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Lopes lucra mais em 2011, mas BR Brokers tem vendas maiores

Lopes lucra mais em 2011, mas BR Brokers tem vendas maiores

Por Chiara Quintão | De São Paulo

A concorrência das duas maiores empresas de intermediações imobiliárias do país – Brasil Brokers e a LPS Brasil, conhecida como imobiliária Lopes – segue acirrada. No ano passado, a Brasil Brokers vendeu mais que a concorrente, mas foi a Lopes que apresentou melhor desempenho que a concorrente em lucro líquido e receita líquida.

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Lopes, Marcello Leone, os melhores indicadores para avaliar a companhia são a receita líquida e o Ebitda, que “representam porte e tamanho”. Já o diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Brasil Brokers, Álvaro Soares, afirma que o critério de comparação mais indicado é o de vendas.

No ano passado, a Lopes registrou lucro líquido depois da participação dos minoritários de R$ 142,6 milhões. Se considerado o lucro antes da participação dos minoritários, o valor foi de R$ 150,6 milhões. O lucro líquido da Brasil Brokers foi de R$ 106,6 milhões. A Lopes registrou receita líquida de R$ 432,4 milhões, em 2011, e a Brasil Brokers, de R$ 407,711 milhões. A Lopes informou geração de caixa medida pelo Ebitda de R$ 165 milhões, superior aos R$ 151,66 milhões da concorrente. A margem Ebitda da Lopes foi de 38,2%, superando o indicador de 37,2% da Brasil Brokers.

Aquisições continuam no radar das duas concorrentes, principalmente no segmento de usados

O critério utilizado pela Lopes para calcular o Ebitda exclui a linha outras despesas (receitas) operacionais, que considera efeitos não caixa do IFRS como indicador de desempenho. Conforme a Economática, se o cálculo tivesse sido feito nos módulos tradicionais, o Ebitda da Lopes teria sido de R$ 138,5 milhões, e a margem Ebitda ficaria em 32%. Nesse caso, o desempenho da Brasil Brokers teria sido melhor nos dois indicadores.

Soares, da Brasil Brokers, ressalta que é preciso ponderar que o desempenho dos indicadores financeiros da Lopes são influenciados pela operação que a concorrente possui com o Itaú Unibanco. Na receita bruta da Lopes em 2011, de R$ 484,2 milhões, parcela de R$ 14,5 milhões refere-se à apropriação de receita da operação Itaú. Em parceria com o banco, a Lopes tem a CrediPronto!, que atua em financiamentos imobiliários, com foco no mercado de imóveis usados. No ano passado, o financiamento feito pela Credipronto somou R$ 1,271 bilhão.

“A Brasil Brokers é a maior empresa do segmento do país, considerando a operação de intermediação imobiliária”, diz Soares. No ano, Brasil Brokers ficou com a liderança em vendas contratadas, com R$ 19,4 bilhões, com 74,130 mil unidades comercializadas. A Lopes vendeu R$ 18,2 bilhões, com 63,171 mil unidades. No quarto trimestre, porém, a relação foi inversa: Lopes comercializou R$ 5,471 bilhões, e Brasil Brokers, R$ 5,176 bilhões.

De outubro a dezembro de 2011, a Lopes teve o melhor desempenho também nos valores informados em vendas, receita líquida, Ebitda e lucro líquido, o que ocorreu, segundo Leone, devido à concentração de 39% dos lançamentos no período. Os lançamentos do ano passado se concentraram nos últimos meses devido à sazonalidade do setor e à demora na liberação de licenças para os projetos. Na Brasil Brokers, 34% dos lançamentos ocorreram no quarto trimestre.

No ao passado, a Brasil Brokers lançou R$ 37,858 milhões, superando os R$ 31,820 milhões da concorrente Lopes.

Nenhuma das empresas informou ter sentido retração na demanda neste início de ano. Em relação aos preços, a expectativa tanto de Lopes e quanto da Brasil Brokers é de estabilidade no decorrer de 2012. Segundo Soares, aumentos acima da inflação podem ocorrer no Rio de Janeiro e em regiões específicas de São Paulo, como Itaim, Moema e Vila Nova Conceição, onde a disponibilidade de terrenos é menor.

Aquisições continuam no radar das duas companhias, principalmente no segmento de imóveis usados, mas compras de empresas focadas em unidades novas podem ocorrer.

Lucro líquido da CCP cresce cinco vezes em cinco anos

Lucro líquido da CCP cresce cinco vezes em cinco anos

Por De São Paulo

A Cyrela Commercial Properties (CCP) obteve, em 2011, lucro líquido de R$ 113,73 milhões, 21,1% acima do registrado em 2010. Segundo o diretor-presidente da CCP, Roberto Perroni, o lucro líquido da empresa cresceu cinco vezes em cinco anos. ACCP foi criada em abril de 2007 a partir da cisão dos ativos de renda da Cyrela Brazil Realty. Para a comparação, foi calculado o resultado pro-forma do primeiro trimestre de 2007.

Em 2011, a receita líquida aumentou 27,7%, para R$ 309,30 milhões. Nos últimos anos, a receita da CCP foi impulsionada, principalmente, pelos reajustes de aluguel acima da inflação nas renovações e revisionais de contrato. “Em 2011, houve revisionais em que o valor de locação teve reajuste acima de 40%”, diz Perroni, acrescentando que, em escritórios, isso pode ocorrer, novamente, em 2012.

