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O líder que pode mudar a relação China-EUA

07/02/2012 ÀS 00H00 Valor

O líder que pode mudar a relação China-EUA

Por Jeremy Page e Mark Peters | The Wall Street Journal, de Muscatine, Iowa, EUA
Essa pequena cidade às margens do Rio Mississippi há muito tempo alardeia que o escritor Mark Twain foi um de seus residentes, em 1854. Agora, os moradores percebem que têm outro motivo para se gabar: Muscatine desempenhou um pequeno, porém memorável, papel na ascensão de Xi Jinping, o homem que pode se tornar o líder máximo da China no meio do ano.

Vinte e sete anos atrás, Xi, então um promissor funcionário público numa região criadora de porcos da China, liderou uma delegação de entendidos em alimentação animal numa viagem ao Estado de Iowa. Ele visitou fazendas e o Rotary Club e assistiu a um jogo de beisebol. Passou também duas noites na casa de um casal de Muscatine, onde dormiu cercado de brinquedos Star Trek no quarto dos filhos do casal, que estavam estudando fora. Acredita-se que essa foi sua primeira viagem para fora da China.

Dia 15 de fevereiro, um dia após visitar a Casa Branca pela primeira vez, Xi, hoje o vice-presidente da China, planeja retornar a Muscatine e tomar chá com as pessoas que ele conheceu em 1985. Sua viagem de volta ao coração da América parece querer mostrar o que o torna tão diferente do atual líder chinês, Hu Jintao: um estilo confiante e pessoal e uma serena familiaridade com os Estados Unidos.

Os líderes chineses já se exibiram para os fotógrafos americanos no passado. Deng Xiaoping, por exemplo, usou um chapéu de cowboy num rodeio no Texas, em 1979. Porém, nenhum nunca fez um esforço tão ostensivo para demonstrar um vínculo longo e pessoal com a América.

Ao longo dos anos, Xi, que tem 58 anos, fez viagens periódicas aos EUA. Sua filha estuda em Harvard. Ele se encontra regularmente com autoridades e empresários americanos, incluindo Henry Paulson, ex-secretário do Tesouro. Quando o vice-presidente Joe Biden visitou a China em agosto, Xi o acompanhou à província de Sichuan, no oeste do país, e jantou com ele num restaurante local.

A China está à beira de uma mudança política que só acontece uma vez a cada dez anos. Em outubro ou novembro, Hu e outros seis dos nove membros do Politburo, a cúpula do governo chinês, irão se aposentar. A próxima geração de líderes do Partido Comunista, liderada por Xi, tomará posse num período em que o crescimento da segunda maior economia mundial está caindo e a pressão pública para que o país enfrente seus diversos problemas sociais, econômicos e ambientais está aumentando.

A personalidade e relativa popularidade de Xi aumentam as esperanças de alguns setores, tanto dentro quanto fora da China, de que ele retomará o tipo de reformas que marcaram os anos 90, mas que foram paralisadas nos últimos dez anos. Os EUA, por sua vez, estão ansiosos por ver se a ascensão de Xi a líder do Partido Comunista e presidente levarão a mudanças na diplomacia combativa que alarmou muitos dos vizinhos asiáticos da China nos últimos anos e levou os EUA a se focar mais na região no seu planejamento militar e diplomacia.

Xi é o membro mais proeminente do grupo conhecido na China como “jovens príncipes”- os filhos de conhecidos líderes revolucionários, muitos dos quais cresceram juntos. Seu pai, Xi Zhongxun, ajudou a levar as forças comunistas à vitória. Expulso em 1962, foi então politicamente reabilitado e ajudou a conduzir as reformas econômicas até a sua morte, em 2002.

Essas origens distinguem Xi do homem que ele deve substituir. Hu, cujo pai gerenciava uma loja de chá, teve que galgar a hierarquia do partido. Uma vez no poder, Hu cercou-se de pessoas de origem semelhante, entre eles o vice-premier Li Keqiang, seu preferido para sucedê-lo.

Xi “é uma figura-chave entre os jovens príncipes. Seu pai era uma figura popular”, diz Zheng Yongnian, uma especialista em política chinesa na Universidade Nacional de Cingapura. “Isso o torna mais confiante e, num nível pessoal, ele tem um conhecimento maior do Ocidente. Creio que ele está confiante de que pode consolidar o poder muito mais rápido do que Hu fez.”

