressed housing market and cheap money is uniquely favorable, so you should take advantage of it. For the best investment, you can narrow the recommendation further:

  • Don’t buy around Washington: The market has been pushed up by the flood of bureaucrats and lobbyists that have taken up residence inside the Beltway – an influx that will reverse itself as the U.S. budget is finally brought under control.
  • Don’t buy in Manhattan or the Hamptons: Prices have been pushed up by all the silly money sloshing about in financial services, which will disappear with higher interest rates.
  • Don’t buy in Silicon Valley: That advice holds true there, and anywhere else where local wealth has been inflated by stock options.
  • Do buy in a medium-sized town: Make sure that town is in an area where the economy is not dependent on finance, the government or energy/commodities.
  • Do buy an old house, instead of a new house: Buy an old rather than a new house – the supply of old houses is fixed, whereas new McMansions will appear in profusion and flood the market while interest rates remain low (developers all have large land banks they want to develop.)
  • Do take a 30-year fixed-rate mortgage: In a time of inflation and low interest rates, a long-term, fixed-rate mortgage is a gift from above.
  • Don’t overextend yourself financially: There could be big recessions in the next few years, so you need to be able to make the payments without selling the house.
  • Do be prepared to rent, rather than sell: If you have to move in the next few years, become a landlord and rent the house out instead of selling it outright. Rents have been pretty well flat in the last 10 years; they are likely to beat inflation in the next 10 years, since higher interest rates tend to push rents higher.

Readers often wonder if we follow our own advice. Money Morning has a very good rule, which says that I should not deal in any stocks that I recommend to you. But in this case, I’m happy to be able to report that I am practicing what I preach – I’m taking advantage of the current climate to relocate … and am in the process of buying a house!

[Editor's Note: If investors have to now worry about the "I-word" - inflation - they're also going to have to worry about the "R-word" - retirement.

Here's the problem: The longer you work, the more you can save - and the longer the rampant inflation we're expecting will have to work on your nest egg.

But here's the solution: Boost your rates of return.

That's actually just as easy as it sounds. You just have to have the right strategy - and the right investments. And as a subscriber to The Money Map Report, our monthly affiliate, you can count on getting both. Find out by clicking here to read a report that details this strategy.]

February 9, 2011

How to Beat the Looming Inflation Tsunami

How to Beat the Looming Inflation Tsunami

[Editor's Note: He predicted the financial crisis and the bull markets in gold and silver, and he "called" the bear-market bottom. Now Money Morning's Martin Hutchinson is sounding the inflation alarm - and has identified the one move investors can make to beat the looming inflation tsunami.]

Inflation is coming our way. Make no mistake about it.

This insidious increase in the general level of prices is currently rattling around in the world’s emerging markets – causing China and Brazil to put up interest rates and India to try and suppress it with price controls. It’s beginning to appear in Britain, which had a similar crash to the United States, but where the currency has been somewhat weaker.

Within the next six months – while the U.S. Federal Reserve is still buying U.S. Treasury bonds under its “quantitative easing” policy – this inflation tsunami will hit the United States.

Inflation is a lot like the unwelcome houseguest: Once you invite it into your home, you can’t seem to get it to leave.

The key catalysts for the inflationary visitor that’s headed our way are the silly-money policies that the Fed and other central banks have been pursuing. Those policies have inflated yet another massive bubble – this one in the commodities sector. All the cheap money that’s right now sloshing around the global markets have sent commodity prices into the stratosphere, and are causing emerging-market economies to grow like crazy.

Inflation was especially virulent in the 1970s, when rising prices and high unemployment combined to cause the particularly odious form known as “stagflation.” It certainly didn’t help that it took policymakers almost the entire decade to face up to the fact that inflation wouldn’t go away on its own.

Indeed, it wasn’t until we got Paul A. Volcker in as Fed chairman in 1979 that inflation even had a worthy foe. It was Volcker who eventually crafted the aggressive policies that were required to vanquish the inflationary pressures that had gripped the U.S. economy for so long.