Desde 2008, a CCP não tem nenhuma entrega de projetos de escritórios comerciais. A maioria dos imóveis de escritório em desenvolvimento será entregue em 2013, o que contribuirá para o aumento da receita. Conforme o diretor financeiro e de relações com investidores da CCP, Dani Ajbeszyc, a demanda por escritórios deve continuar bastante pressionada em São Paulo e no Rio de Janeiro nos próximos dois a três anos.

O segmento de escritórios seguirá como o principal negócio, mas sua participação na receita bruta deve cair de 68% para 48%, com aumento da parcela de shopping centers e galpões no total. No segmento de escritórios, a preferência da companhia é pelas melhores áreas de São Paulo e do Rio, existem entre 50 e 100 cidades em que poderiam ser desenvolvidos shoppings pela CCP. O potencial para desenvolvimento de galpões também chama a atenção da empresa, ainda que a companhia considere que a concorrência deve crescer no segmento.

A administração de projetos pertencentes às joint-ventures de que faz parte também engrossa a receita da companhia.

No quarto trimestre de 2011, a CCP apresentou resultados inferiores aos do intervalo equivalente de 2010. O lucro líquido caiu 33%, para R$ 30,47 milhões, a receita líquida teve queda de 3,9%, para R$ 121,96 milhões, enquanto a geração de caixa medida pelo Ebitda apresentou retração de 22,6%, para R$ 51,35 milhões. (CQ)

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Valorização imobiliária no Brasil

Valorização imobiliária no Brasil
Notícia | 01/03/2012

Fonte:Brasil EconômicoVocê tem a impressão de que os imóveis andaram se valorizando muito nos últimos anos, certo? Pois é verdade, nos últimos cinco anos, em São Paulo, eles mais que dobraram de preço, o que os tornou um excelente negócio para quem quer investir.

Segundo uma pesquisa muito interessante realizada pelo site Global Property Guide, que auxilia investidores internacionais do ramo, no ano de 2011, nosso país teve uma valorização imobiliária nominal de 27,82% em relação a 2010, ficando atrás apenas da Índia, cujo índice ficou em 35,77%.

Este ranking avaliou o desempenho imobiliário de 35 países e apontou que o que acontece no Brasil e na Índia é bem diferente do que está ocorrendo nos demais países do mundo. Descontada a inflação da variação dos preços, 22 dos 35 países registraram queda nos valores dos imóveis. Em 21 deles, o desempenho foi ainda pior que em 2010.

A explicação dos especialistas para este fenômeno envolve, sem dúvida, a crise mundial, que gera falta de confiança do consumidor, desemprego e a preocupação com o alto endividamento dos países ricos. No Brasil, o que vemos, ao contrário, é uma situação extremamente favorável.

Em relação aos outros países, nossa economia está bem. Os níveis de emprego são os melhores dos últimos anos. O Banco Central passa por um ciclo de redução das taxas de juros, o que é positivo para o mercado imobiliário. Temos tido incentivos no setor da construção.

Desoneração de impostos dos produtos, como é o caso do IPI, programas de habitação para os menos favorecidos, como é o caso do Minha Casa, Minha Vida, tudo isso aquece o mercado em sua base. Assim, a demanda por imóveis anda muito forte.

E a tendência é de que esta valorização se mantenha. Temos espaço para que o crédito imobiliário se expanda. Avançamos um pouco neste sentido, mas nosso crédito disponível ainda é muito baixo, se compararmos a outros países.

No Brasil, o valor total dos empréstimos para compras de imóveis soma perto de 4% do PIB, enquanto que em países como México temos 18% e Chile, 11%. Além disso, o empréstimo aqui ainda é caro, custa ao menos 11% ao ano, ante 4% no exterior.

Um outro ponto que também tende a puxar os preços para cima é a briga das incorporadoras pelos terrenos, especialmente em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo.

A valorização destes acaba repassada para o preço dos imóveis novos. Um outro aspecto que ajuda a manter a valorização imobiliária é que faltam imóveis comerciais no Brasil.

O país está crescendo e faltam salas comerciais, galpões, enfim, diferentes tipos de instalações. Assim, muita demanda e pouca oferta, os preços sobem.

As construtoras argumentam também que o custo da construção tem ficado mais caro. O preço da mão de obra, a falta de profissionais qualificados, bem como a contratação das máquinas, e outros têm subido ao longo dos anos, o que foi traduzido para o preço final dos imóveis, especialmente dos novos.

A exceção são os materiais de construção, cujos preços têm subido abaixo da inflação. Essas são algumas das razões para que os preços dos imóveis aqui fiquem mais caros. Como membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, temos discutido este tema.

Cláudio Conz

Fonte:www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/valorizacao-imobiliaria-no-brasil_113673.html

Lições da Perestroika na economia

fevereiro 22, 2012 1 comentário

Lições da Perestroika na economia

Por Luiz Carlos Mendonça de Barros

O debate sobre os efeitos da abertura da economia na sociedade brasileira em geral – e na indústria em particular – pode se beneficiar de algumas lições da Perestroika na Rússia ainda comunista. Explico a seguir o porque dessa minha afirmação.