Xi terá uma familiaridade maior com o Ocidente do que seus predecessores, incluindo Deng, que estudou na França nos anos 20 e fez uma visita histórica aos EUA em 1979, depois que as relações diplomáticas foram restabelecidas. Hu, assim como Xi, fez sua primeira viagem ao exterior em 1985, mas foi para a Coreia do Norte, e ele não visitou os EUA até pouco antes de assumir o poder, em 2002.

Paulson, que se encontrou com Xi pela última vez em dezembro, descreveu-o como um “líder forte e confiante”, com habilidade para se comunicar e um conhecimento dos EUA que vem crescendo desde sua primeira visita a Iowa.

Depois de se encontrar com Xi pela terceira vez no ano passado, Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, disse: “Ele é mais assertivo que Hu Jintao. Quando ele entra na sala, você sabe que há uma presença de destaque ali.”

O pai de Xi era reconhecido dentro do partido como um dos líderes mais capazes e eloquentes. Depois de ajudar os comunistas a chegar ao poder, ele foi vice-premier até ser expulso do partido em 1962, por apoiar a publicação de um livro considerado crítico ao presidente Mao Zedong. Depois da sua reabilitação, em 1978, ele propôs e supervisionou a criação da primeira zona econômica especial da China, na província de Cantão – passo importante na ascensão da China como uma potência na manufatura.

O pai de Xi era um político relativamente liberal. Ele defendeu um líder reformista do partido que foi removido em 1987 e condenou a violenta repressão aos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, de acordo com algumas pessoas próximas da elite do partido. Isso o novamente o deixão numa posição menos favorável no partido.

Sua atribulada carreira política causou turbulências na criação dos filhos. Xi Jinping tinha apenas 9 anos quando seu pai foi posto em prisão domiciliar, a qual se estendeu pela maioria dos 16 anos seguintes.

Aos 15 anos, Xi estava entre os milhões de estudantes enviados para trabalhar no campo durante a Revolução Cultural. Ele foi mandado para a província de Shaanxi, no norte da China, onde seu pai era famoso por haver ajudado a liderar os comunistas em 1930.

Numa entrevista a uma revista publicada pelo governo, em 1996, Xi disse que, durante a sua juventude, ele “passou por muito mais privações do que a maioria das pessoas” por causa das suas origens. Ele contou a outro repórter que foi preso três vezes.

Mesmo assim, ele inscreveu-se repetidamente para entrar no Partido Comunista quando estava no campo, de acordo com um ensaio que Xi escreveu em 2003. Depois de ser rejeitado nove vezes por causa de seu pai, ele foi aceito em 1974. Sua matrícula na renomada Universidade Tsinghua, em Pequim, foi rejeitadas duas vezes. Ele só foi aceito depois que seu pai intercedeu, dizendo que seus problemas políticos não deveriam prejudicar a educação do filho.

Quando Xi se formou, em 1979, com um diploma de química orgânica, seu pai havia voltado à elite do partido. Xi ganhou um emprego como secretário particular de um dos antigos companheiros de luta do pai, Geng Biao, um vice-premier e ministro da Defesa. Aquele trabalho em uniforme daria a Xi contatos duradouros nas forças armadas – algo que nem Hu nem seu predecessor, Jiang Zemin, tinham.

Xi pendurou seu uniforme em 1982 e foi trabalhar como vice-líder do Partido Comunista, no distrito de Zhengding, uma região de suinocultura da província de Hebei, no norte do país. Foi aí que ele conheceu Terry E. Branstad, então governador de Iowa, que visitou Hebei em 1984 como parte de um intercâmbio entre “Estados irmãos”. No ano seguinte, Xi levou a delegação de alimentação animal para Iowa.

Xi ascendeu continuamente no partido. Ele foi líder de Fujian e Zhejiang, duas das províncias economicamente mais dinâmicas da China, onde provou ser um administrador competente e favorável a empresas.

Ao contrário de Hu, que foi escolhido a dedo por Deng como futuro líder dez anos antes de assumir o poder, Xi emergiu de forma inesperada como potencial sucessor em 2007, em uma votação informal da cúpula do partido. Quando Xi assumir a liderança máxima, ele será o primeiro entre seus pares no Politburo. Sua principal tarefa será manter a unidade e promover o consenso entre seus membros.