This time around, unfortunately, the U.S. central bank appears to be even more determined to ignore inflation’s early warning signs, while the banks and the politicians will fiercely resist higher interest rates, the only known remedy, because of the dangers of a further housing collapse.

So we can expect inflation to be with us for several years this time, too. In fact, expect it to get worse for the next three to four years, while Ben S. Bernanke remains at the helm of the nation’s central bank. Bernanke’s term as Fed chairman ends in January 2014; hopefully, whoever is the U.S. president at that point won’t reappoint him.

But we’d better arrange matters so we don’t lose out from it.

A Tale of Caution

As investors, the main problem we have with inflation is that any contract written in nominal dollars will rapidly decline in value. Long-term bonds are the classic losers from periods of inflation; their nominal value declines, and their prices decline, as well, because inflation pushes up interest rates.

My Great-aunt Nan, a splendid lady, retired at 65 in 1947 – at the beginning of Britain’s postwar inflationary surge, with ample retirement savings – invested in a 3.5% War Loan, the normal safe haven for British savers in the 19th and early 20th centuries.

She made it into the 1970s, bless her. But by the time she died, not only was the income from her War Loan worth a quarter of its 1947 value, but its capital value had also declined in nominal terms to about 30% of its 1947 level, as interest rates had risen from 3½% to 12%.

(Little wonder the British newspaper, The Independent, once wrote that “over the years … the War Loan is a monument to the poor investment value of government stocks.”)

Don’t let this happen to you!

The One Move to Make Now

If your money is in bonds – whether those bonds are U.S. Treasuries, municipals or corporates – move it somewhere else.

If you have the sort of solid final-service pension that companies used to give out and the government still does, check the inflation protection. If the pension doesn’t have a 100% protection against inflation – however high it goes – you have a problem.

In the face of rampant inflation, many stocks won’t be an answer, either. Theoretically, if your company is making tangible things from tangible factories, or providing tangible services (and not just sitting on a bunch of loans and bonds), then its earnings (and therefore its overall value) should rise with prices. In practice, however, this often doesn’t happen.

For one thing, many institutional investors use the so-called “Fed Rule” for determining share price values, which divides the expected future earnings stream by the current interest rate (Future Earnings Stream/Current Interest Rates = Share Price Value).

That’s why stocks behaved so spectacularly in 1982-2000: As interest rates came down the “denominator” of that value equation got smaller and smaller – which made it easy for the share price value to go up.

But there’s a problem: That formula uses “nominal” – not “real” – interest rates. It also fails to account for cuckoo Fed policies, so if interest rates are exceptionally low for a long period, the formula says share prices should go up and up. And if the interest rate is close to zero, the share “value” should be close to infinity!

With the return of inflation, nominal rates will have to increase to keep pace. And real interest rates will have to do the same as Volcker-esque monetary policies are used to get inflation under control. So share prices will almost certainly decline sharply in real terms, just as they did from 1966-82, even though nominal share prices remained approximately flat.

Gold and silver are a good speculation in times of inflation, but not a good investment. Before 1914, when the world was on the “gold standard,” the gold market was approximately in equilibrium at a price of just under $19 per ounce. U.S. consumer prices have increased 22-fold since then, so a price of $418 per ounce today would be fully justified. You see the problem?

In practice, the increase in world population – by about 3.7 times – since 1914 should have caused the gold price to increase approximately in tandem. That’s because the world’s gold supplies have not increased, but its population has. That would justify a price of around $1,550 today.

This calculation suggests gold is a good buy currently, but if inflation returns and money stays cheap, the price of gold is going to be far above that level quite soon, and buying gold will have become a very speculative activity. At $3,000 per ounce, gold is a hugely risky investment.

What’s the best investment to make right now? A house.

The housing market has bottomed out – or, at worst, is close to doing so. And you can get a fabulous rate on a 30-year mortgage, making you benefit from inflation just as bondholders lose from it.