Em ambos os casos trata-se do processo de reação de uma sociedade complexa diante da distensão de regras restritivas à liberdade de indivíduos e grupos sociais impostas pelos governos nacionais. No caso russo o aspecto dominante foram as liberdades políticas do cidadão e da sociedade; no caso brasileiro de agora é a busca da liberdade econômica por parte de consumidores e empresas produtoras de bens e serviços que está no centro das mudanças.

Na Perestroika me interessam suas lições sobre a impossibilidade do governo de controlar a velocidade e a intensidade com que a liberdade política voltou ao espaço social russo. Uma vez iniciada a abertura, a complexidade do que se seguiu não estava prevista nos planos dos dirigentes comunistas, e os acontecimentos na Rússia e em outros países comunistas fugiram totalmente do controle.

Com as importações liberadas, empresas brasileiras se dão conta dos desafios das novas e das antigas restrições

A abertura da economia brasileira nos últimos anos acontece com tintas muito semelhantes. Reconheço que a dramaticidade e a influência sobre a vida do cidadão soviético da Perestroika foi muito maior do que o processo que temos hoje no Brasil. Por isso quero deixar claro que me interessam apenas algumas semelhanças que existem entre eles.

A primeira delas é o encadeamento dos ajustes que passam a ocorrer quando, uma vez liberadas as restrições externas, forças naturais passam a agir na sociedade. No caso brasileiro trata-se da liberdade do consumidor de escolher entre produtos e serviços disponíveis no mercado interno e outros que são oferecidos a partir do exterior. E aqui estamos falando não apenas de bens físicos, como televisores e automóveis, mas de serviços como férias em Miami ou mesmo Paris.

Durante décadas foi negado ao consumidor brasileiro esse direito de escolha. Até 1990 esse impedimento era de natureza legal, pois leis e regulamentos criados ao longo do regime militar criminalizavam a importação de bens e os gastos em moeda forte no exterior. A partir do governo Collor essas restrições foram aliviadas, mas o consumidor brasileiro continuou confinado ao mercado interno pelas inseguranças associadas à taxa de câmbio. Com a elevada volatilidade de nossa moeda, os canais de distribuição de bens e serviços necessários para o consumidor ter acesso às importações não se desenvolveram de forma sistêmica. Essa limitação, na prática, significou a manutenção de uma economia fechada no Brasil.

Esse quadro mudou drasticamente com a entrada da China no mercado de bens primários. Entre o início do século XXI e o segundo mandato do presidente Lula, os preços de nossas exportações cresceram mais de 30% em relação aos das importações. Essa melhora em nossos termos de troca transformou o real em uma moeda forte e incrivelmente estável no médio prazo. Com a habitual rapidez com que as empresas brasileiras se adaptam a novos tempos, nos últimos anos montou-se no Brasil uma sofisticada e eficiente rede de distribuição de produtos e serviços importados. E o consumidor passou a ter, pela primeira vez em muitas décadas, a liberdade de escolha.

Essa busca por parte do consumidor brasileiro trouxe os holofotes da opinião pública para outra restrição à liberdade econômica que prevaleceu no Brasil por mais de quatro décadas: a liberdade para as empresas brasileiras de trabalhar e produzir com custos compatíveis com os de seus concorrentes em outros países. Essa descoberta é mais recente e só agora começa a ser percebida – e exigida – por muitas delas. Dou um exemplo dramático e recente: as empresas brasileiras são hoje obrigadas a comprar o gás natural de petróleo da Petrobras por um preço quatro vezes superior ao que prevalece nos Estados Unidos. O mesmo ocorre com outros insumos de produção como energia elétrica, custos de logística e taxas reais de juros nas operações de crédito.

Outro exemplo dessa contradição é o nosso sistema tributário. Com uma carga de impostos sobre a produção pelo menos 10 pontos mais elevada, esse aleijão competitivo ficou mascarado por décadas por ser a economia insulada das importações e nossa moeda muito desvalorizada. Outro foco gravíssimo desse problema de competitividade – embora este de natureza conjuntural – é hoje o mercado de trabalho. Com as taxas de desemprego em níveis muito baixos, o custo da mão de obra para as empresas brasileiras vem crescendo muito acima de seus concorrentes em outros mercados.

Neste ponto de minha coluna talvez a minha comparação com a Perestroika comece a ficar mais clara para o leitor do Valor. O processo de abertura às importações, em um tecido econômico e social com liberdades individuais restauradas no campo econômico, está criando um complexo processo de mudanças na sociedade. Como aconteceu no mundo comunista, os acontecimentos de agora se encadeiam e rapidamente criam novos desafios a serem enfrentados mais a frente. Por isso, tratar os problemas atuais na economia brasileira como uma mera crise na indústria provocada pelo real valorizado é uma simplificação perigosa.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, engenheiro e economista, é diretor-estrategista da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações. Escreve mensalmente às segundas-feiras e excepcionalmente nesta quarta.

CategoriasBrasil, Economia, Filosofia

Há uma bolha imobiliária?

Há uma bolha imobiliária?

 

Muito se debate sobre a existência de uma bolha no mercado imobiliário do Brasil. Em geral, as bolhas imobiliárias surgem em economias onde há ambiente permanente de juros baixos. Nada mais distante da realidade brasileira. Apesar dos cortes na Selic, a taxa de juros real ainda é das mais altas do mundo, e os percentuais praticados pelo mercado são muito superiores aos observados em países que passaram por esse processo de valorização insustentável do preço dos imóveis.

