Construção: A margem líquida da companhia, porém, continua abaixo da média do setor.
Gafisa mais que dobra resultado
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06/11/2009 |
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Criticada pelos analistas pela baixa margem líquida, a Gafisa começa a melhorar os seus resultados. O lucro líquido da companhia (antes das despesas com minoritários e com os planos de opção de ações e que considera 100% dos resultados da Tenda) foi de R$ 88,5 milhões, o que significa uma alta de 136% em relação aos R$ 37,6 milhões do mesmo período do ano passado. A margem líquida, de 7,5%, continua abaixo da média do setor – de 12% no segundo trimestre. Ajustada, a margem líquida sobe para 10,1%. Recentemente, a companhia anunciou a intenção de incorporar integralmente a Tenda, empresa de baixa renda adquirida em agosto do ano passado. Segundo Wilson Amaral, presidente da companhia, houve um impacto negativo de Tenda no balanço da consolidada Gafisa. “Fizemos ajustes, estamos arrumando a empresa, mas a Tenda ainda puxa um pouco o resultado para baixo”, afirma Amaral. A margem líquida de Tenda no terceiro trimestre foi superior à de Gafisa (8,3%), mas a margem do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) da companhia de baixa renda ficou em 14,5%, enquanto a da Gafisa é de 20,4%. O impacto negativo da empresa de baixa renda, segundo Amaral, deve-se à diminuição do reconhecimento de receita da Tenda por conta da redução do volume de obras no início do ano. “Revisamos vários contratos de terceirização de obra no começo do ano”, diz Amaral. No dia 30 de setembro, a Tenda tinha R$ 1,2 bilhão de venda efetuada, mas sem receita reconhecida (obras não iniciadas). Se aprovada em assembleia, a Tenda passa a ser uma subsidiária da companhia e deixa de ser listada. A empresa aposta numa redução importante das despesas gerais e administrativas após a incorporação. A receita líquida da Gafisa no terceiro trimestre somou R$ 877 milhões, alta de 131,4% sobre os R$ 378 milhões do mesmo período do ano passado. A empresa deve emitir R$ 600 milhões em debêntures junto à Caixa Econômica Federal – a assembleia de acionistas está marcada para 16 de novembro. As debêntures servirão como uma linha de crédito rotativo permitindo que a empresa financie até 90% do custo total do projeto. Recentemente, a Gafisa anunciou a emissão de R$ 250 milhões em debêntures para capital de giro. A Gafisa é a única entre as cinco maiores que não fez uma nova oferta de ações – a companhia chegou a anunciar a oferta, mas desistiu porque não teve demanda. O caixa da companhia fechou setembro em R$ 1,1 bilhão, e a dívida líquida em R$ 1,7 bilhão. Seguindo a tendência de conservadorismo do setor imobiliário, a Gafisa reduziu fortemente o número de lançamentos este ano. Nos primeiros nove meses, foram lançados R$ 3,5 bilhões, queda de 63% em relação ao ano passado. No trimestre, a queda foi de 43%. Segundo Amaral, no quarto trimestre, a companhia voltará a um ritmo mais forte de lançamentos para que possa engordar a receita no futuro. No ano, as vendas subiram 11,8% e no trimestre aumentaram 48%, atingindo R$ 800,2 milhões. Com um volume menor de lançamentos, a companhia conseguiu reduzir estoques (imóveis já lançados, em construção ou prontos). Terminou o mês de setembro com R$ 2,8 bilhões (valor de mercado) em estoques, depois de ter começado o ano com R$ 4 bilhões. A estimativa da Gafisa é vender entre R$ 2,7 bilhões e R$ 3,2 bilhões em 2009 – o que significa que no quarto trimestre a empresa terá que vender mais R$ 750 milhões para atingir o ponto médio da projeção. “Vamos atingir o ‘guidance’ tranquilamente”, afirma o presidente da companhia. |