Ainda não se sabe se Xi será mais incisivo que Hu ao lidar com os interesses burocráticos e corporativos que se opõem às reformas, ou com os agressivos generais que ditaram a diplomacia da China nos últimos anos.

Muitos chineses o consideram uma figura mais simpática que Hu, graças em parte ao seu sorriso fácil e à sua glamorosa esposa – a famosa cantora pop Peng Liyuan – e uma simplicidade que seus amigos atribuem aos anos passados no campo.

O retorno de Xi a Iowa é, em parte, teatro diplomático. Ele será o líder estrangeiro de mais alto nível a visitar o Estado desde que Nikita Khrushchev veio inspecionar a agricultura americana em 1959 na primeira visita de um líder soviético aos EUA. A viagem de Xi será uma oportunidade para demonstrar os benefícios do comércio com a China, que comprou US$ 627 milhões em exportações de Iowa em 2010, de acordo com o Conselho Empresarial China-EUA

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Barbas de molho

Barbas de molho

Por Carlos Lessa

 

Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.

Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc). Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China. Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil. A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.

O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes. A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está “favelizada”.

Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico

Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade. O salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre. Nosso governo fala de uma “nova classe média” e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.

É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente, todo um elenco de matérias-primas.

O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão. A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China. O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile – com pretensão de se converter na “Singapura” do Pacífico Sul – e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro. A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o Mercosul está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.

 

O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.

Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a “economia de mercado”. “Casou” com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas). O superávit comercial chinês é predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente. Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China. A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.

Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na “bola da vez” da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.

O discurso da globalização, a fantasia da “integração competitiva”, a ilusão de ser “celeiro do mundo” com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.

Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do “conto do vigário” chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.

Carlos Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES. E-mail: carlos-lessa@oi.com.br.

China pede que os EUA protejam investidores em títulos do Tesouro | Valor Online

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http://www.economist.com/node/18285595?story_id=18285595

http://www.economist.com/node/18250463?story_id=18250463

Este foi o ano em que o mundo vislumbrou o novo poderio chinês | Valor Online

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A educação no Brasil e na China

A educação no Brasil e na China
Naercio Menezes Filho | 15/12/2010

Foram divulgados na semana passada os resultados do Pisa 2009, o Programme for International Student Assessment, da responsabilidade da OCDE, com o desempenho dos alunos de vários países nos exames de proficiência em leitura, matemática e ciências. Esses resultados são muito aguardados pelos países participantes pois revelam como está o aprendizado dos alunos com 15 anos de idade, fazem um ranking de países e mostram sua evolução ao longo do tempo. O que mostram esses resultados?

A grande surpresa deste ano foi o desempenho dos estudantes da província chinesa de Xangai, que participaram pela primeira vez do exame e obtiveram um desempenho espetacular. Os estudantes chineses ficaram em primeiro lugar em leitura, matemática e ciências, superando todos os países da OCDE e os demais países participantes. Em matemática, os chineses obtiveram 600 pontos, quase 38 pontos acima do segundo colocado (Cingapura), 113 pontos acima do Estados Unidos e 214 pontos acima da média dos alunos brasileiros. Se compararmos os alunos de Xangai com os do Distrito Federal (a unidade brasileira com melhor desempenho), a diferença é de 175 pontos. Alguém ainda tem dúvidas de que os chineses irão dominar o mundo?

O desempenho dos alunos brasileiros continua muito ruim, mas vem crescendo ao longo dos anos. Entre os 65 países que participaram do exame, o Brasil ficou em 57º lugar em matemática. Para termos uma ideia de quão crítica é a nossa situação, 70% dos alunos brasileiros estão no nível mais baixo de desempenho em matemática, em comparação com apenas 4,8% dos alunos de Xangai e 8,1% dos coreanos. Em relação aos nossos vizinhos sul-americanos, os alunos brasileiros obtiveram um desempenho em leitura parecido com os colombianos, acima dos argentinos e peruanos, mas abaixo dos chilenos e uruguaios. E pensar que os argentinos estavam entre os povos mais educados da América Latina no início do século passado.