Outra característica de mercados suscetíveis à formação de bolhas é a atuação intensa de “flippers”, ou seja, investidores que alocam recursos para o mercado imobiliário objetivando um lucro rápido. Eles exploram o setor como alternativa ao mercado de capitais ou como uma fonte de investimento meramente especulativo. Essa atividade aumenta artificialmente o valor do imóvel com o consequente desequilíbrio entre oferta e demanda.

Porcentagem do mercado de crédito imobiliário  em relação ao PIB era de menos de 5% em abril de 2011

Em que pese o argumento de que certos compradores de imóveis na planta possam estar especulando, vale notar que a natureza desse tipo de financiamento no Brasil é muito distinta de mercados como o americano pré-crise de 2008. Aqui, via sinal e parcelas mensais, o comprador capitaliza por vezes até 30% do valor do imóvel antes da entrega. Lá, compradores na planta investiam valores muito menores. Muitas vezes, sequer pagavam pela opção do direito de compra. E, quando da entrega do empreendimento, caso houvesse redução do valor de mercado do imóvel, muitos não exerciam a opção de compra, aumentando a oferta de imóveis no mercado.

Outro aspecto que se observa é a ausência de produtos no mercado de crédito imobiliário brasileiro, onde o devedor possa financiar mais do que o valor de mercado do imóvel, pagar apenas a parcela referente aos juros da parcela (amortização negativa) ou/e obter crédito sem apresentação de documentação comprobatória de renda. Além disso, o arcabouço regulatório brasileiro é menos fragmentado que o americano. O BC regula e fiscaliza as entidades que concedem crédito imobiliário, diferentemente dos Estados Unidos, onde uma sistemática regulatória complexa possibilitava a existência dos chamados “bancos sombra”, que concediam créditos sem avaliação devida da capacidade de pagamento do contratante, e operavam alheios à supervisão do regulador.

No que tange ao mercado de securitização, nota-se que as estruturas existentes no mercado brasileiro não atingiram a complexidade dos instrumentos mobiliários dos Estados Unidos. As estruturas dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) brasileiros (sênior/subordinado, por exemplo) são claras e chegam a ser consideradas até mesmo pueris quando comparadas aos instrumentos de seguro mobiliário (“monoliners”) e as complexas estruturas de “collateralized debt obligations” (CDOs), que contavam com mais de 50 séries e títulos respaldando uma única emissão, fato que inviabilizava uma precificação adequada do instrumento.

Nota-se ainda que, embora o mercado de capitais brasileiro esteja evoluindo como instrumento de financiamento da produção imobiliária (vide o sucesso e popularização dos fundos imobiliários), não há o excesso de liquidez que provocou desequilíbrio nos mercados financeiro-imobiliário europeu e americano.

Nesse sentido, dados de abril de 2011 do Banco Central do Brasil indicam que a porcentagem do mercado de crédito imobiliário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é de menos de 5%, muito inferior do que mercados como o espanhol (61%) e americano (70%). Mesmo crescendo, a disponibilidade do crédito imobiliário no Brasil seguirá sendo, por algum tempo, muito pequena quando comparada a outros países.

Houve um inegável aumento nos preços dos imóveis, em especial nos maiores centros metropolitanos, como Rio de Janeiro e São Paulo. Aí reside a suspeita da existência de uma bolha. Todavia, em vez de especulativa, tal valorização reflete o crescimento e estabilização da economia brasileira, o gatilho da chamada janela demográfica e o crescimento da capacidade de consumo e tomada de crédito de uma parcela considerável da população, que até então estava alheia ao mercado financeiro-imobiliário. Além disso, a inflação, embora estável, ainda impacta no mercado da construção civil com aumentos nos custo da matéria prima e mão de obra.

Sabe-se que as bolhas especulativas são inerentes ao capitalismo e infelizmente sua identificação normalmente ocorra apenas com o benefício da retrospectiva. Embora não se observe sinais de que o mercado brasileiro esteja sob a égide de um processo especulativo, é importante que haja instrumentos para avaliação quantitativa da evolução dos preços dos imóveis para que reguladores, autoridade monetária e demais participantes do mercado financeiro-imobiliário monitorem a apreciação dos ativos imobiliários e enderecem os excessos adequadamente.

Os índices hoje existentes no Brasil muitas vezes refletem os preços de venda ofertados (ou pedidos) por construtoras e corretores imobiliários, carecendo de uma metodologia que corroborem uma análise robusta e precisa. Um bom exemplo seria a adoção de um índice semelhante ao Case-Shiller Index dos Estados Unidos, com metodologia de âmbito nacional, porém representando a oscilação de preço em milhares de localidades, respeitadas as peculiaridades de cada região. Tal índice é alimentado por todos os participantes do mercado financeiro-imobiliário americano e reflete operações efetivamente realizadas em uma determinada área ou cidade. Naturalmente, a mera existência de tal índice não significa uma proteção contra processo especulativo, como se depreende da própria experiência americana. Porém, a existência de instrumentos e réguas adicionais permitirá que se aprenda com os erros e eventualmente mitigando, ou mesmo evitando, um processo especulativo no Brasil.

Frederico Porto é executivo da BFRE-Brazilian Finance & Real Estate. Graduado em direito pela PUC-SP, mestrado na University of Pennsylvania Law School.