The combination of a relatively depressed housing market and cheap money is uniquely favorable, so you should take advantage of it. For the best investment, you can narrow the recommendation further:

  • Don’t buy around Washington: The market has been pushed up by the flood of bureaucrats and lobbyists that have taken up residence inside the Beltway – an influx that will reverse itself as the U.S. budget is finally brought under control.
  • Don’t buy in Manhattan or the Hamptons: Prices have been pushed up by all the silly money sloshing about in financial services, which will disappear with higher interest rates.
  • Don’t buy in Silicon Valley: That advice holds true there, and anywhere else where local wealth has been inflated by stock options.
  • Do buy in a medium-sized town: Make sure that town is in an area where the economy is not dependent on finance, the government or energy/commodities.
  • Do buy an old house, instead of a new house: Buy an old rather than a new house – the supply of old houses is fixed, whereas new McMansions will appear in profusion and flood the market while interest rates remain low (developers all have large land banks they want to develop.)
  • Do take a 30-year fixed-rate mortgage: In a time of inflation and low interest rates, a long-term, fixed-rate mortgage is a gift from above.
  • Don’t overextend yourself financially: There could be big recessions in the next few years, so you need to be able to make the payments without selling the house.
  • Do be prepared to rent, rather than sell: If you have to move in the next few years, become a landlord and rent the house out instead of selling it outright. Rents have been pretty well flat in the last 10 years; they are likely to beat inflation in the next 10 years, since higher interest rates tend to push rents higher.

Readers often wonder if we follow our own advice. Money Morning has a very good rule, which says that I should not deal in any stocks that I recommend to you. But in this case, I’m happy to be able to report that I am practicing what I preach – I’m taking advantage of the current climate to relocate … and am in the process of buying a house!

[Editor's Note: If investors have to now worry about the "I-word" - inflation - they're also going to have to worry about the "R-word" - retirement.

Here's the problem: The longer you work, the more you can save - and the longer the rampant inflation we're expecting will have to work on your nest egg.

But here's the solution: Boost your rates of return.

That's actually just as easy as it sounds. You just have to have the right strategy - and the right investments. And as a subscriber to The Money Map Report, our monthly affiliate, you can count on getting both. Find out by clicking here to read a report that details this strategy.]

A educação no Brasil e na China

A educação no Brasil e na China
Naercio Menezes Filho | 15/12/2010

Foram divulgados na semana passada os resultados do Pisa 2009, o Programme for International Student Assessment, da responsabilidade da OCDE, com o desempenho dos alunos de vários países nos exames de proficiência em leitura, matemática e ciências. Esses resultados são muito aguardados pelos países participantes pois revelam como está o aprendizado dos alunos com 15 anos de idade, fazem um ranking de países e mostram sua evolução ao longo do tempo. O que mostram esses resultados?

A grande surpresa deste ano foi o desempenho dos estudantes da província chinesa de Xangai, que participaram pela primeira vez do exame e obtiveram um desempenho espetacular. Os estudantes chineses ficaram em primeiro lugar em leitura, matemática e ciências, superando todos os países da OCDE e os demais países participantes. Em matemática, os chineses obtiveram 600 pontos, quase 38 pontos acima do segundo colocado (Cingapura), 113 pontos acima do Estados Unidos e 214 pontos acima da média dos alunos brasileiros. Se compararmos os alunos de Xangai com os do Distrito Federal (a unidade brasileira com melhor desempenho), a diferença é de 175 pontos. Alguém ainda tem dúvidas de que os chineses irão dominar o mundo?