Enquanto os chineses tratavam de fazer sua educação competitiva, os brasileiros discutiam a taxa de câmbio
Entre 2000 e 2009 o desempenho dos alunos brasileiros aumentou 16 pontos em leitura, 52 pontos em matemática e 30 pontos em ciências. Assim, o maior avanço foi em matemática, disciplina em que os alunos brasileiros tinham o pior desempenho. Mas, é preciso aumentar o ritmo desse avanço, caso contrário levaremos 40 anos para alcançar o desempenho atual dos chineses. Outro ponto importante é que o nosso aumento da proficiência em leitura ocorreu às custas de uma maior desigualdade. Enquanto o desempenho dos nossos melhores alunos aumentou cerca de 30 pontos, entre os piores praticamente não houve melhora.

Assim, a desigualdade na qualidade da educação está aumentando. Vale notar também que grande parte do avanço obtido em leitura ocorreu entre as meninas, sendo que o crescimento da nota entre os meninos foi insignificante.

Vale a pena contrapor a nossa evolução educacional com a ocorrida no Chile. Em leitura, por exemplo, o desempenho dos alunos chilenos aumentou 40 pontos, mais do que o dobro dos brasileiros. Entretanto, no caso do Chile o desempenho aumentou mais entre os piores alunos do que entre os melhores. Assim, a qualidade da educação no Chile melhorou com queda na desigualdade, o melhor dos mundos. Por fim, a melhora ocorreu tanto entre os meninos como entre as meninas. Mas, que políticas educacionais tiveram efeito tão positivo no Chile?

Segundo o relatório do próprio Pisa, as principais políticas parecem ter sido o foco nas escolas com pior desempenho, o aumento do número de horas-aula, mudanças no currículo nacional, aumento dos gastos com educação e avaliação completa do desempenho dos professores das escolas públicas, incluindo observação do seu desempenho em classe. Os professores que forem reprovados três vezes nessa avaliação são demitidos. Além disso, as escolas e os professores com melhor desempenho recebem mais recursos e maiores salários. Aumento de gastos com mais horas-aula, acompanhado de medidas que introduzam a meritocracia na vida escolar parece ser a receita para o sucesso.

Em suma, o desempenho dos alunos brasileiros vem melhorando na última década, graças a uma série de políticas educacionais corretas que foram sendo introduzidas por diferentes ministros, no sentido de descentralizar a gestão, criar sistemas de avaliação, divulgar os resultados das avaliações por escola e estabelecer metas para cada uma delas. Além disso, inovações nas redes estaduais e municipais de educação, principalmente aquelas com ênfase na meritocracia, tiveram um papel importante.

Entretanto, esse avanço tem ocorrido de forma lenta e puxado pelo desempenho dos melhores alunos e das meninas. Assim, enquanto a desigualdade no acesso à educação está declinando e puxando para baixo a desigualdade de renda, a desigualdade na qualidade da educação caminha no sentido contrário, o que retardará a queda na desigualdade de oportunidades.

Por fim, os resultados do Pisa mostram claramente que os chineses estão fazendo a sua lição de casa, obtendo avanços significativos nas questões mais fundamentais da sua sociedade, para torná-la mais competitiva. Enquanto isso, os brasileiros passaram o ano inteiro discutindo a taxa de câmbio!

Naercio Menezes Filho é professor Titular – Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e professor associado da FEA-USP, email: naercioamf@insper.edu.br

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Capitalismo de Estado da China gera críticas globais | Valor Online

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Excessos de produção criam pressões sobre preço do aço

Mas o ritmo dos reajustes está se desacelerando e, em alguns casos, já chegou ao limite. Os preços do vergalhão de aço nos EUA, que vinham aumentando todos os meses desde novembro, agora se estabilizaram.

via Excessos de produção criam pressões sobre preço do aço.

Boom de arranha-céus abre guerra de elevadores

Boom de arranha-céus abre guerra de elevadores

    Clenfield Jason, Bloomberg Businessweek
    01/06/2010

O arquiteto americano Frank Lloyd Wright previu a expansão suburbana nos EUA quando disse que a forma das cidades modernas seria decidida pelo vencedor de uma disputa entre o carro e o elevador. “Quem aposta no elevador está louco”, disse ele.

A China pode provar que ele estava errado. Cerca de 350 milhões de chineses, mais do que toda a população americana atual, migrarão para as cidades chinesas na próxima década e meia, segundo a consultoria McKinsey, e as medidas do governo para limitar a expansão das cidades e proteger as terras agrícolas significa que as incorporadoras têm de construir para cima, em vez de horizontalmente. A McKinsey estima que cerca de 50 mil arranha-céus serão construídos na China nos próximos 15 anos, o equivalente a dez Manhattans.