Por que alguém compraria a Gafisa

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Por que alguém compraria a Gafisa

Sam Zell e GP Investimentos negociam a compra da incorporadora – entenda os motivos

                    CLAUDIO ROSSI

Gafisa

Gafisa: problemas com a Tenda escondem os atrativos da empresa

São Paulo – A Gafisa confirmou, nesta quinta-feira, o interesse de investidores de adquiri-la. A confirmação foi feita por meio de um comunicado enviado à CVM. Segundo antecipou o blog Faria Lima, de EXAME, as negociações são conduzidas com o investidor americano Sam Zell, em parceria com o GP Investimentos.

Em agosto, a coluna Primeiro Lugar, de EXAME, já havia antecipado o interesse do GP na incorporadora.

Segundo um executivo próximo à empresa, PDG, Cyrela, Eztec e Brookfield chegaram a analisar a Gafisa. Mas por que Sam Zell e o GP querem a Gafisa? Afinal, a empresa enfrenta grandes dificuldades, desde que comprou a Tenda, em 2008, para atuar na baixa renda. Pontuamos algumas razões para isso:

Valor de mercado abaixo do real

No ano passado, a Gafisa perdeu mais da metade de seu valor de mercado e, hoje, é avaliada em cerca de 2 bilhões de reais, praticamente o mesmo que empresas menores, como Eztec e JHSF. A queda é resultado de uma punição dos investidores que, de maneira geral, cobraram maiores resultados às construtoras no ano marcado pela elevação de custos de mão-de-obra, material e crise econômica. Isso, é bom lembrar, depois da onda de abertura de capital das empresas do setor, a partir de 2004, a preços superestimados pelo mercado.

Porém, o patrimônio da companhia vale cerca de 75% mais que o valor em bolsa. A tradição do nome da companhia no setor, aliada ao estoque de terrenos grande e bem diversificado regionalmente, acabam atraindo qualquer empresário ou investidor do mercado.

“O valor da companhia no mercado é baixo por conta do preço das ações hoje mas, aos olhos do setor, a Gafisa tem um valor para o mercado de construção altíssimo”, diz um concorrente da companhia.

O estoque de terrenos da Gafisa, no terceiro trimestre de 2011, era de 21 bilhões de reais, divididos entre cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, Nordeste e outras regiões.

A jóia da alta renda

A Gafisa tem, hoje, o pior desempenho entre as grandes companhias do setor, com rentabilidade 79% menor que a média das concorrentes Brookfield, Cyrela, MRV, PDG e Rossi. Porém, entre as marcas que possui, a Alphaville, destinada para consumidores de alta renda, tem se destacado ao ponto do segmento já representar a venda de quase 75% do total da companhia no terceiro trimestre de 2011.

 

A marca, comprada pela Gafisa por cerca de 383,5 milhões de reais, em 2006, tem velocidade de venda de 36,4%, superior à Gafisa e Tenda, de respectivamente 24,8% e 9,1%, e já corresponde a quase 27% do total das vendas da companhia, no terceiro trimestre, totalizando 281,7 milhões de reais.

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“As pessoas falam que a Tenda foi uma má compra da Gafisa – e foi mesmo. Mas esquecem o quanto comprar a Alphaville foi um bom negócio”, diz um fornecedor da companhia. “A marca tem feito empreendimentos bem rentáveis em áreas pouco exploradas, o que é invejável.”

Tenda provisória

O desempenho desfavorável da Gafisa se deve, apontam analistas, ainda a resquícios da compra da Tenda, em outubro de 2008. Na época, a companhia mineira tinha uma dívida de 73 milhões de reais e uma operação deficitária voltada para imóveis de baixo custo. Já nas mãos da Gafisa, a Tenda não deu lucro até hoje.

Segundo a própria companhia, a rentabilidade dos projetos da Tenda é próxima de zero, quando deveria estar entre 10% e 15% pelas projeções feitas no momento da compra. Os motivos vão desde má administração da venda dos apartamentos da marca até as dificuldades encontradas pelo mercado no ano passado, com o aumento dos custos bem superior aos planejados pelas construtoras. Para frear os prejuízos, o ritmo das obras da Tenda caiu à metade a partir de 2009 — o que ajudou a levá-la nos últimos meses à liderança de reclamações na Justiça paulistana.

“Acontece que a Tenda é um problema solucionável, com previsão de controle a partir de 2013 com a reestruturação gerencial que a Gafisa já vinha fazendo na administração da marca”, diz um executivo do setor. “Ficou claro que as construtoras em geral não sabem vender para baixa renda e, ao deixar isso de lado e arrumar a casa, a Gafisa tem tudo para voltar a crescer”.

The bursting of the global housing bubble is only halfway through

Economics focus

House of horrors, part 2

The bursting of the global housing bubble is only halfway through

Nov 26th 2011                    | from the print edition

MANY of the world’s financial and economic woes since 2008 began with the bursting of the biggest bubble in history. Never before had house prices risen so fast, for so long, in so many countries. Yet the bust has been much less widespread than the boom. Home prices tumbled by 34% in America from 2006 to their low point earlier this year; in Ireland they plunged by an even more painful 45% from their peak in 2007; and prices have fallen by around 15% in Spain and Denmark. But in most other countries they have dipped by less than 10%, as in Britain and Italy. In some countries, such as Australia, Canada and Sweden, prices wobbled but then surged to new highs. As a result, many property markets are still looking uncomfortably overvalued.