O desempenho dos alunos brasileiros continua muito ruim, mas vem crescendo ao longo dos anos. Entre os 65 países que participaram do exame, o Brasil ficou em 57º lugar em matemática. Para termos uma ideia de quão crítica é a nossa situação, 70% dos alunos brasileiros estão no nível mais baixo de desempenho em matemática, em comparação com apenas 4,8% dos alunos de Xangai e 8,1% dos coreanos. Em relação aos nossos vizinhos sul-americanos, os alunos brasileiros obtiveram um desempenho em leitura parecido com os colombianos, acima dos argentinos e peruanos, mas abaixo dos chilenos e uruguaios. E pensar que os argentinos estavam entre os povos mais educados da América Latina no início do século passado.

Enquanto os chineses tratavam de fazer sua educação competitiva, os brasileiros discutiam a taxa de câmbio
Entre 2000 e 2009 o desempenho dos alunos brasileiros aumentou 16 pontos em leitura, 52 pontos em matemática e 30 pontos em ciências. Assim, o maior avanço foi em matemática, disciplina em que os alunos brasileiros tinham o pior desempenho. Mas, é preciso aumentar o ritmo desse avanço, caso contrário levaremos 40 anos para alcançar o desempenho atual dos chineses. Outro ponto importante é que o nosso aumento da proficiência em leitura ocorreu às custas de uma maior desigualdade. Enquanto o desempenho dos nossos melhores alunos aumentou cerca de 30 pontos, entre os piores praticamente não houve melhora.

Assim, a desigualdade na qualidade da educação está aumentando. Vale notar também que grande parte do avanço obtido em leitura ocorreu entre as meninas, sendo que o crescimento da nota entre os meninos foi insignificante.

Vale a pena contrapor a nossa evolução educacional com a ocorrida no Chile. Em leitura, por exemplo, o desempenho dos alunos chilenos aumentou 40 pontos, mais do que o dobro dos brasileiros. Entretanto, no caso do Chile o desempenho aumentou mais entre os piores alunos do que entre os melhores. Assim, a qualidade da educação no Chile melhorou com queda na desigualdade, o melhor dos mundos. Por fim, a melhora ocorreu tanto entre os meninos como entre as meninas. Mas, que políticas educacionais tiveram efeito tão positivo no Chile?

Segundo o relatório do próprio Pisa, as principais políticas parecem ter sido o foco nas escolas com pior desempenho, o aumento do número de horas-aula, mudanças no currículo nacional, aumento dos gastos com educação e avaliação completa do desempenho dos professores das escolas públicas, incluindo observação do seu desempenho em classe. Os professores que forem reprovados três vezes nessa avaliação são demitidos. Além disso, as escolas e os professores com melhor desempenho recebem mais recursos e maiores salários. Aumento de gastos com mais horas-aula, acompanhado de medidas que introduzam a meritocracia na vida escolar parece ser a receita para o sucesso.

Em suma, o desempenho dos alunos brasileiros vem melhorando na última década, graças a uma série de políticas educacionais corretas que foram sendo introduzidas por diferentes ministros, no sentido de descentralizar a gestão, criar sistemas de avaliação, divulgar os resultados das avaliações por escola e estabelecer metas para cada uma delas. Além disso, inovações nas redes estaduais e municipais de educação, principalmente aquelas com ênfase na meritocracia, tiveram um papel importante.

Entretanto, esse avanço tem ocorrido de forma lenta e puxado pelo desempenho dos melhores alunos e das meninas. Assim, enquanto a desigualdade no acesso à educação está declinando e puxando para baixo a desigualdade de renda, a desigualdade na qualidade da educação caminha no sentido contrário, o que retardará a queda na desigualdade de oportunidades.

Por fim, os resultados do Pisa mostram claramente que os chineses estão fazendo a sua lição de casa, obtendo avanços significativos nas questões mais fundamentais da sua sociedade, para torná-la mais competitiva. Enquanto isso, os brasileiros passaram o ano inteiro discutindo a taxa de câmbio!

Naercio Menezes Filho é professor Titular – Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e professor associado da FEA-USP, email: naercioamf@insper.edu.br

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CategoriasBrazil, China, Filosofia

Comentario sobre show do Paul – Arnaldo Jabor

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