A perspectiva dessa enxurrada de prédios está fazendo com que fabricantes disputem uma participação num mercado de elevadores que movimentará os US$ 11,7 bilhões por ano e que, segundo previsões do Freedonia Group, empresa chinesa de pesquisas, mais que duplicará no prazo de oito anos. Enquanto a Otis Elevator lidera, com 23% do mercado, fabricantes de elevadores menos conhecidos esperam ficar famosos quebrando recordes de velocidade ou vencendo concorrências históricas para equipar as estruturas mais altas do mundo.

“Se você tem prédios mais altos, vai precisar de mais elevadores”, diz Philip Oldfield, pesquisador do Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano, de Chicago. “Uma coisa implica a outra.”

Em abril, a Hitachi concluiu a construção de uma torre de 50 andares para testes, a um custo de US$ 66 milhões. A empresa irá utilizá-la para desenvolver elevadores capazes de quebrar o recorde de velocidade, atualmente com a Toshiba. Dois dias após a inauguração da torre, a Hyundai Elevador prometeu conquistar o título até o meio do ano.

A Hitachi e a Hyundai estão competindo para ser a primeira a produzir elevadores capazes de subir a 64 km/h, aproximadamente a velocidade vertical de um Boeing 777, que chega a produzir a sensação de pressão nos ouvidos. A disputa estende-se até as torres de teste: as duas empresas também competem na construção da torre mais alta do mundo. A Hitachi venceu, ao incluir um para-raios de 33 metros.

“É um assunto secundário muito caro, mas eles querem entrar na brincadeira dos grandes”, diz James Fortune, um consultor veterano na área de elevadores, que assessorou arquitetos em alguns dos prédios mais altos do mundo, incluindo o atual detentor do recorde, o Burj Khalifa, de Dubai. “Não se ouve os grandes se vangloriando dos elevadores mais rápidos do mundo.”

A maior fabricante mundial de elevadores é a Otis, que forneceu as 57 unidades usadas pelo Burj Khalifa, de 128 andares. Sua participação no mercado mundial caiu de 26%, há quatro anos, para 20%, em 2008, segundo a Freedonia. Subsidiária da United Technologies, a Otis teve vendas de US$ 11,7 bilhões em 2009, 50% a mais que sua rival mais próxima, a Schindler Holding, da Suíça.

Para conquistar participação na China, a Otis começará em breve a construir sua quinta fábrica no país. A unidade estará na cidade de Chongqing e faz parte da estratégia do governo de ajudar áreas menos desenvolvidas a alcançar o ritmo de cidades costeiras como Xangai e Guangzhou.

A “política de crescer para o oeste” do governo é um dos motivos pelos quais cerca de metade dos 450 mil elevadores que serão instalados neste ano no mundo estará em prédios chineses, diz Jeff Pulling, chefe de operações em prédios altos da Otis.

As empresas chinesas também crescem. A Shenyang Brilliant Elevator, criada em 2002, tornou-se uma das maiores fabricantes do país e se mudará em julho para uma instalação, de 900 mil metros quadrados, em Shenyang. O vice-gerente-geral da empresa, George Tsong, diz que será a maior do mundo. A nova fábrica produzirá cerca de 50 mil elevadores por ano.

Grandes projetos trazem grande publicidade, diz Shinji Sasaki, gerente-feral de marketing internacional da unidade de elevadores da Mitsubishi Electric. A empresa japonesa forneceu os 61 elevadores da Jin Mao Tower, um arranha-céu no distrito financeiro de Xangai que foi o edifício mais alto da China entre 1999 e 2008. “Levamos os clientes até lá e os deixamos ver por si mesmos”, diz Sasaki. “Conseguimos muitas vendas com disso.”

Era esse impacto de marketing que a Toshiba estava procurando quando fechou um acordo “irresistível” para os donos do Taipei 101, segundo C.P. Wang, principal arquiteto da C.Y.Lee & Partner, escritório que desenhou o arranha-céus de Taiwan.

O Taipei 101, que era prédio mais alto do mundo até este ano, quando o Burj Khalifa o superou, usa 50 elevadores, incluindo dois expressos que se movimentam a uma velocidade de 61,15 km/h, um recorde mundial. “Eles queriam um prédio que exibisse suas habilidades, portanto agregaram de graça os custos de marketing”, afirmou Wang. “Eles deram ao proprietário um preço muito bom.”

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