The latest update of The Economist’s global house-price indicators shows that prices are now falling in eight of the 16 countries in the table, compared with five in late 2010. (For house prices from more countries see our website). To assess the risks of a further slump, we track two measures of valuation. The first is the price-to-income ratio, a gauge of affordability. The second is the price-to-rent ratio, which is a bit like the price-to-earnings ratio used to value companies. Just as the value of a share should reflect future profits that a company is expected to earn, house prices should reflect the expected benefits from home ownership: namely the rents earned by property investors (or those saved by owner-occupiers). If both of these measures are well above their long-term average, which we have calculated since 1975 for most countries, this could signal that property is overvalued.

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Based on the average of the two measures, home prices are overvalued by about 25% or more in Australia, Belgium, Canada, France, New Zealand, Britain, the Netherlands, Spain and Sweden (see table). Indeed, in the first four of those countries housing looks more overvalued than it was in America at the peak of its bubble. Despite their collapse, Irish home prices are still slightly above “fair” value—partly because they were incredibly overvalued at their peak, and partly because incomes and rents have fallen sharply. In contrast, homes in America, Japan and Germany are all significantly undervalued. In the late 1990s the average house price in Germany was twice that in France; now it is 20% cheaper.

This raises two questions. First, since American homes now look cheap, are prices set to rebound? Average house prices are 8% undervalued relative to rents, and 22% undervalued relative to income (see chart). Prices may have reached a floor, but this is no guarantee of an imminent bounce. In Britain and Sweden in the mid-1990s, prices undershot fair value by around 35%. Prices in Britain did not really start to rise for almost four years after they bottomed. Some 4m foreclosed homes could come onto America’s market, which may hold down prices.

The second question is whether home prices in markets that are still overvalued are likely to fall. Some economists reject our measures of overvaluation, arguing that lower interest rates justify higher prices because buyers can take out bigger mortgages. There is some truth in this, but interest rates will not always be so low. The recent jump in bond yields in some euro-area countries has raised mortgage rates for new borrowers.

And low rates need to be balanced against the fact that tighter credit conditions make it harder for homebuyers to get mortgages. The average deposit needed by a British first-time buyer is now equivalent to 90% of average annual earnings, according to Capital Economics, a consultancy. It was less than 20% in the late 1990s. Another popular argument used to justify sky-high prices in countries such as Australia and Canada is that a rising population pushes up demand. But this should raise both prices and rents, leaving their ratios unchanged.

Prices do not necessarily need to drop sharply to return to fair value. Adjustment could come through higher rents and wages. With low inflation, however, it could take a decade or more before price ratios return to their long-run average in some countries.

Jingle mail

American prices fell sharply, even though homes were less overvalued than they were in many other countries, because high-risk mortgages and a surge in unemployment caused distressed sales. In most other countries, lenders avoided the worst excesses of subprime lending, and unemployment rose by less, so there were fewer forced sales dragging prices down. America is also unusual in having non-recourse mortgages that let borrowers walk away with no liability.

An optimist could therefore argue that our gauges overstate the extent to which house prices are overvalued, and that if markets are only a bit too expensive they can adjust gradually without a sharp fall. It is important to remember, however, that lower interest rates and rising populations were used to justify higher prices in America and Ireland before their bubbles burst so spectacularly.

Another concern is that Australia, Britain, Canada, the Netherlands, New Zealand, Spain and Sweden all have even higher household-debt burdens in relation to income than America did at the peak of its bubble. Overvalued prices and large debts leave households vulnerable to a rise in unemployment or higher mortgage rates. A credit crunch or recession could cause house prices to tumble in many more countries.

Situação Crise no Euro hoje x Crescimento do Nazi Fascismo

A História se repete ?

Muito interessantes esses dois artigos extraídos da Business Insider… Preocupante situação

http://www.businessinsider.com/unemployment-vs-nazi-party-vote-2011-11

http://www.businessinsider.com/apocalyptic-analyst-notes-2011-11

DYLAN GRICE: Germany Is Making The Same Mistake That Allowed The Nazis To Come To Power

Joe Weisenthal|Nov. 18, 2011, 10:51 AM|17,630|66

In his latest note, famously bearish SocGen analyst Dylan Gricegoes there. Big time.

The subject of the note is Weimar, hyperinflation, and all that money printing that anyone talks about.

But it’s not what you’d expect. He’s not saying Germany printed money, and that caused Weimar hyperinflation and that caused Nazis. He’s saying memories of Weimar caused Germany too adhere too much to hard money, and that caused unemployment and that lead to the Nazis.

This chart is a real punch in the gut.

Image: Societe Generale

The lesson Grice tells?

He writes:

And here enters a wistful historical counterfactual: how different might history have been if the Germans had inflated their economy when the crisis broke?

Image: Societe Generale

Here’s his lesson:

It’s impossible to say, of course. By 1931 the world was in depression. Germany would have been too, with or without its pathological fear of inflation. The Nazis would presumably have made the same electoral gains. But suppose Germany had inflated in 1931, like the U.K. did. The following chart compares the trajectory of the U.K. unemployment rate after it had left the gold standard with that of Germany, who stayed on.

After leaving the gold standard, the U.K. saw its unemployment rate decline by about a third from 1931 to 1933, while Germany’s rose significantly over the same period. If Germany had been willing to follow the U.K. in inflating, and its unemployment rate had followed a similar trajectory, it would have stood at 17% rather than 33%. Would this have averted what followed? Would Hitler have won that March 1933 election with 45% of the vote? Would the world have experienced the evils of the Nazis in power? World history might have been very different. There might not even be a euro today, let alone a euro crisis.

And this is the killer conclusion

So even a hard money libertarian like me can see that there have been times in history when creating inflation would have been the right thing to do. Germany today has to decide if now is one of those times.

Europe’s crisis today is orders of magnitude smaller than that in the early 1930s. The stakes are much lower today than they were then. But they are not low. And, just as it might have done in the 1930s, flexibility on hard money principles might help turn the tide. ECB involvement cannot solve the underlying problems of the eurozone economies, which are anti- entrepreneurial and too heavily regulated. But it will buy time with which to address these problems and so allow eurozone policy makers to get ahead of the panic for now.

SEE ALSO: Analysts agree that the world is ending >

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UPDATED: Wall Street Analysts Everywhere Are In Agreement: THE WORLD IS ENDING

Joe Weisenthal|Nov. 21, 2011, 12:05 PM|44,606|118

Image: Wikimedia Commons

EDITOR NOTE: We originally posted this on Friday after an orgy of negative reports. Since then we’ve seen many more, so we’re updating the timestamp on the post, and have added more at the bottom.

If you like your Wall Street analysis with a heavy dollop of rapture and Armageddon, today was the day for you.

Blame the weighty issues of the day (Europe, mostly), and yesterday’s big selloff for the spasm of bearishness.

It started off with Nomura’s Bob Janjuah. He said that any talk of the ECB saving Europe was a mere pipedream, and that if the ECB did go whole-hog buying up peripheral debt to suppress yields, then that would prompt a German departure from the the Eurozone.

Germany appears to be adamant that full political and fiscal integration over the next decade (nothing substantive will happen over the short term, in my view) is the only option, and ECB monetisation is no longer possible. I really think it is that clear and simple. And if I am wrong, and the ECB does a U-turn and agrees to unlimited monetisation, I will simply wait for the inevitable knee-jerk rally to fade before reloading my short risk positions. Even if Germany and the ECB somehow agree to unlimited monetisation I believe it will do nothing to fix the insolvency and lack of growth in the eurozone. It will just result in a major destruction of the ECB‟s balance sheet which will force an ECB recap. At that point, I think Germany and its northern partners would walk away. Markets always want short, sharp, simple solutions.

Okay, but that’s Janjuah. He’s always bearish so maybe that’s not even news.

But then there was Deutsche Bank’s Jim Reid, who is always sober, but not usually wildly negative. He offered up one of the most bearish lines in history in regards to German opposition to ECB debt monetization:

If you don’t think Merkel’s tone will change then our investment advice is to dig a hole in the ground and hide.

Oy.

But it got even wilder with the latest from SocGen’s Dylan Grice. Again, he’s always pretty negative, but he cranked it up a notch, comparing Germany’s policy today against the policies that enabled the rise of Hitler. Specifically, he said that post-Weimar, Germany became too aggressive about fighting inflation, thus prompting deflation, thus prompting more unemployment, thus enabling the rise of the Nazis.

He included this chart:

Image: Societe Generale

And finally, in our inbox, we just received the latest note from Nomura rates guru George Goncalves, which is titled: US and Europe: At the Point of No Return?

He writes:

…we were wrong in assuming one could be optimistic around the EU policy process and have learned our lesson not to accept apathy as a sign that all is factored in as its clear downside risks remain. In fact, we could be approaching the point of no return for the fate of the euro, the European financial system and more broadly the concept of a singular economic zone for Europe; this obviously would change the path for the US and the global economy in a heartbeat too. We still believe there is time to prevent worst-case scenarios, but these sort of watershed moments reveal one thing, that market practitioners are ill-equipped to navigate the political process, especially one that is driven by 17 different governments.

Update: We originally posted this on Friday afternoon, but the hits keep on coming.

Since then we’ve seen:

  • Goldman says sovereign risk is spreading like “wildfire.”
  • Credit Suisse says we’re looking at the end of the euro as we know it.
  • Nomura has put out a big report on redenomination risk, and how the odds of a breakup are becoming very real.

And definitely, read Dylan Grice’s brilliant note >

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CategoriasEconomia

“É impossível administrar com 40 ministérios”, diz Gerdau

“É impossível administrar com 40 ministérios”, diz Gerdau

Por Fernando Exman | De Brasília

 

Ruy Baron/Valor/Ruy Baron/ValorGerdau em seminário do Valor: “A presidenta já tem se movimentado no sentido de criar grupos de ministérios”

 

O presidente do Conselho de Administração da Gerdau e da Câmara de Gestão criada pelo governo Dilma Rousseff, Jorge Gerdau Johannpeter, defendeu ontem a redução do número de ministérios no Executivo. A declaração foi feita durante o seminário “Os avanços da gestão pública no Brasil”, promovido pelo Valor.

Fontes do governo dizem que a presidente Dilma Rousseff estuda unificar as secretarias de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Políticas para Mulheres na reforma ministerial a ser promovida nos próximos meses, ideia que já recebe críticas de alas do PT. Outra medida cogitada no Palácio do Planalto é a reincorporação da Secretaria de Portos pela Pasta dos Transportes. Atualmente, Dilma conta com 38 ministros.

“É pacífico que é impossível administrar com 40 ministérios”, destacou o empresário durante o seminário. “A presidenta já tem se movimentado no sentido de criar grupos de ministérios.”

Gerdau preside a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, colegiado formado por empresários e ministros. O grupo foi criado em maio para sugerir ao governo formas de reduzir custos, melhorar o controle dos gastos públicos, racionalizar processos e melhorar serviços prestados à sociedade. “Não se pode trabalhar com 23,5 mil assessores de confiança na estrutura política”, argumentou Gerdau, acrescentando que o país já tem exemplos de sucesso com burocracia profissionalizada, como o Banco Central, Banco do Brasil, Forças Armadas e Itamaraty. “Defendo a profissionalização absoluta.”

Neste primeiro momento, a Câmara de Gestão faz um diagnóstico da situação dos aeroportos, dos ministérios da Justiça, Saúde e Transportes, Infraero e Correios. O grupo também acompanhará os preparativos para a Copa de 2014 e o Ministério da Previdência.

Segundo, Gerdau os trabalhos do grupo ainda estão num período inicial. Ele disse que esse tipo de consultoria normalmente exige “muito estudo prévio” para começar a dar resultados. Geralmente, contou, um projeto de gestão passa seis meses estudando e analisando, seis meses introduzindo medidas e seis consolidando-as. Por ora, a Câmara de Gestão está buscando formas para melhorar os serviços públicos. Em seguida, tentará ajudar o governo a reduzir os gastos.

Gerdau citou como exemplo a experiência de um programa de modernização da gestão pública promovido pelo Movimento Brasil Competitivo junto a Estados, municípios e tribunais de Justiça, que recebeu investimentos de R$ 78,7 milhões e já gerou uma economia de R$ 14,2 bilhões. O MBC também é ligado a Gerdau. “Normalmente, leva de 12 a 18 meses um processo desses. O importante é que foi dada a arrancada e existe um apoio enorme, disposição. Tem dezenas de outras frentes solicitando apoio. Então, existe realmente uma vontade política de fazer as coisas andar”, disse.

O presidente do Conselho de Administração da Gerdau e da Câmara de Gestão descartou ainda a possibilidade de entrar na política ou aceitar um cargo no governo. Gerdau contou que se aproximou da presidente Dilma Rousseff quando ela presidia o Conselho de Administração da Petrobras, e chegou a conversar com ela quando o atual governo estava se formando. Na época, a imprensa publicou reportagens de que Dilma estaria sondando Gerdau para integrar seu ministério.

“Na minha vida eu tomei uma decisão clara de que não quero entrar em cargo político e em cargo no Executivo. Sou empresário e quero continuar empresário”, destacou Gerdau, para quem o empresário é o “principal agente social” das mudanças das condições de um país. “Tenho convicções filosóficas profundas sobre isso.”

Gerdau destacou que a gestão é um fator “definitivo” para gerar prosperidade e riqueza, além de um instrumento essencial para o Brasil competir com os países asiáticos e aumentar os investimentos públicos sem aumentar a carga tributária. “O Brasil tem que aumentar a taxa de investimentos, e isso só pode vir por meio de gestão.”

Os demais palestrantes do seminário também discutiram iniciativas para melhorar a gestão pública em outras esferas de governo. Sérgio Ruy Barbosa, presidente do Consad e secretário de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro, alertou que o gerenciamento dos recursos humanos é um dos maiores desafios que o poder público. Para ele, a carreira dos servidores públicos tem de ser repensada a fim de atrelar a promoção a critérios meritocráticos e incluir novos conteúdos nos concursos públicos. “Hoje, as provas medem decoreba”, disse, lamentando ainda a dificuldade em demitir servidores por ineficiência.

A secretária de Gestão do Ministério do Planejamento, Ana Lúcia Amorim, contou que o governo Dilma Rousseff estuda justamente medidas para aliar uma gestão dos recursos humanos baseada na meritocracia a políticas de reconhecimento e valorização dos servidores públicos. Disse ainda que o Executivo elevou de 17% para 80% a participação dos pregões eletrônicos nas compras do governo. “Esses pregões trazem mais agilidade e economia de recursos”, explicou a secretária.

Já o superintendente central de Governança Eletrônica da Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Rodrigo Diniz Lara, destacou que o governo mineiro trabalha para implementar o chamado governo digital, solução tecnológica que deverá integrar as áreas de planejamento, recursos humanos e contabilidade. “Assim, pode-se trabalhar de forma sistêmica, tendo padronização, flexibilidade e agilidade na tomada de decisão.”

Falaram também no evento Evelyn Levy, consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial, Sérgio Barbosa, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração, e João Lins, sócio e líder de serviços ao governo e setor público da PwC. No painel sobre planejamento estratégico para a otimização de processos, os palestrantes foram Eutálio Porto de Oliveira, desembargador de Justiça em São Paulo, Ana Lúcia Amorim, secretária de gestão do Ministério do Planejamento, e Luiz Navarro de Britto Filho, secretário-executivo da Controladoria-Geral da União (CGU). (Colaborou Roberto Rockmann, especial para o Valor)

Para Gerdau, “é impossível” governar com 40 ministérios

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Por Fernando Exman | De Brasília

 

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